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terça-feira, 26 de abril de 2011

As piores, entre as melhores, coisas do mundo

O que torna a juventude especial? Que faz cidadãos de seus quarenta e tantos anos suspirarem por estes tempos que jamais voltarão? Bem, isso vem de cada um. A adolescência para muitos, principalmente para quem a está vivendo, é a pior parte do aprendizado da vida. O momento crucial onde a encruzilhada em que a vida nos conduz, desilude e coloca às mais terríveis provações, nossa personalidade em formação. É nesse estágio em que o jovem Mano descobre que o processo de crescer não é difícil, dependendo da forma de como você a encara. E isso é conduzido de forma singela por Laís Bogdanski em As Melhores Coisas do Mundo.

Através do roteiro de Luiz Bolognesi, as decepções da vida de adolescente, as descobertas de amor e sexo, os dramas familiares e o buylling, nos mostram o desenho de toda a sociedade atual, desacralizada pelo mundo pós-moderno. A concepção de família, vai de encontro ao que um dia era tão abjeto quanto se manter vivo. O jovem Hermano, interpretado por Francisco Miguez, aprendeu de forma abrupta todas essas lições, mas soube enfrentar todo esse turbilhão, o que não o salvou do sofrimento.

Ter um pai que se assume gay, pode complicar a vida den qualquer adolescente, principalmente no lugar onde passa por seus maiores dilemas juvenis, a escola. As instituições, palco de dez entre dez crueldades ofensivas à uma pobre mente em construção, sempre tem sua parcela de culpa no que pode vir a acontecer de errado a um adulto. Mano sofreu buylling, ao mesmo tempo em que se decepcionava com o “amor”. Ainda de tinha de enfrentar a instabilidade emocional do irmão mais velho, a incoerência de seus ideais, aceitar as escolhas do pai e ainda ser o pilar da reconstruçao de sua mãe. Parece um super-herói, mas é só um ser humano. Daí a sutileza do filme.

A diretora desfragmenta em atos tudo o que acontece na adolescencia de todo mundo, sendo com a intensidade mostrada no longa, ou não. Em momento nenhum à uma fórmula secreta para enfrentar este estágio da vida. O roteiro não se prende a vinganças juvenis, e nem exalta as qualidades do personagem central, apenas relata fatos que provavelmente o espectador tomará partido, por ser comum a qualquer um. Uma análise sem psicólogo.

A excelente trilha sonora não nos deixa esquecer que se trata da juventude. E cada vez em que acompanhamos a tristeza do jovem Mano, percebemos o quanto essa etapa de nossas vidas definem nosso futuro de forma irremediável. Sem julgamentos, podemos entender, ou tentar entender, o que aconteceu com o rapaz de Realengo, para que tenha chegado ao ponto de tirar o futuro de 12 pobres crianças. Não é um acoitamento, é um questionamento.

Se Mano não tivesse superado as intempéries deste aprendizado, talvez terminaria em um quarto de hospital psiquiátrico, ou tiraria a própria vida, como tentou fazer o irmão, ou pior, tiraria a vida de inocentes. Mas ainda bem, que a maioria do mundo sabe lidar com este cruel período da vida. Além do mais, quem não experimenta as piores coisas da vida, jamais saberá quando as melhores estiverem acontecendo.

As Melhores Coisas do Mundo, 2010. De Laís Bodanzki, com Francisco Miguez, Paulo Vilhena, Denise Fraga, Zé Carlos Machado, Caio Blat e Fiuk.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A LISTA DE TODAS AS RAÇAS

"O dia de hoje é histórico .O dia de hoje será lembrado. Anos mais tarde todos os jovens perguntarão sobre este dia. O dia é histórico e vocês são parte dele. Há 600 anos quando em outro lugar procuravam de quem a culpa pela peste bulbônica, Casemiro, conhecido como o Grande, disse aos judeus que eles podiam vir para a Cracóvia. Eles vieram com seus pertences para a cidade. Se estabeleceram, tomaram conta, prosperaram nos negócios, na ciência ,na educação, nas artes. E eles prosperaram e por seis séculos existiu a Cracóvia Judia. Pensem nisto, e esta noite estes seis séculos não passam de um boato, nunca aconteceu. Este dia é histórico.”
Amon Goeth ,general da SS, antes da extinção do Gueto judeu na Polônia em 16 de Agosto de 1942


A disputa pelo poder das super potências econômicas teve como característica primordial os elementos do Imperialismo, ou seja, o processo de dominar as outras nações pela força de tomar dos outros o que originalmente não lhe pertence. Países e continentes foram tomados pela ânsia de poder de uns sobre os outros. Este processo desencadeou a Segunda Guerra Mundial, deixando uma herança de ódio e preconceito para a humanidade.

A Segunda Guerra Mundial foi o capítulo mais triste de nossa história. Foram seis anos de vergonha que nos levou a beira do abismo ético, moral e social. Os alicerces que a sustentavam tiveram como base a tentativa de dominação de uma nação sobre as outras. Uma faxão de poder militar e econômico ganha força ao tentar resgatar o orgulho de sua nação. Eles representavam a chamada Raça Ariana e a intitulava como a mais pura, a superior, a que mais se aproximava do ser humano. Aqueles que não seguiam seus padrões físicos eram tachados de seres inferiores e, portanto, não eram classificados como seres humanos.

Negros, asiáticos e indígenas sofreram discriminadamente ao longo da história e durante alguns muitos tempos mais foram deixados à margem. Os negros viram seu continente ser dividido como fatias de pizza pelos europeus e depois transformados em escravos. Os asiáticos tiveram seus templos violados e sua cultura esmagada pelo exército britânico que lá se estabeleceu durante anos. Os índios massacrados física e ideologicamente pelos colonizadores e hoje veem pouco a pouco sua cultura sendo jogada ao esquecimento. Todos tiveram que se submeter pela força a uma outra cultura. Tudo em razão de uma idéia totalmente deturpada de um grupo ao conceituar a raça humana como um todo.

O que nos parece mais grave e digno de uma reflexão mais aprofundada é a convicção que uma raça tinha de negar compartilhar com as outras características de humanidade. Julgar os outros por sua concepção política, religiosa, crença ou opção sexual é algo inadmissível, porém ainda digno de discussões pautadas. Mas não reconhecê-los como seres humanos em toda sua concepção é algo inconcebível até mesmo diante dessas discussões. Este princípio se tornou a bandeira do Holocausto. A disseminação do ódio da raça ariana pelos judeus durante a Guerra. Segundo este princípio, os judeus eram os responsáveis pela crise que a Alemanha enfrentava naquela época. Os judeus passaram a ser vítimas de uma campanha anti-semita do Nazismo.

Meios de comunicação em massa foram usados bem como discursos inflamados por todos os líderes do Partido frente à população. Até as crianças foram atingidas, uma vez que nas escolas o que se pregava nas cartilhas era ódio e discriminação aos judeus. Para sustentar suas afirmações, os Nazistas recorreram a argumentos científicos, que segundo eles, eram inquestionáveis para o resto da população. O judeu não era um ser humano. Eram como ratos, piolhos, insetos nocivos à humanidade e como tais mereciam ser extintos. Eram tratados como animais no sentido literal da palavra.

Tiveram suas vidas arrancadas e sua dignidade despida sob todos os aspectos. Foram proibidos de frequentar qualquer local ou estabelecimento público. Depois que tiveram suas lojas e patrimônios destruídos, foram expulsos de suas casas, forçados a viver amontoados numa área restrita que chamaram de Gueto. Este, por sua vez, não era como um cortiço. As condições de vida eram tão subhumanas que nem de longe poderia se perceber que se tratava de uma moradia humana. Mais lembrava um cercado, um curral . Sua extinção em Agosto de 42, levou os judeus aos campos de concentração. Um lugar que mais parecia uma prisão, mas uma prisão para animais. Dormiam numa espécie de estábulo e eram marcados como gado antes de trabalharem como escravos até a morte eminente. Homens e mulheres saudáveis ganhavam uma sobrevida nos campos. Já as crianças e os idosos eram assassinados em câmaras de gás sem nenhum tipo de consciência ou remorso.

O homem mostra sua mais assustadora face como único animal que mata o da mesma espécie. Um a um, 6 milhões de judeus foram exterminados pelas forças alemãs da SS. E este número poderia ter sido maior se não fosse a coragem e compaixão de um homem que arriscou sua vida e fortuna para salvar 1.100 judeus.
O theco Oskar Schindler migrou para a Polônia a fim de enriquecer com a Guerra e fez de sua fábrica de armamentos um refúgio para seus 1.100 operários. Á princípio a idéia era lucrar com a mão-de-obra judia,muito mais rentável do que a polonesa. Porém quando se deparou com o massacre do Gueto começou a se sensibilizar com o sofrimento do povo que o estava ajudando a enriquecer. Nem o fato de ser membro do Partido Nazista o inibiu, pelo contrário, sua influência perante os poderosos o ajudou a cumprir sua missão. Ele tinha a consciênciade que o poder não vinha da força e sim do respeito e compaixão pelos menos favorecidos.

Abriu sua mente e o coração com o devido respeito à cultura judia e assim pôde aprender a valorizar o que nós, seres humanos, temos de melhor. A diversidade cultural. Foi o que serviu como base para a Declaração Universal dos direitos Humanos feita pela ONU (Organização das nações unidas) após a Guerra. Ela que nos faz enriquecer através da troca de experiências com outras culturas. Mas para isso devemos abrir nossas mentes e nossos corações. Ver nos outros nossa imagem e semelhança, como parte de uma única classe, uma única espécie, uma única raça. Entender que o que nos separa é justamente o que nos dá mais força e equilíbrio. Divergências culturais são saudáveis para todos nós. Contudo, é preciso saber separar estas divergências de qualquer tipo de preconceito. Não é preciso discriminar esta ou aquela raça e sua cultura. Quando nos tornemos ditadores de princípios que julgamos serem os melhores, os mais adequados à humanidade, cometemos um erro que nos torna tão irracionais quanto animais. Quando chamamos um negro de macaco, um gordinho de elefante, as loiras de burras e os homossexuais de “bichas”, estamos renegando a todos o direito de pertencerem a nossa raça. São formas graves e inaceitáveis de preconceito de quem se considera parte da mesma raça. Somos únicos e cada qual contribuiu da sua forma para uma lista universal da Paz. A lista de todas as raças sublinhada com amor, fraternidade e respeito a todas as formas de diversidade.


A Lista de Schindler (Schindler’s List , 1993)
Com Liam Neeson e Ben Kingsley

VEJA TAMBÉM :

O pianista – a história real de Wladislaw Spilzmam, um pianista de sucessoque foi testemunha ocular do massacre do Gueto

Olga – mulher , alemã, judia e comunista que lutou contra o poder ditatorial da Era Vargas durante a Segunda Guerra.

A vida é bela – uma visão romântica criada por Roberto Beningni de como um pai de família protegeu suaesposa e filho dos horrores.

A queda – as últimas horas de Hitler

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O Cinema e seus antológicos personagens

Desde os primórdios o cinema trabalha com registro das imagens para posteriedade, e graças a ele podemos acompanhar, hoje em dia, fatos e acontecimentos que provalvelmente estariam perdidos em páginas amareladas de livros de história e enciclopédias. Esse poder fixador da sétima arte, ajudou a criar mitos, reais ou fantásticos, que mesmo depois de décadas ainda continuam a serem citados e homenageados.

Quem nunca ouviu falar do diabólico Darth Vader com sua voz peculiar? Muitos o conhecem sem ao menos ter visto um teaser sequer da saga Star Wars. O mítico personagem se tornou sinônimo de pessoa malvada e sem escrúpulos. Quem poderia se tornar uma termo de dicionário é Forrest Gump. Para todos aqueles que contam histórias de veracidade duvidosa, o termo é apropriado. O que dizer então de Shrek, que com sua simpatia e feiúra, transformou-se em apelido predileto entre grupos de amigos. Ainda temos personagens lembrados por dez entre dez cinéfilos.

A famosa frase de Scarlet O’Hara em E o Vento Levou, ecoa pelo mundo cinematográfico, tanto quanto os grunhidos repgnantes do esquelético Gollum da fantástica trilogia O Senhor dos Anéis. O que comentar sobre a geniosa Margo Channing de A Malvada >e a antipatissíssima Miranda Priestly de O Diabo Veste Prada, interpretdas por Betty Davis e Meryl Streep, dois ícones do cinema americano?

Mesmo que alguns não gostem, não tem como se esquecer dos perserverante Rocky Balboa e do valente intrépido exército-de-um-homem-só John Rambo. Os brutamontes ainda têm vez através do Duro de Matar John McClane e do Extermidor do bem e do mal, T-800. Os psicopatas Hannibal Lecter e Norman Bates até hoje atormentam o sono de muita gente, o que na verdade é trabalho do irônico Freddy Kruegger e do estraga prazeres Jason.

A comédia imortalizou Carlitos, o adorável vagabundo. Assim também o fez com o atrapalhado Jack Sparrow que ainda navega por entre nós. Apesar de muitos considerarem coisa de criança, o carismático Roger Rabbit, representa junto com o inesquecível Burro, a Bela e a Fera e o pop star Mickey Mouse, o mundo das animações. Estas que ajudaram a tornar Mary Poppins um marco dos musicais, que já eram famosos por terem imortalizados a pequena Dorothy de O Mágico de Oz.

Os pertubadores da paz Alex de Laranja Mecânica e Coringa, de O Cavaleiro das Trevas, são tão lembrados quanto o escolhido Neo de Matrix. A maravilhosa Gilda vivida por Rita Hayworth, ainda desperta paixões, assim como a Bonequinha Holly de Audrey Hepburn. E se a bandidagem tem ao seu lado Scarface, Zé Pequeno e Vincent Vega sob a batuta de Dom Vito Corleone, o bem conta com a destreza dos agentes Jason Bourne e James Bond, o inteligente e sortudo Indiana Jones e o “faca na caveira” Capitão Nascimento.

E se a Juventude Transviada de Jim Stark não o permitiu acompanhar a fábula do E.T., o novo e repaginado King Kong, e o aterrorizador Tubarão, é por que não estava Curtindo a Vida Adoidado com segurança assim como Ferris Bueller. E se terminasse sem citar o arrogante Ricky Blane do marco Hollywoodiano Casablanca, cometeria um crime tão grande quanto esquecer do megalomaníaco Cidadão Charles Forster Kane.

É óbvio que ainda tem nomes que minha não conseguiu me recordar, assim como tem muitos que não couberam no texto. Muitos imortalizaram o cinema assim como este os imortalizaram. Em meia hora fui capaz de relembrar antológicos nomes que irão durar até o fim dos tempos graças a película de um cinematógrafo.

Qual seu personagem preferido?

segunda-feira, 11 de abril de 2011

ELIZABETH TAYLOR:

“Sempre me caso com os homens pelos quais me apaixono”
Elizabeth Taylor (1932 - 2011)

Elizabeth Rosemound Taylor foi a última das grandes estrelas manufaturadas pela fábrica de sonhos de Hollywood. A última da era romântica ou de ouro. A última das estrelas que faziam de sua beleza o cartão de visitas para o sucesso e seu carisma o passaporte para a fama.

Dotada de uma extraordinária beleza, estava mesma destinada a notariedade desde 1932, o ano de seu nascimento em Londres. Os pais eram antiquários que emigraram para os EUA, mais especificadamente Los Angeles, após a Segunda Guerra Mundial. Na cidade dos anjos, ou melhor, terra dos sonhos, seus olhos de raro tom azul-violeta , lhe abriram as portas para a carreira de atriz. Foi contratada pelo Metro e aos 11 anos, numa atuação comovente, despertou a curiosidade do público em A força do coração(1943).

Daí por diante foi uma das poucas atrizes que conseguiu crescer frente às câmeras sem perder seu brilho em papéis de garotas bonitas e mimadas. Em 1950 com apenas 18 anos obteve seu primeiro papel na fase adulta como a esposa de um milionário maduro em O traidor. A maturidade adquirida nas telas se extendeu pela realidade quando casou-se com Conrad “Nick” Hilton, o herdeiro da famosa cadeia de hotéis. Começava assim sua coleção de maridos.

A união com Hilton durou poucos meses e em 1952 casou-se com o ator inglês Michael Wilding,vinte anos mais velho e pai de seus filhos Michael Jr. e Cristhopher. Divorciou-se em 1957 e no mesmo ano estava casada com o produtor Mike Todd. Sua filha Liz Todd nasceu pouco antes dela ficar viúva. Depois veio o cantor Eddie Fischer, melhor amigo de Mike, um motivo para um tremendo escândalo em Hollywood. Além disso foi acusada de estar ‘roubando’ o marido da amiga Debbie Reynolds. A união com Eddie e as consequencias que trouxe a mesma só sessaram-se em 1963 quando Liz se apaixonou por Richard Burton durante as gravações de Cléopatra na Itália.

Ambos tiveram que pedir o divórcio de seu respectivos cônjuges. Legalizaram a união em 1964 e neste tempo a estrela teve de enfrentar além dos paparazzis, uma traqueotomia para poder respirar. Seu casamento com Burton eram manchetes nos jornais do mundo inteiro. Brigas, bebedeiras, presentes milionários e jóias raras ditavam as regras do relacionamento. No entanto parecia que a popularidade de ambos saíam ilesas deste mar de confusão e juntos fizeram 9 filmes, entre eles Quem tem medo de Wirginia Wolf? (1966),que deu a Liz seu segundo Oscar. O primeiro ganhara em Disque Butterfield 8 (1960).

O casamento com Burton terminou em 1974 e um ano depois fizeram uma nova tentativa de 9 meses ao se casarem na África do Sul. Em vão. Burton havia ficado para trás e então em 1976 ela casou-se com o senador John Warner e conhecer uma vida como dona-de-casa.

O exílio doméstico durou até os anos 80 quando ingressou no teatro. Obteve grande sucesso com as peças The Little Foxes e Private Lives,esta com o ex Richard Burton. Divorciada do senador Warner em 1982 jurou que jamais se casaria outra vez,apesar dos inúmeros noivados tão conturbados quanto seus matrimônios.

Quando Burton morreu na Suíça em 1984, ela se internou numa clínica de dexintoxicação de álcool e barbitúricos. Este tipo de boato sempre assombrou a atriz que se viu num emaranhado de fofocas neste sentido quando suspeitaram que Liz teria contraído o vírus da AIDS de um de seus namorados,o milionário Malcom Forbes,morto pela mesma doença. Em Abril de 1990, foi operada do pulmão devido a uma repentina pneumonia. Atordoada por tantas fofocas, explodiu: ”Deixem-me morrer em paz”.

Que assim seja. Que repouse nos braços da eternidade uma das maiores estrelas da história do cinema. A última das primeiras. E que me perdoe Julie Christe e sua Darling, mas foi uma inglesinha de cabelos negros e de voz grave, ao mesmo tempo suave, a verdadeira mulher que amou demais e a que despertou em todos nós as maiores paixões.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O brado de liberdade de todos Homens-Elefante

Quando Werner Herzog concebeu o melancólico O Enigma de Kaspar Hauser, em 1974, a história de um rapaz que depois de anos preso em um porão sai para conviver em comunidade mas não compreende o mundo que passou a viver, fez com que os espectadores sentissem pena, mas ao mesmo tempo questinassem todo processo que move a sociedade.

Os moradores da cidade o repugnavam e o trancafiaram numa torre. Medo do quê? Os moradores da cidade mostraram um lado da sociedade mundial que todos conhecem, mas negam. O preconceito diante de uma figura que não preenche os requisitos básicos do esteriótipo construído desde os primórdios dos tempos. Julgar a todos não é justo, se ninguém está livre de ter um gen preconceituoso. O filme se desenrola até momento onde o personagem não se compreende, o que faz dele refém da incompreensão da sociedade.

Mas nem tudo estava perdido. Em 1980, David Lynch provou que nem tudo pode ser setenciado de acordo com a opinão pública. Sob a apaixonante fotografia em preto e branco, O Homem Elefante chocou e emocionou pessoas de todo o mundo com a história verídica de John Merrick, um homem que tinha maior parte de seu corpo deformado devido a uma rara doença. Foi resgatado de um circo de "aberrações" por um médico. A partir daquele momento, o principal desafio de Merrick era enfretar o preconceito. Sempre que era humilhado, sujeitando-se a ser tratado como um animal, seu espírito se portava como tal. Se resignava a aceitar seu cruel destino, sem nem mesmo pronunciar uma palavra de lamento.

A missão do Doutor Treves, que o resgatou, não era fazer com que a sociedade o aceitasse, e sim fazer ele se aceitar. O brado "Eu não sou um animal, sou um ser humano!" de Merrick no auge de uma humilhação pública, faz com que passem a enxergá-lo como o homem que era. Outro personagem que o ajudou foi a Sra Kendall (Anne Bancroft), que aguçou sua sensibilidade para o teatro, tornando-o cada vez mais "humano".

A lição do filme de Lynch pode ser de grande valia nos dias atuais. Estamos em uma época onde o bullyng, seja real ou virtual, destrói sonhos e cria uma linha tênue de baixo astral na vida de muitas pessoas. Se seguirmos o pensamentos do pobre Kaspar Hauser, deixando o mundo nos abater, sucumbiremos. Entretanto se enfretarmos a realidade, não com violencia, mas simplesmente nos aceitando, com certeza a sociedade nos enxergará. Viva John Merrick!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

PROFESSORES SEM LIBERDADE

Todo profissional que encontra sucesso em sua área geralmente o atribui à sua vocação. Algo que nasceram para fazer e faz com paixão. Para os professores esta vocação tão declamada tem um outro peso, uma outra significância. Trata-se de uma missão. A missão de formar profissionais e acima de tudo cidadãos para o futuro. Ela bem que poderia ser uma médica de sucesso ou uma engenheira, arquiteta, uma executiva ou advogada como o pai. Mas Erin Cruwell quis se arriscar numa área bem mais apaixonante com a convicção de que iria fazer a diferença na vida de outras pessoas,particurlamente de seus alunos.

Jovens que já poderiam se sentir vitoriosos pelo simples fato de conseguirem sobreviver àqueles anos conturbados pela violência das gangues em Long Beach (EUA). Ela bem que poderia se acomodar em sua posição e “apenas tentar sobreviver, ganhar experiência e se arriscar numa outra área”, como sugerira seus colegas de trabalho. Mas Erin estava mesmo disposta a fazer valer o cargo que assumira com paixão. Entendia mais do que ninguém sua missão, que ela conscientimente se incumbiu. Não queria, ou melhor, desejava formar apenas profissionaís bem sucedidos. Afinal naquela época e nas condições sociais que os jovens estudantes do Sistema de Integração do Colégio Wilson se encontravam, era estatisticamente e por experiência, improvável que daquela turma da sala 203 saísse algum profissional altamente qualificado.

Cruwell enxergava bem mais além. Bem mais em formar homens e mulheres de bem e caráter suficientes para viver com dignidade naqueles em que a violência imperava e que tinha uma força descomunal sobre suas vidas. Força que nem mesmo os professores sonhavam em exercer sobre eles. Jovens que sucumbiam facilmente à esta realidade devido a inércia de alguns profissionais que nasceram com a vocação de ajudá-los a sair destas condições. Profissionais que faziam parte de um grupo ao qual Cruwell ousadamente se excluía. Movida pela paixão de seus ideais, ela se recusava a aceitar passivamente o descaso de seus colegas e a superficialidade do sistema de integração. Sistema governamental que tinha como objetivo inicial a inclusão de jovens marginalizados à sociedade através da educação.

Assim sendo ela teve o talento de unir um sala separada pela segregação das gangues fazendo valer a verdadeira essência do sistema. Ao fazer seus alunos acreditarem em si mesmos, ela conseguiu fazer com que soubessem deixar fluir o que é certo em momentos decisivos de suas vidas sufocadas pela violência. Tudo em nome de sua paixão pela profissão e especialmente pelo ser humano que orgulhosamente ajudaria a formar. A professora tornou-se um exemplo de inspiração para um seleto grupo de profissionais que tendem a lutar contra inimigos que basicamente seriam seus aliados nesta guerra contra a violência. Um sistema educacional deficiente, que nem de longe lembra do conceito de integração social, uma má renumeração da classe, o descaso do governo para com este sistema e consequentemente para com dele depende e,em alguns casos, contra um inimigo inesperado e bem mais forte do que qualquer outro.

Os próprios pais de alunos mal intencionados nas salas de aula. Pais superprotetores que nem têm noção do quanto mal está fazendo à sua própria família, ajudando a criar pequenos monstros que agridem de forma verbal e muitas das vezes até de forma corporal seus pais da escola. Há algum tempo atrás estes pais agiam em comum acordo com os pais biológicos de seus alunos. A escola tornava-se uma extensão de sua casa e os professores parte de sua família. Chamá-los de “tio” ou “tia” era prática de meninos e meninas que ingressavam na vida escolar. Hoje os professores perderam a liberdade desta posição, uma vez que os pais lhes tiram sua autoridade à frente dos filhos cada vez que os mesmos cometem atos inadimissíveis dentro de uma sala de aula.

Ao proteger seus filhos eles tiram dos professores o direito de educar, aniquilando qualquer tipo de tentativa de se unirem contra a violência ou qualquer outro adversário da sociedade. Quando os pais perceberem que os maiores inimigos se encontram fora das salas de aula e voltarem a reconhecer a participação dos professores na educação de seus filhos, será dado um gigantesco passo rumo a formação integral de cidadãos. Formação esta que tem como base a educação, sistema fundamental para fazer de qualquer país uma grande potência.

Como aconteceu com o Japão depois da Segunda Guerra Mundial. Totalmente devastado pela guerra,o país encontrou na Educação uma maneira de recuperar seu status. O pequeno país, que poderia facilmente ser considerado uma ilha, fundou seus alicerces no sistema e o resultado foi o que muitos não esperavam que pudesse ser possível. Foi o chamado “Milagre Japonês”,em que país colocou em prática o que todos sabemos. A educação é a base para tornar um país uma potência econômica e social. Isto é um fato.

E se até quem tem olhos bem pequenos consegue enxergar,por que não um país muito maior e de olhos bem maiores não consegue este feito? Está mais do que na hora de abrirmos os olhos para o valor único de um profissional diferenciado que exige mais do que investimentos financeiros de todos nós, autoridades governamentais, profisssionais, pais, alunos, sociedade. É preciso que seja lhes dado o que é de direito. O respeito , a autoridade e a força para fazerem o que nasceram para fazer. Ensinar nossos filhos a ler a cartilha da vida, rabiscar esbossos de cidadania e escrever sua própria identidade de futuros escritores da liberdade.

Escritores da liberdade (Freedom winters / 2006) Com Hillary Swanck e Patrick Dempsey

Veja também :
O diáro de Anne Frank
• Crash – no limite
• Meu mestre , minha vida
• O refúgio secreto
• Diário de um adolescente
• Gangues de Nova Iorque

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Montagem pura

O filme “Jogos, trapaças e dois canos fumegantes”, do inglês Guy Ritchie, reverencia os mestres da montagem com uma narrativa tênue e divertida. Faz de uma obra despretensiosa uma verdadeira aula de cinema técnico por meio das mais diversas características. De Eisenstein à Welles, rememora o que há de mais puro e importante em uma produção audiovisual, a montagem.

A raiz condutora de um filme nasce na cabeça de seu roteirista, é fato. Entretanto não há dúvidas que se sua cabeça não esteja em perfeita sintonia com sua habilidade e sensibilidade em decupar o roteiro, o filme não floresce. No longa de Ritchie percebemos que sua mente trabalhou de forma a buscar essa condução no momento de sua construção fílmica. Por ser roteirista e diretor, ele sabia de todo o seu plano de montagem, e pode criar uma teia unitemporal, entrelaçando a trama e guiando o espectador para onde ele quisesse.

A criação de planos de conjunto em quase todo o filme valorizou a tensão necessária para que a trama não perdesse o fio condutor. Como inserir mais de uma dezena de personagens em uma trama sem se tornar cansativo? Plano de conjunto, usando muito da profundidade de campo e montagem rítmica. A segunda tão importante quanto à primeira, já que muitas seqüências são conduzidas pela trilha sonora.

Pode-se dizer que Guy Ritchie tenha se especializado em montagem. É só assistir Snatch - porcos e diamantes (2000) e Sherlock Holmes lançado em 2009, para perceber que ele “bebeu em fontes” Einsensteisianas para conseguir sua própria linguagem. E também é certo que “Jogos, Trapaças...” tenha se tornado uma das obras mais didáticas dos últimos anos, por reunir diversão, sonoridade, um excelente roteiro, e principalmente, montagem pura.


Jogos, trapaças e dois canos fumegantes (Lock, stock and two smoking barrels, 1998) dirigido por Guy Ritchie. Com Jason Flemyng, Dexter Fletcher, Jasobn Statham e Nick Moran.

terça-feira, 29 de março de 2011

Brasileiros em Hollywood

Quando José Padilha aceitou dirigir o remake de Robocop, grande clássico de ficção de 1987, dirigido por Paul Verhoeven, cumpriu-se uma sina dos últimos anos. Os diretores brasileiros que fazem bem seu trabalho no cinema nacional, e conseguem destaque internacionalmente, ganham a chance de trabalhar no cinema americano. Nem sempre como queriam e muito menos para dirigir bons roteiros. Walter Salles triunfou com Central do Brasil. Venceu o Globo de Ouro, foi indicado a filme estrangeiro e ainda faturou outros diversos prêmios ao redor do mundo. Foi convidado a dirigir em Hollywood, e deu azar. Pegou um terror, daquelas bizarras adaptações nipônicas, Água Negra. e mesmo com toda sua categoria para dirigir e com a linda Jennifer Connely no papel principal, o filme foi péssimo. Não fez sucesso nem entre os fãs do gênero, e não deu a Salles a oportunidade de melhores dias na terra do Tio Sam. Depois de se destacar na direção do excelente Caminho das nuvens, Vicente Amorim recebeu a tarefa de dirigir Viggo Mortensen em Um Homem Bom. Apesar de não ser um filme ruim, não decolou. Sua narrativa é lenta e o desfeixo da história deixa a desejar. Amorim voltou ao Brasil trazendo na babagem experiência, o que já está de bom tamanho. Mas o brasileiro que se deu bem em terras americanas foi ele, sempre ele. Fernando Meirelles, depois de dirigir, o que muitos consideram, o melhor filme brasileiro em décadas, teve um destino mais feliz. Bem cotado, principalmente pela indicação ao Oscar de melhor diretor por Cidade de Deus, recebeu uma adaptação de John Le Carrè, O Jardineiro Fiel e não decepcionou. Conduziu um filme que se não foi brilhante, foi muito bom. Apesar de ser indicado ao Globo de Ouro, ficou fora da lista da Academia, considerado por muitos como uma grande injustiça. Esse sucesso o credenciou a continuar por lá. Em 2009 dirigiu o polêmico Ensaio sobre a Cegueira, adaptado do romance de José Saramago. Muito amaram, e outros tantos odiaram, mas com certeza não tirou seu mérito, e dificilmente não continuará por lá por mais algum tempo.

Há seis anos

Lá estava ela. Linda como sempre com seu sorriso que refletia os brincos de ouro-de-tolo de suas amigas. Eu, parado com cara de idiota, só conseguia pensar em uma coisa:"Que diabos essa menina viu em mim?". Olhava para meus amigos só para ver a reação deles quando ela chegasse e me beijasse. Sua bela jaquetinha branca combinava com seu claro sorriso e complementava o brilho de seus olhos. Meu coração batia descompassado. Não poderia demonstrar a minha insegurança e ansiedade. Não queria que pensasse que era um frouxo que se entrega a uma garota logo com um dia de namoro. Queria manter minha panca, mas acima de tudo não queria decepcioná-la. Me senti réu e juri em um julgamento íntimo. Seria mesmo digno de moça tão bela e adorável? Os segundos se arrastavam e quanto mais ela se aproximava, mais a acusação me setenciava. Uma branca namorando um negro? De tão nervoso cheguei a pensar bobagem. Se ela não se importava com a quantidade de melanina que tinha em minha pele, por que eu iria me importar? Chegou! Me disse um "oi" tão macio quão uma almofada de pluma de ganso. O beijo! Uma intensa viagem de mim em mim. Era como se todo aquele torpor tivesse desaparecido. Só restara uma solene melodia da qual jamais esquecerei, mas nunca conseguirei reproduzir. Quando dei por mim, estava tão perdido quanto o barbudo de Paris, Texas. Por vários minutos não falei, não sorri, apenas admirei sua linda boca, seu sorriso suave e seu jeito singular de ser. O amor! Só ele é capaz de deixar uma pessoa dessa forma. Já não sei e nem quero saber como é mais viver sem ele. Há 6 anos que vivo nessa catarse emocional. Há 6 anos que descobri o que é ser feliz.

quinta-feira, 24 de março de 2011

A morte da Gata Liz

Não é todo dia que morre uma grande musa de Hollywood, ainda bem! Liz Taylor morreu e levou com ela o último resquício de uma era em que talento e beleza andavam juntas.

Como a maioria das estrelas da Era de Ouro do cinema americano, Elizabeth Taylor se tornou um ícone de beleza de todos os tempos, com seus maravilhosos olhos azuis e lindo cabelo preto, fazia dela um exemplo de mulher singular. Casada oito vezes, inclusive com o ator Richard Burton, não tinha medo da opinião pública e , diferentemente das mulheres "normais" de sua época, fazia o que bem entendia de sua vida.

Entretanto Liz não era só isso. Uma atriz competente que sabia dar vida a personagens polêmicos, como a espalhafatosa e megalomaníaca Rainha Cleópatra, a explosiva Martha de Quem tem medo de Virgínia Wolf?, e o seu melhor papel, a Meggie de Gata em teto de zinco quente. Conseguia dar um tom dramático as adaptações de Tennessee Williams, e por eles conseguiu conseguiu suas melhores atuações, e ainda lhe rendeu um Oscar de melhor atriz (Quem tem medo de Virgínia Wolf?)

Apesar de nos últimos anos ter sofrido por problemas de saúde, ela nunca perdeu a classe. E se alguém lhe perguntasse como ficar sobre este palco real e cruel chamado fama por todos esses anos, com certeza responderia:" Ficar em cima dele, pelo maior tempo possível", assim como a gata em teto de zinco quente que a imortalizou.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Perfil

GLÓRIA PIRES: Ela é sempre uma glória!

Filha de Elza Pires e de Antônio Carlos Pires,comediante famoso mais conhecido como Joselino Barbacena da extinta A escolinha do Professor Raimundo, Glória Maria Cláudia Pires de Moraes, ou Glorinha, como é carinhosamente chamada pelos colegas de trabalho, nasceu com a vocação de brilhar. E foi se valendo do talento hereditário nas veias, aos 5 anos de idade já sabia o que queria. A inspiração veio proveniente de seu pai, a quem sempre considerou seu ídolo dentro e fora da TV. A pequena orfã (1968) na extinta TV Tupi marcaria de vez o nascimento de uma das maiores atrizes do Brasil. No entanto as dificuldades em ser uma estrela precoce faria surgir um grande dilema em sua vida. As atribulações que o trabalho lhe exigia minava sua participação no colégio e então a decisão de abandonar os estudos na sétima série se fez necessária em nome de seu propósito. Glorinha seguiria o que estava determinada a seguir. Sua carreira de atriz. Aos 15 anos ela literalmente debutou na telinha no papel de Marina na novela Dancin Days (1978) .O sucesso foi tanto que logo emplacou sua primeira protagonista - a caipira Zuca de Cabocla (1979). Este trabalho mudou sua vida não só pelo lado profissional , mas também pessoal quando conheceu o ator e cantor Fábio Jr., até então seu par romântico na trama. Com o galã ela teve Cléo Pires. Foi um período difícil em sua vida. Casamento,maternidade e depois a separação. A pressão de ser mãe tão prematuramente e depois de ser pai e mãe ao mesmo tempo. A garra da jovem atriz a fez não esmorecer e em 1983 retornava à TV em Louco amor de Gilberto Braga. O autor acabou por ter uma importância quase que vital em sua trajetória. Afinal foi ele que criou para ela uma das maiores e mais importantes personagens da história da teledramartugia mundial. A odiosa Maria de Fátima de Vale Tudo (1989) elevou a atriz ao status de estrela com sua interpretação magistral, onde ofuscou nomes como Regina Duarte e Antônio Fagundes. Ao lado de Odete Roitmam (Beatriz Segall) é considerada uma das maiores vilãs de todos os tempos da TV. Esta posição alcançada lhe permitiu “pagar alguns micos” posteriores como Sarita de Mico Preto (1990) e Rafaela Berdinazzi de O Rei do gado (1996). Este último causou uma certa indisposicão com o autor da trama Benedito Ruy Barboza quando a atriz deixou clara sua insatisfação com a personagem. Indignado,Benedito chegou a afirmar como uma retaliação que a atriz da segunda versão de Cabocla em 2004 – Vanessa Giácomo – havia engolido a atuação de Glória em 1979. Tal afirmação obviamente se condensou em mágoa da parte do autor para com a atriz devido este episódio. Contudo entre mortos e feridos salvaram-se todos na década de 90. As gêmeas Ruth e Raquel de Mulheres de areia (1993),numa das mais elogiadas atuações de uma atriz em todos os tempos. A babá Nice de Anjo Mau (1997),outro remake de sucesso, e a guerreira que se vestia de homem para brigar de igual com eles pela posse de suas terras em Memorial de Maria Moura (1994). Sua melhor personagem segundo a atriz. E talvez sua última grande personagem na TV uma vez que as outras que se sucederam não alcançaram o mesmo sucesso de outros tempos. Talvez pelo fato da mudança do conceito de se fazer novelas ou o mais provável, a televisão ficou pequena para o enorme talento de Glória Pires. Com isso a atriz teve de expandi-lo para o cinema e conseguiu emplacar ótimos trabalhos. Das comédias A Partilha (1998) e Se eu fosse você 1 e 2 (2008 e 2009), ambas de Daniel Filho, aos dramas O primo Basílio (2008) e É proibido fumar (2009), ela dá um show de versatilidade. A mesma versatilidade que consegue conciliar a carreira de atriz com o papel de mãe de família. Recentemente ela deu luz e vida à Dona Lindu, a mãe do ex-presidente Lula em Lula – o filho do Brasil (2010) e segundo as críticas a única coisa que se salvou no longa que representou o país na disputa pela vaga na festa do Oscar. Infelizmente ficamos para trás, no entanto a atriz reafirmou mais uma vez seu enorme talento. Talento de quem tem glória no nome.


AS GLÓRIAS DE GLÓRIA:

A aprendiz de vilã - Vale Tudo (1989)
Passar a mãe para trás, enganar e seduzir o namorado da melhor amiga por dinheiro e se aliar a uma verdadeira megera para subir na vida foram algumas das artimanhas de Maria de Fátima, a vilã divinamente construída por ela.

A guerreira cabocla – Memorial de Maria Moura (1994)
Maria Moura estava longe de ser uma heroína romântica à espera do príncipe encantado para salvar suas terras. Portanto ela mesma foi a luta, teve de travestir de homem e guerrilhou bravamente mudando totalmente o conceito da “mocinha de novela.”

A esposa que virou o marido – Se eu fosse você (2008/2009)
Bastou um incidente estelar para Glória Pires se tornar Tony Ramos e dar seu costumeiro show frente às câmeras. Uma comédia realmente imperdível!


TALENTO QUE SEDUZIU SPIELBERG:

Na época que O Quatrilho concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro,a atuação da atriz foi tão excepcional que chamou atenção de um dos maiores diretores do cinema que chegou a declarar que a brasileira teria lugar cativo em qualquer uma de suas obras.

segunda-feira, 21 de março de 2011

A Guerra segundo Tarantino

Quando rumores davam conta que Quentin Tarantino dirigiria um filme sobre a Segunda Guerra Mundial, com Brad Pitt no papel principal, o mundo dos cinéfilos balançou. Mentirosos e ansiosos fãs do diretor, postavam a todo o momento em blogs e outros sites de relacionamento seus “achismos” e suposições que, felizmente, caíram por terra após o lançamento do longa.
Prever Tarantino é impossível. E com Bastardos Inglórios provou que seu talento para o inusitado é infindável ao mostrar sua visão brutal (de costume), tensa e sarcástica sobre a maior guerra da história e seus principais personagens.


A desconstrução histórica proposta pelo diretor, lhe permitiu uma nova visão, centrada em uma vingança arquitetada por uma jovem judia contra um oficial nazista que assassinara sua família. Entretanto, o roteiro não é tão simples assim.


A todo o momento o diretor dá a entender que o jovem Shoshanna seria toda a humanidade, e o oficial nazista, incorporado de forma brilhante pelo austríco Christhop Waltz, o nazismo em si. E mesmo Tarantino estaria saciando sua própria sede de vendetta, provavelmente na pele de Aldo Reiner, personagem que mais retrata o pensamento justiceiro e excêntrico de seu criador.


A articulação na montagem, característica que o consagrou em Pulp fiction, se faz presente, bem como a crueldade brutal e divertida de Cães de Aluguel. Outra característica “tarantinesca” é o Hans Landa de Waltz, que assim como o intrépido Jules de Samuel Lee Jackson em Pulp Fiction, e o frio e poético Bill, interpretado pelo falecido David Carradine na franquia Kill Bill, se tornou um adorável algoz, e um mito.


Mas o que faz do filme tão bom se tem os mesmos elementos que compunham o universo dos anteriores? Fica a dúvida. Pode ser pela sede de vingança da humanidade contra o maldito Nazismo, ou simplesmente pelo poder de inovar e desconstruir, conceitos inerentes ao diretor que o torna irresistível.

Contudo fica apenas a certeza que Tarantino deixou de ser um obelisco do cinema Cult contemporâneo, para também se firmar entre as massas comedoras de pipoca. O que é essencial para evitar que seu fim não seja igual ao de Stanley Kubrick, que fez um cinema inovador e de qualidade, criticado por alguns, aplaudido por outros e desconhecido por muitos.

sexta-feira, 18 de março de 2011

As escolhas de uma mulher atual

O mundo é feito por escolhas, algumas fáceis outras difíceis, mas em geral, a maioria não nos dão o direito de saber o que será certo ou errado. E as escolhas de Jenny Millar em Educação, faziam parte deste léxicodas quais estamos propensos a não saber do que nos aguarda. Porém, esse poder de escolher, mesmo que fosse o caminho errado, pode ter sido a melhor coisa que já aconteceu para as mulheres.


Levando-se em consideração que o mundo não passa diretamente em uma película cinematográfica, uma menina de dezesseis anos pode se enganar facilmente com um mundo ao qual os atalhos possíveis parecem sedutoramente mais acessíveis. As pessoas não tem medo de viver, mas tem um medo crônico de não o fazer, o que de certa forma torna a condução da carruagem um tanto mais complicada.


A menina se via mulher, e muito mais sensata que os devaneios juvenis de que a consevadora Inglaterra da década de 60 lhes permitia. O destino quase certo de todas as mulheres, já começava a se esfacelar com a revolução, que para o bem da humanidade, estava prestes a acontecer. O ser mulher se tornava motivo de orgulho, e não uma lamúria ou um carma. Os tempos traziam boas-novas às mulheres por todo o planeta. Suas escolhas deixariam de ser apenas um direcionamento para qual área da casa se especializaria em cuidar, se tornando tão importantes para a humanidade como qualquer escolha humana.


Apesar de ter se enganado em sua escolha, a jovem Jenny fez o que qualquer mulher, ou melhor, qualquer ser humano tem o direito de fazer, escolheu. Se nos farão bem ou mal, isso não cabe a ninguém prever, mas o importante é que tenhamos o poder de decidir o que nos aparentemente melhor. Em Educação, podemos acompanhar o nascimento de uma mulher da qual lidamos nos dias atuais. As que amam, odeiam, vivem, sentem, erram ,acertam, e o mais importante, que escolhem seus próprios caminhos.

Educação (An Education, 2009), Dirigido por Lone Scherfig, com Carey Mulligan, Peter Saarsgard, Alfred Molina e Dominic Cooper, Drama, 95 min.

quinta-feira, 17 de março de 2011

No final venceu a tradição

A vitória ou o triunfo de O discurso do Rei confirmou a teoria de que nem sempre podemos nos apoiar na premissa do Globo de Ouro. O belíssimo filme dirigido pelo também premiado Tom Hooper desbancou no final o badalado A rede Social. Para os que afirmavam que desta vez um trhiler inovador superaria o tradicionalismo só restou o amargo vazio de abdicar do trono da certeza. Embora o drama adolescente merecesse o status que conseguiu antes do Oscar, ficou evidente que para entrar na história do cinema é preciso um algo a mais. Algo apresentado pelo vencedor e que pendeu decisivamente para seu lado. A tradição. Não somente por seguir os moldes tradicionais do cinema hollywoodiano com uma produção bem mais orcamentada,um marketing bem melhor conduzido pelos profissionais do ramo, e um elenco bem mais qualificado e experiente. A tradição se reflete fundamentalmente na profundidade do roteiro que a exemplo de seu rival também trata de relações humanas. A diferença está na forma como se descreve estas relações atemporais entre amigos. Começamos pelo conceito da palavra AMIGO. Este cada vez mais esquecido em sua essência à medida que se define pelo avanço da tecnologia ao longo dos tempos. A invenção do facebook,fato retratado no filme adolescente,correios eletrônicos (e-mails),os chamados orkuts e até mesmo o mais simplório como o telefone,acabou por criar uma distância,um abismo entre as pessoas em suas redes sociais.O olho no olho,o calor de um simples aperto de mão,um abraço.Tudo se perde gradativamente neste mundo cibernético,frio e superficial.Adicionar uma pessoa no seu perfil usando as teclas de um computador sem nem mesmo conhecê-la,saber dos seus medos e anseios,compartilhar de cada gesto e de seus sonhos ,oferecer um ombro amigo para consolá-la,era algo inconcebível no século passado.
No século de George e Lionel. Pessoas de classes sociais e posições totalmente distintas que se unem por um forte laço de amizade caracterizado pela convivência e troca de experiências positivas para ambos. Laço que foi determinante para que o terapeuta conseguisse seu objetivo. Ajudar o Rei a reger uma nação através das palavras verbalizadas pelo discurso. Contato direto com milhares de pessoas. Bem longe de mouses e teclados que regem os conceitos de amizade nos dias de hoje. A vitória de O discurso do Rei deixa para nós a feliz constatação de que ainda não se perdeu por completo o fundamentalismo das redes sociais e acima de tudo humanas. Se no inovador A rede social amigos se caracterizam por pessoas desconhecidas e superficiais, no tradicional O discurso do Rei este conceito retorna à sua verdadeira origem longe dos facebooks e orkuts da vida.E assim para o bem de todos e felicidade geral da nação,diga ao povo que…no final venceu a tradição.




Em tempo : apesar das críticas,a apresentação do Oscar pela atriz Anne Hatawaay foi um dos melhores momentos da noite. Linda,carismática e engraçada ela conseguiu segurar o nervosismo inicial de uma principiante e à medida que a tensão baixava aumentava sua confiança nos brindando com um verdadeiro show no palco. Sua performance vem a afirmar que ela é hoje uma das maiores promessas de Hollywood. Pena que seu parceiro James Franco não correspondeu à altura se contrapondo à jovem atriz. Apesar de bonito e engraçado,o ator não conseguiu se recuperar
no show como fez sua colega. Uma pena! Talvez na próxima!

quarta-feira, 16 de março de 2011

O Vencedor (2010)

The fighter, 2010. Dirigido por David O. Russel. Com Mark Whalberg, Christian Bale, Melissa Leo e Amy Adams.

Nota: 8.5

Como se surpreender com um filme em que já sabemos o final antes mesmo de assistir? Uma pergunta aparentemente fácil, mas a maioria das pessoas não sabem dar um exemplo sequer. Algo esperado que tem o poder de emocionar, é o que se define o longa O Vencedor. Uma história verídica de um ex-lutador de boxe que deposita em seu irmão mais novo, a esperança de dias melhores.
 
É um tema batido. Podemos citar diversos filmes com a mesma premissa e com o desenrrolar semelhante. Desde o clássico O Campeão, de 1938, muitos lutadores de boxe já passaram pela telona para no começo apanhar, dos adversários e da vida, para depois, no fim de tudo, conseguirem a redenção. Passando por Rocky, Um lutador, 1976, grande vencedor do Oscar, Touro Indomável, 81, chegando até A luta pela esperança, em 2003, o roteiro parecia se esgotado, sem perspectiva de atrair o público. E muito disso se deve à cinco maçantes continuações de Rocky, que fez do tema banal e repetitivo.
 
Mas os fãs de boxe deram sorte. Com uma história real baseada na vida de Dicky Ecklund, o diretor David O. Russell conseguiu fazer algo repetido, mas não banal. Diluiu o tema em uma situação complexa, aonde as relações pessoais do lutador, Micky, interpretado por um esforçado Mark Whalberg, poderiam destruir sua carreira. Na verdade toda a luta era contra o dominio que todos exerciam sobre ele, tinha de se libertar e não os abandonar.
 
David O. Russel mantém o foco nos personagens, e dá espaço para que todos tenham sua cota de importância na história e na vida de Micky. Se não faz extravagâncias nas mudanças de uadro, ao menos é fiel em sua essência e mantém as emoções à flor da pele. Ora nos divertimos, outras nos sentimos tocados pela alegria de Dick em ver no irmão sua segunda chance. Uma família disfuncional, mas que nos diz muito.
 
Esse apelo foi a chave do sucesso do filme. Diferente de outros já citados, o roteiro nivelou a importancia de cada personagem dentro da história. Por isso conta com duas atuações excelentes, de Meliisa Leo e Amy Adams, e uma espetacular, de Christian Bale. O interesse de todos era não somente na conquista de Micky, e sim uma conquista coletiva. Essa interação quase folhetinesca dos personagens nos deu a oportunidade de perceber a vida de desilusão e miserável que todos tinham. Não lhes restando nada a não ser se unirem em prol de um bem maior.
 
O filme pode parecer piegas, e certamente é. Entretanto nunca é demais ver uma pieguice bem feita, aquela que retrata uma realidade que parece forçação de barra, e que peca pelo massivo, e outras maiores considerações. Contudo o cinema também é emoção, riso, choro, lágrimas, e tudo isso junto fazem de O Vencedor um filme imperdível.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Vencedores e não-vencedores do Oscar 2011

E foi-se mais uma noite do badalado prêmio da Academia. Uma noite marcada pelo carisma de Anne Hathaway, a bela participação do mito Kirk Douglas, e principalmente pelo equilibrio das produções concorrentes.

Foi, com certeza, a melhor noite da glamurosa festa do Oscar dos últimos tempos. Para começar, o carisma da lindíssima Anne Hathaway compensou a evidente falta de jeito de James Franco. Esse se mostra bem melhor atuando do que apresentando. Outro momento maravilhoso foi a participação mais do que especial de Kirk Douglas. O monstro sagrado de hollywood esbanjou bom humor, mesmo com a dificuldade proporcionada pela sua avaçada idade. Até ensaiou uma cantada em Hathaway, que por sinal estava merecendo.

Mas indo ao que interessa. As premiações exaltaram o grande equilibrio deste ano. Foi a disputa mais acirrada desde 2005, só que neste ano o nível dos longas era muito maior. A dificuldade de fazer apostas se confirmou quando A Origem venceu Fotografia, que parecia que ficaria nas de O Discurso do Rei, ou daria o primeiro prêmio a Roger Dickens por Bravura Indômita. Em todas as categorias técnicas que o longa de Chris Nolan disputou, essa era a que teria menos chances. Por falar em Nolan. Com as quatro premiações de A Origem (Fotografia, edição e mixagem de som e efeitos visuais), provou que a maior injustiça deste ano foi mesmo a sua ausencia da lista de indicados. Tim Burton provou que suas bizarrices são formidáveis, e seu Alice no País das Maravilhas, faturou Direção de arte e figurino.

Toy story 3 venceu em animação e canção. Na verdade foi um prêmio ao conjunto da obra, pois foi o grande perecursor da categoria. O documentario meio-brasileiro Lixo extraordinário mostrou que sua extraordinária indicação já havia sido suficiente, parabéns.

Nas categorias principais, quase nada mudou, porém o fato de A Rede Social ter vencido montagem e David Fincher perder para Tom Hooper em diretor foi curioso. Mas não injusto. Os coadjuvantes se mantiveram firmes, já que Christian Bale e Melissa Leo ( O Vencedor) venceram praticamente todos os prêmios anteriores. Natalie Portman foi honrada merecidamente e Colin Firth se vingou de Jeff Bridges, seu algoz do ano passado, e subiu a palco para receber o prêmio e fazer um belo discurso. Esse, no entanto, sem gagueijar.

Confira a lista completa dos vencedores:


Melhor filme
“O Discurso do Rei”

Melhor diretor
Tom Hooper – “O Discurso do Rei”

Melhor ator
Colin Firth – “O Discurso do Rei”

Melhor atriz
Natalie Portman – “Cisne Negro”

Melhor ator coadjuvante
Christian Bale – “O Vencedor”

Melhor atriz coadjuvante
Melissa Leo – “O Vencedor”

Melhor roteiro original
O Discurso do Rei”

Melhor roteiro adaptado
“A Rede Social

Melhor longa-metragem de animação
“Toy Story 3″

Melhor direção de arte
“Alice no País das Maravilhas”

Melhor fotografia
“A Origem”

Melhor figurino
“Alice no País das Maravilhas”

Melhor documentário (longa-metragem)
“Inside Job”

Melhor documentário (curta-metragem)
“Strangers no More”

Melhor edição
“A Rede Social”

Melhor filme de língua estrangeira
“In A Better World” (Dinamarca)

Melhor trilha sonora original
Trent Reznor e Atticus Ross - "A Rede Social”

Melhor canção original
“We Belong Together”, de “Toy Story 3

Melhor curta-metragem
“God of Love”

Melhor curta-metragem de animação
“The Lost Thing”

Melhor edição de som
“A Origem”

Melhor mixagem de som
“A Origem”

Melhores efeitos visuais
“A Origem”

Melhor maquiagem
“O Lobisomem”

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Alto nível na disputa pelo Oscar, ainda bem!

Em 2011, a cerimônia do Oscar com certeza terá o melhor contingente de bons filmes dos últimos anos. Só na lista dos dez indicados a melhor filme, podemos facilmente tirar três que venceriam em outros anos, como também outros cinco ou seis teriam vaga cativa entre os finalistas.

O Discurso do Rei, A Rede Social e Bravura Indômita são grandes filmes, que tem o azar de se enfrentarem, enquanto em outras ocasiões, produções como Os Infiltrados, um bom filme, mas sem grandes qualidades para ser o “melhor”, venceu sem problemas. Azar deles, sorte nossa. Pois este ano estão sendo interessantes as apostas entre amigos ou em sites do gênero. Além disso, as principais produções estão chegando aos nossos cinemas a tempo de tirarmos nossas próprias conclusões.

Quem vencer será marcado como o filme que triunfou na disputa mais acirrada dos últimos tempos. Quem perder será lembrado por fazer parte da lista que tinha os melhores. Entre vencedores e perdedores quem ganha é o Cinema. Mostrando que é capaz de fazer filmes que podem levar milhares às salas de cinema, com a qualidade de se credenciar a receber um Oscar.

E o Oscar não vai para...



Rubens Ewald Filho: O Discurso do Bobo da corte


No último dia 30 de Janeiro aconteceu a entrega do prêmio Sag’s, onde os próprios atores elegem os melhores da TV e do cinema. Nenhuma surpresa dentre as premiações que por fim acabou sendo uma extensão do Globo de Ouro.

No entanto quem roubou a cena não foi nem Cristian Bale, muito menos Melissa Leo, melhores coadjuvantes da noite,e sim um palhaço que se acha a estrela principal desta corte glamurosa. Trata-se do crítico de cinema Rubens Ewald Filho que comentava o evento com tamanha soberba que dava a impressão de que se encontrava em seu trono particular olhando por baixo os pobres plebeus em sua vasta ignorância. A cada categoria apresentada o comentarista destrinchava seus voluposos comentários com uma minúcia irritante. E isso quando não destilava seu veneno, digno daqueles programas vespertinos de fofocas, pra cima das celebridades quando estas eram focalidas pelas lentes das câmeras.

Um Rei discursando para uma plebe, que ao seu entendimento, se via totalmente desprovida de qualquer tipo de cultura cinematográfica. Um Rei absolutista detentor da única opinião válida da noite, independente das infinidades de bobagens que possa saltar de seus lábios. A gota d’água ou o fim da picada (chamem como preferir) foi criticar, emanado com alto teor de deboche, a atriz Winona Ryder, uma das concorrentes ao prêmio de melhor atriz da TV. Ao dizer que ela é uma péssima atriz ele não só se equivocou como também deixou transparecer sua fragilidade de grande conhecedor do cinema. Como pode uma atriz com formação no teatro, vencedora do Globo de Ouro, com duas indicações ao Oscar e com o privilégio de ter trabalhado com os todos os maiores diretores do cinema atual ser considerada uma péssima atriz? Será que nosso “Rei” não parou para analisar o vasto currículo de sucessos de Winona? Ou ele desconhece a trajetória de uma das mais comprovadamente talentosas atrizes do cinema e agora da TV?

E para completar seu pequeno número, coloca a introspectiva Claire Danes como o seu grande exemplo de boa atriz. Ora, uma coisa é você ESTAR uma boa atriz outra bem diferente é você SER uma boa atriz. Esta é a diferença de Claire para Winona. A segunda já provou por diversas vezes que merece estar no hall das melhores do cinema enquanto a primeira ainda engatinha atrás de seus passos.
Depois deste lamentável equívoco fica evidente que o crítico não sabe discernir entre sua opinião pessoal da profissional e que precisa rever seus conceitos ao tecer qualquer tipo de comentário daqui pra frente. Que ele não goste de Winona ou desaprove seu comportamento na vida pessoal é até aceitável, afinal, existe uma lista de atores e atrizes dos quais não me simpatizo. Contudo para uma pessoa formadora de opinião a responsabilidade com a veracidade dos fatos tende a ser desproporcional em relação a qualquer outro. Ir de encontro a isso por pura arrogância ou questão pessoal é como deixar que um iceberg surja de repente à sua frente sem que se aja tempo de virar o timão. Assim sendo não restará para ele nem Reis, Rainhas ou Princesas neste grande Reino da Sétima Arte. Apenas um papel de coadjuvante que lhe cai feito uma luva e talvez lhe renderia até um Oscar. ”The Oscar go is to…O Bobo da Corte!

DICAS DO BLOG

VALE A PENA ASSISTIR:

O Direito de amar (A single man, 2009)
Drama. Com Collin Firth e Julianne Moore

Dilacerado pela morte de seu companheiro de longa data em um trágico acidente, professor universitário tenta manter as aparências. No entanto num dia específico
em 1962 ele se vê no limite de sua vida. O filme é indicado especialmente para aqueles que apreciam excelentes atuações. Firth está impecável numa interpretação única que lhe rendeu uma justa indicação ao Oscar de Melhor Ator. E sua parceria com (a sempre ótima) Julianne Moore rende bons mo-mentos no longa.

DESLIGUE O DVD:

Os Mercenários
Ação
. Com Silvester Stallone e a terceira idade dos filmes de ação
Guerrilheiros considerados dispensáveis enfrentam uma quadrilha de traficantes chefiada por um ditador na América do Sul.

O filme parece mais uma tentativa de Sly se aventurar na comédia depois de tantos fracassos no gênero. A parceria com o truculento Jason Stathan no que era para ser cômica, é um dos piores momentos do trhiller, que ainda tem o visivelmente cansado Dolph Loudgreen, ofegante a cada frase pronunciada. O encontro com Scwarzenegger e Bruce Willis é outro ponto alto da ridicularidade quando os fortões tentam ser engraçados. Patético! No final a clássica cena do bandido ameaçando a mocinha (a brasileira nascida no México - Gisele Itié) com uma arma na cabeça e a falta de conteúdo é suprida por uma série de explosões espetaculares e incompreensíveis até mesmo pelos maiores fãs de Sly em qualquer gênero. Uma verdadeira bomba cinematográfica!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O Discurso de Firth

Se receber o Oscar de melhor ator no domingo, Colin Firth provavelmente começará seu emocionado, ou não, discurso dizendo que jamais imaginara ganhar tal prêmio, e que trabalhou muito para chegar ao feito e blá, blá, blá. Mas a verdade é que as palavras já decoradas podem ser autênticas em alguns casos, como no de Firth.


Depois de se destacar no telefilme Orgulho e Preconceito, 1995, o ator trabalhou bastante até chegar à fama ao lado de Renee Zellweger em O diário de Bridgit Jones, onde apesar de seu esforço, esteve apenas no mesmo nível do apático Hugh Grant. Desfilou por diversos filmes de pouca expressão até conseguir um bom papel. No razoável Moça com brinco de pérola, 2003, o ator teve um bom desempenho ao lado da beldade Scarlet Johansson, o que lhe rendeu algumas boas críticas.

Mas seu destino mudou quando foi convidado a interpretar um "viúvo" no drama O Direito de amar, onde teve atuação formidável, arrancando aplausos do público e fazendo a crítica deixar o preconceito de lado e enxergar sua belíssima interpretação. Aproveitando sua excelente forma, mergulhou fundo no longa de Tom Hopper, O Discurso do Rei, revivendo o drama do Rei George VI, que por um problema com a fala, temia ter de discursar em público. Firth não imita um gago, ele simplesmente se torna gago aos olhos do público e tendo ao seu lado o experientíssimo Geoffrey Rush, mostra ao cinema todo seu potencial em uma das melhores atuações dos últimos anos.

Se ganhar o Oscar, Firth poderá começar seu discurso dizendo jamais ter imaginado estar ali, com certeza será de verdade. E verdade também que sempre foi um bom ator esperando o papel certo de clamar a todos seu discurso. Que venha então "O discurso de Firth".