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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

A Lista de Schindler: duas décadas de amor ao cinema e um presente para a humanidade


A lista de Schindler (The Schindler’s list, 1993)
Direção: Steven Spielberg
Com: Liam Neeson, Ralph Fiennes e Ben Kingsley

Nota: 10

A Segunda Guerra Mundial foi o capítulo mais triste de nossa história. Foram seis anos de vergonha que nos levou à beira do abismo ético, moral e social. Os alicerces que a sustentavam tiveram como base o ódio. Uma facção de poder militar e econômico ganha força ao tentar resgatar o orgulho de sua nação. Eles representavam a chamada Raça Ariana e a intitulava como a mais pura, a superior, a que mais se aproximava do ser humano ideal. Aqueles que não seguiam essencialmente seus padrões físicos eram tachados de seres inferiores e, portanto, não eram classificados como seres humanos. 

Negros, asiáticos e indígenas sofreram discriminadamente ao longo da história e durante muito tempo deixados à margem da cadeia biológica. Os negros viram seu continente ser dividido como fatias de pizza pelos europeus e depois transformados em escravos. Os asiáticos tiveram seus templos violados e sua cultura esmagada. Os índios massacrados física e ideologicamente pelos colonizadores e hoje veem pouco a pouco sua cultura sendo jogada ao esquecimento. Todos tiveram que se submeter pela força a uma outra cultura em razão de uma ideia totalmente deturpada de um grupo ao conceituar a raça humana como um todo. Este princípio se tornou a bandeira do Holocausto. A disseminação do ódio da raça ariana pelos judeus durante a Guerra. Segundo este princípio, os judeus eram os responsáveis pela crise que a Alemanha enfrentava naquela época. Assim passaram a ser vítimas de uma campanha antissemita do Nazismo. 

Meios de comunicação em massa foram usados bem como discursos inflamados por todos os líderes do Partido frente à população. Até as crianças foram atingidas, uma vez que nas escolas o que se pregava nas cartilhas era ódio aos judeus. Para sustentar suas afirmações, os Nazistas recorreram a argumentos científicos, que segundo eles, eram inquestionáveis. O judeu não era um ser humano. Eram como ratos, piolhos, insetos nocivos à humanidade e como tais mereciam ser extintos. Eram tratados como animais no sentido literal da palavra. Tiveram suas vidas arrancadas e sua dignidade despida sob todos os aspectos. Foram proibidos de frequentar qualquer local ou estabelecimento público. Depois que tiveram suas lojas e patrimônios destruídos, foram expulsos de suas casas, forçados a viver amontoados numa área restrita que chamaram de Gueto. Este, por sua vez, não era como um cortiço. As condições de vida eram tão sub-humanas que nem de longe poderia se perceber que se tratava de uma moradia humana. Mais lembrava um cercado, um curral. Sua extinção em Agosto de 42, levou sua população aos famigerados campos de concentração. Um lugar que mais parecia uma prisão para animais. Dormiam numa espécie de estábulo e eram marcados como gado antes de trabalharem até a morte eminente. Homens e mulheres saudáveis ganhavam uma sobrevida nos campos. Já as crianças e os idosos eram assassinados em câmaras de gás sem nenhum tipo de consciência ou remorso.

Neste capítulo, o homem mostra sua mais assustadora face como único animal que mata o da mesma espécie. Um a um, 6 milhões de judeus foram exterminados pelas forças alemãs da SS. E este número poderia ter sido maior se não fosse a coragem e compaixão de um homem que arriscou sua vida e fortuna para salvar 1.100 judeus.

Toda essa introdução histórica serve para mostrar o quanto o cinema mexe com emoções daqueles que fazem uma associação pertinente com os rumos da vida real. Isso é o que mais me chama a atenção no cinema. Ter a oportunidade de vivenciar através das telas todas as emoções humanas enquadradas em contextos históricos atemporais. O diretor Steven Spielberg usou dessa mesma sensibilidade para nos trazer uma obra que beirou a perfeição. A Lista de Schindler foi uma ideia concebida por alguém que por ter raízes judaicas, colocou a mesma indignação histórica e paixão cinematográfica ao rodar os takes de cada cena. Detalhe: tudo (ou quase tudo) em preto e branco. Sim, não há cor, não há alegria em cada momento da trama, apenas a visão de uma garotinha com um casaco vermelho, usado simbolicamente como sangue,símbolo do martírio, para chamar a atenção de Schindler. As outras tomadas seguem em alguns momentos depoimentos fiéis daqueles que sobreviveram ao Holocausto, inclusive há um documentário no DVD que conta bem isso. Portanto vejo a obra mais voltada ao cinema documentário do que dramático propriamente dito. 

O theco Oskar Schindler (Liam Neeson) migrou para a Polônia a fim de enriquecer com a Guerra e fez de sua fábrica de armamentos um refúgio para seus 1.100 operários. Á princípio a ideia era lucrar com a mão-de-obra judia, muito mais rentável do que a polonesa. Porém sob a influência indireta de seu sagaz contador judeu Itzhak Stern (Ben Kingsley), ele começa a enxergar todo o sofrimento daquele povo. Suas ações que fugiam do padrão Nazista, Partido do qual fazia parte, chamava a atenção, mas ele conseguia com muito charme e certo cinismo, reverter todas as acusações e ainda esconder o que sua fábrica realmente fazia. Apenas abrigava judeus, nada mais. Oskar gastou toda a fortuna acumulada em deferimento a manipular acordos e negociatas. Em outras palavras, usou seu poder que tinha como um membro, seu capital e Inteligência estratégica para favorecer quem estava condenado a um destino insólito. Só no fim, quando percebeu o quanto desperdiçou em sua incorrigível vida boêmia, se deu conta de que poderia ter salvado mais pessoas numa das cenas de grande emoção e interpretação do ator.

Schindler e Stern: enganando o Nazismo com a confecção da famosa lista

Falando em interpretação, Ralph Fiennes simplesmente entrou para história como o cruel Amon Göth, oficial da SS que nutria uma obsessão pela judia Helen Hirsch (Embeth Davidtz), a quem escolheu a dedo para trabalhar em sua casa no campo de concentração. Só o Oscar pareceu não ter enxergado tamanho empenho do ator, um dos melhores do cinema, dando a Estatueta dourada para Tommy Lee-Jones e seu fraco desempenho em O Fugitivo. Contudo, o que importa para quem não liga para premiações, e sim desempenho, é todo o talento de Fiennes passeando pela tela levando a crueldade e obsessão do Oficial até as últimas consequências numa mescla de asco e admiração para quem assiste. A dupla Neeson e Kingsley deu uma veracidade arrepiante a todas as cenas dos dois homens, empregador e empregado, parceiros e no fim de tudo, amigos. 

Ele não era um Santo. Aquele tipo de herói perfeito que encanta a todos indiscriminadamente, mas teve a sensibilidade de fazer algo pela humanidade que nem mesmo os Santos poderiam fazer. Schindler abriu sua mente e o coração com o devido respeito à cultura judia e assim pôde aprender a valorizar o que nós, seres humanos, temos de melhor. A diversidade cultural. Foi o que serviu como base para a Declaração Universal dos direitos Humanos feita pela ONU (Organização das nações unidas) após a Guerra. Entender que o que nos separa é justamente o que nos dá mais força e equilíbrio. Divergências culturais são saudáveis para todos nós. Contudo, é preciso saber separar estas divergências de qualquer tipo de preconceito. Quando nos tornemos ditadores de princípios que julgamos serem os melhores, os mais adequados à humanidade, cometemos um erro que nos torna tão irracionais quanto animais. São formas graves e inaceitáveis de preconceito de quem se considera parte da mesma raça. Somos únicos e cada qual contribuiu da sua forma para uma lista universal da Paz. A lista de todas as raças sublinhada com amor, fraternidade e respeito a todas as formas de diversidade. Este é um presente tão significativo para a humanidade quanto a obra de Spielberg para o cinema. 

Como puderam notar, o texto não se tratou apenas de uma crítica cinematográfica e sim um desenvolvimento propício à mensagem destes tempos. Tempos de reflexão para mais um ano que se aproxima. Mais um vivenciando tudo que a sétima arte pode nos oferecer, como esta obra emocionante que atravessou duas décadas carregando todo o status de cinema feito como arte para entrar na história. 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Jogos Vorazes - A Esperança - Parte 1 (2014)

Jogos Vorazes – A Esperança – Parte 1
(The Hunger Games: Mockingjay – Part 1)
Direção: Francis Lawrence
Com: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Donald Sutherland, Julianne Moore, Woody Harrelson, Elizabeth Banks e Phillip Seymour-Hoffman

Nota: 8

Pra quem ainda insistia em comparar a franquia estrelada por Jennifer Lawrence com outros filmes adolescentes e afins, certamente deve ter revisto a sua opinião após assistir Jogos Vorazes – A Esperança – Parte 1. Com uma trama bem mais madura e menos colorida como as anteriores, o diretor Francis Lawrence acerta em dar um tom mais reflexivo ao começo do fim. Não há mais a loucura megalomaníaca de jovens se matando, apresentações ofuscantes de figurinos em desfiles e corrida desenfreada pela sobrevivência numa ação interrupta. Aqui, o papo é mais sério e os jogos acontecem em outro território. 

Depois de ter mandado ao chão literalmente todo o “circo” de opressão do Presidente Snow (Donald Sutherland), a jovem Katniss Everdeen (Lawrence, incrível) agora tem que unir forças para viver uma nova realidade fora dos jogos. E é neste processo que baseia toda a estrutura do filme. Katniss se vê perdida em meio a uma trama que não escolheu fazer parte, mas que precisa protagonizar. Ela quer proteger sua família, seus amigos e ainda de quebra, saber se seu parceiro Peeta Mellark (Josh Hutcherson) está vivo. Peeta foi um dos vencedores que terminou o último filme capturado pela Capital. A grande revelação de seu paradeiro ocorre por meio da TV quando todos ficam a par dos planos de Snow, que o usa como arma contra aquela que agora é a inimiga número 1 do tirano de barba branca e fala macia. Aliás, fala é que não volta ao filme. Tudo é mais dialogado, sentimentos humanos ainda emergem entre operações de espionagem e farpas políticas e mesmo com o fim dos Jogos, a mídia continua tendo sua importância por onde trava-se uma disputa interessante pelo Poder. Snow quer manter todos os Distritos ainda sob controle e acabar com a imagem de Katniss, transformada em uma espécie de arauto da Rebelião, que ecoa pelos 12 distritos, ainda que de forma tímida e não organizada. Em outras palavras, Snow acabou dando um tiro no próprio pé dentro de seu jogo de manipulação através dos holofotes, criando uma heroína tão magnética quanto sua intérprete. É aí que entra uma outra parte interessante do longa. 

Katniss irá se juntar ao chamado Distrito 13 composto por uma força militar desconhecida por PANEM aos cuidados da Presidente Alma Coin (a sempre ótima Julianne Moore) que também usa dos recursos tecnológicos e midiáticos para dar o troco a qualquer pretensão de Snow. Esta central da Rebelião esperava por algo, alguém, alguma chama de esperança para enfim estabelecer a ordem de forma democrática no país, e o mais importante, sem mortes violentas de jovens inocentes. Alma parece o oposto de Snow, embora conserve algumas características do mesmo, como a importância de priorizar certos tópicos nesta Guerra. Assim ela bate de frente com a (ainda) relutante Katniss, a quem conclui, inicialmente, não ser a garota que Plutarch (Phillip Seymour-Hoffman) mencionara com tanto entusiasmo para ela. Neste ponto não podemos tirar dela a razão, afinal, Katniss parece mesmo uma mocinha paradoxal, capaz de derrubar um aeroplano, mas que aparece chorando pelos cantos por conta de um Amor que a mim até agora não convenceu. Afinal, Katniss ama ou não ama Peeta? Eis a questão! 

Não li nenhum dos livros de Suzanne Collins e não sei qual o teor da relação entre os dois jovens descrita lá, mas pelos filmes, a impressão que tenho é que há algo forçado em muitas situações. Quando foram para os Jogos na primeira sequência, ambos nem ao menos se falaram, embora fossem do mesmo Distrito. Com o desenvolvimento de toda a tensão dos jogos, criou-se um forte laço entre eles. Laço que foi responsável pela permanência de ambos nos jogos e para que se sagrassem campeões. Depois do triunfo, estão mais distantes do que nunca, apenas representando, tentando convencer a todo país que são um casal apaixonado até Peeta parar de respirar dentro da arena e Katniss se desesperar. Dúvida sanada? Pode ser dentro das pretensões da história, mas a mim ainda não convenceu, há algo tão superficial no ar quanto a interpretação do jovem Hutcherson. Neste caso, ponto para o casal de Crepúsculo, que ao menos tem uma química considerável que levou com certo sucesso a famigerada série. Em outras palavras, a relação de Katniss e Peeta parece romance sustentado única e exclusivamente para situações vistas nesta terceira sequência como Snow usando o rapaz como o calcanhar de Aquiles da jovem heroína. “São as coisas que mais amamos, é que nos destroem”. Belas palavras, que funcionariam melhor se tudo fosse mais crível quando se trata de Katniss e Peeta nos filmes.

Embora o livro seja classificado como romance e carregado dessa forma na adaptação para o público alvo, eu prefiro me concentrar na essência da batalha, no foco, no pano de fundo da criação da franquia. A luta pela Liberdade, o fim da opressão foi o que me pegou a acompanhar a saga de Katniss. Romance, triângulos amorosos, e todo o sentimentalismo que o envolve, poderiam perfeitamente ficar em segundo plano pra mim. Isso deixa o filme sem ritmo e a heroína sem brilho em certos momentos. Porém entendo os esforços de todos envolvidos para que a franquia não desabe no interesse dos jovens, que adoram ter um casalzinho para shippar (torcer), como foi bem colocado na primeira sequência de 2012.

Katniss como o Tordo, símbolo, da revolução: a faceta mais interessante da heroína

O roteiro mais lento, arrastado, de momentos mais contemplativos tem seu bônus e ônus. Se por um lado a escalação do elenco com atores talentosos, a direção de arte mais profissional, a proposta mais atemporal e revolucionária desmistifica a obra erroneamente vista como “um Crepúsculo da vida”, este mesmo ritmo acabou fazendo o roteiro de Danny Strong (gente....é o Jonathan de Buffy!) quase pender para o nonsense. Um mal necessário pela gana dos produtores por cifras. A ideia de dividir a obra em duas partes, explica um pouco o porquê da falta de criatividade de Hollywood hoje, esticando ao máximo certos produtos de retorno. Se por um lado, é preciso tomar parte de reflexões que envolve o cenário de Jogos Vorazes, por outro, é arriscado se tratando da maioria dos fãs que espera por algo mais bombástico. Neste caso, por segurança, tudo poderia ter sido perfeitamente condensado em um único longa com um tempo maior se necessário. 

Sobre o elenco, quem lê meus textos, sabe de toda a admiração que tenho pelo trabalho de Lawrence, uma atriz na maior concepção da palavra. Arrisco dizer que se não fosse por ela, Katniss não seria nem metade do que é. Para compor todas as nuances da mocinha de arco e flecha, era essencial uma atriz que segurasse todos os momentos de drama, tensão e até mesmo os mais românticos, visto sua empatia junto ao público. Até quando tem que ser canastrona, ela se dá bem como na passagem em que fica à frente das câmeras como o “rosto da rebelião”. Um momento cômico em meio a toda tensão. Sutherland, veterano e seguro. Aliás sobre Sutherland lembramos de uma experiência com este tipo de público, embora não muito bem sucedida em 1992 no filme Buffy – A caça-vampiros em que vivia Merrick, o Sentinela da caçadora. Sobre Moore é tão boa que não precisa de cenas escalafobéticas para ser contemplada. Elizabeth Banks, mesmo sem todo o aparato de carro alegórico e maquiagem, se saiu bem, mostrando que a superficial Effie tem sim muito sentimento. O mesmo não posso dizer de Stanley Tucci, que aqui apareceu como figurante. Não sei se terá importância na segunda sequência, mas se assim for, poderiam perfeitamente escalar um outro ator assim como Woody Harrelson, apagado com a sobriedade de Haymitch. Quanto a Seymour-Hoffman, é uma tristeza enorme saber que toda esta competência não será mais vista. Cumpriu de forma brilhante o seu papel, elevando a franquia, que com um pouco de boa vontade desfaz com sobras a imagem que tem perante aos críticos mais ácidos. 

Jogos Vorazes começou revolucionando o conceito de obra voltada para o público teen, amadureceu essa ideia na segunda parte e agora colhe os frutos de todo esse comprometimento que foge da mediocridade de obras de mesmo gênero. É cinema de entretenimento com apetite voraz tentando mostrar algo a mais dentro dos moldes do gênero, afinal, não é apenas de brilhos reluzentes ao Sol ou estatuetas douradas na estante que se faz a sétima arte. 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Planeta dos macacos – o confronto (2014)

Planeta dos macacos – o confronto 
(Dawn of the Planet of the Apes, 2014)
Direção: Matt Reeves
Com Andy Serkins, Jason Clarke e Keri Russel

Nota: 6,5

Sinceramente muito me irrita a insistência de Hollywood em arrasar com clássicos. Carrie – A Estranha é um ótimo exemplo com o fiasco protagonizado por Chloe Moretz e Julianne Moore. Ben-Hur ganhou um seriado dispensável e vira e mexe trazem à tona Indiana Jones, Rambo e Rocky Balboa. Agora a ideia é uma nova aventura da saga Stars Wars e Jurassic Park. Salvem-se quem puder! Crise de criatividade? Ou o objetivo seria mesmo conquistar através de uma nova roupagem um público mais jovem? Só acho que se o público jovem tivesse realmente interesse em clássicos, iriam procurar pelos originais e não pelas tentativas fracassadas de novas produções. 

É o que acontece justamente com Planeta com macacos, que em 2011 até ganhou um ótimo teaser contando como começou se propagar o vírus que extinguiu a humanidade. A ideia foi aceitável pra quem assistiu (ou não) ao clássico de 1968 protagonizado por Charlton Heston. Ir até a raiz da grande história. Nele, conhecemos o primata Cesar que construiu um laço bem sólido com o cientista Will Rodman, interpretado pelo carismático James Franco. O segundo da franquia se inicia praticamente da maneira que terminou o primeiro. Mostrando como o vírus se propagou e toda a mobilização de mídia, Exércitos, e etc...personagens que estão sempre presentes em roteiros apocalípticos. Um ótimo gancho certo? Pra quem gosta de ver tudo e não enxergar nada, talvez. Tudo o que vimos neste filme de Matt Reeves foi uma sucessão exagerada de encontros e desencontros que levou a uma guerra inevitável entre humanos e macacos. 

Dez anos depois e sem ter tido nenhum contato com humanos, Cesar (Andy Serkis) lidera o grupo de macacos em rondas pela cidade devastada até que uma equipe de cientistas lideradas pelo Doutor Malcolm (Jason Clarke) invade seu território atrás de suplemento de energia por uma represa. O problema é que a represa está no território dividido aleatoriamente pelos macacos e Malcolm tem que convencer Cesar a deixar que eles usem o reservatório para sobrevivência. A princípio relutante, o líder dos macacos só deixa que eles fiquem por um dia depois que a Doutora Elmira (Keri Russel) ajuda sua esposa que está à beira da morte após de dar à luz a seu segundo filho. O clima parece de recomeço, mas um mal entendido proporcionado por um dos homens de Malcolm e Koba (Tobby Kebell) o braço direito de Cesar, reinicia uma guerra com um desfecho que já sabemos.

Malcolm e Cesar: uma imagem forte que correu
o mundo para alavancar o filme
Planeta dos macacos - A origem nos trouxe uma trama bem amarrada e com ótimo desfecho. Assim sendo, a meu ver, não havia necessidade de se criar mais duas sequências. Se o filme anterior mostrou o que queríamos saber, e terminou de forma que entendemos o que aconteceu com o mundo, é desnecessário (com exceção para os grandes estúdios) mostrar todo um confronto entre humanos e macacos em Planeta dos macacos – O confronto, o segundo da franquia. Quando um filme se torna previsível, consequentemente se faz como um grande desperdício de tempo e dinheiro. É claro que nele estão contidas mensagens importantes como "o Mal, a malícia, existe em todo o Ser, seja ele humano ou macaco", e algumas cenas marcantes de imagens fortes como o abraço entre Cesar e o Doutor Malcolm, mas é muito pouco diante de uma história totalmente dispensável, que daqui a 46 anos ninguém não vai nem citar em roda de conversas amadoras sobre cinema. 

Em termos de elenco, James Franco faz uma tremenda falta no filme e no roteiro, pois nem foi mencionado o que realmente aconteceu com o seu Doutor Rodman. Jason Clarke perde feio pra Serkis como macaco e Russel, Felicity forever. Nada mais a comentar. Pelo menos ela teve bem mais importância que Gary Oldman, que praticamente aceitou fazer figuração em quase 3 horas de fita. Depois perguntam o porquê dele nunca ter ganhado um Oscar.....

O que salva em O confronto é justamente o que tem de excesso em Planeta dos macacos – A origem. Este ficou um pouco tendencioso a apontar humanos como vilões e macacos como mocinhos, a evolução foi que aqui houve uma inversão de valores interessante. O vilão é o macaco braço direito do Líder, mas que não chega nem a assustar devido a trama fraca. Se elevaram a inteligência de macacos como ele no primeiro, aqui simplesmente os reduziram a meras vilãs de novela das oito com planos bobos para conseguir o que quer. Ou seja, a evolução dos macacos vista em poucos anos no primeiro parece ter se estagnado em mais de 10 anos..... 

Confesso que já esperava me desapontar, afinal, com uma história tão conhecida, é impossível ainda surpreender. Porém acho que serve de alerta para Hollywood, que a meu ver, anda sofrendo e muito com falta de criatividade com tentativas de manchar a boa memória de grandes clássicos. 

sábado, 6 de dezembro de 2014

O melhor e o pior de Jennifer Lawrence


Considerada por muitos a melhor atriz de sua geração e odiada por outros tantos pela onipresente imagem na mídia, fato é que esta jovem atriz já está entre as melhores e mais famosas de Hollywood. Deveras premiada por seus trabalhos, aos poucos vai adquirindo a experiência necessária para lidar com os percalços que aparecem como consequência da superexposição.

Se a parte pessoal ainda precisa dessa maturidade, a profissional está bem melhor encaminhada neste sentido com a escolha de seus projetos. Jennifer já provou que é uma atriz capaz de fazer todo e qualquer tipo de trabalho. Mesclando blockbusters, dramas e comédias românticas, não foi à toa que conseguiu o status que tem. Isso é inegável, até mesmo para aqueles que insistem em dizer que ela é superestimada e que apenas escolhe bem os seus trabalhos. Não discordo da segunda avaliação, afinal, foi bem complicado avaliar os trabalhos mais famosos e encontrar algum em que ela tenha ido mal. No entanto algumas obras divide opiniões, são até questionáveis, mas Lawrence nunca deixou que sua presença em cena passasse desapercebida. 

Ree Dolly (Winter’s bone, 2010) – foi o grande boom da carreira da Jennifer, antes havia feito filmes que passaram em branco e pequenas participações em shows de TV como Cold Case e Medium. Neste filme independente dirigido por Debra Granik, ela segurou uma personagem forte. Ainda muito jovem, Ree foi obrigada a cuidar da mãe e dos irmãos com o desaparecimento do pai. No filme, ela busca por ele para não perder sua casa e enfrenta as pessoas mais perigosas do lugar. Até agora a melhor atuação da atriz, a grande surpresa na festa do Oscar em 2011.


Mistica/Raven Darkholme (Franquia X-men) – com a nova proposta de produção para os filmes dos famosos mutantes, um elenco talentoso deu o start para a nova Era dos homens de Xavier no cinema. Chega de canastrice! Assim um grande acerto foi inserir nomes como o de Jennifer no casting das sequências, que já superaram em qualidade a fraca primeira franquia. A popular Mística não poderia ter caído em mãos melhores para delinear com muito mais humanidade o que se esconde por detrás da mórfica, mas como todo filme voltado para o gênero, há quem considere um grande sucesso e outros um enorme desperdício de tempo e principalmente dinheiro.


Tiffany Maxwell (Silver Linings Playbook, 2012) – no filme que lhe rendeu o Oscar perdido em 2011, e tantas outras premiações, Jennifer protagoniza uma comédia romântica diferente. A arredia Tiffany perde o marido de forma trágica e acaba num processo quase irreversível de rebeldia, se fechando para o lado bom da vida, até encontrar a possibilidade de um novo Amor no personagem de Bradley Cooper. Parece clichê de tantas outras comédias românticas, mas o perfeito entrosamento entre a atriz e o companheiro de cena, o roteiro mais sólido e adulto, ditam todo o bom ritmo da trama de David O.Russel.  


Elissa (House at the of the street, 2012) – neste thriller ao lado de Elisabeth Sue, ela abre mão de jovens heroínas e mocinhas de família para viver a líder de uma banda que se muda para uma cidade provinciana inundada por uma terrível história de assassinato familiar. Ela e a mãe acabam se tornando vizinhas de um misterioso rapaz pertencente a tal família. Como a maioria das jovens, vive conflitos familiares, mas não é nisso que o filme se condensa e sim num equívoco querendo se passar por suspense/terror teen. Se não fosse pela curiosidade de ver Lawrence em cena, que infelizmente em nada acrescenta a esta bobagem, certamente ele passaria batido. 


Rosalyn Rosenfeld (American hustle, 2013) – a esposa tempestuosa e ao mesmo tempo melancólica de Christian Bale no longa de David O.Russel, rendeu a atriz um Globo de Ouro e mais uma indicação ao Oscar. Com tantas nuances de personalidade, Jennifer brilhou intensamente segurando bem os altos e baixos da pobre mulher, mesmo que o papel a meu ver pedisse uma atriz pelo menos 10 anos mais velha. Por esse detalhe, talvez ela tenha perdido o Oscar, minando um pouco o crédito de sua interpretação junto aos críticos mais exigentes. Há quem afirme que ela e Amy Adams tenham sido escaladas para papéis trocados, embora ambas tenham se saído bem. 


Katniss Everdeen (Franquia Hunger Games)“ela é uma espécie de Joana Dar’c”, assim Jennifer define esta jovem corajosa que nasceu e viveu num Distrito pobre da tirânica Panem, que para manter a ordem estabelecida desde a última revolução, criou um evento chamado Jogos Vorazes. Cada distrito deve entregar duas crianças, adolescentes ou jovens para participar dos jogos em que apenas uma delas sobrevive. Quando a irmã de Katniss é sorteada, ele se oferece como tributo, ganhando já de cara a empatia do público. Uma nova revolução começa quando ela vence os jogos e se torna o símbolo de esperança para toda uma nação. Bem parecido com o papel da atriz hoje. Um símbolo entre os jovens. 



Carismática, autêntica e por consequência, sem papas na língua, ela vai abrindo caminho com segurança para entrar na história do cinema pela porta da frente. E nós, fãs do cinema de todos os gêneros, agradecemos pela grata surpresa em meio a uma enxurrada de jovens promissores que se deixam levar por tudo, menos pelo trabalho e dedicação à profissão e acabam se perdendo em meio aos ingratos holofotes. Lawrence sabe que a carreira pune quem não se compromete a administrar a imagem e os trabalhos que faz tanto para jovens quanto para adultos, e tudo que envolve sua imagem hoje. A responsabilidade bem como as consequências que carrega depois que adentrou esta porta. No entanto nunca tentou e não ao menos tenta ser melhor e nem pior do que ninguém. Este tipo de avaliação cabe a quem está de fora torcendo ou não para que este caminho seja permeado de bons frutos no sentido pessoal e profissional. Ela é e apenas quer ser JLaw para os fãs, e Jennifer Lawrence para críticos, vista como alguém com enorme e instintivo talento” (Preview). 

sábado, 29 de novembro de 2014

10 Filmes inesquecíveis da minha infância – Parte 2

Bem, não é de hoje que gosto de assistir a filmes. Desde o final dos anos 80 até os meados dos anos 90, assistia a vários deles nas Sessões da tarde e Supercines da vida. Histórias divertidas, que mesmo bobinhas carregavam a inocência de que estava engatinhando pelas veredas do cinema. Claro que o senso crítico aqui deixou muito a desejar em algumas produções. Mas podemos cobrar algo de quem apenas estava procurando entretenimento? 

Já listei aqui mesmo no Blog a primeira parte desse momento nostalgia, agora vamos finalizar com algumas produções que além de terem tido a graça de divertir, também entraram para a história como grandes produções do cinema:

1 – Krull (1983)

Dirigido por Peter Yates, uma história sobre jovens apaixonados incapazes de realizar seu Amor. O Príncipe Colwyn (Ken Marshall) tem seu casamento interrompido pela maldade de um Ser pavoroso chamado de A Besta, que sequestra sua bela Princesa Lyza ( Lysette Anthony). Depois de ver todo o seu Reino destruído, o jovem parte em busca da amada para dar sentido a sua vida. Une-se a ele nesta jornada personagens carismáticos que nos impulsionam a torcer pelo sucesso da jornada. Um velho sábio, um guerreiro mulherengo vivido por Liam Neeson, um feiticeiro atrapalhado que se transformava em vários animais e um Cíclope do Bem. Embora tenha tido uma morna receptividade nas bilheterias, foi o precursor para outros filmes de fantasia.



2 – Splash – uma sereia em minha vida (1984) 

Dirigido por Ron Howard, esta comédia foi a primeira dos estúdios Touchstone Pictures, criado pela Disney, a desenvolver um tema mais adulto. Daryl Hanna no auge da beleza protagonizou a trama de uma sereia que salva a vida de um jovem solitário vivido por Tom Hanks. Os dois se envolvem em plena Nova Iorque e o jovem tenta impedir que um grupo de pesquisadores inescrupulosos façam experimentos com a bela mulher/sereia. É típico Sessão da tarde reprisado várias vezes durante vários anos, afinal, a clássica história de um Amor proibido sempre mexe com os corações independente do ano.


3 – Karate Kid – A hora da verdade (The Karate Kid, 1984) 

O jovem Ralph Machio e o veterano Pat Morita entrariam de vez na lista de personagens inesquecíveis do cinema nesta história sobre Amor, superação e diferenças culturais. Tudo bem que o enredo hoje pareça muito pobre, mas eu duvido que alguém tenha ficado indiferente à história de um rapaz em um país estrangeiro que para defender seu relacionamento, decide enfrentar uma gangue de valentões. E também duvido que ninguém tenha tentado fazer o mesmo “golpe da águia” de Daniel. Para isso, ele contou com a ajuda do velho Senhor Miyagi, que lhe ensina mais do que alguns golpes. O sucesso foi tão grande que gerou uma franquia além de cinema com venda de bonés, bonecos, faixas como de Daniel Laruso e etc....Simplesmente memorável! 

4 – Os caça-fantasmas (Ghostbusters, 1985) 

Dan Aykroyd, que também estrela o filme, nem esperava que seu roteiro fosse ser tão marcante com uma trilha sonora inesquecível. Quem nunca sonhou em caçar fantasmas quando crianças? Pois é, diante de todo este apelo, não foi muito difícil o filme cair nas graças do público no começo dos anos 80, dourado para as aventuras. Peter (Bill Murray), Raymond (Aykroyd) e Egon (Harold Ramis) são professores de parapsicologia da Universidade Columbia que usam a verba que ganham para investigar fenômenos paranormais que a ciência desconsidera. Demitidos da universidade, abrem seu próprio negócio de “caçar fantasmas”, transformando-se em heróis de boa parte da população e de muitas crianças da época. O filme que ainda contava com Sigourney Weaver e a faísca cintilante da franquia Alien, fez tanto sucesso que ganhou mais uma sequência e uma versão em desenho animado.

5 – Indiana Jones e o Templo da perdição (Indiana Jones and the Temple of Doom, 1985) 

Comecei pela segunda aventura do eterno arqueólogo estrelado por Harrison Ford. Dentre as três sequências esta foi a primeira que assisti e a que realmente me impressionou. Se em os Caçadores da Arca perdida tivemos mais ação e diversão, aqui Indy enfrentou forças mais sombrias, como escravidão infantil e poder das trevas que provinha de sacrifícios com crianças. Macabro não? Pois foi isso que fez o filme receber críticas menos entusiasmantes e mais o fato de terem inserido a cultura Hindu, tão controversa em qualquer obra. Outro problema do filme foram as distinções ideológicas de Steven Spielberg e George Lucas. Embora hoje seja voltado para o gênero aventura, o fato é que o estilo mais adulto soube marcar história em mentes impressionáveis, como a minha, mas nunca deixou de ser uma ótima diversão.


6 – Curtindo a vida adoidado (Ferris Bueller's Day Off, 1986) 

Quem nunca sonhou em enganar os pais e matar um dia de aula para curtir a vida adoidado? Para os adolescentes dos meados dos anos 80 era um sonho de consumo, bem diferente de hoje, não é mesmo? Assim, o filme estrelado por Matthew Broderick se tornou eterno, um verdadeiro clássico. A identificação com o público vem da naturalidade com o que foi produzido. O autor Jhon Hughes escreveu em apenas dois dias o roteiro e contou com o improviso dos atores em certas passagens. Sucesso instantâneo!



7 – Os aventureiros do Bairro proibido (Big Trouble in Little China, 1986) 

O que seria um faroeste transformou-se numa aventureira multicultural pelas mãos do roteirista WD Richter e dirigido por Jhon Carpenter. Como outro filme de Eddie Murphy com a mesma temática tinha sido lançado na época, as aventuras de dois amigos inter-raciais atrás de uma garota especial não foram muito bem recebidas pela crítica, afinal, Kurt Russel não era Eddie Murphy. Ainda assim o filme diverte pelas lendas chinesas sempre intrigantes. Belas e ao mesmo tempo assustadoras, e pelo elenco que seria anos mais tarde conhecido na TV. A bela Kim Katrall já desfilava toda sua acidez da fogosa Samantha de Sex and the City e a jovem Kate Burton, nem imaginava que mais tarde, seria Ellis Grey, a mãe da médica mais famosa da TV.



8 – O rapto do menino dourado (The Golden Child,1986) 

Eddie Muprhy foi o escolhido para estrelar esta aventura com alto teor de comédia que traz o rapto de um menino tibetano que seria a encarnação de Buda para trazer ao mundo a Paz e compaixão. E claro, que os seres das trevas, representado pelo Diabo não poderia deixar isso acontecer. Através de seu emissário Sardo Numspa (Charles Dance) ele sequestra o menino e o mesmo teria que se alimentar de sangue para poder ser morto. Eddie vive o mesmo policial cínico e escrachado de Um tira da pesada só que dessa vez a missão é sobrenatural. Além disso, o filme, que não deixa de ter bons momentos, sobrevive graças ao carisma exagerado do ator, que parece estar fazendo uma daquelas comédias stand up. É muito Eddie Murphy na tela, porém muita diversão também.


9 – Viva! A babá morreu! (Don't Tell Mom the Babysitter's Dead, 1991) 

Mais uma história de emancipação adolescente. Quando a babá contratada morre de um enfarto fulminante, as crianças não sabem o que fazer com o corpo da Senhora. Só há certeza em uma coisa: o ocorrido deve ser escondido dos pais, que se soubessem voltariam para casa. A princípio, só alegria pelo gosto da liberdade, mas quando percebem que o dinheiro estava com a velha, a filha mais velha Sue (Christina Applegate) arruma um emprego com um falso currículo. Ela se faz passar por uma mulher mais velha, mas como não tem experiência, cria as maiores confusões no ramo. A trama pode até ser fraca, mas na época era mais um “meio” dos filhos sonharem em estar na pele daquelas crianças por um tempo. 



10 – De volta à Lagoa Azul (Return to the Blue Lagoon, 1991) 

Depois do estrondoso sucesso de A Lagoa Azul estrelada por Brooke Shields, Milla Jovovich (outra beldade) retorna à canga e as praias afrodisíacas de Lagoa azulina. Tudo acontece depois que os pais do pequeno Paddy são encontrados por um veleiro mortos em uma canoa. Sarah (Lisa Pelikan) uma viúva que estava no veleiro com sua filha, resolve adotar o fruto do Amor do casal de jovens do primeiro filme. Tudo ia bem, até que um surto de cólera no navio recoloca a viúva, sua filha Lilli e o pequeno Paddy na mesma Ilha. Quando Sarah morre, cabe a Paddy tomar conta de Lilli e tudo se repete na Ilha em que viveu seus pais. Ambos se apaixonam, mas os desafios são maiores pois um grupo de uma outra embarcação chega a Ilha causando confusão. O clima romântico da primeira sequência é mantido, e durante algum tempo, acreditei que este filme se tratava do clássico, pois são muito parecidos. 


Abre parêntese: não dá pra mencionar infância sem se lembrar de um personagem que embora não faça parte da história do cinema, faz parte da história da infância de muitos. O mexicano Roberto Goméz Bolaños foi o gênio que se inspirou em dois outros gênios Shakespeare e Charles Chaplin. Com essas inspirações, foi fácil para Chaves mostrar que na vida ainda havia espaço para sentimentos tão puros quanto de uma criança e tão nobres quanto de adultos. Alguns podem até não ser fã do programa ou do personagem que criou, mas certamente jamais esqueceram o que viram por pelo menos uma vez. Bolaños com muita competência, fez com que toda criança tivesse no coração todas os sentimentos que crianças deveriam ter. Neste momento, o mundo de muitos está de luto, mas no coração desses mesmos muitos não há espaço para tristeza, e sim agradecimento. Obrigado eterno Chaves!

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Clube de Compras Dallas (2013)

Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club, 2013)
Direção: Jean-Marc Vallée
Com: Matthew McConaughey, Jared Leto e Jennifer Garner

Nota: 9
Dando continuidade aos filmes que marcaram o ano, vamos relembrar Clube de compras Dallas

É difícil classificar só assistindo a quase duas horas de projeção. Não se sabe se é uma obra didática, um clamor contra a marginalização de pessoas recriminadas pela sociedade por conta de opção sexual ou um relato dramático de uma história real. Então que tal juntarmos isso tudo? 

Craig Borten e Melisa Wallack nos levam a uma montagem quase perfeita de um início meio que um fim. Nos primeiros minutos, vimos o cowboy Ron Woodroof (Matthew McConaughey) resumindo numa só sequencia todo seu personagem. Mulherengo, viciado em sexo e drogas ilícitas. Em outros tempos, de cara, poderíamos atribuir todos estes predicados a um criminoso, a uma pessoa detestável. Mas o mérito da história de Ron está em desmistificar este padrão antiquado de mocinhos e vilões. E depois de uma brilhante e natural transformação do personagem, foi neste contexto que se firmou o filme contando como ele conseguiu afrontar um diagnóstico de 30 dias de vida e viver mais 7 anos depois da sentença de que se tornara um portador do vírus HIV. 

A palavra sentença definia muito acertadamente quem contraía o vírus até então desconhecido no início dos anos 80. Tão desconhecido a ponto de ser taxado de homossexual a pessoa portadora. Na visão de muitos na época, a Síndrome da Imunodeficiência adquirida, ou popularmente conhecida como AIDS, era “doença de viado”, como bem colocado numa zoação do grupo de Ron a Rock Hudson, galã hollywoodiano que assumiu a homossexualidade e morreu de AIDS em 1985. Assim não muito tardou e Ron, um garanhão homofóbico, sentir na pele o mesmo julgamento depois de ser diagnosticado. Este fato desencadeia a grande mudança de rumo da história e o start para a transformação do cowboy. 

Diante de vários “Não” dos médicos e ficar estagnado na burocracia da FDA que ainda testava as drogas com pacientes mais “qualificados”, ele decidiu agir por conta própria. Primeiro recorreu ao próprio bolso para pagar um faxineiro e conseguir a medicação que necessitava. Esta parceira terminou, mas deu início a uma outra. No México conheceu um médico que tratava os pacientes como ele com remédios alternativos não aprovados pela FDA. Três meses depois de uma violenta crise, ele descobre que a causa foi o AZT, o mesmo coquetel de drogas que seria a “salvação” dos doentes. Ron se engaja em várias pesquisas sobre a doença, e vê o vislumbre de mais uma boa parceria, só que agora bem mais duradoura e lucrativa. Ele ficaria encarregado de alertar a todos os pacientes americanos sobre os riscos do AZT e vender a eles a medicação alternativa que usou para se recuperar. Um bom negócio, que de quebra ajudava a ele e a outros terem mais chances de ter uma existência melhor. Uma forma quase perfeita de unir o útil ao agradável. Assim nascia o Clube de Compras Dallas, um dos vários espalhados pelo país bem abordado no filme. 

O diretor Jean-MarcVallée ajuda na construção da mescla de todos os elementos citados anteriormente. A direção de arte exibe os anos 80 diferente do que estamos acostumados a ver. Figurinos mais sóbrios e objetivos, sem aquele exagero característico de quem deseja retratar a época. Já o roteiro consegue se firmar na boa montagem, e segue linear sem nunca cair na dramatização excessiva. Vai direto ao ponto e com isso age naturalmente dando espaços para outros personagens interessantes além do cowboy “empreendedor”. A médica vivida por Jennifer Garner, que vai de crédula ao Sistema de Saúde em que trabalha a uma profissional decepcionada; o policial dividido (Steve Zahn) entre cumprir a Lei ou ludibria-la em deferimento a seu pai doente. Ah, sim, e ainda temos Raymound ou “Rayon”, um transexual também doente divinamente defendido por Jared Leto.

Leto, Garner e McConaughey: trio protagonizando cenas tocantes

A parceira de Ron com seu médico e clientes não foi muito diferente da parceria de seu intérprete com seu colega de cena. Com isso ambos foram contemplados com o Oscar numa dobradinha inesquecível. Tanto McConaughey quanto Leto abraçam seus personagens como deveriam: de forma natural, sem exageros e ambos trabalharam muito para manter a aparência impactante do filme. É comum alguns atores se destacarem e até serem também contemplados com o Oscar por conta da caracterização física. Jamie Foxx em Ray, Charlize Therón em Monster, Marion Cotillard em Piaf e Meryl Streep em A dama de Ferro. Todos podem até ter merecido o Oscar, mas diferente da dupla de Clube de Compras, a caracterização neste caso não apenas impulsionou, mas deixou fluir naturalmente traços de humanidade em seus personagens, sem o risco do ônus que fomentam a crítica especializada nestes casos. 

Voltando a temática do filme, vamos classifica-lo como um drama real com forte contexto didático e um tímido clamor contra o preconceito. O que deu liga a todos estes elementos foi justamente algo em que a trama se sustenta. A humanidade explorada com segurança nas vias boas e ruins de cada um deles. Que não trata de mocinhos e vilões. Apenas esclarece algumas questões que ficaram pendentes aos mais leigos no passado e que trazidas à tona hoje, ajudam a reforçar que o objetivo principal de todos os avanços deve ser o Ser humano sempre. Isso ficou explícito na cena final quando mesmo perdendo no Tribunal a disputa com a FDA, Ron foi ovacionado por todos na chegada ao escritório. Uma cena marcante, mas que tirou a nota 10 do filme com a proposta de não construir heróis, mesmo ocasionais. 

Em suma, McConaughey protagoniza um filme tão visceral, porém mais enxuto que O Lobo de Wall Street, tão histórico porém mais objetivo que American Hustle, e tão didático, porém muito mais apreciável que o aclamado 12 Anos de Escravidão. 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Perfil: Leonardo DiCaprio - 40 anos em muitas vidas

"Tenho interesses em filmes socialmente comprometidos. Mas, se a história não for boa, e não emocionar o espectador, não vai interessar"

Filho da alemã Irmelin Idenbirkin e do ítalo-germânico George Di Caprio, Leonardo Wilhelm DiCaprio nasceu num ambiente privilegiado. Sua estrela brilhou pela primeira vez em 11 de Novembro de 1974 em Hollywood, ou seja, já estava fadado ao estrelato. O pai, quadrinista independente, conviveu com grandes nomes da música, dando ritmo à infância do ator. O célebre cartunista underground Robert Grumb e o escritor Charles Bukowski eram presenças constantes na vida do ator, que desde os 5 anos já atuava em comerciais e seriados.

Sua brilhante carreira deu início aos 17 anos no filme de terror Criaturas 3 (1991). O desempenho de Leo em Growing Pains, onde viveu um adolescente sem teto chamou a atenção do diretor Michael Caton-Jones e logo brilhava em O despertar de um homem (1993) ou seria o despertar de um astro? Cerca de 400 garotos fizeram teste para o personagem, mas com o aval do protagonista, um tal de Robert De Niro, Leo ficou com o papel do escritor Tobias Wolf. 

Depois deste “apadrinhamento” concorrer ao Globo de Ouro e ao Oscar no ano seguinte foi fácil. Como o irmão excepcional de Jhonny Deep em Gilbert Grape – aprendiz de sonhador (1994), ele arrancou além das duas indicações para melhor ator coadjuvante, aplausos merecidos do público e da crítica. Começava aí sua perseguição a Estatueta Dourada. 

Nos anos seguintes sua carreira se consolidou com papéis fortemente dramáticos. Em 1995 ele viveu dois destes personagens. O escritor Jim Carrol em Diário de um adolescente e o poeta bissexual francês Arthur Rimbaund em Eclipse de uma paixão. Reencontrou De Niro em As filhas de Marvin (1996) e ganhou o Urso de Prata em Berlim por Romeu e Julieta no mesmo ano. Mesmo diante de tanto reconhecimento conquistado de forma tão precoce, nada se compara ao que aconteceria em 1997 com o megasucesso Titanic.

“Havia muita pressão sobre mim e fui rotulado como um produto. Mas nunca cheguei a me descontrolar.” Esta constatação fez DiCaprio pensar em parar de atuar por um tempo após a chamda leomania, consequência do sucesso do longa de James Cameron. Quanto mais recordes o filme batia, mais aumentava a fama do jovem galã. Em Fevereiro de 2000 quando foi lançar o filme A Praia, o primeiro após Titanic, ele ainda atraía os gritos estéricos das garotas. Na época o ator nunca se imaginou nestas condições na carreira e depois de 10 anos, acredita ter desenvolvido mais ferramentas para o trabalho de interpretar. Titanic foi mesmo um divisor de águas em sua carreira, uma vez que posteriormente chegou a receber um cachê equivalente a de grandes astros como Harrison Ford e Mel Gibson e se colocou na mira de Spielberg, Woddy Allen, Ridley Scott e Martin Scorsese, a quem considera seu mentor. Com ele construiu uma sólida parceria de sucesso, incluindo Gangues de Nova Iorque (2003) e o vencedor do Oscar de 2007, Os Infiltrados.

Dando continuidade à sua brilhante trajetória no cinema, DiCaprio seguiu um estilo interessante de trabalho ao se dedicar inteiramente a projetos de valor dramático e artístico, ao lado de diretores e atores do primeiro time de Hollywood. Com estes títulos, sempre foi lembrado para premiações como o Oscar e o Globo de Ouro. Em 2008 conseguiu a proeza de ser duplamente indicado para o prêmio de Melhor Ator por Os Infiltrados e Diamante de sangue

Mesmo com seu talento já confirmadíssimo entre indicações e premiações, DiCaprio ainda é apontado como o astro mais injustiçado da história da Oscar. Seus últimos trabalhos mereciam um prêmio, especialmente Django livre (2012), estranhamente preterido a Christopher Waltz, numa atuação abaixo no longa de Tarantino. O detalhe é que Waltz acabou ainda assim abocanhando o Oscar. Em O Lobo de Wall Street (2013) mais um show, mas acabou sendo derrotado pela performance também louvável de Matthew McConaughey em Clube de Compras Dallas. O jejum de DiCaprio é algo que já rendeu muitas gifs e piadas na Internet, mas não pelo lado pejorativo e sim, soando mais como um reconhecimento de seu talento e clamor pelas injustiças que segundo alguns críticos e fãs, é notória sim. 

Fora das telas, a imagem de bom vivant desapareceu com o amadurecimento pessoal paralelo ao profissional. Os romances ficaram mais duradouros e em 1998 ele se engajou na defesa do Meio Ambiente criando a Leonardo DiCaprio Fundation e costuma militar ao lado dos Democratas Americanos. Diante de todas estas qualificações, é impossível não rotulá-lo como um dos maiores exemplos de astros que conseguem conciliar uma beleza transcendental com um talento extraordinário de construir personagens tão cativantes quanto sua postura de ídolo de uma geração. Um Astro de 40 anos que transitou com muita segurança por todas as gerações. Um ator que soube dar a todos os seus personagens uma regularidade impressionante. Um gato de todas as faces que sempre representou bem muitas vidas.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Menina de Ouro: 10 anos de emoções douradas

Menina de Ouro (Million Dolar Baby, 2004)
Direção: Clint Eastwood
Com: Clint Eastwood, Morgan Freemam e Hillary Swank
Nota: 10

Dez anos após sua realização, a grandeza deste pequeno grande filme continua enchendo os olhos e o coração de quem assiste. Sim, ele é emotivo, sentimentalista, e para os mais céticos, um “drama mexicano”. Porém jamais fugiu destas mesmas características para o qual foi criado. Emocionar, e como tal, carregar no chamado tragi-drama. Portanto, se você não é fã deste estilo, passe longe, pois neste ponto, deu um nocaute até nos mais gelados. 

Menina de Ouro começou surpreendendo a todos pelo “cabeça” do projeto. O durão Clint Eastwood produziu, dirigiu e atuou nesta pequena obra-prima de um pouco mais de 2 horas. Mistificado por seus personagens fortes no gênero faroeste, Clint se superou como um ator que também sabe fazer chorar. Aqui ele dá vida a Frank Dunn, um ex-treinador que agora trabalha numa Academia de Boxe decadente. Respeitado no meio por ser uma espécie de descobridor de talentos, logo se torna alvo da determinada garçonete aspirante a boxeadora Maggie Fitzgerald (Hillary Swank), que embora esteja velha demais para iniciar uma carreira no Boxe, o convence de que assim como ele, pode surpreender. Ambos têm personalidades fortes e não dão o braço torcer. São estas semelhanças providenciais que dão a liga na forte relação que se cria lembrando pai e filha. Ambos tem muito em comum. A vida não fora generosa com eles em seu meio familiar. Enquanto Frank sofre com o desprezo da única filha, Maggie é menosprezada pela sua família. Sua mãe egoísta (Margo Mantindale), a irmã golpista e o irmão malandro querem viver do dinheiro de sua profissão, mas tem vergonha dela. 

Frank e Maggie criam mais que um laço profissional quando a menina de ouro começa a ganhar fama. O talento de Maggie se sobrepõe a sua idade e com muita determinação, ela vai derrubando todas as adversárias até chegar a luta pelo título. Até chegar no momento crucial de sua vida e da vida de seu treinador, amigo e pai postiço. 

É neste enredo que o filme chama a atenção e ganha muitos pontos. Essa troca de interesses profissionais e profundamente pessoais dos personagens é bem delineada num roteiro maravilhoso escrito por Paul Haggis, o mesmo da miscelânea Crash, obra vencedora do Oscar de 2006. Roteiro esse cheio de cenas sensíveis e metáforas certeiras como a história de Maggie, seus irmãos e o cão que teve de ser sacrificado pelo seu pai. É interessante como o passado da personagem vem à tona de forma casual, sem o recurso previsível de flashbacks

A ascensão, glória e “queda” da menina de ouro, age também em momentos importantes protagonizados pelo veterano sempre ótimo, Morgan Freemam como Eddie Scrap, um ex-lutador de futuro promissor que perdeu a visão de um olho por conta de uma luta. Amparado pelo talento de Morgan, contemplado com o Oscar de melhor Coadjuvante, Eddie é uma peça fundamental na trama mesmo que não saia da Academia. É o responsável pela narração da história como sendo uma carta escrita para a filha de Dunn. É ele quem ajuda Maggie a convencer o amargurado treinador e é ele quem consegue defender a honra do carismático “Perigoso(Jay Baruchel), responsável pelo alívio cômico do filme.

Swank e Eastwood: parceria perfeita

Se Freemam brilhou com o texto leve carregado de ironia, Clint na direção não deixou a desejar com um trabalho formidável ao lado de Swank. O valentão mostrou versatilidade por trás e à frente das câmeras. Como diretor, venceu o Oscar, e como ator, concorreu ao mesmo, encarnando um personagem mais real, humano. Swank, atriz talentosa, mas de escolhas complicadas para a carreira, deixa fluir um carisma brilhante para sua personagem ora tão transparente, ora introspectiva em momentos de sofrimento em que as palavras são dispensáveis. Isso valeu também a Estatueta dourada. E olha que ela nem era a primeira escolha para o papel. Sandra Bullock desistiu após o atraso das filmagens. 

A química dos três atores e o talento de cada um ajudou na construção de personagens tão simples, mas ao mesmo tempo compostos. O bom ritmo do filme ditou as passagens de tempo e o decorrer de toda a essência da trama, não deixando que a simplicidade se tornasse banalidade, tendo um grande impacto nas sequências finais mais emocionantes. 

Para aqueles que pensam que o filme de Eastwood é um derivativo do popular Rocky, irá se decepcionar. Mesmo que o filme protagonizado por Stallone seja de grande apelo popular e um inquestionável contexto histórico, as comparações não cabem. A história é mais muito forte e com uma qualidade na trama dos personagens bem maiores que o vencedor do Oscar de 1977. Não é um filme que deixa cenas memoráveis como uma subida na escadaria depois de uma longa corrida. Não é um filme sobre a vitória no Boxe, e sim, sobre pessoas que vivem suas vidas esperando uma chance, buscando algo que as complete. A vitória neste caso não é subir na parte mais alta do pódio, conquistar o cinturão, e sim cada um vencer seus próprios limites, realizar. Quem viu, se realizou e jamais esqueceu!

Em tempo: Menina de Ouro foi o meu primeiro DVD que ganhei de meu irmão em 2005. É algo que marca realmente. Um presente de ouro! 

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

10 Personagens assustadores do cinema

"A emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o mais antigo e mais forte de todos os medos é o medo do desconhecido." H.P. Lovecraft


Hoje, 31 de Outubro celebramos o Halloween, ou vésperas de todos os Santos dependendo do acervo cultural de cada país. Confesso que o gênero terror não faz muito a minha cabeça, mas não a ponto de negar sua importância demarcada na história da sétima arte. O cinema de terror é algo que representa esta data tão famosa pelo mundo afora. Dentre os grandes, inesquecíveis e importantes filmes desta indústria, destacam-se também os personagens que ajudaram a mistificar o gênero e tirar a tranquilidade das noites de muitos fãs. Personagens que marcaram tanto vários momentos, que a maioria deles, tiveram vida longa no cinema e fora dele.

Pensando nisso, preparei uma lista dos personagens que mais me assustaram durante estes poucos, mas marcantes momentos que tive com estas obras:


1 – Nosferatu (1922)

Klaus Kinski e sua brilhante interpretação
O nome soa bem mais arrepiante que Drácula. E as diferenças não param por aí. Sem uma aparência mais humana, assusta mais, especialmente em sua silhueta bem retratada no filme Nosferatu de roteiro mais macabro. As distinções físicas ajudam a tecer a conclusão de que o Vampiro era aversão Neandertal do famoso Conde de Bram Stocker. Aqui Drácula vira Conde Orlok, por conta da burocracia de direitos autorais pela obra original. Ainda assim, o vampiro om garras, de dentes mais pontiagudos, orelhas enormes e olhar vidrado, é o retrato mais fiel ao público do gênero, pois ao contrário dos vampiros que geralmente vemos, ele não é nada romântico ou charmoso. É simplesmente um assombroso morto-vivo

2 – Norman Bates (1960) 

Anthony Perkins e seu "medo" pelo personagem que o consagrou
 
O pacato atendente de um Motel a beira da estrada é um dos mais instigantes personagens do Hitckokiano Psicose e do cinema. Não se trata de um ser sobrenatural da lista, mas também fez seus estragos. Sempre muito ligado à mãe de forma obsessiva, via as mulheres, suas principais vítimas, como seres do Demônio. Quando passa a se sentir atraído pela jovem Marion Crane, Norman é tomado pela personalidade da mãe já falecida, provocando o medo no público. O impacto do personagem foi tão grande que diz a lenda que o ator “teve medo” de interpretá-lo nas outras 3 continuações. 

3 – Zé do Caixão (1963) 

Jose Mojica Marins: pra sempre Zé do Caixão

O representante do terror nacional é um sádico Agente funerário. Trajado de forma sombria, de unhas enormes, e óculos que escondem seu olhar sinistro, marcou uma geração pelo medo. Extremamente confiante e egoísta, não se importava com os outros, vivendo seu mundo no ostracismo social. Seu objetivo era encontrar a mulher certa para poder procriar e trazer um herdeiro no mundo. Essa busca acabou lhe custando a liberdade, ficando ele preso durante anos e anos. De volta, deparou-se com um novo mundo do qual não conseguiu compreender. A confusão gerou mais sustos, corpos mutilados e sangue para todos os lados em muitas sequências de terror. 

4 – Menina Regan (1973)

Linda Blair: antes do ostracismo, rostinho angelical

Ao protagonizar um dos mais assustadores (senão o mais assustador) filme de terror de todos os tempos, a pequena foi a “escolhida” para cenas memoráveis dentro das sequências de arrepiar de O Exorcista. Ninguém jamais conseguiu dormir direito depois de vê-la pela primeira vez girar a cabeça em 360 graus ou descendo de costas as escadarias de sua casa. A cambaleante relação com sua mãe, pode ter sido o estopim para o início de todo o tormento. Elementos bem inseridos na obra com a grande interpretação da atriz, que estranhamente nunca conseguiu mais nenhum grande papel na carreira. 

5 – Irmãs Grady (1980) 

As gêmeas Lisa e Louise Burns: iluminadas pelo terror

“Venha brincar com a gente Danny. Pra sempre”. Quem nunca se arrepiou com esta frase depois de percorrer com o menino Danny o vasto corredor do Hotel de O Iluminado? A visão arrepiante de duas meninas bonitinhas e bem vestidas no corredor é um convite para muitos sustos. Uma cena breve, porém inesquecível, das famosas irmãs gêmeas assassinadas brutalmente pelo pai insano. O rastro de sangue se esconde na presença das meninas de semblantes cadavéricos e te deixam agarrado à poltrona. 

6 – Jason (1980) 

Jason, sua máscara e inúmeros intérpretes: entre eles Richard Brooker

Ao contrário da maioria dos serial killers o vilão mascarado não chega a ser um psicopata. Age por puro impulso sem motivo ou razão circunstancial. Quando criança, afogou-se no lago do acampamento Krystal Lake e depois que sua mãe é morta, retorna do mundo dos mortos com ódio e sede de vingança protagonizando uma série de assassinatos aleatoriamente. Nas 13 sequências Da franquia Sexta-feira 13, suas vítimas prediletas foram adolescentes que mal tem tempo de experimentar os prazeres que a vida lhes proporciona. Com seu inseparável facão, deixa um rastro de raiva e mutilações por onde passa. 

7 – Fred Krueger (1984) 

Robert Englund: o rosto por detrás do Senhor dos pesadelos 

Ele não é um simples bicho-papão, ou seja, aquele monstrinho que as crianças temem na hora de dormir, e que, insiste em povoar suas imaginações. Os ataques dos Monstro dos pesadelos são tão reais quanto mortais. Com suas garras de ferro deixa para trás um rastro de sangue e desespero em crianças em A Hora do Pesadelo. Após ser queimado por pais vingativos, consegue obter o poder de controlar os sonhos das pessoas e matá-las durante. Ficou tão famoso que ganhou vida também em um jogo da série de games Mortal Kombat. 

8 – Chucky, o boneco assassino (1988) 


Nunca deixe seu filho levar para casa um boneco com um rostinho de Anjo, pois nunca se sabe se de repente ele pode ser portador de uma maldição vingativa. Um ritual fez com que um espírito de um serial killer se apossasse do corpo inerte de um boneco, transformando o sonho de muitas crianças em pesadelo. O brinquedo de olhar sinistro, cabelos engrenhados e risada horripilante, atormentou a todos em Boneco Assassino. Sua força para assustar foi tão grande que ele sobreviveu a vários ataques, casou-se e ainda teve um filho. O boneco funcionava com a tecnologia de “animatronics” e em grande parte das cenas, era controlado por sensores e por até cinco pessoas que ficam manuseando-o como se fosse uma marionete. 

9 – Samara Morgan (2002) 

Daveigh Elizabeth Chase: nada de assustadora

Adotada pelo casal Anna e Richard Morgan, a menina com cara de Anjo e de pele alva é acusada de ser culpada pelas visões de sua atormentada mãe. Anna então leva a filha para a Fazenda onde a joga dentro de um poço. Na escuridão de sua prisão subterrestre, a protagonista de O Chamado viveu apenas mais alguns dias. A história de terror começa com tudo o que via, podia ser reproduzido em um objeto, encontradas na pasta de arquivos que ela tinha no hospital em que ficou internada. A fita foi criada depois que Samara morreu e voltou ao plano material como um espírito maligno que matava dentro de um período de 7 dias todo aquele que assistia ao vídeo depois de um chamado telefônico.

10 – Garoto Toshio (2004) 

O já adolescente Yuya Ozeki nunca esqueceu "o menino do grito"

O menino aparentemente pacífico é uma daquelas presenças de entidades que assombram casas, os chamados Poltergeist. Ele aparecia e desaparecida em cada cômodo, causando em suas vítimas um terror mais psicológico e quando conseguia deixá-los na exaustão de seus pensamentos, soltava seu apavorante grito. Quem o ouvia, estava com os dias contados em O Grito. Toshio e sua mãe foram vítimas de uma maldição japonesa depois de serem assassinados de forma brutal e extremamente desumana. A raiva e ódio que sentiram naquele momento, ajudaram a carregar a casa com ares nada confiáveis.

Muitos personagens míticos também ficaram de fora, mas como disse anteriormente meu conhecimento na área de terror é propositalmente limitado. Por isso arrisquei retratar apenas aqueles que ajudaram a me traumatizar nesta área. Neste momento meu lado limitado neste campo falou, ou melhor, gritou, mais alto.

domingo, 26 de outubro de 2014

A Menina que roubava livros (2013)

A menina que roubava livros (The Book Thief, 2013)
Direção: Brian Percival
Com: Sophie Nélisse, Geofrey Rush e Emily Watson
Nota: 6

Um dos filmes mais aguardados deste ano foi A menina que roubava livros, dirigido por Brian Percival. O filme é baseado no sucesso editorial de mesmo nome e seguindo a linha da chuva de adaptações literárias para o cinema, pecou ao trazer expectativas demais junto ao público fidedigno ou mesmo aqueles que não são. Em outros termos, uma coisa é ler o livro e achar o máximo, outra é ter a mesma interjeição quando este se aventura na sétima arte. As transformações são inevitáveis sabendo que a fidelidade à obra original é praticamente impossível de se alcançar ao bater da claquete. 

Estamos em 1938 na ascensão do Nazismo na Alemanha e logo já nos compadecemos com os dramas que enfrenta a menina Liesel Meminger (Sophie Nélisse), abandonada pela mãe comunista por conta de forças maiores. Quando seu irmão mais novo morre na fuga, a matriarca resolve dar a Liesel uma nova família, um novo recomeço. Ela é adotada pelo casal alemão Hans Hubermann (Geoffrey Rush) e Rosa (Emily Watson) depois do enterro de seu irmão. Este episódio muda sua vida ao se defrontar com aquilo que será sua paixão nos próximos anos. O Manual do Coveiro, que cai do bolso do homem no cemitério, é o primeiro exemplar de uma série de livros que irá colecionar na memória. Mas a luta começa quando Liesel sofre na Escola por não saber ler. Coube então ao pai adotivo ajudá-la superar este desafio e depois de muitas histórias contadas pelas páginas consegue alfabetizá-la usando seu porão para isso. A determinação da menina é algo que assusta o patriarca alemão ao vê-la resgatar em meio às brasas teimosas de uma pilha um dos volumes considerado inapropriado pelo regime Nazista. A extinção dos livros através das chamas da Ditadura é certamente uma das melhores passagens do filme.

A queima dos livros: um dos raros momentos de beleza crua da trama

Este pequeno ato de coragem, mas de uma grandeza impressionante, comove a mulher do prefeito que abre as portas de sua biblioteca para a menina que roubava livros. Liesel mergulha a fundo nesta aventura contando mais tarde com a ajuda do amigo Rudy (Nico Liersch). Um garoto que desconhece os preceitos do regime e idolatra um atleta negro, o corredor americano Jessie Owens, que fez história com suas 4 medalhas no Atletismo olímpico em plena Alemanha Nazista. Logo o talento para correr do menino é percebido pelo Governo, mas Rudy se nega a satisfazer um regime opressivo e foge do recrutamento. As crianças seguem vivendo suas vidas sabendo dos perigos que as cercavam todos os dias daquela época difícil com o estouro da Segunda Guerra e das bombas que caíam sobre a cidade de vez em quando. A situação piora para Liesel e a família Hubermann quando o filho de um Soldado judeu que havia salvado a vida de Hans durante a Primeira Guerra pede asilo. Se sentindo em dívida com o amigo, o alemão acolhe em sua casa o jovem Max (Ben Schnetzer), que também é fã de livros. Então logo se aproxima de Liesel, tornando seu amigo, confidente e parceiro na hora da leitura. Esta amizade irá se estender por muitos anos, entre momentos de alegria e sofrimento. 

Para quem leu o livro, alguns pontos abordados no filme foram considerados decepcionantes, afinal, como citado acima, é muito complicado se encontrar um consenso entre literatura e cinema. No entanto, as limitações da obra não ficam somente a cargo das armadilhas de adaptá-la para o cinema. Neste campo, ela chega a comover em algumas cenas especialmente as pavimentadas com a narração da Morte, que podemos dizer sem exagero, é a personagem central do filme e que foi de fato um acerto na voz do ator Roger Allam. A própria se coloca bem na perspectiva de todos os personagens do filme sustentados por atuações que transitam entre o razoável e excelente. A menina Sophie demonstra talento ao protagonizar o filme, porém lhe falta o que talvez seja primordial quando se trata de interpretações infantis: empatia. Assim fica difícil mergulhar tão intimamente nas emoções cruas da menina, que vai apenas se apoiando no forte contexto da trama, na trilha sonora e na narração. Em outras palavras, a história por si emociona e não sua protagonista. O casal alemão também não trabalha em plena sintonia. Enquanto Rush se perde entre o avassalador do início e um mero coadjuvante no fim, Watson dá um show como a mãe durona de coração mole. É uma das melhores e mais instigantes atuações do ano com certeza. 

O roteiro poderia se fazer inesquecível aproveitando o fio da meada de um dos temas. A visão das crianças acerca da brutalidade da Guerra. O mesmo elemento usado em O menino do pijama listrado (2008), outra obra adaptada, não funcionou aqui. Este conseguiu comover na medida certa com um final muito mais comovente e impactante, ou seja, aquilo que não se deixa esquecer. O filme de Percival bem que tentou, mas deixou que no fim a emoção se transformasse numa novela de sentimentalismo barato que logo que termina, o espectador já se esqueceu do que viu nesta rajada de temas que ornamentou a história. Erro de foco que se apoiou em outros tópicos para ajudar a emocionar. Bem aquém da expectativa dos fãs, e nada a ponto de roubar dos leigos a sensação de que tudo poderia ser bem melhor.