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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A MAIOR DAS RELÍQUIAS

Ela nasceu de uma família de pais trouxas e desde criança já sofria uma espécie de bulling por ser diferente da maioria dos bruxos de Hogwarts. Pequenina, se encolhia num mundo permeado de livros, poções, e tudo mais que se possa existir para fazer de uma criança superdotada uma bruxa de verdade. Era tida como esquisita pela maioria dos colegas por justamente andar na contramão. De personalidade forte, nunca se deixou intimidar com as represarias. Sentia-se e de fato era, a mais brilhante aluna da Escola de Magia, deixando por algumas vezes emergir um ar de superioridade, até certo ponto de arrogância nas salas de aula. Ao optar por um isolamento de escapismo, a sensação de invulnerabilidade criou uma armadura de defesa em seu espírito. De toda esta matéria, fez-se Hermione Jean Granger (Emma Watson), a heroína da saga Harry Potter, e uma das maiores personagens da literatura e do cinema mundial.
A arte de defesa contra as trevas da ignorância e do preconceito foi sua aliada durante um bom tempo. E embora pudesse parecer que estava no caminho certo em se dedicar inteiramente aos estudos, no fundo de seu exílio particular, lhe faltava algo. A paixão não correspondida pelo colega Ronald Weasley (Rupert Grint) colocava em xeque toda sua onipotência. Desta paixão fez-se uma fissura na armadura, deixando-a irritantemente vulnerável. Com a chegada do famoso Harry Potter (Daniel Radcliffe) a Hogwarts, parte de suas necessidades foram supridas. A relação com Ron Weasley mudou de sentido, passando a se conhecerem melhor mediante os perigos que uma amizade com Harry possa acarretar.

Com o garoto que sobreviveu ao Lorde das trevas, desenvolveu uma mística parceria imprescindível para esta batalha. Uma parceria tão perfeita que traduz com exatidão a máxima de que para todo grande Herói existe aquele aliado fundamental. A pessoa que o ajuda a carregar o fardo que sua posição obriga. Clark Kent e Chloe Sullivan de Smallville e Frodo Bolseiro e Sam Wise Gandhi de O Senhor dos Anéis, são exemplos atuais do sucesso do entrosamento entre o Herói e seu chamado braço direito. Inclusive, Frodo e Sam seriam os personagens de J.R.R.Tolkien que teriam influenciado J.K.Rowlling a difundir os laços de amizade entre os poderosos bruxos, uma vez que a autora parece ter bebido da fonte de O senhor dos Anéis em algumas passagens de sua saga. Hermione estaria para Harry assim como Sam para Frodo. Contudo, para os fãs, não importa de onde veio a inspiração, pois o importante é o que esta inspiração trouxe de benéfico para eles. Hermione mostrou ter muito mais em comum com Harry que a inicial do nome, chegando a se equiparar, ou superá-lo em alguns aspectos por vezes. Harry dizia que Hermione seria uma bruxa muito melhor que ele, e ela, para retribuir a gentileza não se cansava de exaltar sua coragem. “Eu, livros e inteligência. Mas há coisas mais importantes. Amizade e coragem”, disse ao amigo certa vez.

Enquanto isso, Ron seguia à margem, relutando em ouvir a voz de seu coração, mesmo diante de cada façanha realizada por ela. De estranha em primeiro instante, Hermione passou a ser brilhante perante seus olhos do rapaz a cada vez que exibia suas “mágicas soluções” a fim de escaparem das inúmeras enrascadas que se envolviam. Com seu vasto conhecimento do mundo dos trouxas arquitetou fugas oportunas de um local para outro em frações de segundos. O que para a maioria dos bruxos seria uma fraqueza (não ser de sangue puro), para ela definia sua personalidade e deixava sua força mais evidente. É aí que se fundamenta a importância em ser diferente. Poder contribuir a seu modo na luta contra o Mal.

A coragem do menino Potter e o altruísmo do menino Weasley, só ganharam altivez com as qualidades latentes de Granger. Em cada desafio, a amizade entre eles se cristalizava. A jovem bruxa era o eixo principal que os unia. Ela estava sempre apostos toda vez que o perigo rondava seus amigos. Sua lógica perspicaz, sua notória inteligência, coragem onipresente, dedicação inflexível aos estudos, força de caráter singular, se acentuaram consideravelmente com o passar dos anos. Tudo isso mediante a um propósito: tornar-se o pilar inabalável de Harry Potter em sua Guerra contra Voldemort. Foi os olhos do amigo, guiando-o pelas mãos por diversas vezes em cada sequencia. O escudo que o protegeu de um terrível destino. Se tivessem sido criados por J.R.R.Tolkien, se veriam juntos numa jornada igualmente perigosa, com o menino bruxo afirmando: “Harry não teria chegado tão longe sem a Hermione”. Como reafirmou Ron Weasley de J.K.Rowlling, “A gente não ia durar dois dias sem ela”. E o ruivinho nenhum dia a mais sem ela. O casal fofo da saga finalmente se acertou mediante ao perigo eminente do fim do mundo. Conseguiram fundir a admiração dele para com ela, e o amor dela para com ele.

Mais que uma peça fundamental na batalha do Bem contra o Mal em Hogwarts, Hermione Granger é um típico modelo de heroína atípica, dotada de qualidades notáveis e defeitos aceitáveis. Uma personificação mais que perfeita da amizade incondicional, lealdade catedrática e do amor sublime. Três das maiores Relíquias da Vida de Hermione Granger. A maior das relíquias de Harry Potter.


A OITAVA HORCRUX NO CAMINHO DE HARRY POTTER

É ingrata e perigosamente propensa a erros a missão de adaptar uma obra literária. Perante este desafio, diretores e produtores de cinema tendem a ter cautela e discernimento a obter o mesmo êxito dos livros. É preciso fazer com que o público virgem das páginas, tenha acesso à sua história por meio das telas, mesmo que na forma adaptada. Impedir que todos sintam a necessidade de sair dos cinemas para uma biblioteca mais próxima a fim de entender o que viram.

Sucessos de público e crítica nos últimos tempos, filmes como O Código da Vinci e O Senhor dos Anéis são exemplos extraordinários de que uma boa adaptação literária pode também se tornar um grande sucesso cinematográfico. Ambos transpuseram para as telas a mesma emoção dos livros, criando uma forma de entretenimento bem acessível àqueles que não se dispõem a se enveredar pelos caminhos das páginas. É possível apreciar a estes filmes sem nem sequer ter ouvido falar em Dan Brow ou J.R.R.Tolkien. Este é o chamado público leigo, ou seja, aqueles que apenas desejam assistir a um bom entretenimento, sem a obrigação de conhecer a fundo suas origens. Uma fórmula que costuma funcionar bem quando a preocupação em realizar obras de qualidade supera o fato de ter que repetir a qualquer custo (lê-se: lucrar) o sucesso dos filmes anteriores.

Fenômeno criado pela escritora J.K.Rowlling, Harry Potter parecia deitar eternamente em berço esplêndido desde seu primeiro longa até que o passar dos anos trouxeram um sucesso tão imenso que o poder das telas mutilou o poder das páginas. Nestes quase 10 anos o fenômeno atingiu as salas de projeção tão rapidamente quanto aparatar de um local para outro. E foi justamente isto que fez com que as últimas sequências deixassem a desejar. A pressão dos grandes estúdios com contratos sumariamente assinados culminou com a falta de tempo hábil para realizar com mais “capricho” os filmes que viriam a fechar as lacunas deixadas pelos antecessores.

Os protestos dos fãs tornaram-se constantes, diante de uma adaptação equivocada ou de um proeminente adiamento da data do último filme. Além disso, detalhes primordiais para o fechamento da saga se perderam em meio a roteiros condensados, muitas cenas de ação e de pouca relevância.

Uma adaptação não condizente com as páginas dos livros é um fato bem aceito, pois se trata de licença poética ou pura necessidade dos produtores. Mas quando forças maiores do que a arte interferem de maneira nociva no bom andamento de uma obra é de se lamentar. Assim, a fase mais madura da vida de Harry Potter e seus amigos (certamente a mais interessante), permaneceram na penumbra de um emaranhado de “como assim?” e “porquês” para quem leu os livros. Já para quem nunca tiveram em mãos as aventuras literárias do menino bruxo, sentiu-se perdido em alguns momentos assistindo aos capítulos derradeiros da maior franquia do cinema.

O ápice da saga, o mais esperado, aquele que finalmente traria as respostas almejadas, decepcionou seu vasto público depois de tanto tempo de espera. Harry Potter e as Relíquias da Morte – parte 2 já nasceu com a expectativa de ser o melhor de todos eles. Aquele que fecharia magistralmente a fascinante história de K.Rowlling. No entanto, as muitas sequências infundadas do thriller, a desvalorização de alguns dos personagens relevantes da saga, a confusão em relação à associação das Relíquias da Morte com as chamadas Horcruxes, transformaram toda a expectativa em frustração. Equívocos que respingaram até no embate final entre Harry e Voldemort. O poder do personagem soberbamente interpretado por Ralph Fiennes se esvaiu bem antes do esperado confronto, como ressalta Preview: “O personagem de Ralph Fiennes amedronta menos que sua cobra gigante assustadora”. Uma pena!

Se a última sequência do Lorde das Trevas foi sonolenta e sem empolgação, então o que dizer do fim da tresloucada Bellatrix Lestrànge (Helena Bonham Carter)? Uma das grandes vilãs da trama, a perversa prima de Sirius Black (Gary Oldmam), não merecia um fim tão patético. Vamos precisar do feitiço de Obliviate para esquecer a cena brindada com um erro de continuidade gritante! No fim de tudo, mais surpresas. Ruins, claro. A sequência final do trio de Heróis bruxos, regada a casamentos e herdeiros, transformou o filme em uma boa novela.
Harry Potter e as Relíquias da Morte – parte 2 só não foi uma decepção maior por conta da esplêndida atuação de Alan Hickman como o indecifrável Severus Snape. O intérprete do rabugento professor de Hogwarts roubou merecidamente, todos os holofotes para si, equilibrando perfeitamente as forças de seu personagem.

Seja por meio dos livros ou pelas telas do cinema, o público que aprecia uma boa forma de entretenimento, busca sempre pelo melhor. E merece o melhor. Obras adaptadas devem ter a missão de antes de tudo, agradar o espectador em todos os níveis. Esta missão só se dá com exatidão quando se preocupam em fazê-lo com paixão pela arte e não visando apenas os enormes frutos que contratos milionários podem gerar. Uma Horcrux poderosa, onde se oculta a parte mais soturna da alma do cinema. Tão poderosa que nem o famoso Harry Potter pôde destruir.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

DE PRIMEIRA CLASSE



X-MEN Primeira Classe supera a trilogia morna e inconsistente dos mutantes de Xavier e dá o

pontapé inicial para uma nova era dos filmes de ação baseados nos quadrinhos


Quando se pensa em fazer um filme sobre Heróis, os envolvidos no processo geralmente não se dão conta do excelente material que se tem em mãos. A fusão entre o humano e o heroico, o embate entre o Bem e o Mal, a formação e cristalização de propósitos de ambos os lados e claro, os imprescindíveis efeitos visuais. Assim, se molda com sucesso um filme deste gênero. Nos últimos tempos, estes quesitos, com exceção do último, foram inseridos de modo superficial nestas produções, obrigando o público a se contentar com um entretenimento voltado a um único propósito: faturar milhões em bilheterias sem se preocupar com a qualidade contextual destas produções. Um dos maiores exemplos disso foi a trilogia X-MEN lançada em 2000. Sob a batuta de Bryan Singer, as três sequências tinham como base o universo dos mutantes da Marvel em suas conhecidas e aclamadas caracterizações. Contudo, um roteiro vago e impreciso, minimizou as chances de se fazer uma bela homenagem a estes amados heróis. E este é o diferencial entre a primeira trilogia e o que se vê em X-MEN – Primeira Classe. O filme de Mathew Vaughn nem de longe lembra a bagunça dos filmes de Singer com seu inchaço desnecessário de mutantes numa história sem um padrão definido e uma linha de raciocínio a se seguir.

Vaughn entra na contramão de Singer ao recomeçar a história com um roteiro consistente, personagens centrais bem homogeneizados aqui representados por três modelos indispensáveis para a série. A Guerra novamente serve como pano de fundo para a inserção de valores como a intolerância e auto aceitação, os carros-chefes do enredo mutante. O início se dá com o pequeno Erik Lensher (Bill Milner) num campo de concentração durante a Segunda Guerra. Ao usar seus poderes, ele chama atenção de Sebastian Shaw (Kevin Bacon), um importante oficial nazista, que deseja recrutar mutantes para lutar contra a ameaça humana num futuro próximo. Assim sendo, o menino que futuramente seria conhecido como Magneto, se transformaria em uma poderosa arma para este propósito. Contudo, a morte brutal de sua mãe, redireciona as prioridades de Erik (Michael Fassbender), já adulto, passando a caçar o algoz de sua família. Sua jornada em busca de vingança termina quando ele consegue seu objetivo. Matar o oficial, que também mostra ter poderes mutantes. Este episódio marcaria para sempre seus ideais na Guerra entre humanos e mutantes. Ideais que seriam o ponto de discórdia entre ele e seu melhor amigo o Professor Charles Xavier (James McAvoy).

O filme parece caminhar tranquilamente para contar como Erik Lensher transformou-se no poderoso Magneto, como em X-Men origens: Wolverine (2009), mas em Primeira Classe isso não ocorre dada a importância primordial no filme de seu amigo telepata e de uma das mais instigantes mutantes, em toda sua acepção da palavra, a sensual Mística (Jennifer Lawrence). Juntos, formam o fio condutor da história, com interpretações seguras dentro de um contexto coerente e linear. Assim somos apresentados a cada um de modo particular com suas inquietações tipicamente humanas e ideais formulados durante o filme. Vimos como a amizade entre os dois mutantes se disseminou com o conflito latente em relação à Guerra. E o que levou a jovem Haven a optar pela militância ao lado do mutante com poderes magnéticos. Tópicos que ficaram obscuros em todas as outras sequencias da série.

X-Men Primeira Classe apaga todos os equívocos da primeira trilogia e reescreve a história ao elevar o filme a algo visto em Batman - o cavaleiro das trevas (2008). Cinema de primeira linha, mesmo que o objetivo seja apenas entreter. Quando estes objetivos ultrapassam nossas expectativas, torna-se uma agradável surpresa. E como é prazeroso assistir a um ótimo entretenimento quando se tem plena consciência ao o que se está assistindo! Que daqui pra frente os profissionais envolvidos neste processo tenham consciência de que não basta apenas vestir o Herói com uniforme e máscara. É preciso ter inteligência e criatividade para criar e conduzir outros filmes como o de Vaughn. Para que haja outras produções de primeira classe.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Globo De Ouro 2012

Prévia do Oscar? Nem tanto.

Esta é a lista dos indicados ao Globo de Ouro para cinema. Dizem que é uma prévia do Oscar, o que discordo, já que muitos filmes ganham força na Academia por questões técnicas. Apresentarei os candidatos, minhas apostas e quem talvez sobreviva para o Oscar. São eles:

Melhor filme - Drama:
"Os descendentes"
''Histórias cruzadas"
''A invenção de Hugo Cabret"
''Tudo pelo poder"
''O homem que mudou o jogo"
''Cavalo de guerra"

- Desses, acho que o prêmio vai para o independente Os Descendentes de Alexander Payne. Estranhamente ignoraram A Árvore da Vida de Terrence Malick , O Espião que Sabia Demais, de David Fincher e Tão Forte e Tão Perto de Stephen Daldry. Porém, são muitas regras que moldam a lista, além de não levarem em consideração aspectos técnicos. Por isso, nem sempre quem ganha o Globo de Ouro é favorito ao Oscar.

Melhor filme - Musical ou Comédia:
"50/50"
''O Artista"
''Missão Madrinha de Casamento"
''Meia-noite em Paris"
''My week with Marilyn."
- Considero uma categoria estúpida. Era melhor colocar dez candidatos em uma só categoria, isso evitaria que O Artista, postulante a obra-prima do ano, Meia-Noite em Paris e My week with Marilyn, se desvalorizem concorrendo com filmes inferiores. Dos três, o filme de Hazanavicius vence, mas os outros dois provavelmente estão na lista da Academia.

Melhor ator - Drama:
George Clooney, "Os descendentes"
Leonardo DiCaprio, "J. Edgar"
Michael Fassbender, "Shame"
Ryan Gosling, "Tudo pelo poder"
Brad Pitt, "O homem que mudou o jogo"

- Nessa categoria, é difícil um prognóstico, mas a disputa fica entre Clooney, DiCaprio e Pitt. Aposto em DiCaprio. Ryan Gosling e Michael Fassbender disputam uma vaga para a lista do Oscar, apesar de o primeiro poder entrar por outro filme, Drive.

Melhor atriz - Drama:
Glenn Close, "Albert Nobbs"
Viola Davis, "Histórias cruzadas"
Rooney Mara, "O homem que não amava as mulheres"
Meryl Streep, "A dama de ferro"
Tilda Swinton, "Precisamos falar sobre o Kevin"

- Briga de cachorra (no bom sentido) grande nessa categoria. Glenn Close e Meryl Streep são favoritas. Mas Viola Davis é uma ameaça a ser considerada. Fico com Glenn Close. Acho que na bacia das almas Rooney Mara entrará no Oscar, Tilda Swinton sairá para a entrada de Michelle Willians, é serão assombradas por Kirsten Dunst (Melancolia).

Diretor:
Woody Allen, "Meia-noite em Paris"
George Clooney, "Tudo pelo poder"
Michel Hazanavicius, "O Artista"
Alexander Payne, "Os descendentes"
Martin Scorsese, "A invenção de Hugo Cabret"

- Parece ser barbada a vitória de Michel Hazanavicius, e aposto nele. Alexander Payne corre por fora,e Scorcesse está na lista por seu prestígio (não desmerecendo seu filme, que não vi). Allen não ficará para a lista do Oscar, assim como Clooney. Perderão lugar para Steven Spielberg (Cavalo de Guerra) e Terrence Malick (A Árvore da Vida). Stephen Daldry (Tão Forte e Tão Perto) e David Fincher (O Homem que não Amava as Mulheres), também tem chances.

Melhor ator - Musical ou Comédia:
Jean Dujardin, "O Artista"
Brendan Gleeson, "O Guarda"
Joseph Gordon-Levitt, "50/50"
Ryan Gosling, "Amor a toda prova"
Owen Wilson, "Meia-noite em Paris"

- É quase certa a vitória de Dujardim. Mas sabe-se o que se passa na cabeça da imprensa internacional. Deles, só ele mesmo para o Oscar.

Melhor atriz - Musical ou Comédia:
Jodie Foster, "Carnage"
Charlize Theron, "Jovens adultos"
Kristen Wiig, "Missão Madrinha de Casamento"
Michelle Williams, "My week with Marilyn"
Kate Winslet, "Carnage"

- Michelle Willians é minha aposta. Mas Charlize Theron tem força, assim como Forster e Winslet. Mas para a lista da Academia, só a loirinha incorporada por Marilyn Monroe mesmo.

Melhor ator coadjuvante:
Kenneth Branagh, "My week with Marilyn"
Albert Brooks, "Drive"
Jonah Hill, "O homem que mudou o jogo"
Viggo Mortensen, "Um método perigoso"
Christopher Plummer, "Beginners"

- Plummer não se cansa e é provável que vença. Mas aposto na volta do Shakespeareano Branagh. São dois nomes certos no Oscar. Acredito que Viggo Mortensen como Sigmund Freud vai encher os olhos dos acadêmicos. Hill e Brooks dependerão da força de seus filmes até janeiro, já que Tom Hanks e Max Von Sydow (Tão Forte e Tão Perto), e Paul Giamatti (Tudo pelo Poder) estão no páreo.

Melhor atriz coadjuvante:
Berenice Bejo, "O Artista"
Jessica Chastain, "Histórias cruzadas"
Janet McTeer, "Albert Nobbs"
Octavia Spencer, "Histórias cruzadas"
Shailene Woodley, "Os descendentes"

- O duelo será entre Bejo e Spencer, aposto na primeira. As duas juntamente com Jéssica Chastain são quase certeza no Oscar. Já as outras sairão para a entrada de Vanessa Redgrave (Coriolanus) e Judy Denchi (J. Edgar). Emma Watson (Cavalo de Guerra) espera a repercussão de seu filme para abocanhar uma vaga.

Melhor filme em língua estrangeira:
"The flowers of war"
''In the land of blood and honey"
''O Garoto da Bicicleta"
''A Separação"
''A Pele que Habito"

- Gostaria que O Garoto da Bicicleta dos irmãos Dardenne vencesse, entretanto, o iraniano A Separação é minha aposta. Por questões de regulamento, Tropa de Elite 2 ficou de fora da seleção. O interessante é que para o Oscar, só o representante do Irã e The Flowers of War estão na disputa por uma vaga. Poderão ter a companhia de Miss Bala (México), Pa Negre (Espanha) e O Porto (Finlândia).

Melhor filme de animação:
"As Aventuras de Tintin: O segredo do Licorne"
''Operação Presente"
''Carros 2"
''Gato de Botas"
''Rango"

- A animação de Spielberg vence. Não acho que O Gato de Botas e Carros 2 sobrevivam na lista da Academia. Rio e Happy Feet 2, assim como Kung Fu Panda 2 podem pintar até janeiro.

Melhor roteiro:
Woody Allen, "Meia-noite em Paris"
George Clooney, Grand Heslov e Beau Willimon, "Tudo pelo poder"
Michel Hazanavicius, "O Artista"
Alexander Payne, Nat Faxwon e Jim Rash, "Os descendentes"
Steven Zaillian e Aaron Sorkin, "O homem que mudou o jogo"

- Vence o roteiro de Hazanavicius. Lembrando que para o Oscar a categoria se divide em original e adaptado. Todos provavelmente estarão na listagem, assim como Tão Forte e Tão Perto, Cavalo de Guerra e O Espião que Sabia Demais.

Trilha sonora original
Ludovic Bource, "O Artista"
Abel Korzeniowski, "W.E."
Trent Reznor e Atticus Ross, "O homem que não amava as mulheres"
Howard Shore, "A invenção de Hugo Cabret"
John Williams, "Cavalo de guerra"

- Aposta no bi da dupla Reznor/Ross. É bem provável que só eles Willians e Shore continuem para o Oscar. Mas tudo sempre pode mudar.

Melhor canção original:
"Hello hello" (música de Elton John, letra de Bernie Taupin), "Gnomeu e Julieta"
"The keeper" (música e letra de Chris Cornell), "Redenção"
"Lay your head down" (música de Brian Byrne, letra de Glenn Close), "Albert Nobbs"
"The living proof" (música de Mary J. Blige, Thomas Newman, Harvey Mason Jr., letra de Mary J. Blige, Harvey Mason Jr., Damon Thomas), "Histórias cruzadas"
“Masterpiece” (música e letra de Madonna, Julie Frost, Jimmy Harry), “W.E.”

- Não conheço as canções. Mas aposto na força do filme Histórias Cruzadas.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

TOM HANKS

Ele vale o quanto pesa

“Um astro que vale o que recebe”. A frase atribuída a Antony J. Hanks, ou simplesmente, Tom Hanks é de uma reciprocidade tão grande quanto o talento deste ator californiano que se tornou rapidamente um dos mais dignos modelos de astros cinematográficos.

Nascido em Oakland (Califórnia, EUA), ele passou a infância entre mudanças e separações. Após o divórcio dos pais, aos 5 anos de idade foi morar com o progenitor em Nova Iorque. Enquanto seus outros dois irmãos ficariam com a mãe por certo tempo. Anos mais tarde, a união definitiva da família Hanks mudou radicalmente sua vida. Na época de colegial, notava-se que não teria muita aptidão para os estudos acadêmicos. Assim sendo, dedicou seu tempo, entre a inadimplência nas aulas e as colas, à sua maior paixão: o teatro. Depois de diplomado, foi convidado pelo diretor Vincent Dowling para estagiar no Teatro Shakespeare de Great Lakes, em Cleveland. Bastou apenas um único verão para impressioná-lo e faturar seu primeiro prêmio como ator pela peça The Two Gentleman of Verona. No entanto, nem mesmo com este inicio arrasador na carreira, não o impediu de passar por problemas financeiros. As dificuldades se estenderam de forma pessoal e profissional até encontrar um agente e participar de peças off- Broadway. Neste tempo teve de implorar por um papel de 90 dólares em Ele sabe que você está só. Neste mesmo ano (1980), estreou na TV com uma variação do clássico Quanto mais quente melhor, o seriado Bosom Buddies, que durou duas temporadas. O talento de Hanks ao se travestir de mulher no papel de Jack Lemon no cinema, chamou a atenção de Ron Howard e em 1984, estrelava ao lado de Daryl Hannah, a comédia romântica Splash – uma sereia em minha vida. O filme foi o boom que precisava para sua ascensão. Depois vieram Voluntários da fuzarca (1985) e um dos filmes que ele mais apreciou em fazer, Nada em Comum (1986).

Quero ser grande se encaixou perfeitamente como o lema de sua carreira. A aspiração de um ator de talento notório em busca de reconhecimento. E foi exatamente neste filme de Penny Marshall que ele veio. Hanks recebeu sua primeira indicação ao Oscar no papel de garoto no corpo de um adulto. E não foi para menos, afinal, teve de substituir ninguém menos que Robert De Niro no papel. Para isso, Hanks se dedicou inteiramente ao personagem, interagindo com crianças para estudar seus comportamentos e gestos. Algo parecido ele usou nos palcos em sua fase de comediante nos clubes de Nova Iorque no Palco das Ilusões. Uma experiência que se tornou uma grande lição de vida. “Só depois de esgotar seu repertório em dois minutos e ter de passar o resto do tempo sem saber como entreter o público é que se descobre como o fracasso é deprimente”.

Fracasso é uma palavra que deveria ser banida do dicionário de um ator que aspira competência e exala um carisma inebriante. Porém nem mesmo estes valiosos atributos o impediram de errar feio na escolha de alguns trabalhos. Dragnet - desafiando o perigo (1987); Meus vizinhos são em terror; Uma dupla quase perfeita (1989), onde dá uma de Dr. Doolitle contracenando com um cão horroroso e Joe vs. The Volcano (1990).

No entanto o início dos anos 90 marcou definitivamente o início de uma nova era em sua carreira. Os fracassos ficariam para trás, e o nome Tom Hanks se tornaria sinônimo de reconhecimento. A grande virada ocorreu mais precisamente em 1990 como protagonista de A fogueira das vaidades de Brian de Palma. O sucesso o levou até Filadélfia (1992). Sua soberba interpretação de um advogado aidético que tenta limpar seu nome maculado pelos patrões da firma onde trabalhava, comoveu o público e impressionou a crítica, que não teve dúvidas em lhe dar seu primeiro Oscar. E para reafirmar seu enorme talento, no ano seguinte repetiu a dose em Forrest Gump, O Contador de Histórias, tornando-se o único ator a ganhar consecutivamente o prêmio. Dali em diante, seu nome foi parar no anfiteatro chinês de Los Angeles, bem como na calçada da fama em Hollywood. Já era um astro consagrado quando aceitou embarcar outro empreendimento. Em 1995 ele emprestou sua voz a um dos personagens mais amados do cinema atual. O cowboy Woody da franquia Toy Story. Para ele, um trabalho tão prazeroso quanto os que interpreta fisicamente nas telas.

Tom Hanks seria indicado mais duas vezes ao Oscar. O Resgate do Soldado Ryan (1998) de Steven Spielberg foi muito mais que um filme para ele, uma vez que decidiu militar ativamente na preservação da memória de homens e mulheres na Segunda Guerra. Em Náufrago (2000), ele novamente reencontraria o diretor Robert Zemeckis (o mesmo de Forrest Gump), numa das melhores e mais curiosas interpretações da história onde tabela com uma bola de vôlei (coisas de Hanks!). Neste trabalho ele une com uma perfeição ímpar, seu inestimável humor com o talento dramático. À Espera de Um Milagre (1999), Estrada Para a Perdição (2002), também de Zemeckis e a comédia romântica Mensagem para você foram outros bons trabalhos. Em 2004, Matadores de Velhinhas, O Expresso Polar e O terminal seria o ponto de contraposto entre o fracasso e o sucesso.

Sucesso é a palavra que mais resume sua carreira apesar dos equívocos. Foi assim que levou para as telas um dos maiores heróis da literatura moderna. Robert Langdon é uma espécie de Sherlock Holmes do best-seller O Código Da Vinci do polêmico Dan Brown e pelas mãos de Hanks foi sucesso instantâneo também nas telas. As bilheterias estouraram em 2006, fazendo com que voltasse a interpretá-lo em 2007 na sequencia Anjos e Demônios. No mesmo ano viu seu filho Colin Hanks estrear no cinema em A Mente que Mente; co-produziu Jogos do Poder, onde atuou ao lado de Julia Roberts, que se transformou em uma de suas maiores fãs e amigas. Em Larry Crowe – O Amor está de volta (2011) a parceria se repetiu com Hanks na direção. “Trabalhar ao lado dele não pode ser considerado como trabalho. É pura diversão”, declarou a estrela. Como se vê, o talento de Hanks não se resume apenas à frente das câmeras. Uma nova parceria com o genial Spielberg renderia outros bons frutos pela premiada minissérie The Pacific.

Do anonimato ao estrelato, podemos definir em uma palavra o que representa o cinema pela visão de um dos mais amados e aclamados astros de Hollywood. Paixão. A mesma que desperta em todos os cinéfilos a cada papel que representa com segurança e autoridade. Uma carreira consagrada pelo talento, reconhecimento e valorização, sendo um dos astros mais bem pagos atualmente. Valor que nenhum dos estúdios titubeia em arcar, pois sabem que o astro vale ouro como figura humana e profissional. Sabem que ele vale o quanto pesa.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A Árvore da Vida (2011)

The tree of life, 2011. Dirigido por Terence Mallick. Com Brad Pitt, Sean Penn e Jessica Chastain.

Nota: 9.4

Muitos se assustam quando se deparam com a narrativa não-linear, com simbolismos e alegorias que pipocam a todo momento nas pouco mais de duas horas do filme A Árvore da Vida, escrito e dirigido por Terrence Mallick. E não para menos, o diretor destila todo seu potencial e cria uma obra de sensibilidade única, inspirada em grandes mestres, para contar uma história que vai da agonia da culpa ao extase da expiação. Com fotografia incrível, o filme carrega apenas um defeito, ser direcionado a olhos sensíveis a um cinema fora do comum.

Se em Além da Linha Vermelha (1998) Mallick trabalhou com elementos mais comuns ao cinema americana "convencional", com o diferencial de montar um filme com uma linguagem mais lírica e lenta para um exemplar de guerra, retratando os temores e terrores de quem viveu a terrível experiência nos campos das ilhas da indonésia. Se tornou cult movie e bateu de frente com O Resgate do Soldado Ryan (1998), de Steven Spielberg. Nesse longa, o diretor buscou os conflitos internos que atormentavam os combatentes, sob uma ótica contrastantes com o show pirotécnico, e excepcional, do filme de Spielberg.

Para quem pretende entender a expansão alegórica de A Árvore da Vida, tem de se ao menos ter aguentado a lentidão de seu filme anterior. Apesar de assemelhar-se em condução, a construção filmica se tornou muito mais tênue e complexa. Em um primeiro ato, o texto direciona o expectador para a reflexão maniqueísta do equilíbrio humano, emendando à questões transcendentais quanto ao temor a Deus. Poucas palavras salpicam e resumem a agonia que consome o personagem, e começam a desenrolar a trama no que seria seu ápice.

O momento mais extraordinário, e um tanto subjetivo, do filme é sua analogia temporal, que leva o público através dos tempos na busca por uma explicação para as questões levantadas nas sequências anteriores. Talvez só o próprio Mallick compreendesse essa sequência, ou então fosse sua intenção deixar cada um tirar suas próprias conclusões. O mesmo Stanley Kubrick havia feito em 2001: Uma Odisséia no Espaço (1968), só que as ferramentas que ele utilizou durante todo o filme, do recorte temporal no início ao infinito na sequência final, proporcionou um entendimento menos nebuloso quanto ao de Mallick.

Apesar de ousada, o mecanismo de "viagem no tempo" não é nenhuma novidade. Este estilo pode ser visto em Adaptação (2002), de Philip Kauffman, onde sua narrativa também engloba dramas existenciais, porém com um concepção mais humor-negro, e bem menos complicada. Mas o que torna A Árvore da Vida uma obra com requintes de prima, é o teor intimista, Com uma fotografia impressionante, possivelmente vencedora do próximo Oscar, e que arranca de Brad Pitt sua melhor interpretação.

Ainda sobre Pitt, quanto mais sua imagem se distancia de um deus helênico, mais seu talento ganha destaque. Sua atuação como o pai rígido e depois arrependido, emana antipatia e compaixão, o que prova a competência com que incorporou o personagem. Sua companheira, Jessica Chastain, pinta como a grande sensação do ano, já que além da boa atuação nesse longa, emplaca outra excelente participação em Histórias Cruzadas (Help, 2011). A ruiva, além de ser fisicamente semelhante a australiana Cate Blanchett, seu início mostra que tem talento para um dia ser como ela atuando.

Por fim, não nada de mais no filme de Terrence Mallick. É apenas uma discussão intrínseca, muitas vezes transcendental, do ser humano. Uma visão lírica de um assunto comum a qualquer um. Para quem não consegue entender o contexto, é só experimentar assistir novamente, e ao contrário do que dizem a respeito, não se trata de uma produção voltada para quem se acha culto e com uma capacidade maior que os outros. É apenas um filme que exige atenção, em todos os elementos que compõe o cenário, para só assim poder se identificar com a trama, e então, entendê-la.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Uma nova projeção


A amizade entre um velho projecionista e um garoto apaixonado por cinema é o mais brilhante cartaz de Cinema Paradiso. Uma obra inesquecível dedicada a todos que fazem da missão de ensinar um aprendizado contínuo e apreciam a arte de recriar os sonhos através das telas

Ensinar é um verbo transitivo direto que nos acompanha sempre em cada jornada de nossa vida. Da infância, passando pela adolescência e chegando a fase adulta, sempre precisamos de alguém que o carregue consigo e que esteja comprometido em usá-lo a fim de nos apoiar em cada passo. Foi assim que Alfredo, o projecionista do Cinema Paradiso da cidade de Giancaldo se destacou na vida do menino Totó. Passivamente, Totó foi conduzido com dedicação e considerável afeição por seu mestre nas mais fantásticas obras que realçavam seus sonhos. Por meio deles, Alfredo se tornou seu professor munido com o diploma na arte de ensinar. Assim, conseguiu se tornar um elo familiar importante na vida de Totó. Ativamente, o menino aprendeu a carregar suas diversas lições e com a mesma afeição e dedicação para quem delas necessitava. O elo criado desta troca de afeto então se fortaleceu como uma base sólida para vida de ambos.

Neste caso não importa o grau de escolaridade a que Alfredo venha possuir. Aliás, isto ele nem mesmo tinha por ser analfabeto. Bastou que tivesse no coração o dom de ensinar e se comprometer em se tornar parte de algo familiar na vida de seu pupilo. Ser um bom professor muitas das vezes é superar seus próprios limites. É inventar, se reinventar como forma de interação. É ter sensibilidade de observar tudo que se passa dentro e fora dos muros do colégio. É ter a capacidade de estar ciente das veracidades destas lições, interagindo de forma uniforme com seu aluno. O professor da vida é alguém a quem devemos confiar como Alfredo ganhou a confiança de Totó através do carinho e idoneidade.

Somando as inspirações de mestre e discípulo, obtemos algo mais valioso que ensinar e aprender. A amizade. O professor é um amigo professor e o amigo é o professor. Esqueçamos as datas, semestres, trabalhos, notas, diários. Amigos necessitam apenas de compreensão e paciência para entender uns aos outros. Entrar em cada mundo, conhecer a fundo, e ainda assim, continuar sendo amigo na esperança de que um dia você nele se inspire e também possa fazer a diferença na vida de outras pessoas. Expandir conhecimentos adquiridos pelo mundo afora sem medo de enfrentar os inúmeros percalços adiante. Esta foi a mais poderosa e, com certeza a mais dolorosa, lição que Alfredo ensinou para o rapaz Salvatore, no diálogo derradeiro de ambos na estação de trem, quando o jovem deixou a cidade.

Insistentemente o menino sonhador foi levado por seu mentor através de caminhos menos tortuosos toda vez que se deparava com a dura realidade de sua vida na cidade. Numa passagem, Alfredo descreve o pai do garoto como uma artista. “Ele tinha o bigode do Clark Gable.” Ao saber que perdera o pai em combate, Totó, que caminha com sua inconsolável mãe, fixa seus olhos num pôster do filme E o vento levou. Logo, ele se lembra das palavras do velho amigo. Assim, graças à magia do cinema, o pai permaneceria vivo por toda eternidade. O professor torna-se um mágico que encanta e fascina quem dele se espera respostas surpreendentes para difíceis questões.

No mundo real não é permitido sonhos nem mágicas. Mas o importante é saber que sempre que tentarmos viajar por nosso mundo de fantasia ou empunhar nossas varinhas encantadas, há de sempre nos lembrar de quem um dia nos ensinou os grandes truques. Com uma incrível habilidade, Alfredo ensina Totó como recriar na praça o filme que era exibido do lado de dentro do cinema lotado. Satisfazendo assim, a multidão que não conseguiu entrar.

Aqui ou ali, lá ou cá. Não importam em qual direção nossos rumos irão nos levar. Nós sempre acabamos voltando as nossas raízes. O início personificado por alguém que nos ensinou a moldar nosso caráter e que nos deu força por meio de sua força para projetar nossos próprios sonhos pelas telas da vida. Salvatore retornou a cidade no intuito de enterrar seu velho amigo. Mas acabou por desenterrar suas velhas lembranças. Ele retornou ao início da história como uma revisão de cartilha. O clima de nostalgia voltou a alimentar seus sonhos perdidos pelo tempo.

Rir e chorar tornaram-se verbos diretamente transitivos no Cinema Paradiso. Um local onde surgiu uma das mais poderosas alianças da vida. Onde foi atado um laço indestrutível de amor e amizade que nem mesmo uma implosão pôde desfazer. Um local onde eram aniquiladas as diferenças sociais. Onde cada pessoa sabia o que a definia. Onde sonhos eram alimentados e a realidade ficava do lado de fora. Um local de beleza inigualável que testemunhou uma nova projeção da palavra professor.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Mais que uma história de brinquedos


Toy story 3 fecha uma das melhores trilogias do cinema com um filme feito para entreter, mas que acaba emocionando até mesmo aqueles que não esperavam possuir sentimentos“Toy Story ficará pra sempre na memória.”


Crescer muitas das vezes é um processo que requer muitos sacrifícios. Deixar pra trás tudo que possa lembrar um tempo onde à inocência de pensamentos povoavam o imaginário de seu mundo de aventuras, amizades, brincadeiras e em alguns casos, solidão. Um universo todo especial preenchido com a presença de amigos menos incisivos e mais dispostos a aceitar melhor qualquer proposta de diversão que possa ter em mente. Estes amigos inanimados pela natureza industrial receberam o nome de brinquedos.

A cada vez que a solidão tomava conta do seu dia-a-dia, a saída era uma velha caixa de papelão, cuidadosamente guardada por sua mãe, aos berros em atos de repressão. Não importa o quanto você necessitasse ou sofresse, lá estariam eles. Sempre apostos, leais, prontos para se tornarem por algumas horas seus companheiros fiéis de muitas aventuras. Porém, a mesma fidelidade implícita pelos brinquedos não tem a mesma reciprocidade quando o crescer se faz um processo natural da vida de qualquer criança. Ainda mais eloquente nos últimos tempos em que as crianças crescem em progressão geométrica e as brincadeiras tornaram-se, graças ao progresso tecnológico, permeadas de aparelhos eletrônicos.

Sendo assim, o destino de seus velhos e leais amigos é selado por novas prioridades de sua vida. Aquela velha caixa de papelão muda de lugar e vai parar onde não possa mais incomodar. Do quarto para um porão, sótão ou uma garagem. Recostada num canto qualquer, se fazendo um exemplo palpável de amadurecimento. Um ato de praticidade ou uma terrível demonstração de insensibilidade, abandono e ingratidão para com aqueles que tanto nos deram?

Esta poderosa questão impulsionou Toy story 3 a fazer história. O filme é o mais emocionante das histórias de animação do cinema. Este sucesso se reflete nos números quando arrecadou mais de um bilhão de dólares nas bilheterias de todo mundo. Por consequência, foi indicado ao Oscar de melhor filme este ano. Mesmo com o inchaço desnecessário na corrida pelo prêmio é impossível, para quem acompanhou e se emocionou com a terceira aventura do garoto Andy e de seus amigos de infância, não afirmar que certamente estaria entre os finalistas.

O longa da Pixar tornou-se um dos melhores filmes de todos os tempos por possuir o maior dos atributos da sétima arte. Emocionar. Durante mais de 15 anos, podemos acompanhar o amadurecimento da criança aficionada em criar aventuras dentro de seu próprio mundo a um jovem adulto como qualquer outro tentando cortar o cordão umbilical com a infância. O grande trunfo do filme foi apresentar o crescimento de Andy como o crescimento de muitos garotos.

As histórias se fundiram quando com o protagonista eles se identificaram desde a primeira sequencia. Tornou-se familiar a de milhões de crianças por todo mundo. A relação com os brinquedos vai da adoração, do apego sentimental ao descaso e abandono com o cruel passar do tempo. E é aí que entra o ponto chave de Toy story 3. Aqueles seres mudos por natureza, agora clamam, mesmo que no silêncio de nosso mundo, por uma última tentativa de fazer parte do mundo cruel que aprenderam a amar tanto quanto seu dono. A história dos brinquedos contada paralelamente aos dois mundos traça uma visão inquietante sobre o que fazer quando não se é mais essencial na vida dos entes queridos.

A solidão que tanto ajudaram a suprimir agora se encontrava onipresente na vida de cada um deles. Com isso, a decisão sobre que caminho seguir depois de uma inevitável separação entre amigos de longa data, é um paralelo interessante entre as decisões que devemos tomar a partir deste ponto específico de nossa jornada. E o que mais dói é que estas decisões são bem mais dolorosas do que se possa imaginar para qualquer uma das partes. Desapegar das brincadeiras inocentes e encarar a vida de forma mais real abre uma lacuna entre as duas realidades.

E para fechá-la é imprescindível que não deixemos de lado valores captados de nossos amigos incondicionais. Não devemos deixar que se percam na mudança e sejam esquecidos num sótão qualquer, pois são eles que irão reger nossa vida até o fim da jornada. Uma lição que Andy aprendeu na última e mais emocionante sequencia do filme quando ele concretiza o que Woody, Buzz e Cia. almejam durante todo filme. Uma última valsa de diversão numa despedida merecidamente digna àqueles com quem compartilhou os melhores momentos de sua vida até então.

Por tudo isso, Toy story 3 foi apontado por vários críticos como o melhor filme do ano. Sensível, singelo, engraçado e emocionante, é mais que uma história de brinquedos. É a história de nossa própria vida como uma fundamental lição de respeito e lealdade para com amigos de todo sempre.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

AMANDA SEYFRIED

Amor imenso pela arte

Ela bem que poderia ser uma das meninas malvadas do filme que coo estrelou ao lado de Lindsay Lohan. Mas Amanda Michelle Seyfried optou por trilhar caminhos menos tortuosos que a sua colega de profissão. “É muito fácil evitar a Imprensa marrom. Simplesmente viva sua vida e não saia com gente que seja da Imprensa marrom. Não há nada que possa criar controvérsia se você for uma pessoa normal. Consiga um trabalho e siga trabalhando.”

Nascida em Allentown, na Pensilvânia (EUA), desde cedo descobriu o valor de sua profissão. Aos 11 anos já fazia parte da Agência de modelos Whilelmina Models. A careira de modelo lhe proporcionou todos os benefícios possíveis da profissão, e logo Seyfried já estampava capas de revistas e estrelava anúncios. A paixão pela dança, pintura e canto fizeram dela uma exímia soprano e a levou para Broadway. Ainda participou de várias obras de teatro. Chegou a se aventurar também por detrás das câmeras, trabalhando por algum tempo como camareira. Seus passos rumo ao estrelato começaram em 1999 na soap opera As The World Turns. Porém somente em 2004 Hollywood vislumbrou pela primeira vez o rosto daquela que seria sua mais nova queridinha. No papel de uma das Poderosas do filme adolescente Meninas Malvadas, a loirinha estereotipada conseguiu se equiparar a Lindsay Lohan ao interpretar uma personagem que encantou por ser tão malvada quanto divertida. Ingressou no elenco da série Veronica Mars vivendo uma amiga morta que só aparecia em flashbacks. Com o filme Nove Vidas (2005) veio o precoce reconhecimento profissional quando foi premiada no Festival Internacional de Cinema em Locarno.
Mas foi como Sarah Henrickson, uma das filhas de Bill Paxton em Amor Imenso que ela, durante cinco anos, se firmou na profissão. A série da HBO lhe abriu definitivamente as portas para o sucesso, quando neste período estrelou vários longas. Entre eles, Chloe (2006), ao lado de Liam Neesom e Juliane Moore e o musical Mamma mia (2010), onde dividiu os aplausos com a lendária Meryl Streeep. Querido John e Cartas para Julieta (2010) a consolidou merecidamente no posto de o maior ícone teen do momento, fechando a lacuna deixada por Lohan. Recentemente a atriz usou e abusou de seu lado meigo e sensual em A garota da capa vermelha (2011). Um filme que reinventou de maneira ousada a fabula do Chapeuzinho Vermelho.
Amanda Seyfried é um dos raros exemplos de jovens estrelas que não se deixam levar pelo brilho descomunal dos holofotes e acabam se perdendo pelos bosques da vida a mercê do Lobo Mau. Uma linda menina, que soube com muita paixão, garra e determinação adormecer seu lado malvada.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Previsões Oscar 2012 (Parte 2)

Estão aí o restante das especulações do Oscar feita pelo blog. Algumas Categorias achei melhor não fazer nada devido a grande dificulde de previsões. Em jneiro publicarei minhas previsões definitivas. Comentem.

Melhor roteiro original

1- Meia-noite em Paris (Woody Allen)
2- J. Edgar (Dustin Lance Black)
3- O Artista (Michel Hazanavicius)
4- Martha Marcy may Marlene (Sean Durkin)
5- A Árvore da vida (Terence Mallick)

Podem entrar:

1- Like Crazy (Drake Doremus; Ben York Jones)
2- Jovem Adulto (Diablo Cody)
3- Scott Z. Burns (Contágio)
4- ADama de Ferro (Abi Morgan)
5- Minha Semana com Merilyn (Adrian Hodges)


Melhor Roteiro Adaptado


1- Cavalo de Guerra (Lee Hall e Richard Curtis)
2- Os Descendentes (Alexander Payne, Nat Faxon & Jim Rash)
3- Extremely loud and Incredibly Close (Eric Roth)
4- Moneyball (Aaron Sorkin e Steve Zaillian)
5- O Espião que Sabia Demais (Bridget O’Connor & Peter Straughan)

Podem Entrar:

1- Carnage (Roman Polanski)
2- A Garota com a Tatuagem do Dragão (Steven Zaillian)
3- Coriolanus (John Logan)
4- The Rum Diaries (Bruce Robinson)
5- A Ajuda (Taylor Tate)


Montagem

1- Cavalo de Guerra (Michael Kahn)
2- A Garota com a tatuagem do Dragão (Angus Wall)
3- O Espião que Sabia Demais (Dino Jonsater)
4- O Artista (Anne Sophie-Bion)
5- J. Edgar (Joel Cox e Gary Roach)

Podem entrar:

1- Extremely Loud and Incredibily Close (Claire Simpson)
2- Os Idos de Março (Stephen Mirrione)
3- Moneyball (Christopher Tellefsen)
4- A Árvore da Vida (Vários)
5- Hugo (Thelma Schoomaker)

Melhor fotografia:

1- J. Edgar (Tom Stern)
2- A Árvore da Vida (Emmanuel Lubezki)
3- O Artista (Guillaume Schiffmamm)
4- Cavalo de Guerra (Janusz Kaminski)
5- O Espião que Sabia Demais (Hoyt Van Hoytema)

Podem entrar:

1- Hugo (Robert Richardson)
2- Os Descendentes (Phedom Papamichael)
3- A Garota com a Tatuagem do Dragão (Fredrik Backar)
4- Extremely Loud and Incredibly Close (Chris Menges)
5- Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte II (Eduardo Serra)


Melhor direção de arte

1- J. Edgar (James Murakami)
2- Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte II (Stuart Craig)
3- O Artista (Laurence Bennett)
4- Hugo (Dante Ferretti)
5- Cavalo de Guerra (Rick Carter)

Podem entrar:

1- The Help (Mark Ricker)
2- Contágio (Martin Childs)
3- A Árvore da Vida (Jack Fish)
4- Jane Eyre (Will Hughes)
5- O Espião que Sabia Demais (Maria Djurokovic)


Melhor figurino

1- Jane Eyre (Michael O'Connor)
2- J. Edgar (Deborah Hopper)
3- O Artista (Mark Bridges)

Podem entrar:

1- A Dama de Ferro (Consolata Boyle)
2- The Help (Shanen Davis)
3- A Dangerous Method (Denise Cronenberg)


Melhor maquiagem

1- A Dama de Ferro
2- Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte II
3- J. Edgar

Podem entrar:

1- Hugo
2- Piratas do Caribe: Navegando por Águas Misteriosas
3- Minha Semana com Merilyn


Melhor Som

1- Cavalo de Guerra
2- Transformers 3: O lado escuro da lua
3- Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte II

Podem entrar:

1- Capitão América
2- O Artista
3- Super 8


Melhor mixagem de som

1- Transformers 3: O lado escuro da lua
2- Cavalo de Guerra
3- Planeta dos Macacos: A Origem

Podem entrar:

1- Capitão América
2- Super 8
3- Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte II


Melhores efeitos visuais

1- Planeta dos Macacos: A Origem
2- Transformers 3: O lado escuro da lua
3- Cavalo de Guerra

Podem entrar

1- Capitão América
2- Cawboys e Aliens
3- Hugo


Melhor Filme de animação


1- Rio
2- Rango
3- Carros 2

Podem entrar

1- Arthur Christmas
2- Happ Feet 2
3- Kung Fu Panda 2


Melhor filme estrangeiro

1- Pina (Alemanha)
2- Tropa de Elite 2 (Brasil)
3- A Separation (Irã)
4- Terraferma (Itália)
5- Attenberg (Grécia)

Podem entrar

1- O Porto (Finlândia)
2- Pa Negre (Espanha)
3- Where do We Go Now? (Líbano)
4- A Guerra está Declarada (França)
5- Bullhead (Bélgica)


Melhor trilha sonora

1- Cavalo de Guerra (John Willians)
2- O Artista (Ludovic Bource)
3- Os Idos de Março (Alexandre Desplat)
4- Rango (Hans Zimmer)
5- Hugo (Howard Shore)

Podem entrar:

1- Super 8 (Michael Giacchino)
2- Extremely Loud and Incridibly (Nico Muhly)
3- The Help (Thomas Newton)
4- Jane Eyre (Dario Marianelli)
5- A Garota com a Tatuagem do Dragão (Trent Reznor e Acctious Ross)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

DEZ FILMES PARA NÃO ESQUECER

Dramas, romances, comédias, musicais... Tem para todos os gostos. Todos os elementos artísticos mesclados às muitas preferências de cada um dos fãs da sétima arte através dos tempos. Não importa qual gênero você escolha, pois mais importante que seguir um padrão, é seguir a voz de seu coração. Ainda mais quando ele insiste em falar alto e de bom tom da beleza universal da arte do cinema. Aqui apresentamos uma lista de DEZ filmes que marcaram a minha, a sua, ou talvez, por coincidência, a nossa história. Uma lista pequena considerando a grandeza de algumas das maiores obras-primas da história deste fascinante universo.


E o vento levou (Gone with the Wind, 1940)
“Um dos mais populares filmes da América. Completamente sem rivais. Um colosso em todos os tempos.”
Los Angeles Times




Dez foi o número de estatuetas que E o vento levou no Oscar. Cem é o número de vezes que cada amante do cinema deveria assisti-lo. Mil é o número de anos que se passará até que apareça outro romance tão arrebatador quanto o dos impetuosos Rhett Butlher (Clark Gable) e Scarlett O’ Hara (Vivian Leigh).



Lançado num ano de grandes obras-primas como O Morro dos ventos uivantes e O Mágico de OZ, o filme dirigido por Victor Fleming, foi um festival de recordes da época tanto no orçamento quanto em popularidade e premiação. Uma produção colossal para contar com exímia perfeição uma história de amor nada convencional. Primeiro pela personalidade do casal de protagonistas. O capitão da Guarda Sulista e a mimada dama da aristocracia americana, nem de longe lembram os heróis românticos, ingênuos e virtuosos dos conhecidos romances. Rhett era sínico, arrogante, oportunista, um bom vivant que não possuía as exaltadas características que se assemelhavam aos respeitosos cavalheiros da época.

Scarlett, a moça ambiciosa, temperamental, egoísta, manipuladora, não possuía as admiráveis características de uma mocinha romancista. No entanto isso não os impediu de entrar na galeria dos maiores protagonistas do cinema quando juntos formaram um casal perfeito. O casal que se beneficiou do oportunismo imediato para ver florescer tardiamente um amor que nem a Guerra pôde conter. Um romance que nasceu sob os pilares do ódio, até hoje exerce sobre nós um eterno fascínio ao se sustentar pela imortal força do amor. Algo que dificilmente o vento vai conseguir levar.

Para jamais esquecer: a imortal cena da transformação da moça mimada em uma mulher forte e determinada a vencer as adversidades pós-guerra. Com a terra por entre os dedos, Scarlett brada em tom de promessa: “Com Deus por testemunha, nunca mais passarei fome!”.




Cidadão Kane (Citzen Kane, 1941)

“Uma obra-prima.”
MONET



Apontado por vários críticos de cinema como o maior filme de todos os tempos, Cidadão Kane entrou na história pelo fato de ser o primeiro filme a utilizar recursos originais em sua produção. O responsável por este feito atendia pelo nome de Orson Welles, o jovem de 25 anos que teve uma ousadia singular para a época. Dirigiu, produziu e protagonizou o filme. O roteiro original se inspirou na história de um poderoso magnata americano. O filme já começa intrigante e prendendo a atenção do público quando se inicia pelo fim, num recurso criativo da montagem alternativa copiada exaustivamente nas produções posteriores.

A história era simples para os padrões de hoje, algo que se contrapõe a grandeza de um filme tecnicamente perfeito. Charles Foster Kane (Welles) era apenas menino pobre quando foi adotado por um famoso banqueiro. Rico, torna-se um dos maiores nomes das indústrias de comunicações do país. Engaja-se no meio político e cria um verdadeiro império megalomaníaco. Uma vida de conquistas profissionais que termina com ele, solitário em sua mansão paradisíaca, balbuciando sua última palavra. Rosebud torna-se então, o grande mistério para quem está do lado de fora e de dentro do filme, uma vez que os personagens não conseguem descobrir que a misteriosa palavra resume o que foi a vida do magnata. A busca pela síntese de sua infância. O tempo aonde à pureza de espírito conduzia à felicidade. Sentimentos que todos nós devemos buscar nos atribulados dias de nossa época.

Para jamais esquecer: a impactante cena final em que é revelado o significado da palavra Rosebud. Que nada mais era que um pequeno trenó, objeto de valor inestimável do menino Charles. Ao se misturar a outros artigos dispensáveis da grande mansão, acabou sendo queimado como todos eles. À medida que o fogo consumia aquela madeira velha, se esvaía o espírito indômito de seu antigo dono. Sensacional!


Casablanca, 1944

“O maior mito do cinema romântico hollywoodiano.”
SET especial – 1000 vídeos



Se o romance de Rhett e Scarlett de E o vento levou teve como cenário uma Guerra, esta adaptação homônima de uma peça teatral também teve como pano de fundo um triste capítulo de nossa historia. Ambientado durante a Segunda Guerra Mundial, Casablanca é o nome da cidade que serviu de refúgio pra políticos ou civis envolvidos no conflito. No enredo, Humprey Bogart vive Rick Blane, um diplomata que herda uma casa de shows na cidade e a transforma numa espécie de QG para as forças aliadas. Sua atitude quase que totalmente altruísta conquistou o coração da bela Ilsa (Ingrid Bergman), sua ex-amante, que se envolvera na Guerra por meio do líder da resistência com quem havia se desposado. Forma-se assim um instigante triângulo amoroso, algo imprescindível para a popularidade de qualquer bom romance que se preze.

O filme marcou o mundo do cinema não apenas pelos suspiros românticos que causou e nem pela famosa música tema que os embalou. Casablanca marcou a história pela época em que foi lançado. Uma época de trevas marcada pelo ódio insano que povoava o planeta. O filme foi como uma tomada de fôlego quando o mundo mergulhava em águas revoltas. Um romance inesquecível onde o amor à humanidade pediu passagem só de ida para todas as cidades.

Para jamais esquecer: “As time goes by”, a canção-tema do filme se eternizou como a maior da história do cinema. Tanto que é relembrada por todas as obras seja no cinema ou em qualquer outro tipo de segmento.


A MALVADA (All about Eve, 1950)

“Duas das maiores interpretações da história do cinema.”
SET



Uma das obras mais conhecidas do cinema, A malvada chegou a confundir algumas pessoas em relação a qual personagem pertencia o título do filme. Acostumada a encarnar várias malvadas nas telas, a atriz Bette Davis, é o primeiro nome que nos vem à mente. Embora interprete, diga-se de passagem, magistralmente, uma egocêntrica estrela de teatro, não é à sua divina Margo Channing que atribuímos este adjetivo. A malvada em questão atendia pelo nome de Eve Harrington (Anne Baxter, extraordinária), vivendo uma jovem atriz impulsionada pela ambição desmedida que começa a usar de qualquer recurso para se tornar uma estrela. Para isso, se aproxima de seu alvo valendo-se da condição de sua maior admiradora.

Em pouco tempo, a aspirante toma por completo a vida da estrela com seu raro talento de representar. O incomparável padrão de cinismo somado a uma enorme capacidade para manipulação faz da malvada Eve uma das maiores vilãs da história. Além disso, o charme glamoroso das estrelas de teatro da época e o enorme fascínio que este status exercia sobre os homens, contribuem e muito para o êxito de seus planos. Ao entrar em choque com a personalidade temperamental de Margo, que em nenhum momento se deixa resignar em cada tropeço de sua vida, temos um imperdível embate entre criadora e criatura, nos brindando com sequencias memoráveis. Um verdadeiro deleite para os aficionados por grandes interpretações. Uma triunfante história escrita por Joseph L. Mankiewicz que concorreu a 14 indicações no Oscar pela originalidade do roteiro, diálogos com textos impecáveis e as poderosas interpretações de suas protagonistas. Tudo isso faz deste clássico um filme brilhante do início ao fim. Uma obra-prima que não poupa ninguém. Nem mocinhos nem vilões.

Para jamais esquecer: a primeira sequencia do filme. A história começa já no final com o êxito de Eve e depois nos remete a uma rápida apresentação dos personagens e a um flashback de como ela chegou até ali. Tudo narrado pelo oportunista jornalista que se tornou seu importante aliado durante o processo. Ali começávamos, a saber, verdadeiramente, tudo sobre Eve. Brilhante!


Cantando na chuva (Singing’ in the rain, 1952)

“A mais gostosa aula de como se fazer um musical.”
Vídeo 1993



“Dignidade. Dignidade sempre.” A frase proferida pelo protagonista nos primeiros minutos deste clássico musical traduz bem o que significa a arte de se fazer cinema. O filme, ou melhor, o show de coreografias em ritmo alucinantes, traz uma mensagem relevante sobre o inebriante mundo do cinema e suas estrelas egocêntricas. No filme, atores tentam se reinventar com o fim do cinema mudo. Na era das palavras, as expressões faciais dão lugar às vozes e ao verdadeiro talento de representar. Porém, este chamariz não nos prende a um filme carregado que o tema poderia conduzir.

Pelo contrário, Cantando na chuva é sem dúvida, o musical mais alegre e divertido de todos os tempos. Uma história que mescla romantismo e comédia com uma perfeição antológica. Entre os inesquecíveis passos de dança do protagonista Don Lockwood (sensacional Gene Kelly) e de seu inseparável companheiro, vemos uma talentosa atriz Kathy Selden (a bela Debbie Reynolds) e a mais cômica de todas as vilãs do cinema. Jean Hagen interpreta com maestria Lina Lamont, a estereotipada “loira-burra”, que brilha entre uma piada e outra. Um filme que traduz a alegria do cinema e que dificilmente será esquecido por todos os tempos. Faça Sol, ou faça chuva.

Para jamais esquecer: sem dúvida nenhuma a cena que traduz literalmente a proposta do filme quando Kelly canta e dança na chuva. Uma cena perfeita que sintetiza a alegria que emana de um musical tão bem feito. De tão antológica certamente é uma das mais lembradas e copiadas por todos.


BONEQUINHA DE LUXO (Breakfast at Tiffany’s, 1961)

“Hepburn está perfeita no papel de Holly Colightly, sofisticada, mas ingênua.”
Vídeo 1993



Esta deliciosa comédia romântica entrou para a história ao transportar com sucessos para o cinema uma das maiores e mais influentes personagens femininas de todos os tempos. Criada por Trumam Capote, Holly Colightly se tornou sinônimo de sofisticação e ícone de beleza para todas as mulheres. A moça se fundiu perfeitamente com sua intérprete, pois este, sem dúvida, é um dos melhores papéis da fantástica Audrey Hepburn. Juntas foram responsáveis por fazer deste clássico uma obra imperdível. A jovem interiorana que foge de um casamento infeliz para se libertar na cidade grande, é com certeza, um exemplo da liberação feminina de todas as épocas.

Em Nova Iorque, ela traça uma espécie de vingança pessoal contra o amor, arriscando-se em relacionamentos superficiais com bons partidos da sociedade nova-iorquina. Seu objetivo era encontrar um marido milionário. Tudo transcorria muito bem até ela se envolver com o escritor Paul (George Peppard), seu vizinho. A relação foi da amizade ao amor, algo que se tornou benéfico para ambos. Ela como sua musa inspiradora e ele o responsável por recuperar a razão de sua musa em lutar pela felicidade. Bonequinha de luxo é um clássico que ultrapassa as fronteiras do tempo e é até hoje, um dos mais admiráveis trabalhos do cinema.

Para jamais esquecer: o figurino, os acessórios de Holly Colightly que ajudaram a compor a personagem. Eles ficaram tão eternizados que um dos vestidos foi leiloado há pouco tempo pela bagatela de 900 mil dólares, sendo o dinheiro revestido para obras de caridade na Índia.


My fair Lady (Minha bela dama, 1964)

“Audrey Hepburn nunca esteve tão maravilhosa!”
Flávia Cristina, uma das muitas admiradoras do trabalho da atriz, e coloboradora do blog



De todos os grandes musicais do cinema, My fair Lady é com certeza que obteve maior êxito em todos os níveis. Vencedor de 8 Oscar, o filme é uma adaptação de uma das mais famosas peças da Broadway. Uma história de amor e aceitação entre personagens de dois mundos totalmente distintos. Henry Higgins, um machista professor de fonética aceita o desafio de transformar a jovem Eliza Doolitle, uma pobre florista em uma grande dama da sociedade londrina. À medida que passa a conhecer este novo mundo, Eliza se apaixona pelo homem que a despreza como ser humano. Mantendo a essência de sua personalidade, a bela dama ensina ao professor uma lição que dificilmente ele iria encontrar nas páginas dos livros. O respeito pelo próximo e principalmente pela representante do sexo que não tem nada de frágil e insignificante.

O desafio de adaptar este sucesso para o cinema levou o roteirista Alan Jay Lerner a se aventurar por caminhos seguros quando escalou o mesmo ator da peça para o papel principal. Coube ao veterano Rex Harrison demostrar nos sets a mesma desenvoltura dos palcos. O resultado foi o Oscar de melhor ator. E junto com uma deslumbrante e escandalosamente talentosa Audrey Hepburn formou um par mais que perfeito neste delicioso musical, que encantou plateias de todo mundo com um roteiro apaixonante, uma trilha inesquecível e um visual de tirar o fôlego. Uma vitória da arte em todos os níveis ao conciliar de forma exuberante o realismo do teatro com a fábrica de sonhos do cinema.


Para jamais esquecer: a cena no clube de jóquei, onde Higgins resolve testar em público sua “criação”. Hilária, exalta o extraordinário talento de Hepburn. Vestida como uma dama ela age por meio de palavras como a florista que nunca deixou de ser. Chocando alguns representantes da elite. Uma cena de rara beleza visualmente quanto tecnicamente, sendo copiada por autores de outros segmentos.


A NOVIÇA REBELDE (The sound of Music, 1965)



“Meu coração será abençoado com a música.” Estes versos decantados pela protagonista nos primeiros minutos do filme sintetizam o indescritível poder da música. Nunca um musical se valeu tão literalmente deste poder. Através da música, a jovem Maria levou a alegria de volta à casa da Família Von Trapp. Foi o poder da música que uniu os corações apaixonados da noviça rebelde e do patriarca da Família, o Capitão Georg Von Trapp. Foi o poder da música que fez com que ela conquistasse os indomáveis filhos do Capitão.

Foi o poder da música que salvou a Família de um destino insólito durante a Segunda Guerra. Dirigido pelo premiado Robert Wise, A Noviça Rebelde se tornou um dos maiores musicais da história e fez de sua protagonista, a atriz-cantora Julie Andrews, uma grande estrela. Uma obra de arte que conquistou plateias de todo o mundo ao unir de maneira interessante fé e música. Duas das mais importantes armas para se sobreviver em tempos difíceis.

Para jamais esquecer: as clássicas canções que marcaram cada capítulo deste irresistível musical. É impossível não se deixar levar pela exuberância das imagens e o som que vem do coração da música.


LARANJA MECÂNICA (A Clockwork Orange, 1971)

“Na época existia certo burburinho em torno da história, ou seria estória, de Laranja mecânica.”
Kid Vinil para SET



Quem nunca desejou pegar um bandido de alta periculosidade e transformá-lo em um cidadão exemplar? Esta foi a proposta do bombástico filme que o brilhante diretor Stanley Kubrick adaptou para o cinema. Laranja mecânica teve tanto no livro de Anthony Burgess, quanto no cinema um mecanismo perfeito entre ficção- realidade, música-cinema. Classificado como ficção, o filme retrata um grupo de cientistas do Governo que tem a missão de fazer com que Alex (Malcolm McDowell), um jovem extremamente violento tenha uma segunda chance no convívio com a sociedade vítima de seus atos puramente insanos. Mas também podemos classificá-lo como algo real quando passamos a refletir a respeito de um assunto relevante nos dias de hoje.

A violência exacerbada, quase insuportável do filme chocou muita gente na época. Hoje, esta mesma violência nos mostra a cada dia que não é apenas coisa de cinema, tornando-se onipresente na sociedade atual. Usar métodos científicos de “cura” pode também ser visto como uma violência, uma vez que tirar do ser humano sua própria humanidade levanta uma questão milenar do livre arbítrio entre os homens, destacados em uma das polêmicas cenas do filme. Mas não foram somente estes elementos que marcaram a obra-prima de Kubrick. As imagens impressionantes, a música arrebatadora de Beethoven, a moda e a linguagem usada pelos Drugs (o grupo de amigos violentos) ainda exerce uma inexplicável atração no público.

Para jamais esquecer: a assombrosa atuação do ator Malcolm McDowell como o jovem Alex. Seus gestos e expressões faciais tonaram imortais as sequencias do personagem.



AS PATRICINHAS DE BERVERLEY HILLS (Clueless, 1995).

“Uma das coisas mais legais deste filme foi a atração que ele exerceu sobre pessoas de diferentes idades. Foi um clássico.”
Britany Murphy, atriz do filme



Tudo bem que ele não concorreu a nenhum Oscar, não teve um personagem na galeria dos mais lembrados do cinema, muito menos está na lista das grandes obras-primas da história. Mas As Patricinhas de Beverlly Hills marcou a história da minha vida e certamente a de milhares da minha época. Inteligente, espirituoso, charmoso e engraçado, o filme que lançou a saudosa Britany Murphy ao estrelato, poderia ser mais um filme adolescente se não fosse pela ideia original de mostrar com mais sensibilidade um até então misterioso universo de paqueras, romances, festas e badalação. Lideradas por uma Alicia Silverstone em ascensão, as patricinhas era um grupo de garotas populares que só queriam viver da melhor maneira possível às aventuras de sua farta juventude.

A bela Cher Hamilton (Silverstone), a garota mais popular de seu colégio, era uma destas garotas que só se interessavam por questões superficiais como festas e paqueras. Paralelos a isso exalavam um carisma tão hipnotizante quanto os raros acessórios que desejavam possuir. Tudo em nome da mais pura diversão. Nada mais. O filme ainda carrega traços de um tempo ufanista alimentado por ideais de justiça e igualdade social. “Você não vai para a escola e veem brancos e negros juntos e todos tendo dinheiro suficiente para comprar belas roupas. Não é o mundo real, mas seria o mundo legal.” Amy Heckerling (diretora). Legal demais foi acompanhar uma história com altas doses de um humor ingênuo raramente visto hoje em dia em filmes voltados para adolescentes. Um belo exemplo de que para fazer rir não é preciso diminuir a capacidade intelectual de nossos jovens e usufruir de muita vulgaridade.

Para jamais esquecer: Alicia, Britany e sua turma protagonizando diálogos criativos recheados de tiradas inteligentes que sempre nos faziam cair na gargalhada.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Oscar 2012 – Previsões (Parte 1)


Apesar de faltar alguns meses para a entrega do Oscar, cinéfilo gosta de dar uma de sabe tudo e tentar prever quem serão os indicados antes de todos, até mesmo antes dos membros da Academia. Bom, mesmo sabendo que o prêmio não é garantia de que o filme é bom, também não é somente lobby. Às vezes ganha um bom, outras vezes não, mas na maioria dos casos, quem esta lá, estão entre os melhores do ano. Uma pena mais filmes europeus não terem destaque, porém isso é outro assunto. Vamos aos (prováveis) indicados às principais categorias:

Melhor Filme:

1- J. Edgar
2- Cavalo de Guerra
3- Os Descendentes
4- A Árvore da Vida
5- Os Idos de Março
6- A Menina com a tatuagem do Dragão
7- Hugo
8- Extremely Loud and Incredibly Close
9- Marta Marcy maio Marlene
10- O Artista

Podem entrar:

1- Moneyball
2- Coriolano
3- A Ajuda
4- Melancolia
5- A Dama de Ferro




Melhor Diretor:

1- Clint Eastwood (J. Edgar)
2- Steven Spielberg (Cavalo de Guerra)
3- Stephen Daldry (Extremely Loud and Incredibly Close)
4- Terence Mallick (A Árvore da Vida)
5- George Clooney (Os Idos de Março)

Podem entrar:

1- David Fincher (A Garota com a Tatuagem do Dragão)
2- Alexander Payne (Os Descendentes)
3- Martin Scorcesse (Hugo)
4- Sean Durkin (Marta Marcy maio Marlene)
5- Michel Hazanavicius (O Artista)







Melhor Ator:

1- Brad Pitt (Moneyball)
2- Leonardo DiCaprio (J. Edgar)
3- Ryan Gosling (Os Idos de Março)
4- Daniel Craig (A Garota com a Tatuagem do Dragão)
5- Jean Dujardin (O Artista)

Podem entrar:

1- Asa Butterfield (Hugo Cabret)
2- Wagner Moura (Tropa de Elite 2)
3- Martin Sheen (O Caminho)
4- George Clooney (Os Descendentes)
5- Christopher Waltz (Carnage)


Melhor Atriz

1- Meryl Streep (A Dama de Ferro)
2- Kirsten Dunst (Melancolia)
3- Michelle Willians (Minha Semana com Merilyn)
4- Elizabeth Olsen (Marta Marcy maio Marlene)
5- Rooney Mara (A Garota com a Tatuagem do Dragão)

Podem entrar:

1- Glenn Close (Albert Nobbs)
2- Emma Stone (A Ajuda)
3- Anne Hathaway (One Day)
4- Liana Liberato (Confiar)
5- Kristin Scott Thomas (Sarah’s Keys)


Melhor Ator Coadjuvante:

1- Phillip Seymour Hoffmam (Moneyball)
2- Tom Hanks (Extremely Loud and Incredibly Close)
3- Jim Broadbent (A Dama de Ferro)
4- Kenneth Brannagh (Minha Semana com Marilyn)
5- Paul Giamatti (Os Idos de Março)

Podem entrar:

1- George Clooney (Os Idos de Março)
2- Ben Kingsley (Hugo Cabret)
3- Paul Ostwalt (Jovem Adulto)
4- Arnnie Hammer (J. Edgar)
5- Christopher Plummer (Novatos)


Melhor Atriz Coadjuvante

1- Judi Denchi (J. Edgar)
2- Marisa Tomei (Os Idos de Março)
3- Amy Adams (On The Road)
4- Jessica Chastain (A Árvore da Vida)
5- Naomi Watts (J. Edgar)

Podem Entrar:

1- Vanessa Redgrave (Coriolano)
2- Charlotte Rampling (Melancolia)
3- Emily Watson (Cavalo de Guerra)
4- Anna Kendrick (50/50)
5- Amara Miller (Os Descendentes)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cantar, cantar e dançar

Há 50 anos o cinema conhecia a sua mais completa obra-prima dos musicais. Amor Sublime Amor consagrou a técnica e a preocupação com as coreografias, que tradicionalmente se perdiam em meio a cantoria dos atores e atrizes. A história de Romeu e Julieta de Shakespeare serviu de inspiração para que Arthur Laurentis transportasse para a Broadway um luta interracial em uma parte da Nova Iorque da década de 50.


Com passos milimetricamente dirigidos por Jerome Robbins, responsável por este atributo enquanto Robert Wise se responsabilizava pelo resto, o filme conduz a história de amor de Maria, descendente de porto-riquenhos, e Tony, de italianos. Mas com o racismo imperante da época, a relação se tornava perigosa e explosiva.


É com certeza a maior realização do cinema musical, não devido a história em si, mas pelo esplendor visual adicionado a impecável trilha sonora e aos passos incrivelmente perfeitos. Nenhum outro conseguiu tal proeza. Foi um grande absurdo cinematográfico que surpreende até hoje, principalmente por esse gênero, ultimamente, ter tido muito pouco espaço nas telonas.
Encabeçada pela fabulosa obra de Wise e Robbins, o Cineposforrest destaca os dez maiores musicais de todos os tempos:


2 – Cantando na Chuva (Singing in The Rain, 1952): Estrelado e dirigido por Gene Kelly, é o mais divertido de todos da lista. Um feito metalinguístico extraordinário e imortal do cinema.

3 – My Fair Lady (Idem, 1964): Com uma atuação esplendida do casca grossa Rex Harrison, o filme ainda conta com o talento de Audrey Hepburn, que mesmo sendo dublada, dá show.


4 – O Mágico de Oz (The Wizard of Oz, 1939): Apaixonante clássico do cinema, traz a juvenil Judy Garland dando um uma aula de interpretação em canções inesquecíveis como Over the Rainbow.


5 – A Noviça Rebelde (The Sound of Music, 1965): Romantismo e competência em uma das melhores trilhas sonoras de todos musicais. Robert Wise sabia mesmo dirigir musicais.

6 – Chicago (Chicago, 2002): Fantástica adaptação dos palcos para as telas, traz um conteúdo técnico formidável conduzido por Rob Marshall. Catherine Zetta-Jones tem uma das melhores atuações musicais que o cinema já viu.


7 – Gigi (Gigi, 1958): Um dos últimos grandes musicais da Metro, fez um sucesso absoluto principalmente na voz de Maurice Chevalier que está inesquecível interpretando Thank Heaven for Little.

8 – Cabaret (Cabaret, 1972): Um dos mais famosos entre os listados, tem um roteiro formidável sobre a Berlim da década de 30, além de contar com uma lindíssima e afinada Liza Minnelli. Obra-prima.


9 – Mary Poppins (Idem, 1964): Uma mescla de musica, amor e fantasia, se tornou um clássico grandioso e transformou Julie Andrews em um mito. Um feito brilhante dirigido ao público de todas as idades.

10 – Sweenwy Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (Sweeney Todd, 2007): Merece destaque pela incrível atmosfera lúgubre de uma trama de humor ácido e fotografia sensacional. Johnny Deep se firma como um dos melhores da atualidade por sua versatilidade, ao dar vida ao vingativo barbeiro.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Na Natureza Selvagem

Into to West, 2007. Dirigido por Sean Penn. Com Emile Hirsch, Hal Holbrook, Marcia Gay-Harden e Willian Hurt.

Nota: 9.2

Quando em “A Promessa” (2001), Sean Penn decidiu se enveredar nas questões de comportamento humano, o fez bem. Apesar de não ter se tornado um grande sucesso, o filme foi bom. Porém, o ator∕diretor não desistiria de fazer seu estudo. Em seu Na Natureza Selvagem (2007), dirige um road movie que narra a magnifica saga de Christopher Mccandless, um jovem que procurou a felicidade na solidão de uma vida dedicada a liberdade da natureza.

O jovem Mccandless é um refém da sociedade americana do eixo 80 ∕ 90, onde as principais aspirações são formalidades cotidianas, que valorizam futilidades, e também uma casa devidamente mobiliada, uma carreira bem definida, e filhos compondo o arcabouço da família supostamente feliz. Tudo isso, bem representado pela excelente atuação de Emile Hirsch.

Instigado por uma sede intensa de liberdade, Chris bota o pé na estrada e como um beatnik da época de Jack Keruoc se embrenha na vida e no autoconhecimento. Uma viagem que tem o ritmo conduzido pela excelente trilha sonora sensível e emotiva composta pelo ex-vocalista do Pearl Jam, Eddie Vedder e na ótima fotografia de Eric Gautier, que fazem uma aliança quase felinnistica de som e imagem.

O que toca na história de Chris, é o grito oculto de uma insatisfação visível em todos os personagens do longa. Desde a irmã até o amigo septuagenário (ótimo Hal Holbrook), todos são vítimas de um sistema aprisionador de almas. É um relato de uma revolução de um homem só.

Entretanto, quando as coisas ficam ruins para o protagonista, percebemos que o modo de vida escolhido por McCandless e admirado por muita gente, acaba tendo um contraponto importante. Não há felicidade na solidão. Sempre será incompleta a conquista de uma montanha ou o fundo de um abismo se não haver quem compartilhe dessa euforia. Talvez ele tenha percebido tarde demais que para encontrar a sua alegria de viver, teve de provocar a tristeza de outras pessoas que o amava.

Com isso, Sean Penn conseguiu uma análise, ou nos permitiu uma, perfeita que não havia conseguido em A Promessa. A avaliação intrínseca de um ser humano sobre o maniqueísmo que o cerca. E com isso, mostra que seu talento atrás das câmeras pode ficar tão bom quanto aquele que o fez reconhecido frente elas.

domingo, 4 de setembro de 2011

CRISTHOPHER REEVE

O Homem por detrás do Mito

É um pássaro? Um avião? Não. É apenas um ator que vestia a roupa de um dos maiores Heróis da história dos quadrinhos. Seu nome não era Clark e muito menos era um herói cheio de superpoderes. Seu nome era Christopher Reeve e seus poderes não tinham origens extraterrestres. Pelo contrário, o verdadeiro poder deste encantador ator tem raízes bem humanas.

Ele nasceu em Nova York em 25 de Setembro de 1952 numa família totalmente leiga em assuntos cinematográficos. No entanto, nem por isso, seus pais deixaram de estimular sua paixão pela sétima arte. Ainda na adolescência, frequentava o Williamstown Playhouse e logo já atuava profissionalmente sem deixar de lado os prazeres da própria idade. Ele vivia intensamente cada paixão de uma vida humana normal. Hóquei sobre o gelo, corais e música estavam entre elas, mas foi o teatro que despertou no jovem ator um desejo mais eloquente. Esta paixão o levou a Inglaterra num trabalho de pesquisa sobre as companhias teatrais inglesas numa espécie de dever de casa. Porém nunca deixou de se aperfeiçoar no mundo artístico ao estudar na Juilliard School paralelo ao papel que fez na TV no seriado Love of Life. Uma premissa do que aconteceria em 1978 quando conseguiu seu maior papel no cinema.

Christopher não imaginava que vestir aquele uniforme azul-grená lhe transformaria num dos maiores ícones do cinema. Seus belíssimos olhos azuis, seu físico invejável e expressão honesta foram feitos sob medida para dar vida ao Herói de Krypton. Christopher deixou transparecer com exímia perfeição toda energia positiva que emanava daquele personagem mitológico. E logo, o homem apaixonado se tornaria o herói apaixonante de milhares de fãs pelo mundo inteiro. O sucesso avassalador do filme rendeu um contrato para outras três continuações, ou seja, cada vez que usasse seu uniforme sua estrela certamente brilharia mais intensamente.

A postura de galã o levou a aturar no romântico Em algum lugar do passado (1980) despertando as mais variadas paixões, principalmente das brasileiras, onde o filme alcançou um grande sucesso. Depois vieram Monsenhor e Armadilha mortal, ambos em 1982. Dois anos depois estava em Os Bostonianos (que isso!?), Dinossauro (1985) e Troca de maridos (1988).

No teatro, sua paixão da adolescência, realizou o sonho de onze em cada dez atores. Trabalhar ao lado da diva Katherine Hepburn em A Matter of Gravity. “Eu aprendi com ela a ser simples. Quando ela chegava ao teatro para os ensaios, abria a porta do palco para arejar o ambiente. Não mandava ninguém fazer isso. Ela é o exemplo vivo de que o sucesso não tem que ser sinônimo de afetação ou egocentrismo.”

Esta simplicidade transformou Reeve em um extraordinário humano. Basta pensar na ONG que fundou após um terrível acidente que o deixou tetraplégico. Mesmo diante de suas limitações físicas, o eterno Herói nunca deixou que os enormes obstáculos por sua condição fizesse dele um ser mesquinho e revoltado com as mazelas de sua vida humana. Com a Fundação Christopher Reeve, que auxilia pessoas com as mesmas limitações, o ator nos mostrou o quão extraordinário o ser humano pode ser diante as dificuldades.

Ele se agigantou, foi o Herói que cansou de interpretar no cinema. Antes de sua partida definitiva para os céus, recebeu uma homenagem tão grandiosa quanto ele. O ator participou de dois episódios da série Smallville como Dr. Virgill Swann, o astrônomo responsável por revelar ao jovem Clark sua origem no episódio Respostas da segunda temporada. Por si só, o episódio se tornou o maior de toda a série, onde o Herói do passado se encontrou com o Herói do presente. O personagem ainda apareceria em Legado da terceira temporada. Fazendo o que nunca se cansou de fazer. Sendo exemplo de Herói protetor para Clark representando os jovens de todo mundo. E mesmo diante de sua partida em 2004, exemplificou de forma mais enfática seu próprio adjetivo sintetizado nos créditos finais do episódio Devoção da quarta temporada de Smallville. “Ele nos fez acreditar que o Homem podia voar.”

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A difícil arte de entender Glauber Rocha


No último dia 22, fez 30 anos de morte de um dos maiores artistas da nossa história. Glauber Rocha, cineasta revolucionário, criou uma linguagem única, uma mescla de crítica social e alegorias literárias. Tornou-se um ícone da cinematografia mundial, inspiração para obras de cineastas de importância singular para a criação do cinema ao qual conhecemos atualmente.

Um fato é inquestionável. A originalidade de sua temática revolucionou, porém muita gente torceu o nariz para sua obra. Se bem que seus filmes são de difícil entendimento, principalmente para os olhos menos críticos. A linguagem tensa e lírica, de sequencias formidáveis (principalmente em Deus e o Diabo na Terra do Sol, 1964), se tornaram uma vanguarda brasileira. Foi o expoente de uma época em que nosso cinema era respeitado mundo afora, o chamado Cinema Novo.

Entender a obra de Glauber vai muito além de perder finais de semana à frente da TV assistindo filmes da Nouvelle Vague, ou se remoendo em tentar compreender a obscuridade lenta e aterradora de Bergman. É diferente, pois o baiano se tornou um avatar de uma era de hibernação forçada da cultura popular. Criou-se de uma necessidade de expressão de uma sociedade refém de um regime que censura e deportava. Viveu uma fantasia realística, aonde entender sua ideologia depende do entendimento do mundo em que viu em sua época.

Julgá-lo chato e psicótico, criador de non senses teóricos, é válido e perdoável para quem assiste a algum de seus exemplares. É difícil para qualquer especialista em cinema compreender Glauber. Sendo assim fica muito mais fácil odiá-lo. Um filme como seu derradeiro A Idade da Terra (1980), pode ser considerado seu pior trabalho pelo teor claustrofóbico que carrega nos discursos escalafobéticos. Entretanto, se lermos uma biografia, ou abrirmos o Google para ver diversos pontos de sua vida e obra, percebe-se que pode ser simplesmente um testamento melancólico de um artista a frente de seu tempo.

Os mesmos que dão de ombros para o diretor, são os mesmos que babam pelos exageros brilhantes e nostálgicos de Truffaut, ou batem palmas para a arrebatadora realidade em que trabalha Martin Scorcesse e nem param para pensar que tem muito de Glauber em suas obras. Podem até não gostar de seus filmes, mas diminuir seus feitos e contribuições para o nosso cinema é de fato inaceitável. Se hoje exaltam a habilidade de criar absurdos inebriantes de Von Trier, é por que não conhecem Rocha, ou simplesmente por que brasileiro tem mania de não reconhecer o talento de seus conterrâneos.


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

OS PODERES E AS FRAQUEZAS DE UMA ADAPTAÇÃO

Voar, correr na velocidade da luz, escalar paredes, ter uma força sobre-humana e um corpo invulnerável. Quem quando criança não sonhou em ter, pelo menos, uma vez na vida estes poderes? Pois bem, estes poderes sintetizam a força de todo grande super-herói que se preza. Os poderes físicos aliados à força do caráter e a inclinação para valores do Bem e da Justiça, fazem do homem um herói. Eles sempre aparecem no momento que a humanidade mais necessita. Foi assim, assim vem sendo e assim será até os fins dos tempos. É uma resposta ao clamor de uma sociedade fragmentada por valores opostos. Um poder que se originou dos quadrinhos e se estendeu pelas telas do cinema. Desde a primeira adaptação modesta até os catatônicos efeitos visuais de hoje, os heróis mascarados e sobre-humanos são presença constante na grade de produções cinematográficas anuais.

O primeiro grande filme de um ícone dos quadrinhos aconteceu em1978. No papel do Super-Homem, o ator Christopher Reeve, se firmou como um ídolo do cinema em todos os tempos. O ator conseguiu imprimir uma fusão perfeita entre o atrapalhado repórter do Planeta Diário e o incrível Herói por detrás de seus óculos. Super-Man, o filme, contou além de um elenco estelar, com um premiado roteirista. Gene Hackman (Lex Luthor), Margot Rider (Lois Lane) e Marlon Brando (Jor-El) receberam o suporte de Mário Puzzo, de O Poderoso Chefão. A história é tradicional: um menino exilado pelos pais que salvam sua vida após a explosão de seu planeta de origem. Na Terra, ele tenta se adaptar a vida humana. Tudo sob aval dos responsáveis pelos efeitos visuais de Guerra nas estrelas. Eles fizeram o homem voar aos olhos extasiados dos fãs.

Tamanho investimento não teria outro resultado além de um sucesso de bilheteria e o fato de entrar definitivamente na galeria dos filmes mais importantes da história cinematográfica. Depois vieram outras três sequências totalmente dispensáveis. Ele retornou as salas de cinema em 2006 com Superman, o retorno. O filme, com a assinatura de Bryan Singer, nem de longe lembra do original, trazendo agora o introspectivo Brandon Houth no papel principal. A história se constituiu fraca ao mostrar a vida de todos na Terra sem a presença do Herói cinco anos exilado. De volta, ele descobre que sua amada Lois Lane está casada e é mãe de um lindo menino, fruto de sua relação com ele. Nem a presença do extraordinário Kevin Spacey como o vilão Luthor, tirou a impressão de estarmos assistindo a uma novela mexicana das piores sem a necessidade da Kryptonita.

Outro homem capaz de voar, só que com o auxílio de suas poderosas teias também ganhou sua adaptação. Em 2001 quando o tímido Tobey Maguire vestiu a roupa do Homem-Aranha, ele direcionou suas teias para o sucesso. No filme, Peter Parker, um adolescente tímido que quase não é percebido por seus colegas de classe e pelo grande amor de sua vida Mary Jane (Kirsten Dunst), torna-se, através da mordida de uma aranha radioativa, o Herói alpinista que hoje conhecemos. A mutação não só afeta seu lado físico como também o emocional. E coube ao ator Wiliam Dafoe a missão de fazer do doentio Duende Verde seu terrível antagonista nesta primeira aventura. Missão que seria dois anos depois passada para Alfred Molina como o Dr. Octopus. Se o primeiro longa foi um sucesso de público, o segundo foi de crítica, baseando-se num roteiro bem definido e em cenas de ação impecáveis. Seguindo no embalo do sucesso, prometeram fazer de sua sequência a melhor da trilogia. No entanto, o aguardado Homem Aranha 3, não passou de promessa e marketing bem feito.

O filme foi um fracasso em todos os sentidos. Quem viu não entendeu a natureza de um roteiro rocambolesco recheado de vilões mal aproveitados para todos os lados. Harry Osborne (James Franco) herdou do pai a prancha voadora e partiu para vingar sua morte tornando-se o Duende Macabro. Enquanto isso O Homem de Areia aterrorizava a cidade depois de se tornar o responsável pela morte de Tio Ben e ganhar os poderes acidentalmente. Mais tarde, o próprio Homem Aranha. Graças a um estranho material químico alienígena que em contato com o corpo humano desperta nos homens seus mais primitivos e nocivos instintos. Cheio de autoconfiança, o contido Peter Parker se transforma num conquistador inveterado ao mesmo tempo em que o Herói se torna Venon, sua outra personalidade, considerado por nove entre dez fãs do aracnídeo como seu maior rival. Uma vez que a ambiguidade do Herói torna sua história espetacular pelo menos nos quadrinhos. Todos estes vilões se chocaram num filme curto demais para contar de forma mais crível suas histórias. Assim podemos afirmar que todos renderiam, separadamente, inesquecíveis sequencias.

Quando as portas da Escola Xavier para superdotados se abriram em 2000, causou uma grande expectativa em torno de seus fãs. Afinal, adaptar para o cinema as histórias dos famosos mutantes seria uma tarefa nada fácil. Uma trilogia da saga já estava confirmada. E ao julgar pelos três filmes, melhor seria que as portas tivessem fechadas. X-Men de Bryan Singer mostrou como o cotidiano da Escola foi abalado com a chegada de novos mutantes. Destaque para o truculento Wolverine incorporado com uma competência assustadora pelo australiano Hugh Jackman e a mutante Vampira, papel da vencedora do Oscar Anna Paquin. Como não poderia deixar de ser, o imponente Magneto de Sir Ian McKellen foi o líder antagonista da história da Guerra entre humanos e mutantes. O gênio da revolução mutante tentou usar os poderes da jovem novata com o objetivo de transformar toda humanidade em mutantes. Nem mesmo a presença da estrela e também vencedora do Oscar Hally Berry, diga-se de passagem, apagadíssima como a mutante Tempestade, conseguiu suprir o desejo dos fãs. O filme até foi uma boa sequencia de ação para os leigos, ou seja, quem nunca esteve a par da história dos mutantes. Já para seus verdadeiros fãs, foi uma tremenda decepção.

X-Men 2 é a síntese dos filmes do gênero com muita ação, efeitos especiais e pouquíssimo conteúdo. Uma confusão de personagens e histórias tão dispensáveis quanto à interpretação de seu bom elenco. No final de nada, a morte de Jean Gray anuncia o nascimento da Fênix, um dos maiores e mais temidos vilões da saga. Assim como Venon, a Fênix também muda a personalidade de sua persona. A diferença é que enquanto o primeiro tem uma fonte física, a outra é emocional e se encontra na psique de Gray. E assim como Venon, sua história foi decepcionante. Em X-Men 3 a poderosa mutante classe 5 foi reduzida a um mero capanga de Magneto em sua luta megalomaníaca contra os homens. E como isso já não bastasse para tornar o filme ultrajante, ainda criaram uma vacina, uma espécie de “cura” para a mutação genética, aniquilando o verdadeiro propósito da saga X-Men.

O suporte de apoio às diversidades humanas. Além de vitimar nomes de suma importância para a causa como Mística, Vampira e Magneto. Sem falar no inchaço de personagens que deixou muita gente que acompanhou a história desejando ter superpoderes de escrever algo menos repulsivo. Mas nada se compara a falta maior de não ter inserido, nem ao menos em menção, o maior de todos os mutantes, o quase invencível Apocalipse. Algo que, no universo X-MEN é mais que ultrajante, é inadmissível!

Embora a trilogia tenha deixado e muito a desejar, devemos considerar o nível de complexidade de se adaptar para as telas a história dos mutantes, dada a complexidade dos próprios personagens. Algo que está para ser corrigido com a promessa de mais uma trilogia da saga. Então o que fica desta trilogia mutante são filmes bem feitos voltados ao entretenimento de quem nunca teve nas mãos uma revista em quadrinhos.

O mais humano dos heróis também teve sua presença inserida no mundo do cinema. Em cada sequencia o vigilante noturno mais querido dos quadrinhos teve de enfrentar seus mais terríveis inimigos. Em Batman ele combateu o esplêndido Coringa de Jack Nicholson. O multifacetado ator ofuscou tanto a estrela do protagonista, vivido por Michael Keaton, que acabou sendo indicado ao Globo de Ouro naquele ano. Batman, o retorno marcou o retorno de Keaton ao papel principal, mas não ao sucesso. O filme foi um fracasso ao trazer a gata Michelle Pfeiffer como Mulher- Gato e um deformado e repugnante Dany De Vilto como Pinguim. Deixando todos literalmente numa gelada.

Depois veio Batman Eternamente que trouxe Val Kilmer no papel principal. Aqui ele ganhava um parceiro na luta contra o crime. O queridinho do momento Cris O’ Donnell assumiu o papel do malabarista Robin enquanto o veterano Tommy Lee Jones emprestou seu rosto ao vilão Duas Caras. O espevitado Jim Carrey se esbaldava como Charada enquanto a bela Nicole Kidman sofria em suas mãos como a mocinha da trama. Com uma produção amadora, roteiro obsoleto e um elenco recheado de estrelas no auge da canastrice, o filme se eternizou como um dos piores da história.

Batman e Robin trouxe novamente O’Donnell e seu colam no elenco agora ao lado do então Rei da Canastra George Clooney como seu eterno parceiro. O valentão Arnold Schwarzenegger numa atuação tão risível quanto o filme no papel do vilão Mr. Frese. Uma Turmam e Alicia Silverstone lideraram o elenco feminino. A primeira como a sensual Era Venenosa e a segunda no papel da sobrinha do mordomo Alfred que decide se juntar a dupla de heróis no combate ao crime. Difícil mesmo foi combater o maior vilão do longa, a péssima qualidade do filme.

Finalmente para o bem de todos amantes do cinema, estas tristes páginas da história se encerraram quando em 2005 o diretor Christopher Nolan decidiu homenagear o herói de capa preta de uma maneira mais condizente a seus fãs. Veio Batman Begins, que contou a história de como o menino órfão se transformou no Homem Morcego. Para viver o "Herói solitário" Nolan convocou o talentoso Cristian Bale, que vestiria novamente a capa e o cinto de utilidades em 2009 com o aguardado Batman – o cavaleiro das trevas. Em ambas as produções o diretor esqueceu os percalços das anteriores e transformou suas sequencias em cinema de verdade ao tratar com seriedade suas histórias. Ao começar pelo elenco de atores tarimbados emanando credibilidade a cada cena.

Enquanto Begins trazia Michael Caine como o mordomo Alfred, Cavaleiro das trevas o substituiu por Morgan Freemam e nos apresentou um dos maiores algozes da história do cinema atual. Heath Ledger incorporou de maneira assombrosa o vilão Coringa, trucidando a interpretação de Nicholson no mesmo papel anteriormente. Tanto que Ledger levou para casa o Oscar. Batman – o cavaleiro das trevas foi a prova de que quando se leva o cinema a sério, independente de qual história ou gênero que possa pertencer, o reconhecimento é uma consequência mais que positiva. O filme de Nolan é o melhor já feito para homenagear um ícone dos quadrinhos ao tratar o Herói da capa preta como ele é. Um homem despido do Herói sobre-humano.

Em suma, a missão de adaptar para as telas uma história que nos quadrinhos se torna imutável por uma legião de fãs, é algo que exige uma séria e mais contundente reflexão da parte de quem tenta levar adiante este projeto. A inovação só é uma coisa positiva quando se tem comprometimento de contar uma boa história por meio de uma boa produção. Ou então teremos de assistir a coisas dispensáveis do gênero como Quarteto fantástico e o Surfista prateado ou um Lanterna Verde totalmente fora de suas raízes negras.

Se no universo dos quadrinhos, heróis e vilões tem um lado definido, na vida real e no mundo do cinema esta escolha fica a cargo do espectador, já que existe espaço suficiente para agradar a dois tipos de público. Aos que preferem o cinema de entretenimento ou aqueles que optam pelo cinema de reflexão. Não importa o lado que você venha a escolher desde que seus valores morais tenham como base os destes importantes personagens fictícios que a tanto nos fascinam incondicionalmente. Que possamos nos valer de seus poderes e esquecer suas fraquezas. Pra isso você nem precisa voar, correr na velocidade da luz ou escalar paredes.