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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

DEZ FILMES PARA DIVERTIR

A comédia é um gênero do cinema que mais se direciona ao coração das grandes massas. Ela abrange em geral qualquer um que se aventure pelo mundo da sétima arte. Não é preciso que se entenda esmiuçadamente de cinema se seu principal objetivo é um bom entretenimento. Romance, ação, aventura, animação. O gênero propõe todo tipo de estilo. Por esta razão, as comédias estão sempre ao alcance deste público. E que público grande! Uma boa comédia, uma comédia regular ou até mesmo uma nem tão boa e regular assim, é o suficiente para atrair pessoas que queiram de despedir de mágoas e problemas do dia a dia e se animar perante os mesmos. Aqui preparamos uma lista com dez filmes indispensáveis nesta jornada particular que vai de encontro a uma boa diversão:



TEMPOS MODERNOS (Moderns times, 1936)
“Aqui sua mímica transforma o impossível em possível, o inacreditável em matéria.”
SET

Um filme genial de um gênio. Certamente esta é a frase que mais se atribuiu a quase todos os filmes do inimitável Charles Chaplin. Rei da comédia do cinema mudo, ele criou mais que um personagem inesquecível. Criou uma personificação perfeita do clamor quando todos não ouvem sua voz. Em Tempos modernos, ele retoma seu Carlitos como um operário de uma fábrica diante do impiedoso avanço tecnológico, onde as máquinas superam os limites humanos. Assim, seu operário sofre com um inevitável stress, surta e vai parar numa clínica de recuperação. Quando sai, descobre que a fábrica fechou e que seu destino agora está nas mãos da tecnologia. Homem a frente de seu tempo, o intérprete do vagabundo mais amado do cinema, fez desse clássico mais que uma comédia. Pouco mais de 80 minutos serviram como um forte apelo social à desvalorização do ser humano frente aos elementos cibernéticos. Algo que se tornou um fato verossímil dentro da sociedade nos dias atuais. Embora a questão social seja um elemento fortemente presente nesta obra-prima, é possível também se divertir em meio a cenas hilariantes. Imagine quantas possibilidades ver um homem contracenando com uma máquina! São os tempos de Chaplin. Modernos até os dias atuais quando o assunto é fazer humor.

Uma curiosidade: A atriz Paulette Goddard, sua parceira de cena no filme, tornou-se a terceira esposa de Chaplin depois de se conhecerem nas gravações.

Pra rolar de rir: a sequência em que o operário Carlitos serve de cobaia para mais uma invenção. Uma máquina que lhe dá comida na boca sem o uso das mãos. Atado, tudo transcorria bem até que a máquina entra em curto, e arma a maior confusão com ele. Numa delas, ela o obriga a comer duas porcas grandes de metal. Uma cena para ser vista e revista em todos os tempos.




UMA BABÁ QUASE PERFEITA (Miss Doubtfire, 1993)
“Robin Wilhams está incrível! Verdadeiro trabalho de gênio. O filme é de rolar de rir.”
Good Morning America

Atores que se transvestem de mulher para criar um personagem há tempos deixou de ser algo inédito no cinema. Jack Lemon (Quanto mais quente melhor) e Dustin Hoffman (Tootsie, 1982) são alguns dos bons exemplos. Ambos tiveram atuações irretocáveis em seus trabalhos. Em 1993 Robin Wilhams entrou para esta seleta lista vivendo uma governanta rígida em Uma babá quase perfeita. A comédia dirigida por Cris Columbus se tornou um dos grandes fenômenos de bilheteria daquele ano, cuja única falha foi não ter dado uma justa nomeação ao Oscar para o ator. Uma comédia voltada inteiramente para a família por transitar entre o drama e a comédia das relações familiares. Sally Field empresta seu talento como a ex-mulher de Wilhams, que vive um pai divorciado que para se aproximar de seus filhos muda de identidade e vai trabalhar em sua casa. Graças a um excelente trabalho de maquilagem, inclusive indicado ao Oscar, ele se torna Efigênia Doubtfire, uma senhora pra lá de descolada e que rapidamente vira o esteio do lar e um dos membros mais queridos e indispensáveis do convívio familiar. A farsa rende diálogos e momentos memoráveis dentro do filme, levando o público às lágrimas de tanto rir. A química entre os atores é de uma veracidade assombrosa e a interpretação de Wilhams transcende o figurino. Estas com certeza são as principais razões desta comédia estar entre as mais perfeitas de todos os tempos.

Uma curiosidade: amigos de longa data, Robin convidou pessoalmente a atriz Sally Field para integrar o elenco do filme. O “sim” da renomada atriz ajudou a fazer da comédia algo imperdível.

Pra rolar de rir: a sequência no restaurante quando Daniel (Wilhams) tende a se virar em dois literalmente após marcar uma importante entrevista de trabalho ao mesmo tempo em que a ex-mulher comemora o aniversário. Detalhe: tudo no mesmo ambiente. Entrando e saindo embriagado do banheiro feminino, o ator comprova porque está entre os grandes nomes do cinema. Perfeito!

A PARTILHA, 1998
“A convivência com Glória, Andréa, Lília e Paloma foi um dos melhores momentos profissionais da minha vida. Vi quatro mulheres diferentes tornando-se irmãs.”
Daniel Fillho


Ícone do cinema brasileiro, o diretor Daniel Filho teve a missão de adaptar para o cinema este sucesso teatral do multimídia Miguel Falabella. A partilha é uma comédia familiar que não demorou muito parar nas telas pelas mãos do diretor do aclamado Se eu fosse você. Na história, quatro irmãs se reúnem depois de anos para o enterro da mãe. De vidas e personalidades totalmente distintas, elas tentam chegar a um acordo na divisão de bens deixados pela matriarca. À medida que se arrasta uma provável solução benéfica para todas as partes, as irmãs vão quebrando a indiferença de anos com as lembranças trazendo a tona sentimentos dantes adormecidos. Estas variáveis poderiam levar o filme pelo caminho do drama, porém, a natureza sarcástica das personagens cria uma história engraçada conduzida por atrizes de talento notável, tiradas maduras e eloquentes. Embora o filme tenha ar novelesco, comum nas produções globais, com um o elenco fantástico em mãos, Daniel aprimora com êxito a peça de Falabella. A extraordinária Glória Pires conta com a renomada Lília Cabral; a versátil Andréa Beltrão e a talentosa Paloma Duarte para fazer desta comédia algo que vale a pena acompanhar diante das bobagens que emergem atualmente no cenário nacional. Um bom entretenimento para partilhar com pessoas queridas.

Uma curiosidade: A inspiração de Falabella veio de uma tentativa de comprar um apartamento onde presenciou uma discussão entre duas irmãs pelo imóvel. “Constrangido me retirei, pois tinha ido comprar um imóvel e achei que não devia ficar ali. Saí com isso na cabeça.”

Pra se divertir: a dança na praia das quatro irmãs. Ao som de Dancin Days oriundo de um aeroplano, elas extravasam toda sua alegria de viver naquele cenário paradisíaco. “Dance bem, dance mal, dance sem parar. Dance até sem saber dançar.”



O DIÁRIO DE BRIGDET JONES (Bridget Jones’ diary, 2001)
“Reneé Zellweger e sua Bridget Jones entraram para a história de forma memorável.”
Flávia Cristina, fã incondicional de boas comédias e personagens

Ser uma mulher fora dos padrões exigidos pela sociedade alimenta a baixa estima de qualquer uma. Ainda mais quando chega aquela época do ano em que se fazem as famosas resoluções capitais para sua vida futura. Assim começa O diário de Bridget Jones, uma deliciosa comédia que mostra a força do poder se sobrepondo sobre o ser. Bridget Jones (Reneé Zellweger) é uma moça londrina na casa dos 30 anos, que procura insistentemente pelo par perfeito. Contudo, como não está na lista das grandes beldades em seu meio social, seu desejo se tornava uma coisa inatingível. Até que um dia seu chefe bonitão Daniel Cleaver (Hugh Grant), resolve olhar com mais “carinho” para sua minissaia. De inocentes trocas de e-mails, eles começam uma relação cheia de equívocos. Enquanto a moça sonhava em subir ao altar, o bonitão só queria mesmo curtir sua solteirice. Desiludida, Bridget encontra consolo nos braços do vizinho de infância, o advogado todo certinho Mark Darcy (Colin Firth). Antes de se mostrarem perdidamente apaixonados um pelo outro, trocar insultos nas muitas gafes de Bridget, era o que regia a relação dos pombinhos. O texto eminentemente britânico, o roteiro assinalado pela mesma autora do livro (Helen Fielding) seria suficiente para o êxito desta obra. Mas vale muito ressaltar a brilhante atuação indicada ao Oscar de Zellweger. A atriz não descarta suas caras e bocas, exigidas pela composição de sua personagem aliada a uma meiguice um tanto ingênua e uma força interior que surpreende com muito, muito humor. Tópicos que marcam a história de Bridget como a própria história de Zellweger no cinema. Uma personagem crua desmistificando o padrão da princesa de contos de fadas nesta comédia adulta que transita impecavelmente entre o humor e o romance.

Uma curiosidade: Zellweger teve de engordar mais de 13 Kg para compor sua Bridget Jones. O resultado de tanto sacrifício foi uma justa nomeação ao Oscar bem como a ascensão de sua carreira.

Pra rolar de rir: a sequência em que Bridget desce pelo tubo dos bombeiros e acidentalmente mostra seu traseiro em Rede nacional. “Que maravilha! Sou motivo de gozação nacional! Tenho uma bunda do tamanho do Brasil!”


LEGALMENTE LOIRA (Legally blonde, 2001)
“Um verdadeiro furacão!”
Universal Channel


Histórias de mulheres que sofrem preconceito e tendem a lutar contra todas as adversidades na maioria das vezes foram bem retratadas em Hollywood. Negras, lésbicas, judias, ou simplesmente pelo fato de serem mulheres, rendem bons momentos e bilheterias todos os anos nos cinemas de todo mundo. É um bom atenuante para se contar uma história dramática. Mas quando resolvemos rir um pouco de todo este absurdo, nascem comédias inesquecíveis como Legalmente loira protagonizada pela estrela Reese Winsterpoom. Aqui a loira interpreta Elle Woods, uma patricinha de Beverlly Hills (ave Silverstone!) que sonha em se casar com o melhor partido da cidade. No entanto, seus sonhos viram pó quando este resolve noivar com uma mulher mais “séria”, pois pretende estudar direito em Harvard. “Então está terminando comigo porque eu sou loira?!” indaga perplexa. Isso mesmo, afinal, ser loira é sinônimo de falta de inteligência. Contudo, o que ele e os outros não imaginavam era que a “Marilyn” pudesse contradizer este dito popular e alcançar primeiro o que ele não conseguiu. O respeito de todos. Com muita obstinação, ela decide entrar na Universidade e seu êxito a faz mudar de endereço. E claro, seu estilo de ser rouba todos os holofotes no Campus. Aos poucos ela coleciona elogios, consegue uma vaga de estagiária, ganha um importante caso e se forma com honras na mesma faculdade de seu ex. Ao bater o martelo contra o preconceito, provou seu valor como mulher independente da tintura de seu cabelo. O carisma, a bela interpretação de Winsterpoom bem como a velha e boa rivalidade entre mulheres, aqui representada por Selma Blair, sua colega em Segundas Intenções, garantem boas risadas neste filme pra lá de legal.

Uma curiosidade: a primeira vez que vi este filme, exclamei: “Esta garota nunca vai ganhar um Oscar!” Não que não tivesse gostado de sua interpretação, pelo contrário, foi formidável. Não que duvidasse de seu potencial, mas se tratando de uma atriz de comédia, é quase improvável isto acontecer. Quatro anos mais tarde, felizmente “queimei” minha língua quando Winsterpoom ganhou merecidamente a famosa estatueta por Jhonny e June.

Pra rolar de rir: a sequência da festa na Faculdade onde Elle, enganada pela malvada Vivian (Blair), aparece como coelhinha. De personalidade forte, ela não se intimidou e entrou no espírito da festa.


SHREK, 2001
“Verde, feio e irresistível”.
O Globo

Um príncipe encantado que se faz presente na forma do sapo. Assim fomos apresentados a um dos mais queridos personagens do cinema. Shrek, o filme, estourou nas bilheterias de todo mundo e marcou uma nova era das animações. A sinopse firmada em torno dos famosos personagens das histórias infantis em especial aos belos contos de fada se mescla com temas mais adultos, elevando para um nível maior e por assim dizer, mais maduro, as mesmas historinhas. Daí a razão do seu sucesso atingir todas as idades. O ogro Shrek (voz de Mike Myers) não possuía nada que pudesse atrair a atenção de uma princesa. Seus inexistentes atributos físicos tiveram que se submeter a seu espírito guerreiro e dignidade ímpar, características primordiais que alguns príncipes encantados talvez não tenham. Mais que fazer uma releitura destas historinhas, o filme nos leva a acreditar com muita emoção, na importância dos valores interiores. Diante disso, o ogro conquistou não só o coração da princesa Fiona (voz de Cameron Díaz), mas como também de milhões de fãs. Sua parceria com Burro, o amigo sem-noção, rendeu momentos memoráveis em sequências hilariantes e gerou mais três produções. Embora tivessem se tornado sucessos nas bilheterias e nos apresentados outros personagens inesquecíveis, como o Gato de Botas (voz de Antônio Banderas), não conseguiram causar o pungente impacto desta primeira aventura. Uma obra-prima na arte da animação e de se divertir, em que não é preciso viajar tão... tão distante assim a fim ter seu Felizes Para Sempre.

Uma curiosidade: A inspiração do produtor J.H.Wilhams veio de uma fonte bem próxima. Seu filho no Jardim de infância, mesmo não sabendo ler, amava o pequeno livro do ogro, e conseguiu absorver a essência de Shrek. “Era um personagem incrível à procura de um filme”, concluiu o produtor.

Pra rolar de rir: as peripécias do Burro são inesquecíveis, no entanto, a sequência em que desvenda a verdadeira face de Fiona supera todas! “Oh, meu Deus! Você comeu a Princesa!”


GRANDE MENINA, PEQUENA MULHER (Uptowgirls, 2003)
“Britany Murphy está encantadora na melhor comédia sobre ritos de passagem de ano”
Hot Ticket


Dakota Fanning vive uma grande menina e Britany Murphy uma pequena mulher. Desta antítese partiu o prelúdio de uma das melhores comédias já realizadas no cinema. A pequena vive Ray Schleine (Fanning), era uma garotinha hiperativa e hipocondríaca que tinha como diversão infernizar a vida de todas as babás, até a chegada de Molly Gunn (Murphy), uma patricinha que perde tudo pelas mãos de um advogado picareta. Sem grana, Molly, que só vivia para festas e torrar a polpuda herança deixada pelos pais, tende a trabalhar para sobreviver. Com a ajuda de um amigo, ela vai parar na casa de Ray. Elas só não poderiam imaginar que desta inusitada parceria nasceria uma amizade atemporal, em que ambas ajudariam uma a outra a aprender sobre o sentido da vida. Enquanto Ray aprende com Molly como tornar-se uma criança na melhor acepção da palavra, a babá cresce, tornando-se uma mulher madura e independente. Neste processo se insere diálogos engraçados de humor ácido, sequências divertidíssimas e uma química espetacular entre as personagens e atrizes. Assim, Grande menina, pequena mulher se torna um filme tocante, que fala das relações entre mulheres sob um curioso ponto de vista de uma amizade inimaginável. Uma lição que aprendemos da maneira mais legal possível, brincando. Além do mais é uma ótima oportunidade de acompanhar um belo trabalho da saudosa Britany Murphy, que tanto contribuiu com sua energia vitalizante para a comédia no cinema. Uma grande menina e mulher.

Uma curiosidade: Mu, o porquinho de estimação de Molly, foi “interpretado” por dois porcos gêmeos. A única maneira de diferenciá-los era porque um deles tinha uma pinta cinza perto do rabo.

Pra rolar de rir: as sequências de humor físico de Britany. Entre tombos e escorregões, uma batida da porta no nariz e um mergulho num rio poluído são algumas das imagens inesquecíveis que despertam ainda mais saudades de uma grande estrela.


A ERA DO GELO (Ice Age, 2004)
“O esquilo Scrat arranca gargalhadas dos mais sisudos dos seres humanos.”
Folha de São Paulo

Um bando de loucos! Assim podemos definir os protagonistas da aventura mais legal da história do cinema. Quando a preguiça Sid (voz de John Leguizano) e o mamute Manny (voz de Ray Romano) encontram uma criança humana às margens de um rio dá-se início a uma jornada marcada de perigos, amizade e muita diversão em plena era glacial. Aos dois juntou-se o tigre Diego (voz de Denis Leary), que a princípio, era um inimigo em potencial, pois só buscava vingança contra os humanos e, portanto, usaria o pequerrucho para isso. No entanto, o carinho e o zelo que um tem para com o outro, muda a personalidade do tigrão. Tudo isso paralelo às tentativas do esquilo Scrat (voz de Cris Wedge) de conseguir manter sob seu domínio uma avelã. Assim, os fortes laços de amizade criados entre eles geraram outras duas aventuras, mas que com certeza não conseguiram superar este original de Carlos Saldanha. O diretor conseguiu a façanha de unir seres tão diferentes nesta fabulosa aventura. Seres que de tão bem humanizados se tornaram personagens reais gerando uma agradável identificação com o público. A Era do Gelo marca a história da animação pelo poder da amizade de um grupo, aqui chamado de bando, lutando pelo mesmo ideal. As diferenças evidentes evidenciam a importância de cada um neste gélido cenário de humor. Todos têm algo a oferecer, até mesmo o esquilo Scrat e sua escorregadia avelã. O personagem fez história com o mérito de não pronunciar uma palavra sequer e ainda assim arrancar boas gargalhadas. Prova que às vezes o gestual é mais bem-vindo que o oral. A produção impecável, o roteiro brilhante e a coesão dos personagens elevam para sempre, por eras e eras, esta comédia animada. Impossível não se derreter!

Uma curiosidade: É... é do Brasil!!! O diretor, criador e roteirista de A Era do Gelo é carioca e com o sucesso da série, Carlos Saldanha ajudou a alavancar o mercado mundial para os diretores nacionais. Depois disso, fez uma bonita homenagem à sua terra natal com a animação Rio.

Pra rolar de rir: a primeira sequência que nos apresenta Scrat e sua avelã quando um duto de gelo cria uma chuva de estacas que o persegue. E quando consegue se livrar desta gelada, é pisoteado por mamutes e outros animais. Bem-vindos a Era do gelo!



PEQUENA MISS SUNSHINE (Little Miss Sunshine, 2007)
“Abigail Breslin está realmente irresistível como uma esperançosa concorrente de concursos de beleza infantis.”
SET

Famílias disfuncionais são a tônica no momento em Hollywood. Basta ver por The Middle e a premiada Modern Family, séries de grande audiência na TV americana. Um tema que ajuda na criação de personagens tão excêntricos quanto interessantes e que elevou a comédia Pequena Miss Sunshine a uma das melhores em todos os tempos. Hoje, pode até ser um tema bastante conhecido, mas na época de seu lançamento, o filme ganhou muitos pontos pela originalidade. Tanto que levou o Oscar por roteiro original e melhor ator coadjuvante para o veterano Alan Arkin. E ainda concorreu a outros prêmios, especialmente como o melhor filme do ano. Um avô viciado em cocaína, um tio homossexual e suicida, um irmão quase que autista, um pai narcisista e uma mãe omissa, formam a família de Olive. Abigail Breslin conquistou uma justa nomeação como a menina de beleza desproporcional que sonha em ser a Miss Sunshine. Mas logo de cara a menina percebe que não vai ser nada fácil realizar este sonho. Seus atributos físicos nem de longe lembra uma Miss e com os abaláveis problemas de sua família não ajuda em nada a vencer este desafio. Contudo, o apoio incondicional de seu avô (Arkin) e a personalidade do pai, que não admite perdedores, arrastam todos para uma aventura inesquecível atravessando o país a bordo de uma combi barulhenta. Como não poderia deixar de ser, esta aventura rendeu momentos disfuncionais que vai da comédia ao drama em cada parada. O público embarca com esta família e seus problemas, que vão se resolvendo no decorrer da viagem. O elenco afinadíssimo, que inclui Steve Carrel e Toni Colete, surte uma fantástica química e entra para a história ao contar de modo soberbo uma história divertida, comovente e com uma grande lição de moral no fim. Uma comédia como poucas, um filme como poucos. Grande em todos os níveis.

Uma curiosidade: Toni Colete e seus filhos problemáticos. Antes de Dwayne (Paul Dano) e Olive (Breslin), a matriarca já sofria com as esquisitices de Halley Joel Osment em O sexto sentido. O menino que via gente morta todo tempo tirava a Paz da mãe preocupada.

Pra rolar de rir: uma engraçada tentativa de dança sensual de Olive (Breslin) em sua apresentação de talento no concurso. Diante da incredulidade dos jurados, a menina dá um show de desenvoltura em estilo livre. Uma cena memorável!



VICKY CRISTINA BARCELONA (2008)
“Sexy e engraçado”
Variety


O mestre Woody Allen brinda Barcelona com uma comédia romântica da vida real. Portanto, nada de ser um perfeito contos de fadas. Vicky Cristina Barcelona fala das relações amorosas sem a ingenuidade das histórias de amor comum a este tipo de gênero. Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) são duas amigas que decidem passar as férias de verão na famosa cidade espanhola. Logo na primeira noite são interpeladas por Juan Antônio (Javier Bardem), um pintor sedutor. Vicky, como estava noiva, rechaça imediatamente a proposta do artista enquanto Cristina se deixa levar por seu charme. O relacionamento dos novos amantes vai de vento em polpa até a chegada da ex-mulher de Juan. A explosiva Maria Helena (Penélope Cruz, vencedora do Oscar) completa com muito talento e sensualidade este irresistível e instigante triângulo amoroso. O trio vive uma relação curiosa sob o mesmo teto, inclusive com um “momento” de Maria e Cristina numa sala vermelha com pleno consentimento de Juan. A estranha relação beneficia todos os membros do trio. Juan e Maria recuperam a inspiração que lhes faltava e Cristina vive a ardente paixão sem compromisso que buscava. O trio vira quarteto quando Vicky, tomada pelos ares de amor exalados pela cidade também se envolve com o charmoso amante latino. A viagem muda os horizontes das jovens moças nestas fantásticas experiências amorosas. A combinação de amor e arte embriaga a comédia de Allen com sedução e humor. Um filme inesquecível para rir, sonhar e viajar pelas emoções humanas sem qualquer tipo de receio.

Uma curiosidade: a química entre Javier Bardem e Penélope Cruz se estendeu para fora das telas. Os astros formaram um dos casais mais belos de Hollywood e são pais de um lindo bebê.

Pra rolar de rir: a sequência em que Maria Helena procura conhecer melhor sua rival durante um café. Cristina tenta mostrar seus dotes intelectuais contando que estudou chinês diante de uma cética Maria. As nuances de Cruz lhe renderam o Oscar e até a bela Johansson esteve perfeita.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Vencedores dos SAG 2012



Dizem por aí que o Globo de Ouro é a prévia do Oscar, o que não é verdade. Já o Screen Guilds Awards, entregue na noite deste domingo deu uma indicativa de quem pode faturar a estatueta nas categorias principais.
Nas categorias de ator/atriz coadjuvantes os favoritos Octavia Spencer (Histórias Cruzadas) e Christopher Plummer (Toda a Forma de Amor) fizeram jus aos status e faturaram o prêmio. Somando ao Globo de Ouro que venceram, a noite de 26 fevereiro será apenas uma formalidade para confirmar seus prêmios. Algo diferente disso será um grande absurdo.
Em ator, Jean Dujardin (O Artista) surpreendeu ao tirar de George Clooney (Os Descendentes) o prêmio, e é totalmente merecido já que fazer um filme mudo e preto e branco nos dias de hoje. Em atriz, Viola Davis (Histórias Cruzadas) vence e acirra a briga pelo Oscar com Meryl Streep (A Dama de Ferro) e Michelle Willians (Sete Dias com Merilyn).
E o vencedor de melhor elenco, o mais importante da noite, a vitória foi para Histórias Cruzadas. Mais do que merecido já que não só as atuações premiadas de Davis e Spencer, e da indicada Jéssica Chastain merecem destaque, Emma Stone, Bryce Dallas Howard e Sissy Space também dão um show.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O PÃO NOSSO DE CADA DIA


No final dos anos 50, a sensação da TV americana eram os Quiz Shows. Programas de perguntas e respostas que atraíam milhões de pessoas para frente da TV. Era o início de um casamento quase que perfeito. Eles estavam para aquela época como os realities shows estão para nós hoje. Aproveitando-se desta força descomunal, a rede de televisão NBC criou o Twenty – One (Vinte e Um), onde dois candidatos disputavam entre si respondendo a perguntas até que a pontuação alcançasse vinte e um pontos. A cada semana o vencedor acumulava uma boa quantia em dinheiro.

Um dos primeiros candidatos a se tornar herói do programa foi o judeu Herbert Stempel. Ex-soldado do exército, e dono de uma inteligência singular, ele reinou no programa durante cinco semanas consecutivas até que o produtor fez uma proposta indecente para o participante. Que ele entregasse o jogo para seu novo concorrente Charles Van Doren, um aristocrata de renome, filho de um casal de escritores e boa pinta. A marmelada se deu em nome da audiência que andava patinando até aquele momento. Stempel já não era mais novidade e precisavam de algo novo para prender a atenção de um público escorregadio.


A estratégia bolada pelos produtores foi apresentar ao país outra cara de vencedor. E o invencível certamente não era a cara que o país queria ver. Já, Van Doren, era um sujeito bem apessoado, tipo galã de Hollywood. Sabendo do potencial ilimitado do rapaz para gerar milhões, a empresa juntamente com os patrocinadores orquestrou sua ascensão e fama repentina. Ele virou ídolo de seus alunos em Columbia, o partido número um de todas as mulheres e um herói para todas as famílias. Mas tudo iria desmoronar quando inconformado com as promessas não cumpridas pelos produtores, como um programa de TV só seu, Stempel pôs a boca no trombone e levou toda a sujeira para o Congresso Nacional dos EUA. O caso foi um dos maiores, senão o maior, escândalo da TV americana.

Uma história extraordinária que daria uma ótima sinopse de filme. Por isso, em 1994 o eterno Golden boy americano Robert Redford a levou para as telas. Quiz Show – a verdade dos bastidores é um drama que enfatiza o poder que a TV tem na vida das pessoas. O que a caixinha mágica pode gerar de positivo e negativo na vida de todos que estão envolvidos por ela. Todo o esquema de dinheiro, corrupção e manipulação nela inseridos. Paralelo às relações familiares que ela direta ou indiretamente interfere. O excêntrico John Turturro vive Stempel, enquanto o maravilhoso Ralph Fiennes brilha como o campeão Charles Van Doren. O filme ainda tem uma participação mais do que especial de Martin Scorsese como um ambicioso dono de uma empresa farmacêutica patrocinadora do programa. O filme foi um êxito em sua realização, na interpretação do elenco e na direção primorosa de Redford. “Redford tece um retrato marcante do Poder, assuma ele a forma que for, e da ambição.” (SET).

Nunca a expressão “para o povo: pão e circo” caiu tão bem nos tempos que vivemos hoje. Aquela caixinha de entretenimento, que segundo Stempel foi a maior coisa desde que Gutemberg inventou a Imprensa, nos fornece diariamente o pão e o circo. E plenamente saciados, não deixamos nem as migalhas deste para os cães tamanha fascinação que ela proporciona. Isto é um fato. Triste, mas um fato. Não falo do entretenimento em si, afinal, não há nada de errado em querer fugir de um dia fatigante de trabalho ou principalmente da realidade macabra que insiste em nos perseguir. Deste ponto de vista, a TV acaba se tornando uma forte aliada nossa. Um pão que adoramos devorar. Contudo, ultimamente está se tornando impossível não deixar de perceber que este pão talvez não esteja bem recomendável para nossa saúde.

Quando se pensa em TV a primeira coisa que nos vem à cabeça é diversão. Os empolgantes programas de auditório, entrevistas, variedades, novelas (ah, as novelas!), minisséries, esportes, documentários... enfim, uma infinidade de opções que só mesmo ela pode oferecer tornando-se assim, parte de nossa família. Alguém que está ao nosso lado todos os dias. Faça chuva ou faça Sol. Mais que uma necessidade, é quase como uma religião. Você cria um elo inabalável, uma lealdade bíblica com esta caixinha. Dela emanam nossos maiores desejos e realizações. Estes fatos acabam nos colocando em estado de pura dependência e tudo em demasia, vira um vício e um vício já passa a ser algo nada saudável.

Entre estas coisas nada saudáveis estão os famosos reality shows. Programas criados com um só objetivo: dar ao povo o que o povo pede. Diversão. Porém, o que mais incomoda em todo este cenário é o tipo de diversão que eles propõem. Vendo programas como Big Brother no ar durante tanto tempo nos remete a questionar seriamente nossos padrões de entretenimento. Pessoas comuns colocadas em uma casa a fim de interagir entre si e sobreviver por quase três meses de confinamento. Cada passo que dão registrados pelas câmeras. O que há de tão especial nisso? O que importa para nossa vida, para nosso dia-a-dia este tipo de entretenimento?

Logo depois que saiu da Casa dos Artistas, exibido pelo SBT em 2001, o cantor Supla, um dos participantes, quando perguntado sobre o que achava destes programas, deu uma declaração impactante: “Não me interessa saber como as pessoas dormem ou fazem cocô.” Então, partindo deste ponto, o que leva as pessoas a acompanhar religiosamente um programa tão desgastado pela falta de originalidade? Seria mesmo a falta de perspectiva em fazer algo produtivo para sua vida?

Também não deveria interessar as pessoas saber como as outras dormem ou fazem cocô, mas isto sabemos que não é verdade. Elas querem sim saber como elas dormem, fazem cocô, flertam umas com as outras, bebem, namoram, brigam. Isto é um fato. Triste, mas um fato. É impressionante constatar como estes shows mexem com a cabeça do público. Shows sim. Criadores de ilusão sim. Ninguém em sã consciência acredita que há um ponto de verdade integral nisso. É televisão gente! Tudo não passa de um show conduzindo o público a seminários, fóruns de debate, fã-clubes para os participantes, ter um canal por assinatura de um preço absurdo tudo para acompanhar 24 horas o desenrolar do espetáculo.


Só pelo bom e velho entretenimento? Mas, o que devemos ter consciência é que existam outros interesses bem maiores que um simples reality. Basta lembrar-nos da famosa frase: “É só um jogo”, que de tão repetida pelos participantes se tornou uma espécie de mantra entre eles. Sim, de fato trata-se de um show. Um show de ilusões fazendo o público esperar apenas por um entretenimento repetitivo e manipulado por outros interesses que certamente passam longe de suas casas. E o que mais incomoda é ver o quanto somos permissivos neste ponto. O quanto aceitamos mergulhar de cabeça nas profundezas em que a humanidade pode afundar.


Tudo em nome de uma inocente diversão? Talvez sim de nossa parte. Contudo, devemos estar a par do jogo de interesses que a grande vilã do show business ontem e hoje, proporciona. A audiência. Aquela que vende. Aquela que gera. Aquela que corrompe. Aqueles números previamente comandados pelos mágicos que protagonizam o circo. Os padeiros que nos fornecem o pão nosso de cada dia que saciam nossa fome. E como temos fome! Não importa o que tiver no cardápio, porque queremos sim só comida. O importante é chegar a nossa mesa.

Perante esta triste constatação e seguindo esta linha de raciocínio não sabemos até onde poderemos chegar com isso. Qual é a linha que delimita o que é certo ou errado dentro da TV e qual nossa real participação dentro deste circo. Criamos todos os dias Stempels e Van Dorens e os levamos para dentro de nossa casa de forma passiva à medida que seguimos catatônicos em direção a programas de baixo nível que nos oferecem momentos descartáveis em cenas lamentáveis como uma simulação de sexo ou uma possível situação de estupro. Até quando a mente humana pode suportar este tipo de alimento oferecido pelos realities? Até quando? Por quê? Até onde? Até...?

Perguntas e mais perguntas num cenário de quiz show onde já sabemos as respostas, só não queremos admitir. Fugir desta dependência. Não ser um mero profeta pregando no deserto palavreando como um dos personagens do filme, o advogado responsável por levar a público todo caso da TV americana: “Pensei que fôssemos pegar a televisão. A verdade é que a televisão vai nos pegar”. Vai não, já pegou. Isto é um fato. Triste, mas é um fato.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

As Aventuras de Tintim: O Segredo de Licorne (2011)


The adventures of Tintim: The Licorne secret’s, 2011. Dirigido por Steven Spielberg. Com Jamie Bell, Andy Serkins, Daniel Craig.
Cotação: ☻☻☻☻

Quando Steven Spielberg anunciou uma parceria com Peter Jackson para levarem ao cinema um dos quadrinhos mais famosos (não aqui no Brasil) às telonas, o mundo cinematográfico ferver. Dois dos grandes diretores de nosso tempo, um famoso por transformar ETs e tubarões em protagonistas formidáveis, outro responsável pela melhor saga de fantasia (com a proeza de conquistar um Oscar de melhor filme), só poderia resultar em um bom filme, certo? Errado.
As aventuras de Tintim é excelente. Feito com a tecnologia que fez dos asqueroso Gollum um dos personagens mais famosos de que se tem conhecimento, o primor das imagens digitalizadas criaram um mundo do qual seria impossível Spielberg transportar as vertiginosas situações em que o jornalista se mete. A perfeição das sequências são de arrepiar, e chega a passar a idéia de que são de verdade, não copias da realidade.

Neste O Segredo de Licorne, o roteiro engloba o momento em que TinTim conhece o capitão Haddock, para que juntos desvendem o mistério em torno da miniatura de navio. As histórias do passado e do presente do capitão se misturam os levando da Europa à África, e de maneiras menos convencionais possíveis. E também em meio a tiros socos e pontapés, e claro, a ajuda do cachorrinho Milu.

O êxito maior da epopeia é com certeza a proximidade que o filme tem com as aventuras de outro personagem marcante de Spielberg, o arqueólogo intrépido Indiana Jones. A experiência de ter dirigido uma aventura alucinante, com raros momentos para o público respirar, e tendo um sucesso de público e crítica consistentes, deu a ele a segurança necessária para fazer uma obra de animação, não direcionada ao público infantil, e ter a certeza de que será bem recebido.
Honras à parte para o fabuloso Andy Serkins. Entre os personagens que ganharam vida pelas expressões dos atores reais, o Capitão Haddock é o que apresenta o maior número de caras e bocas diferentes, e com uma naturalidade que só Serkins lhe poderia emprestar . Por fim, tudo um trabalho de mestre do cinema, com um mestre do fantástico, uma obra de arte que criará um outro conceito às animações, que estava mesmo precisando disso.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

AS AVENTURAS DE AGAMENON, O REPÓRTER (2011)

Dirigido por Victor Lopes. Com Marcelo Adnet, Hubert e Luana Piovani.
Cotação: ☻

IDIOTA É QUEM FAZ IDIOTICES

As comédias que inserem uma intertextualidade cinematográfica em suas produções têm a missão de elevar o nível de sua obra, contribuindo assim para uma rápida identificação por parte do público. Esta seria a proposta de As aventuras de Agamenon – o repórter, produzido pelos eternos cassetas Hubert e Marcelo Madureira. Partindo deste princípio, o filme seria uma mescla de algo como Os Simpsons, com uma pitada de South Park e muito de Forrest Gump. Mas no final tudo terminou como uma extensão de um Casseta e Planeta para maiores.

A história começa com um ensandecido Pedro Bial (será por quê?) procurando pelo protagonista nos arredores do famoso Jornal onde trabalha. Em seguida, age como um documentário narrando as “proezas” de Agamenon (Marcelo Adnet / Hubert), repórter de O Globo desde o início de sua brilhante carreira, o casamento com sua amada Isaura (Luana Piovani) e sua incisiva participação nos mais relevantes fatos históricos mundiais. Bem como suas famosas entrevistas concedidas por personalidades como Gandhi e Martin Luther King, além de um encontro com Hitler. Nada que não tenhamos visto de forma semelhante em Forrest Gump. A diferença é que enquanto o filme que deu o Oscar a Tom Hanks era um drama, aqui era para ser uma comédia. Contudo, a julgar por sua péssima realização emaranhada em piadas grosseiras, momentos risíveis de até aonde vai o abismo que caiu o humor nacional, diríamos que neste quesito o filme fracassou. Visto que se o papel de uma comédia é criar momentos de riso, passou longe de seu objetivo. Os seus 73 minutos não conseguem arrancar nenhuma gargalhada, por menor que seja de qualquer indivíduo que tenha o mínimo de consciência do que está assistindo.

As Aventuras de Agamenon se apóia na jogada de desmoralizar figuras históricas. Esta tem sido a tônica de famosos programas humorísticos em todo o mundo. O próprio Casseta e Planeta sobreviveu tanto tempo na TV por conta disso, provando que não há nada demais na ideia, afinal, ver celebridades em momentos espontâneos (lê-se embaraçosos), nem que seja de modo fictício, tem divertido muita gente desde que inventaram o rádio e a TV. Entretanto, não se deve deixar de lado o mínimo de classe e estilo para realizar tal proeza. Esta é a diferença dos outros programas para este festival de besteiras.

No elenco, além dos cassetas Hubert e Marcelo Madureira, temos o queridinho das comédias de mau gosto Marcelo Adnet e a polêmica Luana Piovani, que antes de abrir a boca para falar mal de alguém, deveria repensar sua carreira artística. O mais absurdo, no entanto, é ver personalidades respeitáveis como Caetano Velloso e Paulo Coelho se prestando a este tipo de coisa. Ambos se juntaram a Jô Soares, Suzana vieira e Nelson Motta para dar depoimentos no falso documentário sobre a vida de Agamenon. E para completar o lapso estarrecedor, Fernanda Montenegro em seu momento de plebéia desbocada fazendo uma narração do filme. Não há outra palavra para descrever sua participação nesta comédia lamentável além de patética. Vindo de alguém que já concorreu a um Oscar, me leva a indagar sobre o que teria levado a embarcar nesta bobagem. Insanidade temporária ou apenas uma forte jogada de marketing para levar o público às salas de projeção?

Não há como saber. A única coisa que podemos ter certeza é de que As aventuras de Agamenon é algo para ser visto apenas por aqueles que querem se aventurar em coisas totalmente idiotas. Aqueles que, segundo Forrest, só fazem idiotices. E este filme com certeza é um belo exemplar deles.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

INDICADOS AO OSCAR 2012

Abaixo alista dos indicados de 2011. As maiores injustiças (ou tolices) foram a ausência de Leonardo DiCaprio, para ator, e As Aventuras de Tintim em animação.

MELHOR FILME

Os Descendentes
O Artista
A Invenção de Hugo Cabret
Cavalo de Guerra
Meia-Noite em Paris
O Homem que mudou o jogo
A Árvore da vida
Histórias cruzadas
Tão forte e tão perto

- Eu colocaria Os Homens que não amavam as mulheres no lugar de Tão forte e tão perto. Drive merecia uma chance, e ainda bem que não ignoraram o filme de Malick.

DIRETOR:

Michel Hazanavicius - O Artista
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores
: 1º indicação

Martin Scorcesse - A Invenção de Hugo Cabret
Prêmios anteriores: Diretor: Os Infiltrados (07).
Indicações anteriores: Diretor: Taxi Driver (76); Touro Indomável (81); Gangues de Nova Iorque (02); O Aviador (05); Os Bons Companheiros (93); A Última Tentação de Cristo (89). Roteiro adaptado: Os Bons Companheiros (93); A Época da Inocência (94).

Alexander Payne -Os Descendentes
Prêmios anteriores: Roteiro adaptado: Sideways - Entre umas e outras (05).
Indicações anteriores: Diretor: Sideways - Entre umas e outras (05); Roteiro adaptado: Eleição (99).

Woody Allen - Meia-Noite em Paris
Prêmios anteriores:Diretor: Noivo neurótico, noiva nervosa (77); Roteiro: Noivo neurótico, noiva nervosa (77); Hannah e suas irmãs (86); Tiros na Brodway (94).
Indicações anteriores: Ator: Noivo neurótico, noiva nervosa (77). Diretor: Interiores (78); Brodway Danny Rose (84); Hannah e suas irmãs (86); Crimes e pecados (89); Tiros na Brodway (94). Roteiro: Interiores (78); Manhattan (79); Brodway Danny Rose (84); A Rosa púrpura do Cairo (85); A Era do Rádio (87); Crimes e pecados (89); Simplesmente Alice (90); Maridos e esposas (92); Poderosa Afrodite (95); Desconstruindo Harry (97); Match Point (05).

Terence Mallick - A Árvore da Vida
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores
: Diretor: Além da linha vermelha (98).

- Seria um absurdo Malick ficar fora, talvez Fincher e Refn merecessem uma chance, mas a lista foi justa.


ATOR:

George Clooney - Os Descendentes
Prêmios anteriores: Ator coadjuvante:
Siryana - A indústria do petróleo (05)
Indicações anteriores: Diretor: Boa Noite e Boa sorte (05). Ator: Conduta de risco (07); Amor sem escalas (09).

Jean Dujardin - O Artista
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores:
1ª indicação

Brad Pitt - O Homem que mudou o jogo
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores: Ator coadjuvante
: Os Doze Macacos (95). Ator: O Curioso Caso de Benjamin Button (08).

Demian Bichir – A better life
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores:
1ª indicação.

- Ignorar Leoardo DiCaprio prova que a Academia ainda tem seus preconceitos. Entretanto Oldman recebe uma merecida indicação por um 007 de verdade.


ATRIZ:

Meryl Streep - A Dama de Ferro
Prêmios anteriores: Atriz:
A Escolha de Sofia (83). Atriz coadjuvante: Kramer vs. Kramer (80).
Indicações anteriores: Atriz: A Mulher do tenente francês (82); O Retrato de uma coragem (84); Entre dois amores (86); Ironweed (88); Um grito no escuro (89); Lembranças de Hollywood (91); As pontes de Madison (96); Um amor verdadeiro (99); Música do coração (00); O Diabo veste Prada (07); Dúvida (09); Julie e Julia (10). Atriz coadjuvante: O Franco atirador (78); Adaptação (03).

Viola Davis - Histórias cruzadas
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores: Atriz coadjuvante:
Dúvida (09).

Michelle Willians - Sete dias com Marilyn
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores
: Atriz: Namorados para sempre (2011). Atriz coadjuvante: O Segredo de Brokback Mountain (06).

Rooney Mara - Os homens que não amavam as mulheres
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores:
1ª indicação

Glenn Close - Albert Nobbs
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores: Atriz:
Atração fatal (88); Ligações perigosas (93). Atriz coadjuvante: O mundo segundo Garp (83); O Reencontro (84); Um Homem fora de série (85).

- A exclusão de Tilda Swinton foi a grande surpresa, já que ela estava presente em quase todas as outras premiações. Glenn Close voltou a lista após quase duas décadas.


ATOR COADJUVANTE:

Christopher Plummer - Toda a forma de amor
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores:
Ator coadjuvante: A Última estação (2011)

Kenneth Branagh - Sete dias com Marilyn
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores: Ator:
Henrique V (89). Diretor: Henrique V (89). Roteiro: Hamlet (96). Curta de animação: Swan song (92).

Jonah Hill - O Homem que mudou o jogo
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores:
1ª indicação

Nick Nolte - Warrior
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores: Ator:
O Príncipe das marés (92); Temporada de caça (98).

Max Von Sydow - Tão forte, tão perto
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores:
1ª indicação

- Esperava por Von Sydow mesmo, é a chance da Academia de homenagear o veteraníssimo. A surpresa foi a exclusão de Albert Brooks (Drive), já que estava até cotado para vencer. Mas é bom mesmo vencer a volta de Branagh e o fôlego de Plummer.



ATRIZ COADJUVANTE

Octavia Spencer - Histórias Cruzadas
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores:
1ª indicação

Jessica Chastain - Histórias Cruzadas
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores
: 1ª indicação

Berenice Bejo - O Artista
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores:
1ª indicação

Melissa McCarthy - Missão madrinha de casamento
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores:
1ª indicação

Janet Mc Teer - Albert Nobbs
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores:
1ª indicação

- Melissa McCarthy roubou a cena da protagonista Kristen Wiig, mereceu sua indicação. As outras eram esperadas.



MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Meia- Noite em Paris – Woody Allen
O Artista – Michel Hazanavicius
Margin Call – J. C. Chandor
A Separação – Asghar Farhadi
Missão Madrinha de Casamento – Kristen Wiig e Annie Mumulo


MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Os Descendentes - Alexander Payne, Nat Faxon & Jim Rash
A Invenção de Hugo Cabret - John Logan
O Espião que sabia demais - Bridget O’Connor & Peter Straughan
O Homem que Mudou o Jogo – Aaron Sorkin e Steve Zaillian
Tudo pelo poder - George Clooney & Grant Heslov


MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

A Invenção de Hugo Cabret – Dante Ferretti
O Artista – Laurence Bennet
Harry Potter e as Relíquias da Morte parte II – Stuart Craig
Cavalo de Guerra – Rick Carter


MELHOR FOTOGRAFIA

A Árvore da Vida – Emmanuel Lubezki
O Artista – Guillaume Schiffman
Cavalo de Guerra – Janusz Kaminski
A Invenção de Hugo Cabret – Robert Richardson
Os Homens que não Amavam as Mulheres - Jeff Cronenweth


MELHOR FIGURINO

O Artista
A Invenção de Hugo Cabret
Jane Eyre
W. E.
Anônimo


MELHOR MONTAGEM


O Artista - Anne-Sophie Bion & Michel Hazanavicius
A Invenção de Hugo Cabret – Thelma Schoonmaker
Os Homens que não Amavam as Mulheres - Kirk Baxter & Angus Wall
O Homem que Mudou o Jogo – Christopher Tellefsen
Cavalo de Guerra – Michael Kahn


MELHOR MAQUIAGEM

A Dama de Ferro
Harry Potter e as Relíquias da Morte parte II
Albert Nobbs


MELHOR FILME ESTRANGEIRO



Bullhead - Bélgica

A Separação - Irã

Monseiur Lazhar - Canadá

Footnote - Israel

In Darkness - Polônia



MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO



Gato de Botas

Rango

Chico & Rita

Um Gato em Paris

Kung Fu Panda 2





MELHOR TRILHA SONORA

O Artista – Ludovic Bource
Cavalo de Guerra – John Willians
A Invenção de Hugo Cabret – Howard Shore
As Aventuras de Tintim: O Segredo de Licorne – John Willians
O Espião que sabia demais – Albert Iglesias


MELHOR MIXAGEM DE SOM

Cavalo de Guerra
A Invenção de Hugo Cabret
Transformes 3: O lado Oculto da Lua
O s homens que não amavam as mulheres
O homem que mudou o jogo


MELHOR SOM

Cavalo de Guerra
A Invenção de Hugo Cabret
Transformes 3: O lado Oculto da Lua
Drive
Os homens que não amavam as mulheres


MELHORES EFEITOS VISUAIS

Planeta dos Macacos
Transformes 3: O lado Oculto da Lua
A Invenção de Hugo Cabret
Harry Potter e as Relíquias da Morte parte II
Gigantes de aço


MELHOR CANÇÃO

Man or Muppet – Os Muppets
Real in Rio – Rio


MELHOR CURTA METRAGEM

Pentencost
Raju
The shore
Time freak
Tuba Atantic


MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO


Dimanche
The fantastic flying books of mister Morris Lessmore
La Luna
A Morning stroll
Wild life


MELHOR DOCUMENTÁRIO

Hell and back again
Pina
If a tree falls
Paradise lost 3: Purgatory
Undefeated


MELHOR DOCUMENTÁRIO CURTA METRAGEM

God is the big Elvis
The barber of Birmingham: Foot soldier of the civil rights moviments
Incident in New Baghdah
Saving face
The tsunami and the cherry
Blossom

Cavalo de Guerra (2011)


War Horse, 2011. Dirigido por Steven Spielberg. Com Jeremy Irvine, Emily Watson, Tom Hiddlestone, David Twelis.
Cotação: ☻☻☻

Steven Spielberg é um mestre da história do cinema mundial, isso talvez faz com que cinéfilos considere sua obrigação fazer obras-primas toda vez que decide filmar. Mas a verdade é que o diretor também tem seu direito a criar algo que seja mais coração do que a razão que já o fez conquistar dezenas de prêmios durante toda sua carreira.


Talvez por isso seu Cavalo de Guerra seja o mais “mole” de seus filmes, por que é uma história que tocou seu coração em um teatro. Entretanto, engana-se que pensar que este não está à altura de sua cinematografia. Para fazer o público chorar, Spielberg recorreu à sua cancha em construir espetáculos e contou a trajetória do cavalo que venceu todas as adversidades, atravessou uma guerra, e mudou a vida de quem cruzou seu caminho, além de mostrar que nem só de monstros é constituída uma batalha de tal porte.


O forte do longa é justamente onde o diretor não costuma acertar, a ministração das emoções, que neste caso vem de maneira controlada. Claro, em alguns casos chega a beirar o pieguismo, que pelo bem, sempre termina antes que tenhamos de recorrer à agua com açúcar. Com o simples método de “bater e depois assoprar”, o filme tem um equilíbrio que muitos não conseguem obter. Além de tudo isso, a forma de como trata a perda, recorrente em todos os mini episódios em que se divide, deixa claro que através da saga do cavalo Joey, pudéssemos enxergar que mesmo que amamos alguém, a qualquer momento, por qualquer motivo poderemos perde-lo.


Com uma trilha sonora formidável, uma das melhores de John Willians, é possível perceber os momentos de felicidade, compaixão e terror. Através dos olhos de Albie, da pequena Emilie, ou do jovem Gunther , o cavalo era apenas uma metáfora para o amor, algo em que acreditar em meio a tanta desgraça. O problema do longa é o pouco tempo em que a história de quem atravessa o caminho de Joey, há pouco tempo para se desenvolver seus dramas, o que prejudica o entendimento dos menos atentos.


Na parte técnica não há o que se esperar de diferente de Spielberg, desde a fotografia impecável de seu fiel Janusz Kaminski até a aplicação de seus recursos para criar um ambiente de guerra formidável, será sempre o melhor nesses aspectos. Talvez o filme não agrade os mais admiradores deste seu potencial em criar pirotecnias, e com certeza também é um fato de que não está no patamar de seus melhores filmes. Mas é Steven Spielberg, e por isso só já eleva Cavalo de Guerra à categoria de bom filme.