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domingo, 21 de setembro de 2014

10 Filmes inesquecíveis de minha infância

Bem, não é de hoje que gosto de assistir a filmes. Desde o final dos anos 80 até os meados dos anos 90, assistia a vários deles nas Sessões da tarde e Supercines da vida. Histórias divertidas, que mesmo bobinhas carregavam a inocência de que estava engatinhando pelas veredas do cinema. Claro que o senso crítico aqui deixou muito a desejar em algumas produções. Mas podemos cobrar algo de quem apenas estava procurando entretenimento?

1 - Loucademia de Polícia (Police Academy, 1984)

Antes de Premonições, Jogos mortais e outros tantos filmes ter continuações homéricas por aí, Steve Gottenberg estrelou o primeiro dos filmes que deram certo de primeira e ganharam várias sequências. A história é sobre um grupo de civis autuados que como cumprimento de uma Lei tem que parar numa Academia de Polícia. O objetivo era de se regenerarem, ou na melhor das sortes, surgirem novos policiais. Lá dentro, as confusões rolavam soltas com todos contra o terrível Capitão Harris (G.W. Bailey). O sucesso do filme foi tanto que ganhou uma versão em desenho animado. 


   
    2- Sheena – A Rainha das Selvas (Sheena, 1984) 

   Não, não é a personagem imortalizada pela neo-zelandesa Lucy Lawless. Aqui ela foi concebida como uma versão feminina do Tarzan, e não do Hércules. A bela Sheena interpretada por Tanya Roberts cresceu órfã tornando-se uma garota selvagem e corajosa em terras africanas. De espírito livre e amante da natureza, tinha o Dom de conversar com os animais e quando vê seu território invadido por homens brancos, inicia uma guerra em favor da natureza. Sheena e suas longas madeixas loiras e seu vestuário rústico, foi uma das minhas primeiras heroínas do cinema.


    3 - As minas do Rei Salomão (King Solomon’s mines, 1984) 

Também baseado em um livro e uma refilmagem do clássico dos anos 50, aqui vimos o aventureiro Allain Quartemain (Richard Chambelain) tendo de guiar uma bela jovem (Sharon Stone) pelas inexploráveis terras em busca de seu pai. O velho teria a localização exata das famosas Minas do Rei Salomão, local que segundo a Lenda guardaria incontáveis riquezas. E claro, os vilões que o haviam sequestrado também queriam botar a mão em toda esta riqueza. Com uma forte influência das aventuras míticas de Indiana Jones, o filme serviu como um bom entretenimento, mas longe do apelo dos clássicos filmes de Harrison Ford. 


4- O enigma da pirâmide (Young Sherlock Holmes, 1985) 

O mítico detetive criado por Sir Arthur Conan Doyle ganha uma versão jovem nesta aventura que mistura diversão e suspense. Ainda estudante, Sherlock Holmes (Nicolas Howe) adora desafios e quando um deles se torna real, começa uma incrível resenha de pistas, mistério e sensações que te prendem do início ao fim quando pessoas são assassinadas devido a alucinações com dardos envenenados. Produzido por Steven Spielberg e com roteiro de Cris Columbus, o filme foi indicado ao Oscar de melhores efeitos especiais em 1986.



         5 - Deu a louca nos monstros (The Monster Squad, 1987)

       O diretor Fred Dekker tentou unir a fértil imaginação infantil e seus causos sobre os mais terríveis Monstros com o famoso Clube de Monstros, febre dos programas infantis da época. Quem foi criança neste tempo, sempre se colocou no lugar dos jovens heróis que tiveram de deter Drácula, Frankestein, Lobisomem, A Múmia e o lendário Monstro da Lagoa Negra. O filme foi claramente uma alusão, homenagem, aos clássicos Monstros da Universal, pois não assustavam ninguém hoje e nem na época. Apenas um bom divertimento para quem se sentia herói. 

       
      6 - He-Man e os Mestres do universo (Masters the of Universe, 1987) 

He-Man era um dos desenhos mais famosos da época e como acontece hoje, ganhou uma versão nos cinemas. No papel do fortão defensor de Etérnia tivemos Dolph Lundgren que ecoou o seu eterno “Eu tenho a força!” contra o vilão Esqueleto (Frank Langella). O filme pode até ser piada hoje, com um roteiro absurdamente risível, mas na época era uma boa pedida pra quem acompanhava vibrante suas aventuras na TV e esperava ansiosa suas reprises. 



         7 - Willow, na Terra da Magia (Willow, 1988) 

O livro é de George Lucas e a direção é de Ron Howard, nomes de peso na Indústria cinematográfica. Portanto, dá até para imaginar o porquê dessa obra ser lembrada até hoje como uma daquelas em que a magia verdadeiramente entrava no coração das crianças. Willow (Warwick Davis) era um jovem aprendiz de Feiticeiro que morava numa Vila pacata que lembra a Vila dos Hobbits, de O Senhor dos Anéis. E como eles, teve sua própria aventura para proteger uma criança inocente de uma Rainha perversa.



               8 - Lady Repórter (Female repórter, 1989) 

Cynthia Rothrock ou Bruce Lee de saias, somou-se ao gênero mulher que troca socos e pontapés com os marmanjos. Foi exibido muitas vezes numa época boa da Sessão da Tarde e claro, logo se tornou uma referência para as mulheres que “mandavam ver” ou queriam mandar quando crescessem, como eu na época. Neste intrigante filme do gênero ela interpreta Cindy, uma jornalista que se envolve numa investigação de um crime de alta sociedade e logo se torna alvo de várias tentativas de assassinatos. Claro, todas fracassam diante da Super Lady Repórter.


         9 - Aracnofobia (1990) 

Frank Marshall dirigiu este Thriller de suspense que contou com John Goodman, Julian Sands e Jeff Daniels no elenco. As outras estrelas, as aranhas, vieram da Nova Zelândia e eram inofensivas aos atores. Tudo começa quando um médico aracno fóbico se muda com a família para o interior e logo descobre que o lugar está infectado por aranhas letais. A cidade fica tomada pelos aracnídeos e o pavor aos telespectadores que começam a espreitar cada centímetro de sua casa e mal conseguem andar por ela à noite.



      10 - Xuxa – Lua de cristal (1990) 

A então Rainha dos baixinhos protagonizou mais um de seus filmes no início dos anos 90. Aqui Xuxa viveu Maria das Graças, uma garota sonhadora que sai de sua casa provinciana para tentar o estrelato na cidade grande em um concurso de música. Uma versão do conto da Cinderela, com direito a tia má (Marilu Bueno), prima invejosa (Julia Lemmertz) e Príncipe Encantado vivido por Sérgio Malandro.  E sim, eu torcia para que eles ficassem juntos também na vida real! O filme teve uma das maiores bilheterias do cinema nacional.

sábado, 13 de setembro de 2014

Crash: no limite entre drama e reflexão

Crash – no limite (Crash, 2005), 
Direção: Paul Haggis.
Com Sandra Bullock, Brendan Fraser, Matt Dillon, Don Cheadle, Terence Howard e Ryan Phillipe. 

Nota: 9

Há quase uma década atrás, o diretor Paul Haggis nos brindou com um daqueles filmes que traz um resquício consequente dos atentados do 11 de Setembro. Momento significativo da história mundial em que o país mais poderoso do mundo na época, percebeu o quanto pode ser vulnerável contra a violência como qualquer outro. Depois que as Torres que sustentavam este Pilar megaeconômico caíram, os EUA tiveram que arranjar alguém para culpar. E esse alguém, ou melhor, alguéns, foram pessoas de diferentes culturas e nacionalidades que passaram a ser pressionadas pelas autoridades. Foi o que chamamos de paranoia seletiva.

Aproveitando dessa brecha, Haggis escreveu uma obra que trata exclusivamente de preconceito em todas as suas tramas. Um emaranhado de histórias começa a se desenvolver e depois se colidem em seu roteiro fascinante. Tudo começa com o roubo do carro do Promotor da cidade, o bonitão Rick (Brendan Fraser). Rick e sua mulher Jean (Sandra Bullock) são representantes da elite branca do filme, que para fugir do rótulo, tentam ser complacentes na rua com a dupla de assaltantes negros. Em vão. Os dois amigos rodam pela cidade aprontando todas e se envolvendo em muitas histórias, até que um deles é morto pelo policial Hanson (Ryan Phillipe). Um jovem idealista branco que só quer ser um bom policial acima de tudo e por isso desaprova os métodos antiprofissionais de seu parceiro Ryan (Matt Dylon), como por exemplo constranger uma mulher negra (Thandie Newton) diante de seu marido, o submisso diretor de TV (Terrence Howard) durante uma blitz. No decorrer de toda a história, Hanson irá descobrir que em Los Angeles não há nenhum lado certo ou errado e que todos estão sujeitos a atravessar a linha tênue que separa estes dois lados.

Assim horas depois, enquanto Ryan salvava a vida da mesma mulher que havia constrangido, Hanson se vê numa situação tensa e depois complicada após dar carona para um jovem negro, irmão do Detetive orgulhoso Graham Waters (Don Cheadle). Impulsionado pelo medo, ele acredita que será atacado pelo jovem quando este leva a mão no bolso. Então o policial exemplar age por impulso atirando na cabeça do seu possível algoz. Sua convicção de princípios cai por terra quando percebe que o jovem trazia consigo não era uma arma de fogo e sim uma imagem de São Cristóvão, o padroeiro dos viajantes, a mesma que ele tinha em seu carro. Um erro absolutamente e absurdamente comum naqueles tempos, porém fatal para a queda de alguns preceitos.

O policial Hanson em dois momentos:
como o policial boa praça e o assassino de um negro 

Todas as tramas que se sucedem paralelas, retratam com exatidão tudo que nos mostra a história construída por diferentes civilizações e depois de uma tragédia, moldada pelo preconceito, o ato de se julgar alguém sem ao menos conhecer. Afinal, até que ponto você mesmo se conhece? É isso que impulsiona os mais de 110 minutos de um filme brilhante, com uma mensagem bem clara para os EUA e para o mundo. Não há uma atuação arrebatadora que seja digna de indicação ao Oscar - embora Matt Dylon tenha sido contemplado com isso - e muito menos de levar pra casa a estatueta, o que não aconteceu. A meu ver de forma justa. As interpretações do elenco são formidáveis de forma linear, afinal, em um monte de histórias, ninguém poderia se sobressair mais que o outro, senão correria o risco de deixar a massa desandar. Inclusive aqui, Bullock já dava sinais de seu talento para o drama.

Indicado ao Oscar em 6 categorias em 2006, sendo vencedor de 3, incluindo Melhor Filme, Crash, que em português de Portugal tem o pertinente título de Colisão, é uma daqueles filmes feitos especialmente para assistir, gostar e depois da belíssima canção In the deep, refletir. Não chega a ser uma obra-prima de padrões colossais, mas cumpre com competência aquilo que é exigido. Desmembrar as reações, interações humanas de diferentes ângulos e âmbitos em uma realidade multicolorida e complexa: negros, brancos, muçulmanos, asiáticos, latinos, pobres, ricos. Nisso se torna um filme imperdível e inesquecível para as várias épocas e seus limites da intolerância. 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Ben-Hur: Uma obra-prima que transcende o tempo e os limites do espetáculo!


Ben-Hur, 1959. Dirigido por Willian Wyler. Com Charlton Heston, Stephen Boyd, Jack Hawkins, Frank Thring, André Morell e Sam Jaffe.

Nota: 10

Já havia assistido a este filme épico algum tempo atrás. O idioma era em inglês, portanto eu o vi legendado. E convenhamos que uma obra que tenha quase 4 horas de duração, assistir tendo que ler as legendas, é um tanto quanto complicado e fatalmente caímos na armadilha de perder algum detalhe que possa ser grande para o total entendimento. Hoje, 5 anos depois, tive a oportunidade de revê-lo em nosso idioma e o fascínio continuou o mesmo. 

Primeiro sucesso do cinema a faturar 11 Oscar, Ben-Hur conta como a história do Cristo se fundamentou no embate antigo da linha tênue entre o ódio e o amor

“Um conto do Cristo.” Assim são abertos os créditos iniciais de um épico grandioso que traça um paralelo interessante entre dois personagens inesquecíveis dentro da história, cada qual a seu modo.

Judah Ben-Hur (Charlton Heston), um aristocrata judeu de grande influência econômica na Região, viu sua vida desmoronar após um incidente com o novo Governador do Estado da Judeia, que na época estava sob o Poder do Império Romano. Sua mãe Miriam (Martha Scott) e sua irmã Tirzah (Cathy O'Donnel) foram condenadas com ele injustamente a uma vida sub-humana nas masmorras romanas. A desesperança começou a transformar seu coração em uma rocha sólida à procura de vingança contra um inimigo inesperado.

O inimigo era o romano Messala (Stephen Boyd), após uma bem sucedida campanha pelo Império Romano, volta a Terra onde cresceu ostentando um posto considerável. Para fortalecer a dominação romana no território, Messala faz uma proposta ao amigo de infância. Ben-Hur teria de ajudá-lo na missão de restabelecer a ordem na região judaica que transpirava fanatismo religioso à espera do Messias. O romano rogava em nome da velha amizade para sustentar as muitas questões políticas da época. No entanto, Ben-Hur não concordava com os métodos nada ortodoxos do Império Romano para estabelecer esta ordem. Ele preferiu continuar sendo um judeu autêntico do que trair seu povo, mesmo em nome da amizade. Diante desta recusa, o oficial romano usa um incidente com o Governador como represaria. A casa de Hur era a mais forte da região, portanto, puni-la era como sufocar quem ousasse levantar a mão contra o poder de Roma. Assim começa a saga de Ben-Hur que passa a viver do ódio para alimentar sua força como escravo em um navio de Guerra. 

Enquanto isso, o Império Romano continuava sua saga de escravização e punições contra seu povo. A situação se tonara insustentável na Região e rebeliões dispersas eram facilmente sufocadas. Até que surgiu um filho de carpinteiro da região da Galileia, chamada Nazaré, que teria a missão de reunir o povo e marchar para a tão sonhada liberdade. Seu nome era Jesus e conduzia uma multidão de seguidores por todos os lados, proclamando o Evangelho com base no amor incondicional ao próximo em meio a muitos milagres. Seu nome ecoou tão forte que rapidamente foi denominado o Messias, ou seja, aquele que libertaria os filhos de Israel da opressão. Como consequência, tornou-se uma ameaça em potencial ao Sistema que imperava. O mesmo sistema que condenou Ben-Hur aos navios de Guerra. E foi lá que ele encontrou uma saída considerável para retornar e enfrentar Messala. 

Depois que um dos navios da frota é atacado por bárbaros, Ben-Hur liberta os escravos, além de ter tempo de salvar a vida do Cônsul Romano responsável pela missão. O espírito do escravo 41 havia chamado a atenção do Cônsul, que viu nele a mesma força de seu filho morto. Quintus Arrius (Jack Hawkins) adotou o escravo judeu como seu filho e voltaram triunfantes para Roma. Como o filho de um Cônsul ele teve a oportunidade de recuperar a sua e a Honra de todo seu povo por meio de uma tradicional corrida de Bigas. E o mais importante para ele. Se vingaria de Messala. Assim, se faz. Ben-Hur vence a corrida, recupera a dignidade e ainda descobre pelo amigo quase desfalecido o paradeiro real de sua família que considerava morta.

A corrida de Bigas: uma das cenas mais memoráveis
do cinema faz jus a sua fama de espetáculo
Após o duro golpe de saber que sua mãe e irmã contraíram Lepra, uma doença incurável nas prisões romanas, nele se desencadeia um sentimento que desconhecia até então. Nem mesmo o amor incondicional de Esther (Haya Harareet), tirou dele este desejo visceral. O Império Romano, entre tantos outros crimes, teria corrompido a alma de seu amigo. Sua sede de vingança só seria saciada com a queda do mesmo. A estas alturas, Ben-Hur era considerado o Redentor de seu povo depois de vencer Messala na corrida. O povo judeu o aclamava entre louros e aplausos. Naquela época, derrotar um romano na arena significava mostrar todo o poder dos outros homens. A fama e o poder consequente fortaleceram suas ambições de liberdade pelo poder da espada. Liderar uma rebelião a fim de terminar com a tirania em seu país. É neste momento que o filme ganha contornos espirituais com bases na figura de outro Redentor.

Dá para imaginar Jesus de Nazaré como apenas um coadjuvante numa história? Esta certamente foi a maior proeza do filme de William Wyler. Jesus não resplandece sua face na tela e muito menos menciona uma palavra sequer. Um relance de imagem é o suficiente para transcender sua presença no filme. Sua silhueta surge como o carpinteiro que se abaixa, humildemente, para saciar a sede de Ben-Hur caminhando na escravidão dos desertos. Um segundo encontro se faz quando o judeu retribui o gesto de caridade ao Cristo no caminho do Calvário.

Sem entender o porquê de aquele Homem Bom ter sido condenado à morte, Ben-Hur se viu na mesma situação tempos atrás. Ambos foram vítimas da injustiça. A diferença foi que enquanto o aristocrata pensou em usar seu ódio como arma, o carpinteiro pregou incessantemente o Amor como a única arma da verdadeira liberdade. Até mesmo nas horas de desespero, suas palavras serviram como alento a todos que ansiavam por esperança. O embate moral de Ben-Hur chega ao limite da condição humana, quando o lado obscuro de sua alma se esvai diante do milagre das últimas palavras proferidas por Cristo na cruz. “Pai, perdoai-lhes, pois eles não sabem o que fazem”. “Eles” a quem se refere é diretamente ao sistema que o condenou à morte. O mesmo sistema que assolava seu povo.

Sentindo o poder das palavras de Cristo, a redenção de Ben-Hur salva as vidas de sua mãe e irmã curadas pela fé. “E senti a sua voz tomar a espada de minha mão”. As cenas finais são de uma grandeza hipnotizante. E não apenas pela questão espiritual, mas como coesão de toda a obra de quase 4 horas num delinear perfeito entre os elementos mais primordiais do cinema. Nem mesmo os ainda precários efeitos visuais (especialmente nas sequências da batalha marítima) destoam de uma obra-prima tão rica que não precisa nos hipnotizar com efeitos nauseantes que vimos hoje em dia.

Conhecido por interpretar personagens reais, Heston surpreende num papel fictício e ao mesmo tempo tão real que lhe deu o Oscar de Melhor Ator. Tão surpreendente quanto ver um Jesus somente pelo poder de sua presença subjetiva. Tão surpreendente quanto um filme de ação tratar com tanta humanidade um tema relevante a qualquer época. Sentimentos que ditam os caminhos pela alma humana e obriga cada ser humano a escolher qual curva seguir. Como uma corrida de Bigas, tomar as rédeas de seu próprio destino. Este é o ideal da verdadeira liberdade.

Que a força de Ben-Hur e o espírito de Cristo estejam sempre conosco!


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Footloose: 30 anos num ritmo louco

Ritmo louco (Footloose, 1984)
Direção: Herbert Ross
Com: Kevin Bacon, John Lithgow,
Sarah Jessica Parker e Lori Singer
                                          
Por William Santos

O tempo passa depressa, mas há 30 anos atrás estreava nos cinemas a versão original de Footloose (traduzido aqui no Brasil como Rítmo Louco). 

Na trama, após chegar de Chicago em uma cidadezinha do interior, o jovem Ren McCormack (Kevin Bacon) chama a atenção dos habitantes locais e desafia o intolerante reverendo Shaw Moore (John Lithgow), ao trazer a tona, o ato de dançar e se expressar corporalmente, algo que estava banido por muitos anos pelo reverendo (que possui extrema influência na cidade) devido a um acidente envolvendo jovens que curtiam Rock. 

O clássico acabou ganhando um remake em 2011

A grande mensagem que o filme transmite, é que não devemos reprimir nossos impulsos e deixá-los aparecerem quando se trata de dançar (que é uma expressão corporal).

Como em 2014, completa-se 3 décadas da estreia do filme original, Kevin Bacon recria uma cena clássica do filme. Veja o antes e o depois: 



Para finalizar essa nota comemorativa, veja uma sátira/homenagem ao filme Footloose, ao mesmo tempo que um convite a não ficar parado(a): https://www.youtube.com/watch?v=SfmUpCf5h4w

Dance! Se expresse corporalmente!!

sábado, 16 de agosto de 2014

Previsões para o Oscar 2015: Parte 1

Como é tradição, o cineposforrest faz uma análise dos filmes que foram e estão por ser lançados em 2014 para brincar com as possibilidades da mais badalada premiação do cinema mundial. Mesmo com as possibilidades de adiamentos para o próximo ano, alguns filmes são certeza, ao menos, os principais deles. Eis nossas previsões:

MELHOR FILME

Foxcatcher
Interestelar
Foxcatcher
Inherent Vice
Invencível
Garota Exemplar
Boyhood
Birdman
Whiplash
O Grande Hotel Budapeste
Caminhos da Floresta

Podem entrar:

Big Eyes
A Most Violent Year
Mr. Turner
Wild
Trash - A Esperança vem do Lixo

Por quê?
O filme de Bennet Miller foi muito bem recebido em Cannes, assim, sua vaga na lista é dada como certa. Interestelar de Nolan é um sci-fi dramático, coisa que a Academia anda valorizando. Com um filme mais "acessível" ao grande público, P. T. Anderson voltará a figura entre os finalista depois da inacreditável esnobada de O Mestre. Invencível é um filme de Jolie com a alma dos irmãos Coen, que assinam o roteiro e "emprestam" muitos de seus colaboradores. Boyhood é uma revolução! Birdman de Inarritu é um filme meio tresloucado, com humor peculiar, os acadêmicos amam. O Grande Hotel... é um dos melhores do ano, e apesar de Wes Anderson ser esnobado com frequência, esse é quase certo. Garota Exemplar é Fincher, que é ótimo, e cheira a Oscar. Caminhos da Floresta é um dos mais esperados do últimos anos pelo seu sucesso na Broadway, tem tudo para emplacar. E Whiplash virou uma febre entre os críticos, com elementos que a Academia valoriza. O Trabalho "sério" de Tim Burton pode surpreender, assim como o promissor JC Chandor. Mr. Turner de Mike Leigh pode ser uma grata surpresa, assim como Wild. Trash é a grande incerteza, mas se pintar entre os finalistas, não será surpresa, já que Daldry levou todos seus filmes à final! 


MELHOR DIRETOR
Richard Linlater

Bennet Miller - Foxcatcher
Christopher Nolan - Interestelar
Richard Linklater - Boyhood
David Fincher - Garota Exemplar
Paul T. Anderson - Inherent Vice

Podem entrar

Angelina Jolie - Invencível
Alejandro González-Inarritu - Birdman
Jean Marc Valeé - Wild
Wes Anderson - O Grande Hotel Budapeste
Stephen Daldry - Trash - A Esperança vem do Lixo


Por quê? Seu sucesso em Cannes parece primordial para que a vaga de Miller se garanta, tal qual aconteceu com Payne ano passado. Esta pode ser a chance de a Academia dar a Nolan a indicação que lhe foi privada injustamente em O Cavaleiro das Trevas (08) e A Origem (10), mais uma esnobada, será risco de manifestação em Los Angeles! Linklater faz o trabalho mais original e ousado do cinema em décadas, sua indicação será justíssima. Fincher foi incrível em A Rede Social (10) e merecia o prêmio. Seu cinema moderno e técnico é fava contada. PT Anderson foi incrivelmente ignorado por O Mestre (12), seu novo trabalho deverá ser mais "popular", logo, indicação à vista. Jolie vem crescendo atrás das câmeras e suas chances são maiores do que nunca. Inarritu e Wes Anderson vem de comédia, pouco aceita na categoria, mas o toque refinado de um e negro do outro, aumentam suas chances. Valeé se credenciou com o aclamado Clube de Compras Dallas, pode pintar! Daldry conseguiu 3 indicações na categoria de 4 filmes lançados, alguém duvida dele?


MELHOR ATRIZ



Julianne Moore
Julianne Moore - Map to the stars

Amy Adams - Big Eyes
Jessica Chastain - Miss Julie
Reese Whiterspoom - Wild

Helen Mirren - The Hundred-foot Journey 

Podem entrar:

Michelle Willians - Suite Française
Rosamund Pike - Garota Exemplar
Marion Cotillard - Two days, one night
Jessica Chastain - A Most violent year
Anne Dorval - Mommy

Por quê? Moore é uma espécie de Di Caprio versão mulher: é sempre ótima mas sempre ignorada. Sua estrela decadente e desbocada ao menos a vaga vai lhe assegurar depois da Palma em Cannes. Amy Adams tem um toque de excelência no olhar, e quando todos os olhos estão para si, não decepciona, sexta indicação nela. Jessica Chastain é uma das maiores revelações dos últimos anos, e com dois grandes papáis no ano, seu nome parece certo. Reese Whiterspoom ganhou o prêmio na única e merecida vez que foi indicada e de lá pra cá foi irrelevante. Mas, sozinha em cena, parece com atributos essenciais para voltar à lista. Mirren reveza com Judi Dench um lugar entre as finalistas. E como a segunda parece não dar as caras este ano.... Michele Willians é ótima, e a Academia sabe disso, seu nome segue forte. Cotillard está sempre entre os nomes fortes. Caso Macbeth estreie ainda este ano, suas chances dobram. Rosamund Pike é uma incognita, pois não se sabe se será lead ou não, e se seu desempenho surpreenderá. E Dorval dependerá da recepção de seu filme no circuito americano. Qualidade, sua atuação tem.

MELHOR ATOR

Michael Keaton
Timothy Spall - Mr. Turner
Steve Carrell - Foxcatcher
Michael Keaton - Birdman
Ralph Fiennes - O Grande Hotel Budapeste
Benedict Cumberbatch - The Imitation game

Podem entrar: 

Joaquin Phoenix - Inherent Vice
Oscar Isaac -  A Most violent year
John Lithgow - Love is Strange
Chadwick Bonseman - Get on up
Christoph Waltz - Big Eyes

Por quê? A Palma de ouro em Cannes para o ótimo Spall o tornou nome fortíssimo na corrida. Carrell parece finalmente ter um papel em que possa provar seu potencial, mesmo debaixo de muita maquiagem. Birdman pode ser o renascimento de Keaton, onde seu personagem pode até ser uma ode a ele próprio. Ralph Fiennes é outro que parece ter seu nome na lista negra da Academia, devido a tantas esnobadas, mas seu brilhante desempenho no filme de Wes Anderson não dá margem para injustiças. Cumberbatch é um dos mais promissores atores da nova geração, que se sai bem em qualquer gênero e personagem, e já passou da hora de cravar uma indicação ao Oscar. Phoenix tem uma relação de amor e ódio com a Academia, que diz odiar, mas sempre comparece. Sua parceria com PT Anderson foi uma das poucas coisas não ignoradas de O Mestre.Isaac mostrou potencial no ótimo Inside Llewyn Davis dos Coen, com um grande personagem, poderá chegar à lista final. Lithgow ficou tempos sem aparecer depois de 2 indicações no início dos anos 80, mas depois dos vários premios na TV com Dexter (09), voltou a grandes papéis. Waltz foi indicado duas vezes e venceu, precisa mais o que para levá-lo a sério. Bonseman é a grande interrogação. Pois pode ser amado ou odiado dando vida a um mito.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Jessica Chastain
Patricia Arquette - Boyhood
Anna Kendrick - Caminhos da Floresta
Viola Davis - Get on Up
Jessica Chastain - A Most Violent Year
Dorothy Aktinson - Mr. Turner

Podem entrar: 

Naomi Watts - St. Vincent
Meryl Streep - Caminhos da Florest
Kristen Scott-Thomas - Suite Française
Felicity Jones - Theory of Everything
Shohreh Aghdasloo - Rosewater

Por quê? As categorias de coadjuvantes são as mais difíceis de se ter uma noção do que acontecerá, porém, a trabalho conciso durante 12 anos de Arquette merecerá a indicação é a mais certa delas. Kendrick está sempre fazendo seus bons papéis que merecem estar na lista como em 50% (11), mas no promissor Caminhos da Floresta sua figura parece bem forte para conseguir uma vaga, apesar de ter a sombra de Meryl Streep, amada pela Academia, ao seu lado. Viola Davis está sempre em estado de graça nas telonas, e sua imponência pode até ajudar na recepção da cinebiografia de James Brown. Caso seu personagem em A Most Violent Year seja supporting, o nome de Chastain será forte até o último instante, e quem sabe, não teremos uma dupla indicação. Atkinson foi muito elogiada pelo seu trabalho ao lado de Spall, e os acadêmicos adoram boas atuações de britânicos. Watts é sempre candidata forte, e depois do fracasso de Diana, pode ter sua volta por cima. Streep é Streep. Kristen Scott-Thomas sempre passeia pelas proabilidades, mas seu novo papel pode lhe tirar do quase. Jones é uma jovem de talento a ser lapidado, e a Academia adoram dar uma indicação de "incentivo". Aghdasloo não é nome fácil em Hollywood, mas quando aparece é sempre notável, tem chances.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

J. K. Simmons
Mark Ruffalo - Foxcatcher
Channing Tatum - Foxcatcher
J. K. Simmons - Whiplash
Ethan Hawke - Boyhood
Albert Brooks - A Most Violent Year

Podem entrar:

Josh Brolin - Inherent Vice
Edward Norton - Birdman
Matthias Schoenaerts - Suite Française
Robert Duvall - O Juíz
Phillip Seymour Hoffman - A Most Wanted Man

Por quê? Bennet Miller tem tato para extrair tudo de seus atores, foi assim em Capote (04) e Moneyball (10), e parece que não é diferente dessa vez quando poderá emplacar uma dupla indicação na categoria. Sim, Tatum pode! Simmons é a alma de Whiplash, e dizem ser uma performance excelente! Hawke tem o mérito que o filme tem: manter-se conciso durante os 12 anos anos em que foi gravado, isso pode encantar os acadêmicos. Brooks merecia ter sido lembrado pelo seu desempenho formidável em Drive (10), mas esse "tour de force" pode lhe render a indicação este ano. Josh Brolin cresceu como ator e com PT Anderson tem tudo para voltar a disputar a estatueta. Duvall é raposa velha, que sabe-se lá por que foi ignorado por Get Low (09), mas agora volta forte e estar na lista é uma realidade. Schoenaerts vem ganhando cada vez mais destaque depois dos ótimos Bullhead e Ferrugem e Osso, estava precisando de um icônico para chegar ao Oscar. Agora tem. Norton é amado pelo público, mas a Academia parece não agradar de seu talento, tanto por sempre o ignorar, quanto por lhe ter negado o Oscar por A Outra História Americana (98). Pode ser a reconciliação. Hoffman infelizmente nos deixou, e como era habitué na premiação nos últimos anos, uma última indicação seria uma justa homenagem.


terça-feira, 29 de julho de 2014

Os 10 mais: Billy Wilder

Se tem um diretor que aproveitou demais sua condição de notável no mundo do cinema, este foi Billy Wilder. Um monstro sagrado que conquistou o respeito do público, da crítica, dos atores e dos chefões dos estúdios por sua personalidade afável e sua capacidade de trabalhar nos mais diversos gêneros. Tanto que em cada um conseguiu fazer um filme que figura entre os melhores da história. O cineposforrest listou os 10 imperdíveis da filmografia desse grande diretor, conhecido por alguns como “o grande mentiroso” do meio cinematográfico, mas que na verdade no deliciou com pérolas inesquecíveis.



10 – Sabrina (Idem, 1954)

Filha (Audrey Hepburn) de um motorista de uma família milionária se apaixona por um dos filhos (Humphrey Bogart) do patrão, que deve se casar com uma ricaça por conveniência. O irmão (Willian Holden) do rapaz tenta resolver a situação enganando a mocinha. Bela produção em preto e branco, uma espécie de Romeu e Julieta misturado com A Gata Borralheira, que ganha ainda mais em simpatia devida a graciosidade e ternura de Hepburn na fotografia sensível do brilhante Charles Lang. Wilder dá seu toque pessoal em seu filme mais amoroso, para ver curtindo a canção La vie em Rose, o humor e as doces lágrimas da heroína. Apaixonante.
 Cotação: 8,1

9 – Inferno Nº 17 (Stalag 17, 1953)

Em 1944, 630 sargentos da Força Aérea são prisioneiros alemães e todos seus atos são de conhecimento de seus raptores. Um sujeito cínico (Willian Holden) e que não acredita que asirão vivos do local é tido como um traidor pelos outros presos. Com roteiro de Wilder e Edwin Blum, adaptado de uma peça de teatro, o filme ganha o público com piadas políticas e raciais, além de contar com uma dupla inspirada formada por Robert Strauss e Harvey Lambeck para isso. Apesar de tudo ser previsível e o suspense desvalorizado, a direção de Wilder é novamente um primor mantendo o ritmo e segurando a trama quando parece que vai sucumbir. Um belo trabalho.
Cotação: 8,3

8 – Irma La Douce (Idem, 1963)

Um policial (Jack Lemmon) se apaixona por uma prostituta (Shirley McLaine) e, depois de contratempos, percebe que para manter o relacionamento deveria desenvolver uma dupla personalidade. Mais uma ótima comédia de Wilder, depois de grandes sucessos como Quanto mais Quente Melhor e Se Meu Apartamento Falasse, mantém a mesma fórmula do segundo, até com os mesmo atores principais. Os personagens são bem caracterizados e a comédia se desenvolve com uma visão simples e cativante. Destaque para o tema musical romântico de Margueritte Manot e André Previn.

Cotação: 8,4

7 – Testemunha de Acusação (Witness for the Prosecution, 1957)

Um velho advogado (Charles Laughton) decide adiar sua aposentadoria quando uma mulher (Marlene Dietrich) em desespero o procura para que defenda seu marido (Tyrone Powell) no Old Bailey (tribunal de Londres), que foi acusado de assassinato. Excelente adaptação para o cinema da peça teatral da mítica Agatha Christie, que além de manter o suspense o tempo todo, proporciona ótimas reviravoltas e ainda tem uma dose certeira de humor. Destaque para Laughton em suas cenas hilariantes com seus médicos incisivos e sua enfermeira vigilante e feroz (sua esposa na época Elsa Lanchester). Dietrich e Powell também tem atuações acima da média. Um libelo de Wilder.
Cotação: 8,8

6 – A Montanha dos Sete Abutres (The Big Carnival/Ace in The Hole, 1951)

Em uma cidade do interior de Albuquerque, um repórter inescrupuloso forja uma situação dramática após um acidente sonhando ganhar o Pulitzer, contando com a ganância de de algumas pessoas e também dos jornais. Denúncia contra a imprensa que busca no sensacionalismo uma forma de jornais a qualquer custo. O roteiro co-escrito por Wilder é suavizada por alguns personagens e comportamentos dramáticos, ainda assim, a narrativa sufoca o espectador do início ao fim. Com a mão primorosa do diretor, Kirk Douglas tem uma performance espetacular!

Cotação: 8,9

5 – Se Meu Apartamento Falasse (The Apartament, 1962)

Escriturário solteiro empresta seu apartamento para as aventuras sexuais de seus superiores acaba se apaixonando pela amante do presidente da empresa, uma ascensorista simpática, que acaba passando por grande depressão após o término do relacionamento. História encantadora dirigida por Wilder nos estilo dos grandes clássicos de Ernst Lubitsch e Frank Capra, que leva o público dos risos às lágrimas. Atuações fenomenais de Jack Lemmon e Shirley McLaine (que ganhou o prêmio em Veneza). Vencedor de 5 Oscar, incluindo melhor filme.

Cotação: 9,1

4 – Pacto de Sangue (Double Indemnity, 1944)

Wilder desta vez adapta ao lado de Raymond Chandler o livro de James M. Cain e conta a história da desesperada Phyllis (Barbara Stanwyck), que se une a um homem ganancioso para assassinar seu marido e receber muito dinheiro do seguro de vida. Porém, entra em cena o investigador Barton Keys (Edward G. Robinson), que está no encalço para provar que não se trata de um suicídio. Um noir cheio de cenas brilhantes, que se dispõe de uma trama que, mesmo que saibamos de toda a sujeira que envolve o assassinato, ficamos na expectativa das habilidades de Robinson de farejar algo que não se encaixa, e também a capacidade de Phyllis em dissimular.
Cotação: 9,3

3 – Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot, 1958)

Dois músicos (Tony Curtis e Jack Lemmon) testemunham uma chacina em Chicago, decidem se vestirem de mulher e se infiltrar em uma banda feminina rumo à Miami, para não serem mortos. Lá encontram Sugar Keane (Marilyn Monroe), por quem um deles se apaixona. O humor é maleável e furtivo, é sem nenhum esforço mantém o espectador com um grande sorriso no rosto. O mote musical que conduz a presença de Sugar, é tão hipnotizante quanto o inocente sonho da moça em encontrar o amor de sua vida. Obra-prima da comédia, que continua sendo copiada e homenageada. Ainda tem a atuação extraordinária de Lemmon!
Cotação: 9,4

2 – Farrapo Humano (Lost Weekend, 1945)

Don Birnam (Ray Milland), alcóolatra que em um quente fim de semana enfrenta o limite das provações de quem é escravo do vício. Mesmo sob as súplicas de sua namorada Helen (Jane Wyman) e de seu irmão Wyck (Phillip Terry), passa por cima de seus conceitos, sonhos e pudores apenas para sustentar a insaciabilidade de um whisky. O roteiro de Charles Brackett em conjunto a Wilder prima por trazer esse realismo impiedoso para as telas, apesar de ver o fracasso de público que não estavam acostumados com tanta veracidade. As leis de produção da época impôs um final feliz ao filme. Entretanto, isso não apagou o brilhantismo do longa que merecidamente recebeu diversos prêmios, entre eles 4 Oscar (Filme,                                            diretor, ator e roteiro) e a Palma de Ouro em Cannes (Diretor e ator).
Cotação: 9,5

1 – Crepúsculo do Deuses (Sunset Boulevard, 1950)

Roteirista decadente começa o filme morto em uma piscina e reconta sua história de seu relacionamento conturbado com uma ex-estrela do cinema mudo, obcecada pela juventude e em retornar à fama. O roteiro escrito por Wilder com seu mais fiel colaborador, Charles Brackett, se enverada no estudo do comportamento de quem vive no ilusório mundo glamourizado da Hollywood da primeira metade do século passado. Enaltece os contrapontos desta necessidade de chegar ao estrelato e também o desejo de nunca sair dele. A metalinguagem impera de forma conveniente, com referências a atores, diretores e outros poderosos da época.  Uma das obras mais obscuras que se tem notícia!
Cotação: 9,6


domingo, 25 de maio de 2014

Vencedores do Prêmio Forrest 2014

Não foram tantas as surpresas em relação ao circuito de premiações, porém os vencedores unânimes realmente são excelentes mesmo. Algumas surpresas aconteceram, inclusive um inédito empate, que mostrou que o pessoal estava mesmo com a opinião variada em algumas categorias. Desde já agradecemos a todos que participaram e fica o convite para o próximo ano. Eis os vencedores.