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quarta-feira, 9 de maio de 2012

O Senhor dos Anéis - Trilogia (2001/2002/2003)


“O mundo mudou. Posso senti-lo na água, posso senti-lo na terra, posso senti-lo no ar. Muito do que havia está perdido, pois nenhum dos que se lembra está vivo.”

A ideia original dos primeiros pais da sétima arte pode ser considerada como um escapismo, ou seja, arrancar risos e divertimento do grande público. Entretenimento do mais puro e simples era o lema daquela geração de ouro do cinema. Com o passar do tempo, esta ideia foi se metamorfoseando criando ramificações para outros gêneros e todo aquele deslumbramento inicial deu origem a filmes voltados para questões mais relevantes para cada época. Do pioneiro A saída dos operários da fábrica dos irmãos Lumièrie até achegar ao Avatar de James Cameron, muita coisa se criou, se copiou e aconteceu pelas trilhas do cinema. Mas o entretenimento, aquela coisa de provocar o deslumbramento inicial no público, continuou imutável.

Contudo, as várias modificações dentro da sociedade acompanhadas atentamente pelas lentes cinematográficas fortaleceu o mote do drama. Filmes dramáticos alcançaram uma relevância incontestável, principalmente no que diz respeito a premiações. A fábrica de sonhos foi tornando-se pela própria história da humanidade, uma fábrica de realidades. O caminho de boas aventuras foi ficando cada vez mais estreito, surgindo muito de vez em quando, obras de qualidade neste gênero. Aqueles filmes inesquecíveis, que nos fazem querer constantemente viajar pelos quatro cantos da terra.

Reza a lenda que foi justamente nestas modificações da sociedade mundial, que surgiu a primeira ideia de uma das obras mais espetaculares da história. O senhor dos anéis teria saído do escapismo do autor J.R.R.Tolkien durante a enfadonha Grande Guerra. O velho mundo sendo dominado por um tirano desprezível, o Mal encarnado capaz das maiores atrocidades contra outros povos. Uma figura real, personificando o poder que do lado negro de todo homem (infelizmente não era o Darth Vader!). Assim, enquanto o enfadonho Adolf Hitler promovia o caos e a violência em massa, Tolkien fazia o que todo homem sonhador de boa fé fazia naqueles tempos de trevas. Encontrava sua própria luz no fim do túnel pelas páginas de sua criação.

Através delas Tolkien criou mais que um simples mundo de fantasia. Criou uma obra preciosa que ultrapassou eras e eras como um valoroso trunfo para nossa própria história. Neste mundo de ficção e fantasia, viajamos por dentro da realidade dramática de nossos tempos. Duas torres que deram base a um best-seller indispensável como uma obra- prima cinematográfica.

Pelas mãos do diretor Peter Jackson, suas páginas ganharam vida décadas mais tarde. Quando iniciou o audacioso projeto de adaptação do livro, Jackson colocou por detrás das lentes a mesma paixão de Tolkien nas páginas. Com isso, o diretor trabalhou incessantemente para que seus ídolos tivessem uma homenagem à altura de sua relevância. Dezesseis meses de trabalho foram suficientes para gravar em uma só tomada, três sequências impressionantes. Em todas elas é possível captar do livro e das telas a importância dos valores perdidos durante aquela época de tribulação. Amor, amizade, lealdade, nobreza, fé, esperança e acima de tudo, união. Todos independentes da raça que pertenciam, lutando por uma mesma causa. O fim da poderosa escuridão que furtava a esperança do mundo.

Da síntese perfeita da personalidade humana daqueles momentos, Tolkien criou e Jackson deu vida a um emblemático personagem. Gollum captou a dualidade do ser humano por meio das expressões corporais do ator Andy Serkins em computação gráfica e tornou-se vívido na figura enigmática do ser destruído pela obsessão do Um Anel. O monstrinho de olhos arregalos despertou no público sentimentos tão misteriosos quanto seu próprio interior. Ele amava e odiava o Anel, assim como nos o amamos e o odiamos neste tempo. É impossível diante de tanto carisma dissociar o filme de sua imagem preciosa.

Da construção minimalista dos personagens, passando pela produção impecável e seus espetaculares efeitos visuais e indo de encontro a uma inevitável popularidade, a obra marcou tanto que se tornou um épico perfeito na fusão do cinema de entretenimento com o cinema de arte. Tamanha minúcia nesta superprodução de Jackson fez de O Senhor dos Anéis a maior trilogia cinematográfica da história. Façanha alcançada pela extasiante aceitação do público e pela crítica racional que lhe rendeu 17 dos 30 Oscar que concorreu em sua trajetória.

A jornada pela destruição do Um Anel é a jornada do próprio cinema em busca de um trono que antes ocupava. É uma prova definitiva de que para se obter sucesso nesta jornada é necessário saber por qual caminho deve-se aventurar. Ao tomar o caminho certo, Jackson trouxe de volta a adoração ingênua pela simples diversão sem deixar de lado o cuidado especial por sua obra, resultando em qualidade excepcional sob todos os níveis. Através dele viajamos por uma Terra inesquecível, adoramos personagens marcantes, lutamos bravamente contra Orcs, Nazgúl, Trolls e outros seres medonhos das trevas. E quando subiram os últimos créditos de O retorno do Rei, a sensação de dever cumprido se mesclou com nossa satisfação, o público que tanto almejou. Deles emanaram preciosos adjetivos intermináveis para o que acabaram de apreciar. Talvez no fundo pudesse ouvir apenas uma expressão que iria ecoar por toda eternidade: Vida longa ao Rei!


O SENHOR DOS ANÉIS EM 3 PASSAGENS MARCANTES:

Gandalf e o Balrong: Como líder alternativo da sociedade, o Mago Gandalf ordena que todos sigam em frente enquanto ele é deixado para trás a fim de enfrentar um demônio do mundo antigo, um de seus piores pesadelos dentro das obscuras Minas de Múria.

A batalha no Abismo de Helm: para fugir do poder incalculável que emana da torre de Isengard, nossos heróis confrontam os inimigos apoiados na Fortaleza do Rei Théoden, mais conhecida como o intransponível Abismo de Helm. Lá, acontece uma das maiores sequências da trilogia. Até hoje um marco em termos de guerras épicas.
Os acender dos faróis: sem poder contar com a ajuda do Regente do trono, Gandalf e o hobbit Pippin orquestram um plano para unir Gondor, a cidade do Rei, a Rohan, o outro reino dos homens. A esperança, o elemento mais relevante da obra, é maravilhosamente captada numa imagem espetacular das alvas montanhas neozelandesas quando um a um, os faróis se acendem com a câmera viajando sobre elas.

   

O Senhor dos anéis: a sociedade do Anel (The Lord of the Rings: The follow ship of the Ring, 2001)Direção: Peter Jackson. Com: Elijah Wood, Ian McKellen, Viggo Mortensen e Cate BlanchetO Um Anel acordou e ouviu o chamado do Mestre. É hora de formar uma sociedade dos povos da Terra Média a fim de destruí-lo na encosta da Montanha em que foi forjado. Frodo Bolseiro (Elijah Wood) se torna o portador da joia maligna. Junto a seus outros oito companheiros, inicia uma inesquecível aventura.
Nota: 10



O Senhor dos anéis: as Duas Torres (The Lord of the Rings: the two towers, 2002)
Direção: Peter Jackson. Com: Elijah Wood, Andy Serkins e Viggo Mortensen
A sociedade se desfaz. Agora os heróis passam por diversas aventuras em lugares separados. Enquanto Aragorn (Viggo Mortensen) lidera um grupo em uma batalha mortal, o portador do Um Anel tende a fazer uma aliança nada confiável com o imprevisível Gollum (Andy Serkins) para chegar a Mordor.
Nota: 9.5


O Senhor dos anéis: o retorno do Rei (The Lord of the Rings: the return of King, 2003)
Direção: Peter Jackson. Com: Elijah Wood, Ian McKellen e Viggo Mortensen
A conclusão da saga traz a figura de Aragorn (Viggo Mortensen) em ascensão em busca de recuperar seu trono na cidade dos homens. Batalhas espetaculares são travadas pelos outros companheiros. Quando a esperança parece se dizimar, o Um Anel é lançado no fogo junto com Gollum (Andy Serkins).
Nota: 10


Um comentário:

  1. São mesmo sensacionais, vai demorar até que um filme de fantasia os superem.

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