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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Vencedores e não-vencedores do Oscar 2011

E foi-se mais uma noite do badalado prêmio da Academia. Uma noite marcada pelo carisma de Anne Hathaway, a bela participação do mito Kirk Douglas, e principalmente pelo equilibrio das produções concorrentes.

Foi, com certeza, a melhor noite da glamurosa festa do Oscar dos últimos tempos. Para começar, o carisma da lindíssima Anne Hathaway compensou a evidente falta de jeito de James Franco. Esse se mostra bem melhor atuando do que apresentando. Outro momento maravilhoso foi a participação mais do que especial de Kirk Douglas. O monstro sagrado de hollywood esbanjou bom humor, mesmo com a dificuldade proporcionada pela sua avaçada idade. Até ensaiou uma cantada em Hathaway, que por sinal estava merecendo.

Mas indo ao que interessa. As premiações exaltaram o grande equilibrio deste ano. Foi a disputa mais acirrada desde 2005, só que neste ano o nível dos longas era muito maior. A dificuldade de fazer apostas se confirmou quando A Origem venceu Fotografia, que parecia que ficaria nas de O Discurso do Rei, ou daria o primeiro prêmio a Roger Dickens por Bravura Indômita. Em todas as categorias técnicas que o longa de Chris Nolan disputou, essa era a que teria menos chances. Por falar em Nolan. Com as quatro premiações de A Origem (Fotografia, edição e mixagem de som e efeitos visuais), provou que a maior injustiça deste ano foi mesmo a sua ausencia da lista de indicados. Tim Burton provou que suas bizarrices são formidáveis, e seu Alice no País das Maravilhas, faturou Direção de arte e figurino.

Toy story 3 venceu em animação e canção. Na verdade foi um prêmio ao conjunto da obra, pois foi o grande perecursor da categoria. O documentario meio-brasileiro Lixo extraordinário mostrou que sua extraordinária indicação já havia sido suficiente, parabéns.

Nas categorias principais, quase nada mudou, porém o fato de A Rede Social ter vencido montagem e David Fincher perder para Tom Hooper em diretor foi curioso. Mas não injusto. Os coadjuvantes se mantiveram firmes, já que Christian Bale e Melissa Leo ( O Vencedor) venceram praticamente todos os prêmios anteriores. Natalie Portman foi honrada merecidamente e Colin Firth se vingou de Jeff Bridges, seu algoz do ano passado, e subiu a palco para receber o prêmio e fazer um belo discurso. Esse, no entanto, sem gagueijar.

Confira a lista completa dos vencedores:


Melhor filme
“O Discurso do Rei”

Melhor diretor
Tom Hooper – “O Discurso do Rei”

Melhor ator
Colin Firth – “O Discurso do Rei”

Melhor atriz
Natalie Portman – “Cisne Negro”

Melhor ator coadjuvante
Christian Bale – “O Vencedor”

Melhor atriz coadjuvante
Melissa Leo – “O Vencedor”

Melhor roteiro original
O Discurso do Rei”

Melhor roteiro adaptado
“A Rede Social

Melhor longa-metragem de animação
“Toy Story 3″

Melhor direção de arte
“Alice no País das Maravilhas”

Melhor fotografia
“A Origem”

Melhor figurino
“Alice no País das Maravilhas”

Melhor documentário (longa-metragem)
“Inside Job”

Melhor documentário (curta-metragem)
“Strangers no More”

Melhor edição
“A Rede Social”

Melhor filme de língua estrangeira
“In A Better World” (Dinamarca)

Melhor trilha sonora original
Trent Reznor e Atticus Ross - "A Rede Social”

Melhor canção original
“We Belong Together”, de “Toy Story 3

Melhor curta-metragem
“God of Love”

Melhor curta-metragem de animação
“The Lost Thing”

Melhor edição de som
“A Origem”

Melhor mixagem de som
“A Origem”

Melhores efeitos visuais
“A Origem”

Melhor maquiagem
“O Lobisomem”

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Alto nível na disputa pelo Oscar, ainda bem!

Em 2011, a cerimônia do Oscar com certeza terá o melhor contingente de bons filmes dos últimos anos. Só na lista dos dez indicados a melhor filme, podemos facilmente tirar três que venceriam em outros anos, como também outros cinco ou seis teriam vaga cativa entre os finalistas.

O Discurso do Rei, A Rede Social e Bravura Indômita são grandes filmes, que tem o azar de se enfrentarem, enquanto em outras ocasiões, produções como Os Infiltrados, um bom filme, mas sem grandes qualidades para ser o “melhor”, venceu sem problemas. Azar deles, sorte nossa. Pois este ano estão sendo interessantes as apostas entre amigos ou em sites do gênero. Além disso, as principais produções estão chegando aos nossos cinemas a tempo de tirarmos nossas próprias conclusões.

Quem vencer será marcado como o filme que triunfou na disputa mais acirrada dos últimos tempos. Quem perder será lembrado por fazer parte da lista que tinha os melhores. Entre vencedores e perdedores quem ganha é o Cinema. Mostrando que é capaz de fazer filmes que podem levar milhares às salas de cinema, com a qualidade de se credenciar a receber um Oscar.

E o Oscar não vai para...



Rubens Ewald Filho: O Discurso do Bobo da corte


No último dia 30 de Janeiro aconteceu a entrega do prêmio Sag’s, onde os próprios atores elegem os melhores da TV e do cinema. Nenhuma surpresa dentre as premiações que por fim acabou sendo uma extensão do Globo de Ouro.

No entanto quem roubou a cena não foi nem Cristian Bale, muito menos Melissa Leo, melhores coadjuvantes da noite,e sim um palhaço que se acha a estrela principal desta corte glamurosa. Trata-se do crítico de cinema Rubens Ewald Filho que comentava o evento com tamanha soberba que dava a impressão de que se encontrava em seu trono particular olhando por baixo os pobres plebeus em sua vasta ignorância. A cada categoria apresentada o comentarista destrinchava seus voluposos comentários com uma minúcia irritante. E isso quando não destilava seu veneno, digno daqueles programas vespertinos de fofocas, pra cima das celebridades quando estas eram focalidas pelas lentes das câmeras.

Um Rei discursando para uma plebe, que ao seu entendimento, se via totalmente desprovida de qualquer tipo de cultura cinematográfica. Um Rei absolutista detentor da única opinião válida da noite, independente das infinidades de bobagens que possa saltar de seus lábios. A gota d’água ou o fim da picada (chamem como preferir) foi criticar, emanado com alto teor de deboche, a atriz Winona Ryder, uma das concorrentes ao prêmio de melhor atriz da TV. Ao dizer que ela é uma péssima atriz ele não só se equivocou como também deixou transparecer sua fragilidade de grande conhecedor do cinema. Como pode uma atriz com formação no teatro, vencedora do Globo de Ouro, com duas indicações ao Oscar e com o privilégio de ter trabalhado com os todos os maiores diretores do cinema atual ser considerada uma péssima atriz? Será que nosso “Rei” não parou para analisar o vasto currículo de sucessos de Winona? Ou ele desconhece a trajetória de uma das mais comprovadamente talentosas atrizes do cinema e agora da TV?

E para completar seu pequeno número, coloca a introspectiva Claire Danes como o seu grande exemplo de boa atriz. Ora, uma coisa é você ESTAR uma boa atriz outra bem diferente é você SER uma boa atriz. Esta é a diferença de Claire para Winona. A segunda já provou por diversas vezes que merece estar no hall das melhores do cinema enquanto a primeira ainda engatinha atrás de seus passos.
Depois deste lamentável equívoco fica evidente que o crítico não sabe discernir entre sua opinião pessoal da profissional e que precisa rever seus conceitos ao tecer qualquer tipo de comentário daqui pra frente. Que ele não goste de Winona ou desaprove seu comportamento na vida pessoal é até aceitável, afinal, existe uma lista de atores e atrizes dos quais não me simpatizo. Contudo para uma pessoa formadora de opinião a responsabilidade com a veracidade dos fatos tende a ser desproporcional em relação a qualquer outro. Ir de encontro a isso por pura arrogância ou questão pessoal é como deixar que um iceberg surja de repente à sua frente sem que se aja tempo de virar o timão. Assim sendo não restará para ele nem Reis, Rainhas ou Princesas neste grande Reino da Sétima Arte. Apenas um papel de coadjuvante que lhe cai feito uma luva e talvez lhe renderia até um Oscar. ”The Oscar go is to…O Bobo da Corte!

DICAS DO BLOG

VALE A PENA ASSISTIR:

O Direito de amar (A single man, 2009)
Drama. Com Collin Firth e Julianne Moore

Dilacerado pela morte de seu companheiro de longa data em um trágico acidente, professor universitário tenta manter as aparências. No entanto num dia específico
em 1962 ele se vê no limite de sua vida. O filme é indicado especialmente para aqueles que apreciam excelentes atuações. Firth está impecável numa interpretação única que lhe rendeu uma justa indicação ao Oscar de Melhor Ator. E sua parceria com (a sempre ótima) Julianne Moore rende bons mo-mentos no longa.

DESLIGUE O DVD:

Os Mercenários
Ação
. Com Silvester Stallone e a terceira idade dos filmes de ação
Guerrilheiros considerados dispensáveis enfrentam uma quadrilha de traficantes chefiada por um ditador na América do Sul.

O filme parece mais uma tentativa de Sly se aventurar na comédia depois de tantos fracassos no gênero. A parceria com o truculento Jason Stathan no que era para ser cômica, é um dos piores momentos do trhiller, que ainda tem o visivelmente cansado Dolph Loudgreen, ofegante a cada frase pronunciada. O encontro com Scwarzenegger e Bruce Willis é outro ponto alto da ridicularidade quando os fortões tentam ser engraçados. Patético! No final a clássica cena do bandido ameaçando a mocinha (a brasileira nascida no México - Gisele Itié) com uma arma na cabeça e a falta de conteúdo é suprida por uma série de explosões espetaculares e incompreensíveis até mesmo pelos maiores fãs de Sly em qualquer gênero. Uma verdadeira bomba cinematográfica!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O Discurso de Firth

Se receber o Oscar de melhor ator no domingo, Colin Firth provavelmente começará seu emocionado, ou não, discurso dizendo que jamais imaginara ganhar tal prêmio, e que trabalhou muito para chegar ao feito e blá, blá, blá. Mas a verdade é que as palavras já decoradas podem ser autênticas em alguns casos, como no de Firth.


Depois de se destacar no telefilme Orgulho e Preconceito, 1995, o ator trabalhou bastante até chegar à fama ao lado de Renee Zellweger em O diário de Bridgit Jones, onde apesar de seu esforço, esteve apenas no mesmo nível do apático Hugh Grant. Desfilou por diversos filmes de pouca expressão até conseguir um bom papel. No razoável Moça com brinco de pérola, 2003, o ator teve um bom desempenho ao lado da beldade Scarlet Johansson, o que lhe rendeu algumas boas críticas.

Mas seu destino mudou quando foi convidado a interpretar um "viúvo" no drama O Direito de amar, onde teve atuação formidável, arrancando aplausos do público e fazendo a crítica deixar o preconceito de lado e enxergar sua belíssima interpretação. Aproveitando sua excelente forma, mergulhou fundo no longa de Tom Hopper, O Discurso do Rei, revivendo o drama do Rei George VI, que por um problema com a fala, temia ter de discursar em público. Firth não imita um gago, ele simplesmente se torna gago aos olhos do público e tendo ao seu lado o experientíssimo Geoffrey Rush, mostra ao cinema todo seu potencial em uma das melhores atuações dos últimos anos.

Se ganhar o Oscar, Firth poderá começar seu discurso dizendo jamais ter imaginado estar ali, com certeza será de verdade. E verdade também que sempre foi um bom ator esperando o papel certo de clamar a todos seu discurso. Que venha então "O discurso de Firth".

OS CISNES DE NATALIE

Conciliar beleza e talento é uma das tarefas mais difícies da carreira de qualquer ator ou atriz. Ainda mais que a Academia anda exigindo sempre algo a mais dos belos rostos de Hollywood. Basta lembrar do que aconteceu com as estonteantes Nicole Kidmam e Charlize Theron. Belos espécimes tomados por uma transformação externa pra lá de radical em busca da perfeição para compor suas personagens. Para viver a escritora inglesaVirgínia Wolf em As Horas (2002), a australiana nascida no Hawaí, se apresentou nariguda e descabelada. Um ano depois foi a vez da sulafricana encarnar um verdadeiro monstro em Monster-desejo assassino (2003). Papéis nada convencionais para ambas que no final se valeram de todo seu “esforço” alcançando o reconhecimento e o merecido prêmio de melhor atriz.
Se faturar seu primeiro Oscar no próximo dia 27, a bela Natalie Portmam entrará na contramão desta lógica. Afinal sua transformação em Cisne Negro ocorreu mais necessariamente de dentro para fora do que de fora para dentro. No longa a descendente de israelenses faz o que de melhor tem feito ao longo de sua carreira. Interpretar papéis cheios de nuances que enriquece o currículo de qualquer boa atriz. A dualidade de suas personagens tornou-se sua marca registrada, fazendo com que se superasse a cada trabalho. Em V de Vingança (2005) para cumprir a missão herdada de um justiceiro mascarado tachado de terrorista , a mocinha assustada necessitava de uma mudança radical. Neste caso a exterior enfatizou a interior quando ela teve de raspar a cabeça.
Com isso conseguiu mostrar uma força que suas belas madeixas escondiam.Nascia uma justiceira em busca de vingança. Closer-perto demais (2004) foi outro trabalho que exigiu muito da bela. Uma personagem que era a síntese de uma metamorfose ambulante e mais uma vez os cabelos protagonizaram esta mudança exigida. Os negros mostravam uma jovem romântica e insegura enquanto os vermelhos uma mulher segura, extremamente sexy e provocante. Um papel que lhe rendeu sua primeira e mais do que merecida indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante. Perfeito! E falando em perfeição…
Finalmente em Cisne Negro poderemos contemplar a beleza literal de uma atriz em todo seu âmbito. Natalie encontrou neste trabalho o que sua personagem busca no longa. A pefeição do equilíbrio entre os dois cisnes que pode e deve levá-la ao Oscar este ano.A mesma perfeição que sua personagem buscou durante o longa parece ter sido de Natalie durante toda carreira que agora parece ter chegado ao topo. A doce e frágil bailarina perfeccionista se transforma em uma forte e sedutora mulher bem ao modo Portman. Um raro exemplo de atriz que consegue fundir beleza com talento sem a necessidade
supérflua da Academia de desprover suas premiadas deste atributo. Vale a pena contemplar e se extasiar com a beleza do cisne branco e o talento do cisne negro.
Ambos atendendo pelo nome de Natalie Portmam.

WINONA RYDER : Garota interrompida

No auge da carreira e da juventude ela foi uma das atrizes mais requisitadas do cinema em Hollywood. Era considerada um símbolo de sua época na virada dos anos 90 a chamada geração X. Jovens que recusavam valores como dinheiro e ascensão social e os substiuíam pela incerteza. Winona Ryder sempre recusou o título de símbolo,que de fato, não abarca a amplitude de sua precoce trajetória no cinema.
Filha de um casal de escritores e editores,intelectuais da contracultura, ela nasceu em
29 de Outubro de 1971 e foi batizada de Winona Laura Horowitz em homenagem à sua cidade natal , Winona em Minnesota (EUA) e à Laura, mulher do escritor e amigo da família Aldous Huxley. O guru do LSD Timothy Leary é padrinho de Winona. Os poetas beatnik Allen Ginsberg e Lawrence Ferlinghetti eram visitas frequentes em sua casa.
Quando a família se mudou para Petaluma ainda na Califórnia, a garotinha já sabia que queria ser atriz. Dois anos depois foi matriculada no American Conservatory Theater em San Francisco. Teve aulas de interpretação, conseguiu seu primeiro agente e estreou no cinema em 1985 em A inocência do primeiro amor (1986).
Uma década depois tinha um Globo de Ouro,duas indicações ao Oscar e trabalhos com Francis Ford Coppola (Drácula de Bram Stocker /1992), Martin Scorsese (A época da inocência /1993) e Wood Allen (Celebridades /1998). Como excêntrico Tim Burton trabalhou duas vezes (Os fantasmas se divertem /1988 e Edward-mãos de tesoura /1990). Seu amigo de insônia Al Pacino, com quem costumava conversar durante a madrugada, contracenou com ela em Simone (2004) e a chamou para participar de sua primeira experiência como diretor no semi-documentário Ricardo III-Um ensaio /1996. Com Sigourney Weaver, de quem tinha um pôster no quarto, atuou em Alien-a ressurreição (1997). Em 1991 Jim Jarmusch escreveu um papel especialmente para ela em Uma noite sobre a Terra e em 1999 foi produtora e protagonista de Garota Interrompida, mas quem levou o Oscar foi a colega Angelina Jolie. Em 2001 afastou-se do cinema devido a um escândalo numa loja de grifes em Los Angeles. Foi condenada, pagou multa, realizou trabalhos comunitários e retomou a carreira em 2004 para o bem do verdadeiro público cinéfilo que se interessa mais pelo enorme e já comprovado talento desta (sempre jovem) atriz do que por fofocas a respeito de sua vida pessoal.

Fonte : coleção Cinemateca Veja de 2008 (Edward – mãos de tesoura – o conto de fadas contemporâneo do diretor Tim Burton)


WINONA E SUAS ADORÁVEIS MULHERES:

A mocinha impetuosa
( Edward – mãos de tesoura, 1990)
Neste conto de fadas contemporâneo de Tim Burtom, o amor improvável de um ser bizarro faz com que de uma moça doce e obediente se transforme em uma mulher forte capaz de enxergar nele o que os outros não veem. E em nome desse estranho amor ela acaba desafiando a todos na cidade,incluindo sua família.

A doce sedutora (Drácula de Bram Stocker,1992)
Não sei se foi seu encanto de menina ou a sensualidade de uma mulher responsável pelo nascimento de um dos maiores mitos da literatura e posteriormente do cinema mundial. No longa de Coppola, ela vive uma mulher inesquecível capaz de seduzir e enlouquecer o mais forte e temido dos homens por séculos e séculos.

A Garota Interrompida (1999)
O filme bem que poderia ser uma autobiografia da atriz e não de Suzana Kaysen – personagem homônimo ao qual interpretou. Internada pelos pais numa famosa clínica de recuperação para moças problemáticas, ela reencontra o caminho de sua vida através da troca de experiências em comum com outras internas e da força das palavras delineadas de seu diário.

FILMOGRAFIA:
A fera do Rock e Atração mortal (1989)
A volta de Roxy Carmicheal e Minha mãe é uma sereia (1990)
A casa dos espíritos (1993)
Caindo na real e Adoráveis mulheres (1994)
Colcha de retalhos (1995)
Boys e As bruxas de Salém (1996)
Outono em Nova Iorque (2000)
A herança de Mr.Deeds e Maldito coração (2004)
O homem duplo (2006)
As muitas mulheres da minha vida (2007)
When love is not enough (TV /2010)
Cisne Negro (2011)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Western hoje, só com os Coen

Se os fãs de John Wayne aprovaram a adaptação do clássico que lhe deu o único Oscar da carreira, isso é outra conversa. A questão é que novamente os irmãos Coen fizeram os fãs de western matarem a saudade de assistir a um excelente filme do gênero. Mas sem, é claro, deixar de lado as peculiaridades que fizeram de seu cinema cultuado em todo o mundo.
O gênero dominava Hollywood, principalmente entre as décadas de 30 e 70, e que tornou os estúdios poderosos, e ainda criou mitos como o já citado Wayne. Porém, chegada a era das aventuras 3D, o bom faroeste ficou sem espaço. Filmes como "No Tempo das Diligências", 1938, já não tem mais a oportunidade de serem apreciados. Seria o fim? Quase. Pois se depender de Joel e Ethan Coen o gênero jamais morrerá.
Com Bravura Indômita, os diretores mostraram que ao os únicos capazes de fazer um bom western, além de inserirem seu estilo, sem deixar a magia nativista da época de John Ford desaparecer. O filme é um modelo diferente de Onde os Fracos não tem Vez, que tratava o estilo com mais modernidade e violência. Porém Bravura Indômita preza mais o bom texto, com personagens simbólicos e a exuberante ambientação. Por falar nisso, a parte técnica é um show à parte, principalmente fotografia, favorita a faturar o prêmio da Academia.
Essa versão é melhor do que a original, e com todo respeito a John Wayne e Kim Derby, os atores desta adaptação estão bem melhor também. Jeff Bridges e Haille Steinfield enchem a tela com atuações memoráveis. Então viva o irmãos Coen, que com uma incrível bravura mantém esse gênero vivo, fazendo milhões de fãs de western se satisfaçam e tenham cada vez mais orgulho do cinema que deu a vida para Hollywood, e foi esquecido por quase todos.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Melhor Atriz Coadjuvante


Amy Adams (O Vencedor)
Helena Bonham Carter (O Discurso do Rei)
Melissa Leo (O Vencedor)
Hailee Steinfeld (Bravura Indômita)
Jacki Weaver (Reino Animal)

Esquecidas:
Mila Kunis e Barbara Harshey (Cisne Negro)

Acertos do blog: 4 acertos

Favorita: Melissa Leo (O Vencedor)

Apostas do blog: Melissa Leo (Paulo Silva) / Helena Bonham Carter (Flávia Silva)

Comentários: Melissa Leo está com tudo e não era para menos. Em meio a excelentes atuações, ajuda Christian Bale a sufocar Mark Whalberg. E olha que ainda teve de superar Amy Adams. A jovem que já coleciona a sua terceira indicação em cinco anos será a grande estrela do futuro. Por enquanto terá de se conformar e ajudar Leo a receber seu primeiro Oscar. Helena Bonham Carter, assim como Geoffrey Rush, dá suporte à Colin Firth em O Discurso do Rei, mas está no lugar certo, no ano errado. Hailee Steinfeld é a juvenil da lista, outra marca registrada da Academia, mas não incomodará. Jackie Weaver apareceu do nada! Ninguém viu e ninguém sabe de sua personagem, todavia deve ter trabalhado muito bem para ter deixado Kunis e Harshey de fora da lista.

Apostas do blog para Oscar 2011

Melhor Ator Coadjuvante


Christian Bale (O Vencedor)
John Hawkes (Inverno da Alma)
Jeremy Renner (Atração Perigosa)
Mark Ruffalo (Minha Mães e Meu Pai)
Geoffrey Rush (O Discurso do Rei)

Esquecidos: Andrew Garfield (A Rede Social)

Acertos do blog: 2 acertos

Favoritos: Christian Bale (O Vencedor)

Apostas do blog: Geoffrey Rush (Paulo Silva) / Christian Bale (Flávia Silva)

Comentários: Os dois certos na disputa eram Rush e Bale. Na ciranda de outros cinco, se salvaram Renner, Ruffalo e Hawkes. A surpresa ficou por conta de Mark Ruffalo, que esteve muito bem em Ilha do medo, e parecia longe de ter uma chance. O jovem Jeremy Renner vem mostrando que não é só mais um, já que Atração Perigosa parece não ser um filme que chame a atenção da Academia. A intensidade dramática de Inverno da Alma carregou Hawkes até a aqui, mas não será páreo. Foi uma injustiça com o jovem Andrew Garfield, que se mostra tão bem quanto Einsenberg. Christian Bale está com as duas mãos na estatueta, entretanto ainda acredito na vitória de Rush, devida à sua intensa contribuição para o sucesso de O Discurso do Rei.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Apostas do blog para o Oscar 2011

Melhor Ator


Javier Bardem (Biutiful)
Jeff Bridges (Bravura Indômita)
Colin Firth (O Disurso do Rei)
Jesse Eisenberg (A Rede Social)
James Franco (127 Horas)

Esquecidos: Robert Duvall (Get Low) e Leonardo Di Caprio (Ilha do Medo)

Acertos do blog:
3 acertos

Favoritos: Colin Firth (O Discurso do Rei)

Apostas do blog: Colin Firth (Paulo Silva) / (Flavia Silva)

Comentários: A Academia adora os figurões das antigas e foi muito estranho a não indicação de Robert Duvall. Porém acho que não chega a ser injustiça os cinco escolhidos. Jeff Bridges passou 40 anos sendo esquecido, será que agora ganhará por dois anos seguidos? Parece que Firth está invencível. Bardem, Einsenberg e Franco, apesar de estarem muito bem, podem se contentar em estarem presentes. Já Mark Whalberg, foi sublimemente sufocado por seus coadjuvantes. Ele sim seria uma injustiça entre os cinco.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Apostas para o Oscar 2011

Melhor Diretor

Darren Aronofsky (Cisne Negro)
David O. Russell (O Vencedor)
Tom Hooper (O Discurso do Rei)
David Fincher (A Rede Social)
Joel Coen e Ethan Coen (Bravura Indômita)

Esquecido: Christopher Nolan (A Origem)

Acertos do blog: 4 acertos

Favoritos: David Fincher (A Rede Social) e Tom Hooper (O Discurso do Rei)

Apostas do blog: David Fincher (Paulo Silva) / (Flavia Silva)

Comentários:
O erro do blog na verdade foi um equívoco da Academia. O absurdo de Nolan não ter sido indicado nos faz pensar o porque de Stanley Kubrick não ganhou nenhuma vez. A vaga dele está sendo ocupada por David O. Russel, que dirigiu um filme bem menor que a atuação de seus atores. Contudo a vitória fica com David Fincher pelo sua direção impecável no moderno A Rede Social.

DARREN EM BUSCA DA PERFEIÇÃO

Darren Aronofsky acerta a mão e finalmente consegue emplacar um bom filme com a fantasia-terror Cisne Negro, além de se firmar como um diretor que faz de seus protagonistas, espetaculares.

Não é de hoje que o marido de Rachel Weisz vem tentado se aperfeiçoar em uma trama que conseguisse desfragmentar o ser humano. Sua primeira tentativa foi em Réquiem para um sonho (2000), onde o tema principal foram as drogas. Entretanto isso não seduziu público e crítica. Talvez pelo fato de tema já ter sido garimpado anos antes pelo excelente Trainspotting (1994) de Danny Boyle. Ficou afastado por oito anos até retornar em O Lutador (2008), este sim com um tema original, que tentava desmembrar a personalidade de um lutador de vale-tudo, que havia perdido a fama e o amor de sua filha. O filme dividiu opiniões e tirou do mundo das sombras Mickey Rourke, em interpretação que lhe valeu uma indicação ao Oscar e um prêmio Globo de Ouro. Mas ainda faltava algo. Sua técnica peculiar, o Hip Hop Montage (na qual altera a velocidade da cena de acordo com a necessidade dramática), não havia conseguido uma identidade. Contudo em Cisne Negro o diretor finalmente cria uma sincronia perfeita em sua montagem e o roteiro. Em um filme excelente, ele consegue equilibrar luz e trevas com uma direção de arte que sugere a todo tempo o maniqueísmo que envolve a personagem Nina. A obscuridade da procura da bailarina pelo equilíbrio psicológico foi essencial para que Darren convencesse a crítica de que aprendeu muito, e ainda de quebra, conseguiu uma indicação ao Oscar por direção.
O tema permitiu que o diretor brincasse com sua montagem, ministrando doses certeiras de drama, terror e fantasia, sem que perdesse o fio condutor e deixasse que um dos gêneros se sobressaísse. Bom para Natalie Portman, pois nos filmes de Aronofsky, quase tudo depende do protagonista. Seu desempenho pode desencadear o sucesso ou o fracasso do longa, além de poder colocá-lo entre o cinco indicados da categoria ao Oscar. A prova disso é que todos seus protagonistas conseguiram o feito, Ellen Burstyn em Réquiem para um sonho, Mickey Rourke por O Lutador , e agora Natalie Portman por Cisne Negro. Esta favoritíssima a levar o prêmio. Não era para menos, já que a condução cinematográfica do filme se vale muito da sensação-expressão, deixando a atriz muito mais em evidência. Se é bom para os atores, é ruim para o diretor. Aronofsky supervaloriza sua personagem central a ponto de eleva´-la a um nível maior do que seu filme pode atingir. Esse é o único ponto falho de Cisne Negro. O show de Portman ofusca o brilho do belo filme, se tornando maior do que a própria produção. Entretanto, na busca pela perfeição de seus filmes, talvez falte para o diretor despertar seu “lado negro” e pensar em um meio de atingir a perfeição. A julgar pelo seu salto de qualidade do primeiro para o terceiro, não seria inteligente duvidar que consiga se aproximar mais ainda da perfeição.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Apostas para o Oscar 2011

Melhor Filme
Cisne Negro
O Vencedor
A OrigemMinhas Mães e Meu Pai
O Discurso do Rei
127 Horas
A Rede Social
Toy Story 3
Bravura Indômita
Inverno da Alma
Esquecidos: Nenhum

Acertos do blog: 10 acertos

Favoritos: A Rede Social e O Discurso do Rei

Apostas do blog: O Discurso do Rei (Paulo Silva) / (Flávia Silva)

Comentários: Nesta categoria não tinha como haver surpresas. Uma pena a Academia ter optado por este formato, apesar de “democratizar”, tira a emoção das apostas e torna a categoria previsível. A Academia terá de se decidir entre o tradicionalismo de O Discurso do Rei e a modernidade de A Rede Social. Mas quem acompanha o Oscar, sabe que não são muito chegados à modernidade.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A reinvenção de Jeff Bridges

Há quase um ano, Jeff Bridges subia ao palco da festa de premiação mais glamurosa do cinema emocionado (e emocionando) ao relembrar sua carreira de altos e baixos. O veterano ator de 62 anos dizia nunca ter imaginado aquele momento e achava que nunca estaria ali. E não só ele, muitos críticos achavam que seu tempo tinha passado, ignorando seu trabalho nos últimos anos.
Depois de despontar no metalingüístico A última sessão de cinema (1971), de Peter Bogdanovich, teve uma grande ascensão na carreira e passou a ser procurado por diretores importantes principalmente depois de O último golpe (1974), no qual arrancou a segunda indicação ao Oscar de sua, até então, curta carreira. Foi escalado como protgonista de vários sucessos dos anos 80, entre eles, Tron (1981), Starman (1984), no qual obteve mais uma indicação, agora como ator principal, e ao lado de Michelle Pfeifer em Os Fabulosos Baker Boys, em 1989. No início da década de 90 não perdeu o embalo e fez um de seus mais notórios personagens, Jack Lucas em O Pescador de ilusões (1991). Com O Grande Lebawski (1994), teve seu primeiro trabalho com os Irmãos Coen, e em 2000, apesar de ter recebido mais uma indicação como coadjuvante ao Oscar por A Conspiração, já dava sinais de que seus dias de protagonista estavam acabando.
Na década passada, foi pouco notado por público e crítica pelos seus papéis em K-Pax: O caminho da luz (2001), Seabiscuit – Alma de herói (2002) e Tideland (2005). Parecia que a tendência de sua carreira fosse de coadjuvante a pequenas aparições. Porém Jeff Bridges não estava morto. Com Scott Cooper conseguiu a chance de provar que seu talento não se apagara com o tempo. Mas a tarefa não seria fácil, e para provar que ainda podia ser o astro principal de um grande filme, teria de cantar, tocar e dar o melhor de si. Era um desafio imenso, que ele não decepcionou. Na pele de um cantor country em fase decrescente da carreira (qualquer semelhança foi mera coincidência), ele assim como seu personagem deu a volta por cima, arrancou aplausos do público e suspiros da crítica em Coração Louco (2009) . Provou que nunca é tarde para recomeçar, e também que quem é rei, nunca perde a majestade. Em 2010, confirmando sua fase excepcional, voltou a trabalhar com os irmãos Coen (Bravura Indômita), e mesmo com outro desafio, interpretar o mesmo personagem que deu o único Oscar da carreira do mítico John Wayne, não deixou por menos e arrancou mais uma indicação ao prêmio, e sendo o único a tirar o sono do favorito Colin Firth.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

ALÉM DAS TELONAS

AUDREY HEPBURN
Mais que uma bonequinha de luxo
Por Flavia Cristina Silva

Ela surgiu em Holywood numa época em que fisicamente parecia não ter a menor chance de competir com as loiras deslumbrantes e sedutoras como Marlyn Monroe e Kim Novak. Mas Audrey tinha armas notáveis e com elas provocou uma revolução em já em seu primeiro filme norte-americano A Princesa e o Plebeu (1953). Talvez fosse à srena beleza facial ou quem sabe sua personalidade marcante. Ou, ainda a classe, elegância, doçura, talento…Provavelmente foi a soma de tudo que fez desta estrela aos 24 anos se tornar um símbolo de classe e de feminilidade nas telas.
Nascida em Bruxelas (Bélgica) em 04/05/1929 , Edda Van Heemstra Hepburn-Ruston, filha de uma baronesa holandesa Ella Van Heemstra e do importador inglês J.A.Hepburn-Ruston Educada em Londres estudou balé desde criança e estava em Mônaco participando de um filme quando a escritora francesa Collete a conheceu e recomendou-a ao produtor Gilbert Miller para o papel de Gigi na montagem da Broadwaay em Novembro de 51. No ano seguinte foi a vez do diretor Wilham Wyller a convidá-la para viver sua princesa. Wyler a dirigiu também em outros dois filmes. Daí em diante sua galeria de sucessos foi-se estendendo à medida que seu talento foi ficando notável. Ficou a marca de uma mulher refinada, suave, às vezes frágil e sempre cheia de charme e elegância.
Em 1989 ela foi nomeada embaixadora da ONU especializada nos problemas da infância. Ela viajou pelo mundo supervisionando e divulgando suas atividades pelo mundo. Também em 89 retornou ao cinema onde estava afastada para estrelar um filme de Steven Spielberg, Além da eternidade, no papel muito apropriado de um anjo.


Audreys em Audrey:

A PRINCESA e o plebeu (1953)

Linda e “glamurosa” ela surge no papel que mais lhe parece autobiográfico. Uma princesa que cansada da monótona vida na corte foge para a cidade se mesclando com a plebe. Lá encontra um jornalista ambicioso que pensa ter ganhado sua maior matéria.


A NOVIÇA REBELDE Uma cruz à beira do abismo (1959)

Ela nunca esteve tão radiante no papel de uma noviça que sente as dificuldades dentro do processo em se tornar uma freira. Sua alma cativante foge às convenções do convento e um grande dilema se abate sobre ela. Aqui temos uma amostra do grande talento da es-trela.

A BONEQUINHA DE LUXO (1961)

Talvez seu filme mais citado pelos fãs por se tratar de uma alusão a algumas das estre-las de Hollywood. Uma lista que certamente a exclui. Neste filme baseado no livro de Trumam Capote, ela vive uma moça amargurada que esconde um passado oprimido através de uma imagem magnífica de uma garota que tem como objetivo conseguir um noivo rico que possa sustentá-la. Aqui nos deparamos com o talento de Audrey para a comédia.


A QUERIDA DAMA My fair Lady (1964)

Neste filme inspirado no musical da Broadwaay vimos interpretar seu melhor papel que certamente a levaria ao Oscar se os senhores da famosa Academia tivessem uma percepção melhor das coisas. De uma simples florista beirando a vulgaridade ela se transforma numa refinada dama com a ajuda de um arrogante professor de entique-ta. Vencedor do Oscar de melhor filme, o trhiller muito se deve a ela que se dedicou
tanto ao papel a ponto de mostrar seus dotes como cantora.



Outros filmes de sua carreira:

Sabrina (1954)
Guerra e Paz (1956)
Cinderela em Paris (1957)
Amor na tarde (1957)
Infâmia (1962)
Charade (1963)
Como roubar um milhão de dólares (1966)
A herdeira (1979)
Muito riso e muita alegria (1981)
Amor entre ladrões (1987)

ALÉM DAS TELONAS

O CÓDIGO DA VIDA Por Flávia Cristina Silva

“Por que precisa ser humano ou divino? Talvez o humano seja divino.”
Robert Langdon

Robert Langdon (Tom Hanks) é um simbologista que tende a correr contra o tempo para solucionar misteriosos assassinatos envolvendo um grande segredo ocultado pela poderosa Igreja Católica. Com a ajuda de Sophie Neveau (Audrey Tautou) uma mulher intimamente ligada ao processo e a pistas deixadas pelo famoso artista ele cumpre sua missão neste thriller baseado na obra-prima de Dan Brow O código Da Vinci.
Thomé, um dos doze, junto aos apóstolos reunidos no tabernáculo três dias após a morte de Jesus não acreditou no relato de sua ressurreição e então pediu para ver e mais especificadamente tocar suas feridas como uma prova, um fato concreto. Assim sendo teve seu desafio atendido pela presença em pessoa do Senhor e diante de sua imagem e de
ter tocado suas feridas,o apóstolo antes descrente passou a crer.”Você acreditou porque viu.Felizes são aqueles que acreditam sem ver.” (João cap.20,29). Sob este pilar nascia a maior religião do mundo comandada por uma das mais influentes instituições do planeta.
A Igreja Católica teve início com a ressurreição de Jesus e a missão conferida por ele em pessoa aos seus mais fiéis discípulos segundo nos mostra o príncipio do Ato dos Apóstolos, um dos livros mais instigantes da Bíblia. Esta missão consistia em evangelizar todos os povos do planeta tendo como escudo o amor ao próximo e a privação dos bens materiais. Foi partindo deste princípio que Pedro - o primeiro Papa - e seus companheiros fundamentaram a pedra na rocha difundindo os ideais em comum com seu Mestre.
A Igreja que Jesus sonhou era uma comunidade de pessoas que dividiam o amor e partilhavam o pão da amizade. Tudo transcorria na mais perfeita harmonia. O que era meu
era seu ou vice-versa.Todos eram ligados pelos laços indestrutíveis atados pela crença no filho de Deus. A comunidade se espande e junto com ela surge um grande poder de influência sobre os povos. No entanto à medida que este poder vai crescendo, cresce também a necessidade de transformar esta comunidade em instituição. Como tal uma insti-tuição deve ser regida por leis, regras inflexíveis sob o conhecido pretexto de manter a ordem. Era necessário que o poder antes partilhado fosse canalizado para um seleto grupo de líderes a fim de conter a anarquia política e religiosa que imperava naqueles tempos. Um poder forte e ascendente como este não poderia ser simplesmente indexado. E assim se sucedeu por eras e eras que testemunharam este poder nas mãos de poucos “escolhidos” se fortalecerem a custo de várias batalhas. Religiosas ou não.
Ao longo de toda história da humanidade a Igreja sempre esteve presente pendendo tanto para o Bem ou quase sempre para o Mal quando agia em comum a seus intereses que nem de longe lembravam os ideais pelos quais se edificara. Seus líderes começaram a entender que apenas conceitos abstratos não seriam suficientes para sua expansão.
Se nos primórdios de sua existência estes mesmos conceitos foram “usados” com maestria para difundir seus princípios, agora serviriam como escada para um novo patamar.
A instituição assume um caráter político de grande força sustentada pelo poder da FÉ difundida por todo o mundo. Esta, alimentada pelo temor a Deus, coloca a Igreja como ponte de salvação para os pobres e oprimidos da época. Uma inevitável aliança com os grandes líderes da época faz dela um mecanismo de poder sobre as massas.
Fez-se assim a chamada Idade das Trevas onde ser o Papa era o mesmo que sentar no trono do Rei ou Imperador. Muitos pagaram por sua ousadia sendo todos condenados ao “inferno” orquestrado pelo chamado Tribunal da Santa Iquisição ou a face mais assustadora daquela que deveria pregar o amor e a misericórdia incondicionalmente. Uma a uma as congregações ou sociedades secretas contrárias ao seu domínio caíram diante de seu poder. Dos Iluminattis aos Cavaleiros Templários todos serviram a seu propósito dentro de seu tempo e espaço.Atos que hoje a nossos olhos leigos parecem injustificá-veis naquela época pareciam perfeitamente legais. As Cruzadas, que empunhavam uma bandeira com a Sagrada Cruz de Cristo à frente de suas barbaridades, a caça às bruxas, que vitimou milhares de mulheres, as grandes missões, usadas como justificativas para posse de territórios recém descobertos. Como contestar todos eles se tudo era em nome da fé e de Jesus, o Cristo. Este é um capítulo à parte dentro da nossa história.
A mistificação em torno da pessoa do Cristo fazendo dele um ser divino entre os ho-mens é a fonte do poder da Igreja na Terra. Um ser divino nascido do ventre de uma virgem da Galiléia chamada Maria e criado por José, um humilde carpinteiro. Esta seria uma forma de aliança entre Deus e os homens. O que para ela é um dogma, ou seja, algo incontestável, para nós se apresenta de uma forma contrária à medida que desvendamos fatos ocultados na história protagonizados por esta mesma instituição. A divindade de Cristo é a pedra fundamental pela qual a Igreja foi edificada e se este dogma ultrapassar os limites da contestação e perder sua credibilidade, a rocha se partiria e tudo que a ins-tituição representa seria engolido pelas areias do tempo e da história.
O Código Da Vinci, um dos maiores best sellers da história, não delineou suas páginas através de uma perseguição insensata de um herege. Ele foi alimentado por fatos concretos interpretados por um escritor comprometido com as questões da humanidade e que por acaso teve a Igreja como o centro destas questões. Ao relatar um Jesus humano ca-paz de ter descendentes, o livro não nega a divindade do fundador da religião. Pelo contrário. Através do filme de Ron Howard ele reforça a idéia de que Jesus mesmo sendo apenas humano foi capaz de se tornar um dos maiores líderes da história munido apenas do amor ao próximo pregando a Paz. Um exemplo de ser humano extraordinário capaz de guiar uma multidão de pessoas pelos caminhos do Bem e da Justiça. E o que é mais divino do que isto?
A divindade se encontra no Amor, no desejo de Paz e na Solidariedade que cada um de nós tem que ter uns para com os outros. Não é preciso que transformemos a água em vinho já que nem mesmo Gandhi ou Mandela conseguiram operar este milagre divino. Basta observar o que ambos fizeram pela humanidade para concluir que qualquer um
de nós somos capazes de operar qualquer tipo de milagre desde que estejamos enganja-dos nos ideais de Cristo e em sua incontestável fonte de inspiração.
O verdadeiro poder não se encontra num templo nas mãos de terceiros de uma falha instituição. Encontra-se dentro de cada ser humano. Um livro recheado de páginas com seus inúmeros códigos na maioria das vezes ainda indecifráveis. Entretanto para nós basta decifrarmos apenas um deixado por um Jesus seja ele humano ou divino. Nem é preciso ser um famoso simbologista ou uma descendente direta do Salvador para entender sua mensagem. O código da vida.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Rascunho do Oscar

E o SAG foi entregue, Ernest Borgnine foi homenageado, e os principais favoritos ao Oscar já deram as caras. Depois de me emocionar ao ver o eterno Marty de pé no alto de seus 94 anos, com os olhos marejados, recebendo a homenagem especial da noite, acompanhei o rascunho da festa da Academia, no dia 27 de fevereiro.
Colin Firth e Natalie Portman parecem invencíveis e provavelmente irão faturar a primeira estatueta de suas carreiras. Melissa Leo está irresistível, só por uma grande injustiça não vencerá. Ainda acho que o peso de seu personagem na trama fará Geoffrey Rush superar Christian Bale, é difícil, mas não impossível. Para filme, O Discurso do Rei terá mais força que A Rede Social, mas na categoria diretor acredito na vitória de David Fincher.

sábado, 29 de janeiro de 2011

A dualidade da geração Y

No auge da Cibercultura, David Fincher explora a incoerência da geração Y, e reflete sobre até onde a tecnologia afastam as pessoas, tendo como personagem central o maior símbolo da sociedade informatizada.


Não é dificil de entender A Rede Social, é um filme sobre o universo jovem, repleto de festas, consumo de drogas e sexo casual. Só que diferentemente da maioria dos longas com esta premissa, o roteirista Alan Sorkin insere um contexto moderno explorando a mais célebre ferramenta da era globalizada, a rede social. A partir da conturbada concepção da mais famosa delas, o Facebook, o roteiro coloca lado à lado a "amizade" virtual e a real, mostrando sem pudores como Mark Zuckerberg, um dos criadores e dono do site de relacionamentos, conseguiu 500 milhões de amigos virtuais e perdeu os poucos amigos de verdade em julgamentos milionários.
A direção segura de Fincher o permite condensar o filme de forma que não se torne cansativo e muito menos preso ao universo do site. A intenção, muito bem explícita, é mostrar a dualidade da nova geração, sedenta por interagir com o mundo inteiro, porém cada vez mais individualista e excentrico. Mark ignorou tudo e a todos apenas para fazer o que acha que é certo, evidenciando a leviandade de seu caráter, que muitos podem desaprovar, mas que o mais corriqueiro comportamento do mundo atual.
Seus diálogos ágeis e as interpretações formidáveis dos jovens atores Jesse Eisenberg (indicado ao Oscar) e Andrew Garfield dão uma incrível veracidade ao longa. O diretor finalmente poderá ser reconhecido pela sua sensibilidade em explorar o comportamento humano,e mesmo que A Rede Social não seja melhor que O Curioso caso de Benjamin Button, com certeza é o grande símbolo da modernidade que chegou ao cinema.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O Cinema segundo Orson Welles

No final da década de 30 o cinema americano atingia até então o seu ápice com produções de grande importância e influência para o desenvolvimento da chamada “sétima arte”. Filmes como o naturalista “No tempo das diligências”, de John Ford, o otimista “Do mundo nada se leva” do adorado Frank Capra, e o musical reverenciado por gerações “O mágico de Oz” dirigido por Victor Fleming e responsável pelo debute da estrela Judy Garland, marcaram para sempre seus respectivos gêneros. Mas o grande marco do cinema clássico hollywoodiano foi, com certeza, “E o vento levou”, também de Fleming, e assim como os citados, de 1939.
Foi um grande sucesso de bilheteria por anos, e mostrava que depois da grande depressão que se abateu sobre os Estados Unidos em 1929, o país estava se recuperando. Era impossível pensar que o cinema produziria algo mais significativo, não à toa já era considerado o melhor filme já feito, e assim seria até o fim dos tempos. Entretanto o reinado do filme de Victor Fleming duraria apenas dois anos. Em 1941 o mundo conheceu Orson Welles e a sua epopéia do magnata da imprensa Charles Forster Kane em “Cidadão Kane”.
A grande maioria dos críticos americanos e europeus consentem que o filme foi e será o melhor e mais importante que o cinema já produziu. As inovações técnicas como a profundidade de campo, a introdução do plongeé e o contra-plongeé, o rebaixamento de teto dos cenários foram só alguns de uma infinidade de detalhes que revolucionaram a arte de se fazer cinema. Além das técnicas inovadoras, o roteiro também se desenvolveu de forma singular já que não seguia os clichês básicos vistos até então nas salas de projeção. Charles Forster Kane foi o primeiro grande anti-herói do cinema americano: não era galã e muito menos um bom moço.
Mas nem tudo foram flores. Para chegar ao reconhecimento que o faz carregar o peso de ser o maior de todos, a obra de Welles sofreu com polêmicas e com a indiferença. Teve o seu lançamento quase embargado pelo “Kane” da vida real, o empresário William Hearst, que chegou a processar o diretor por ter se inspirado nele para conceber o magnata da ficção. Além disso, foi ignorado nas principais premiações, entre elas a maior de todas, o Oscar entregue pela Academia das artes cinematográficas desde 1929. Talvez o estranhamento por tudo de diferente que foi apresentado no filme tenha causado essa ojeriza instantânea.
Foi premiado inquestionavelmente com o Oscar de melhor roteiro, porém o gênio Welles foi ignorado como diretor e ator. Mas os olhos da crítica não tardaram a lhe fazer justiça. Começou a ser estudado por teóricos e reconhecido por outros diretores. Produções posteriores começaram a aderir suas técnicas, entre elas o maior sucesso do cinema de Hollywood, “Casablanca” (1943), de Michael Curtiz. No longa, algumas características de Welles são introduzidas, o tornando cinema de mais alto nível. Além disso, um dos movimentos mais importantes, o neo-realismo italiano, só fez de suas obras grandes painéis da sociedade italiana pós-guerra, devido ao advento de 1941.
Se é o melhor de todos os tempos, isso é uma questão de ponto de vista. Entretanto é indiscutível que “Cidadão Kane” foi o mais importante. Sua concepção jogou por terra a capa conservadora que mantinha o fordismo em que se encontrava o cinema americano. A linguagem cinematográfica que Griffith começou, Eisenstein certificou, Welles inovou. Foi o grande “messias” da sétima arte, que assim como Cristo foi ignorado para depois ser contemplado. A diferença é que o diretor viveu para ver o cinema mudar a partir de sua obra. Sorte de quem hoje pode assistir aos bons filmes graças a ele. Azar da Academia que terá que se lembrar para sempre que não premiou o melhor já feito.

Não é mais um “Favela Movie” brasileiro

“Não é mais um Favela movie”. Assim se resume a crítica do Bonequinho do jornal O Globo sobre o filme “Tropa de Elite 2: O inimigo agora é outro”, seqüência do sufocante thrilher de José Padilha, vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim, e campeão de pirataria de 2008. E ele fala a verdade. O longa ganhou um “plus” especial no roteiro, deixando de lado os traficantes e mostrando quem realmente comanda o crime organizado no Rio de Janeiro.
O alarde causado pelo seu lançamento se condensou em um enorme sucesso de bilheteria. Poucos se decepcionaram com o novo rumo do ex-capitão Nascimento, que agora enfrenta inimigos blindados pela farda e pela gravata. Mesmo assim, o novo super herói brasileiro não se deixa abater e bate na cara de deputado para fazer justiça. Esse tema faz de “Tropa 2” um filme politizado, mas, com a mesma carga de tensão que conduzira o primeiro ao extraordinário sucesso.
Entretanto, tem de se dar a Wagner o que é de Wagner. O ator prova que é um dos grandes ícones do nosso cinema conduzindo um personagem mítico por outros caminhos, sem perder o fino de sua interpretação. Moura não só mantém a forma como a aperfeiçoa. Consegue um incrível equilíbrio entre o brucutu que espanca corruptos e o pai que sofre pelo filho. Claro que não há como esquecer a excelente interpretação de André Matos. O cômico cria uma mescla de Renan Calheiros e José Luiz Datena, dando origem a seqüências impagáveis. Se Padilha fez o melhor filme brasileiro desde Cidade de Deus, só o tempo dirá. Mas com certeza acenou para uma nova ideologia para o nosso cinema: o conteúdo político. Em tempos que o cinema nacional nem de longe lembra os áureos tempos de Glauber Rocha e seus companheiros do internacionalmente conhecido Cinema Novo, “Tropa 2” desponta como uma nova opção no cenário nacional, e merece respeito como filme e como arte

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Reconhecimento merecido

Com A Origem, Christopher Nolan consegue inserir na cabeça dos críticos seu talento

É admirável a capacidade de Chris Nolan trabalhar com temas complicados, ou supostamente complicados. Entretanto em A Origem, sua intenção não é testar o nível intelectual de ninguém, mas mergulhar mais uma vez no quebra cabeça paradoxal do intelecto humano. A exploração do sonhos é uma trama tão inteligente e desafiadora quanto um enigma inscrito na pele de um homem portador de uma rara falta de memória.
A comparação com Matrix chegou a ser cogitada, e é válida para quem não acompanha o trabalho do diretor. Ele não quis revolucionar o áudio-visual, e sim, apenas transformar sonhos em realidade. Quem viu suas duas franquias do "Homem Morcego", atestou que o foco principal não foi a parafernália hi-tec que o herói carrega, nas cenas de ação espetaculares (e muito bem feitas) e muito menos na fantástica atuação do falecido Heath Ledger como o caótico Coringa. O interesse de Nolan sempre foi o estudo do lado humano do Morcego, o quanto ele pode ser poderoso e ao mesmo tempo vulnerável como qualquer ser humano. O ladrão de segredos Cobb é um "Cavaleiro das Trevas” sem o uniforme, um homem forte, cheio de astúcia, mas inteiramente falível perante os fantasmas que o assombram.
Assistindo mais de uma vez espectador terá a certeza de que não se trata de um mero sinônimo de Matrix auxiliado pelo talento de seu diretor, e sim uma obra de arte dos tempos modernos, uma convergência de ação, sci-fi, e drama. É um representante do restrito grupo de filmes amados pelo público e elogiados pela crítica que o considerou como melhor filme do ano. Basta saber se os "profissionais" da Academia reconheçam seu belo trabalho e desta vez lhe dê o reconhecimento que merece pagando a dívida moral que ficou pendente depois da vexaminosa indiferença ao seu O Cavaleiro das Trevas.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Prévia do Oscar? Será?

É um fato. A Rede Social de David Fincher é um dos grandes filmes do ano, presentes em todas as premiações do ano, principalmente nas categorias filme, diretor, ator (Jesse Einsenberg) e roteiro, que no Oscar entrará como adaptado. Sua vitória no Globo de Ouro no ultimo domingo o alçou ao posto de favoritíssimo ao prêmio da Academia. Entretanto, há alguns fatores que o deixa no mesmo nível de favoritismo de produções tão boas quanto o longa de Fincher. Um exemplo é o thrilher de suspense, ação e drama A Origem dirigido por Christopher Nolan, que não ganhou nenhum Globo de Ouro, porém tem como pretexto, o fato de o prêmio não analisar a parte técnica das produções. Sim, as categorias direção de arte, maquiagem, figurino, montagem, som e mix de som, fotografia e efeitos visuais, não entraram na premiação do último domingo, o que deixou o filme de Nolan em desvantagem, e apesar de não ser certeza que vencerá nestas categorias, em quase todas seu nome aparecerá, aumentando as chances de os acadêmicos mudarem de idéia. Além do longa de Chris Nolan, outro filme, este inesplicavelmente ignorado na listagem (se alguém souber, por favor me fale), terá mais força na disputa, é o remake do clássico de western Bravura Indômita, que ficou marcado por ter dado o único Oscar de melhor ator para o mítico John Wayne. Previsões à parte, a questão é que A Rede Social é um grande filme e vencendo também o prêmio da Academia, não será injustiça, contudo, o Oscar costuma surpreender o público, e ao menos este ano, terá inúmeros motivos para isso acontecer.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

PREVISÕES OSCAR 2011

FILME

- O Vencedor
- A Origem
- Toy Story 3
- O Discurso do Rei
- Cisne Negro
- A Rede Social
- Minhas mães e meu pai
- 127 Horas
- Bravura Indômita
- Inverno da Alma

*A comédia Made in Dangehan tem pequenas chances, assim como o policial dirigido por Ben Affleck Atração Perigosa. A Ilha do Medo de Scorcesse tem mais chances, como o drama mexicano Biutiful de Alejandro Gonzalez-Inarritu . Entretanto as dez apostas do blog são estas.


DIRETOR

- David Fincher por A Rede Social
- Chris Nolan por A Origem
- Tom Hopper por O Discurso do Rei
- Darren Arronofsky por Cisne Negro
- Joel e Ethan Cohen por Bravura Indômita

* Na briga por direção, Danny Boyle corre por fora com 127 Horas. Lisa Cholodenko será uma surpresa pela comédia Minhas mães e meu pai, tanto quanto González-Inarritu (Biutiful).David O. Russel não será zebra pelo hit O Vencedor.


ATOR

- Jesse Eisenberg por A Rede Social
- Colin Firth por O discurso do Rei
- Mark Whalberg por O Vencedor
- Robert Duvall por Get Low
- James Franco por 127 Horas

*Em ator, a única mudança em relação ao Globo de Ouro será o nome de Robert Duvall, muito elogiado pela crítica em Get Low. Javier Bardem (Biutiful), Ryan Gosling (Blue Valentine) e o atual vencedor Jeff Bridges (Bravura Indômita) estão flertando com uma vaga. Di Caprio por Ilha do Medo e Jake Gyllenhall por Amor e outras drogas, sonham.



ATRIZ

- Natalie Portman por Cisne Negro
- Anneth Benning por Minhas mães e meu pai
- Jennifer Lawrence por Winter’s Bone
- Nicole Kidman por Rabbit Hole
- Michele Willians por Blue Valentine

*Na categoria atriz, tudo praticamente certo. Talvez Halle Barry dê o ar da graça por Frankie e Alice. Anne Hathaway será uma interessante zebra em Amor e outras drogas, enquanto Hilary Swank é uma incógnita por Conviction.


ROTEIRO ORIGINAL

- Cisne Negro
- Toy Story 3
- A Origem
- Minhas mães e meu pai
- O Vencedor

*Não acredito em alguma mudança, entretanto o roteiro de Nicole Holofcener em Sentimento de Culpa segue forte.



ROTEIRO ADAPTADO

- 127 horas
- O Discurso do Rei
- Bravura Indômita
- O Golpista do ano
- A Rede Social

* A grande surpresa da categoria será a comédia estrelada por Jim Carrey e Rodrigo Santoro, O Golpista do ano. O único que pode alterar essa formação é Atração Perigosa.



ATOR COADJUVANTE

- Johnny Deep por Alice no País das Maravilhas
- Geoffrey Rush por O Discurso do Rei
- Michael Douglas por Wall Street: O dinheiro nunca dorme
- Christian Bale por O Vencedor
- Andrew Garfield por A Rede Social

*Essa categoria está disputada. Garantidos mesmo só Rush e Bale. O jovem Jeremy Renner, que se mostra cada vez mais talentoso, tem grandes possibilidades por Atração Perigosa. Mark Ruffalo (Minhas mães e meu pai) e John Hawkes (Inverno da Alma), também mantêm esperanças.




ATRIZ COADJUVANTE

- Helena Bonhan-Carter por O Discurso do Rei
- Amy Adams por O Vencedor
- Julianne Moore por Minhas mães e meu pai
- Mila Kunis por Cisne Negro
- Melissa Leo por O Vencedor

*Nesta categoria a surpresa poderá ser Jacki Weaver (Animal Kingdom). Só não será indicada se Moore não se deslocar para esta categoria. No caso de Barbara Hershey (Cisne Negro), se Mila Kunis for preterida, ela poderá pescar a vaga. Esse ano provavelmente manterá a escrita dos dois últimos anos: Duas coadjuvantes do mesmo filme. Aconteceu com Dúvida em 2009 e Amor sem escalas, ano passado.



FILME DE ANIMAÇÃO

- Toy Story 3
- Como treinar seu Dragão
- Meu malvado favorito
- O segredo dos guardiões
- Enrolados

*A barbada que está para ser essa categoria deixou uma grande disputa para figurar entre os finalistas. Quem pode abocanhar uma vaga nessa disputa é O Mágico, e o divertido Megamente. A última parte de uma das melhores sagas de animação da história, Shrek, só entrará na disputa por muita sorte.



FILME ESTRANGEIRO

- Biutiful (México)
- In a better world (Dinamarca)
- I am Love (Itália)
- The Edge (Rússia)
- The Concert (França)

*A categoria talvez não apresente mudanças em relação ao Globo de Ouro. Entretanto La Prima Cosa Bella tem grandes chances. Tio Boonmee Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas é outro postulante que come pelas beiradas.



DIREÇÃO DE ARTE

- Bravura Indômita
- Cisne Negro
- A Origem
- O discurso do Rei
- Harry Potter e as Relíquias da morte parte I




FOTOGRAFIA

- Inverno da Alma
- A Origem
- O Discurso do Rei
- Bravura Indômita
- Cisne Negro



FIGURINO

- O Discurso do Rei
- Burlesque
- Cisne Negro
- Ilha do Medo
- Alice no País das maravilhas



MONTAGEM

- A Origem
- 127 Horas
- O Discurso do Rei
- A Rede Social
- Toy Story 3



MAQUIAGEM

- Cisne Negro
- Harry Potter e as Relíquias da Morte
- O Discurso do Rei
- Alice no País das Maravilhas
- Burlesque




EDIÇÃO DE SOM

- A Origem
- Tron: O Legado
- Bravura Indômita
- O Vencedor
- Toy Story 3



MIXAGEM DE SOM

- Bravura Indômita
- Harry Potter e as Relíquias da Morte
- A Origem
- Burlesque
- Fúria de Titãs



TRILHA SONORA

- Burlesque
- A Rede Social
- A Origem
- O Discurso do Rei
- Toy Story 3



CANÇÃO

- You haven’t seen the Last of Me – Burlesque
- There’s a Place for us – As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada
- I See the Light – Enrolados



EFEITOS VISUAIS

- A Origem
- Tron: O Legado
- Harry Potter e as Relíquias da Morte
- As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Pelegrino da Alvorada
- Alice no País das Maravilhas

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A GRANDE ILUSÃO

Por Flávia Silva


“Mas sei como fazer as coisas funcionarem. Sempre podemos fazer algo bom de algo ruim.” Wilham Stark

Sean Penn encabeça um maravilhoso elenco que brilha em A Grande Ilusão.
Um épico sobre a política de todos os tempos. Wilham Stark é um matemático que
se lança no mundo da política para desafiar os poderosos de sua pequena cidade do estado da Louisiana (EUA) depois que um acidente fatal tira a vida de crianças no colégio local. À medida que sua popularidade vai se tornando maior cresce também
o interesse de seus adversários políticos em não mudar a forma de se fazer política na região.

É próprio de a natureza humana buscar justificativas sobre atos que outros julguem imorais e ilegais, sobretudo quando se trata da política e sua politicagem. Aí entra Maquiavel e seus fins que justificam os meios neste sistema que atravessa gerações sem a necessidade de se preocupar com justiça ou qualquer outro termo sinônimo.
Atos que dispensam o acompanhamento de uma lição de moral no final. O bem sempre vence, o vilão sempre é punido e a justiça sempre prevalece. Algumas pessoas conseguem lidar melhor com certas realidades do que outras cuja visão age sob uma única perspectiva. São as chamadas daltônicas, ou seja, aquelas que não conseguem enxergar além do preto e branco. Hipocrisia ou apenas a facilidade que temos em nos deixar iludir facilmente por idealismos políticos?
Para uma maioria a política representa o que há de mais nocivo para a humanidade.
A desilusão criada em torno deste sistema é tão grande que se reflete no aumento consi-derável do número de abstenções durante as eleições. Mas a decepção só existe quando alimentada pela ilusão. Só se deixa iludir pelo sistema quem ainda tem uma visão genuí-na sobre o assunto. Quem acredita piamente que as pessoas deste mundo são ou tende a ser incorruptíveis, incapazes de cometer atos no mínimo duvidosos para alcançar seus objetivos. A política sendo feita por heróis de ficha 100 % limpa. Neste processo quanto maior esta convicção, maior a decepção uma vez que constatamos que a política pende para o lado da politicagem com seus esquemas e negociatas.
Seguindo uma concepção religiosa somos dotados por Deus de livre arbítrio e a capa-cidade de escolher um único caminho por entre o Bem ou o Mal. Dos homens herdamos a racionalidade, ou seja, a capacidade de enxergar algumas questões de forma mais am-pla, sem a definição divina e inflexível. Ao nos desprendermos deste conceito este ca-minho toma uma via dupla sem um ponto final definitivo. Um dos capítulos mais con-troversos da história com certeza foi o da invasão americana ao Iraque. Uma atitude vis-ta com perplexidade e desaprovação do mundo todo devido às conseqüências irrepará-veis aos vários civis daquele país. Naquela época o então presidente americano George W. Bush chegou a ser chamado de o Anti-Cristo pelas camadas religiosas e adjacentes, mesmo com a captura do ditador Saddam Rocem. Há, entretanto um seleto grupo que enxergou a atitude do ex-presidente por outro lado. Sob várias cores e perspectivas dan-do a ele o benefício da dúvida ao justificar seus meios usados para livrar o mundo de uma figura tão nociva para a humanidade. É o famoso Mal que vem para o Bem. Ou se-ria o Bem que vem do Mal? A única certeza é de que no final não há mocinhos nem bandidos. Apenas a velha e boa política. Universal, atemporal e maquiavélica.
Pensemos na figura de Wilham Stark tão contemporânea no mundo de hoje. Em primei-ra instância um político incorruptível que tinha apenas seu ideal, sua voz e seu carisma como arma contra os poderosos. Porém quando percebeu que estas armas seriam ineficazes contra o sistema, decide reprimir seus princípios e se submeter a uma infinidade de recursos ilícitos em nome de seu propósito. Um propósito maior para ele e para a cidade. Sujar as mãos e derrotá-los com suas próprias armas. De aliada a política então se torna sua adversária. Entretanto ele não contava com as conseqüências destes atos que teve em seu desfecho sua trágica morte bem arquitetada por seus adversários e executada por um idealista daltônico.
Stark faz parte de um grupo de políticos que se elegem com boas intenções, mas a pres-são de conseguir cumprir suas promessas, as alianças duvidosas que são induzidas a fazer e os efeitos de se envolver na política do adversário os tornam corruptíveis. Foram estas observações que levaram a militante Marina Silva, candidata à presidência nas últimas eleições a se desligar de seu partido de origem segundo seus princípios. Para ela
a essência do partido se tornou colorida demais e ficou difícil visualizar o final do arco-íris.
Não se faz uma omelete sem quebrar os ovos. Não se faz política sendo apenas o mocin-ho da história. Não se faz história apenas separando mocinhos de um lado, vilões do ou-tro. Assim sendo voltemos à religião. Historiadores descobriram recentemente um evan-gelho que julgaram ser um dos indexados pela Igreja Católica. Trata-se do Evangelho proibido do apóstolo Judas. Segundo estes sagrados manuscritos a figura do apóstolo mais famoso na história da crucificação é retratada de uma forma totalmente controver-sa a apresentada pela Igreja desde seus primeiros tempos. Neles o apóstolo traidor se torna o discípulo mais fiel aos desígnios de Deus em sua missão de salvar o mundo através de Cristo. Aqui a traição, capítulo mais sombrio da relação de mestre e discípulo ocorre de acordo e consentimento do próprio Jesus. Inclusive há uma passagem onde se narra a relutância do apóstolo em cumprir “sua missão” perante Deus. Deixando de lado concepções religiosas e a análise da veracidade destes fatos, chegamos a uma colocação interessante. Podemos concluir que Judas acaba se tornando então o mocinho, o herói da história. E que se não fosse por ele não haveria crucificação e consequentemente salvação. Estas descobertas só fazem reforçar uma nova concepção do que é certo e o que é errado. No final o nome de Judas se funde com o do político Stark. Ambos acabam nos fazendo refletir a respeito do mundo, suas cores e perspectivas. Fica cada vez mais evidente que hoje em dia não existe mais espaço para pessoas meramente idealistas que simplesmente se deixam levar por uma única forma de enxergar algumas questões. Conjurar retamente o certo e o errado passa a ser privilégio de santos, heróis sobre-humanos em uma realidade paralela. Há quem precise disso. Acreditar em contos de fada, agarrar-se ao que realmente acha ser o correto, o incorruptível. Contudo no mundo real e político ao qual pertencemos é essencialmente viável que tentemos encontrar o meio termo, um mundo mais colorido numa cartilha humana de sobrevivência. Dar nossa contri-buição para a democracia seguir da melhor maneira possível e sem criar grandes expectativas. Estar preparado para uma possível frustração. Afinal, trata-se da política com seus raios e trovões em dias de chuva. E depois para alguns é possível até visualizar um lindo arco-íris. Mas sem o pote de ouro no final.

A GRANDE ILUSÃO (All the King’s Men/2006)
Com Sean Penn, Jude Law, Kate Winslet e Antony Hopkins

Veja também:
* Frost/Nixon * A última tentação de Cristo

sábado, 31 de julho de 2010

Diversão para crianças, emoção para adultos

Em 1995, um grupo de animadores da Pixar, sob a batuta de John Lasseter mudou totalmente visão do mundo a respeito dos desenhos animados. Já estávamos nos primórdios da era digital, e cinema, TV, rádio ou qualquer veículo de comunicação teria que procurar formas de se adaptar. O discurso parece de Pierre Levy, mas serve para ilustrar o impacto que filme teve no mundo cinematográfico. Agora na terceira parte da aventura, os brinque dos mais amados do mundo mostram que, assim como sua tecnologia, estão em ótima forma e são capazes de levarem adultos e crianças dos risos às lágrimas.
O grande desafio de Toy Story 3 foi na concepção do roteiro, pois os roteiristas queriam que a história tivesse um segmento temporal fiel, simplesmente não quiseram continuar na linha do não envelhecer nunca de alguns desenhos animados. Sim, seria um desafio. Andy, o menino dono dos brinquedos, agora era um adulto, prestes a ir para a faculdade e não tinha o que fazer com seus antigos brinquedos. O que parece uma premissa de um drama se tornou a grande sacada do filme.
O roteiro se tornou o mais adulto dos três, já que nos remete a um período de nossa vida onde o que é importante acaba sempre ficando de lado. São os princípios, o valor da família, e o envelhecimento precoce das emoções, disfarçados de simpáticos brinquedos. Não que o Andy tenha se tornado um jovem cético, mas é subjetivo o entendimento de cada um. No íntimo, todos sabem onde lhe faltou algo. Na lembrança vêem aqueles bonequinhos de exército, a boneca de pano que não falava, a bola amarelada e surrada, e até mesmo latinhas e ossinhos que para os desfavorecidos eram os melhores brinquedos do mundo. E depois da lembrança fica o questionamento de onde o mundo insensível lhe pegou. Mesmo sabendo da importância do primeiro filme para o cinema de animação, o brilhante roteiro, uma constante da Disney/Pixar, faz de Toy Story 3 o melhor filme da trilogia. Da comédia hilariante à emoção da despedida, fica fácil ver adultos e jovens que se acham adultos saírem da sessão com lágrimas nos olhos. Mas será que desta vez teve um fim a saga de Woody e Buzz? Bom isso é difícil saber, mas se depender da criatividade do pessoal da Pixar, a qualquer momento pinta o quatro

ENTRE O CÉU E A TERRA, O OLHAR DO PARAÍSO

Por FLÁVIA C. SILVA


Se para cada ação há uma reação, então é comum esperarmos que para cada crime
haja uma punição,certo?Mas e quando as linhas da lei de Newton não interagem
com as leis humanas?O que nós, criaturas primitivamente imperfeitas podemos fa-
zer diante desta dura realidade?
É comum para todos nós sentirmos uma dor dilacerante na alma quando perdemos alguém que amamos de forma brutal.Junto com esta dor surgem dúvidas e questões preponderantes que só acabam com uma busca incessante por justiça.Isso faz parte
da vida. No entanto num país onde as leis parecem existir apenas para uma parte marginalizada da população,esta busca desesperada fica atenuada pelo desejo de vingança.Fazer justiça com nossas próprias mãos.Criamos nosso próprio sistema judicial que parece ter saído de um daqueles filmes de Clint Eastwood e seus inimi-táveis faroestes.Lançamos mãos sobre armas legais ou não,pensando que através
delas encontraremos as soluções de nossos problemas.Uma decisão que tomamos inflamados pela dor da perda e da desesperança quanto aplicação da justiça.A im-pulsividade na maioria das vezes nos deixa a mercê de conse-qüências nocivas a
nós mesmos.Foi esta busca incessante por justiça que matou a estilista Zuzu Angel
num acidente pouco explicado na década de 70.Ela lutava contra um sistema que vi-gora até hoje, procurando desesperadamente por informações a respeito do paradeiro
de seu filho,um ativista político como tantos outros que ainda permanecem desapa-recidos sem que as famílias sequer tenham o direito de velar por eles. A dor destas famílias que permanecem fiéis a esta busca se retrata todos os dias em cada um que
vive um drama parecido com o da família Salmom. Até onde podemos suportar a fal-
ta de respeito com esta dor?Até onde podemos suportar o descaso das autoridades com
tantos casos arquivados por falta de um sistema judicial equilibrado?Até onde podemos suportar a possibilidade de esbarrar numa calçada, shopping ou numa igreja com crimi-nosos de alta periculosidade que “já pagaram sua dívida com a justiça”?Diante de tantas inquietações torna-se impossível não lançarmos mão sobre um bastão de Beisebol e corrermos na escuridão atrás de nossos algozes.Fazer com que sintam o mesmo que nós,esperando que a dor dilacerante finalmente desapareça.É a fa-mosa lei do olho por olho,dente por dente.Aquele que nunca pensou nesta possibili-dade que atire sua pri-meira pedra. Ou então, que espere pela justiça, aquela que tarda, mas não falha. E se ela falhar, deixemos a cargo do tempo ou do destino.
Seja como for, o importante é não deixar que a razão sucumba perante nossos instintos, pois tanto as leis humanas quanto as leis de Newton costumam ser impiedosas com aqueles que confundem os conceitos da celestial justiça com o da terrena vingança. É a ação e reação agindo a favor de quem entende estas leis. E para isso nem é preciso ser um gênio da Física.

Desejos e reparações

Por FLÁVIA C. SILVA
“Eu não mais sequer consigo imaginar que propósito
tem a honestidade ou a realidade.”
Briony Tallis
Orgulho ferido, arrogância ou apenas o desejo de brincar de Deus?
Inteligência e imaginação são dons que nos ajudam a trilhar de as estradas da vida de forma mais “segura”.Enquanto a primeira nos dá o suporte racional necessário, a última atua como uma válvula de escape para cada vez que tentamos fugir de uma sufocante realidade.O desafio então consiste em tentar equilibrar estes dons através
de nossas limitações.Porém toda vez que incorporamos Briony Talles estamos longe de superar este desafio.Quando nossa arrogância nos cega diante da ilusão do poder
de atuar e interferir – muitas vezes de forma nociva na vida dos outros .Caímos na armadilha imposta a todo ser humano e nosso egocentrismo acaba superando a razão,nos impedindo de enxergar as virtudes imperfeitas dos outros. Adequamos suas histórias aos nossos interesses sem nos preocuparmos com a responsabilidade de dis-
cernir o certo do errado.Sempre que a imaginação supera a inteligência, deixamos
de agir com racionalidade, trazendo conseqüências irreparáveis.
Assassino confesso da atriz Daniela Perez, o ex-ator Guilherme de Pádua, teve re-
centemente num programa de TV, uma chance única de tentar repara o irreparável.
No entanto sua postura cinicamente irônica, só fez acentuar a mágoa de milhares de
pessoas que perplexos assistiam à equivocada entrevista.Guilherme usou de sua imaginação para tentar retratar seu lado humano(se é que ele tem um), para explicar
sua versão da inexplicável tragédia que alterou de forma dramática a vida de uma
promissora atriz e de sua família.E o apresentador não usou de sua inteligência para
conduzir com precisão a entrevista e evitar todo o constrangimento que causou.E o
vexame só não foi maior por conta da audiência obtida pelo programa.
Seja pelas páginas de um livro ou por atitudes corriqueiras no dia-a-dia, é preciso que
tenhamos inteligência para pensar e agir sob certas emoções e cabe somente a nós tra-
çar com exatidão a linha tênue que separa o certo e o errado.Medir com inteligência
o tamanho de nossa imaginação.Devemos e podemos encontrar este equilíbrio, pois
é provável que não tenhamos tempo nem imaginação suficientes para reparações.


Desejo e reparação (Atonnement /2007)
Com Keira Knightley , James McAvoy e Saoirse Ronan

Quando um mais um é igual a nada

A Mitologia Grega é de fato a mais fascinante viagem ao mundo do fabuloso de que temos conhecimento. Histórias ricas em detalhes e descrições perfeitas de seres interessantes, tanto quanto bizarros, é um consistente roteiro pronto para transportar toda essa magia dos livros para as telonas. Entretanto, não é tão simples. Toda sua carga de arte pode virar uma grande bomba nas mãos de diretores com pouca experiência. Foi o que infelizmente se viu até hoje nas malfadadas adaptações de histórias como Odisséia, O jovem Hércules, e nos recentes Percy Jackson e o ladrão de raios, e Fúria de Titãs.
Os dois últimos citados são exemplos claros de como não se pode simplesmente “jogar” a mitologia na telona. Percy Jackson segue alinha teen da saga Crepúsculo, onde mito e o universo juvenil se entrelaçam formando algo que beira o estúpido, mas que tem o seu público fiel. Uma concepção como essa, Deuses-Modernidade, era um tanto arriscada, poderia levar o diretor ao Olimpo ou ao Mundo Inferior. Depois de quase duas horas de tiradas que eram para ser engraçadas e de péssimos figurinos e direção de arte (incluindo espadas e armaduras visivelmente de plástico), não tenho dúvidas que o diretor está fazendo companhia ao pobre Hades.
Já a refilmagem do clássico de 1981, Fúria de Titãs tinha tudo para ser formidável. Roteiro puro e simples de uma das mais belas e encantadoras passagens da mitologia, com personagens dentre os mais fantásticos da obra da antiguidade clássica como Perseu, Medusa e o Kraken, era sucesso garantido. Ledo engano. O longa atual só supera o original em efeitos visuais e sonoros, de resto sobra apenas um filme com pressa de chegar ao fim. Tanto que o herói chega à metade de sua saga antes mesmo que o público termine sua pipoca. É a tal falta de roteiro compensada com frenesi e efeitos berrantes que tanto fala José Wilker. Nem Ralph Fiennes na pele de Hades consegue dar um tom diferente ao filme.
Para os fãs de mitologia e de cinema ficou a frustração. Esperavam se deliciar com o mundo fantástico repleto de heróis e monstros, seres fabulosos que valessem o ingresso. Mas infelizmente a única sensação que deve ter ficado é a de que viram dois filmes semelhantes, porém que não acrescentaram absolutamente nada.

terça-feira, 20 de abril de 2010

NASCIDOS EM 7 DE SETEMBRO por Flávia Cristina Silva

" Acreditei neles!Vão lutar!Vão matar!
Tudo mentira!Um monte de mentiras!"
Ron Kovic


Uma inesquecível e emocionante atuação de Tom Cruise como o veterano de guerra Ron Kovic,
baseado numa história real, Nascido em 4 de Julho segue o jovem Kovic de entusiasmado adoles- cente que se alista como voluntário para a Guerra do Vietnã a um amargurado veterano paralisado da barriga para baixo.Perdidamente apaixonado por seu país,Kovic retornou a um ambiente completamente diferente do que deixou a desponta como uma voz para os desencantados.
Foi sob as margens do Rio Ypiranga que nasceu nosso amado país.Naquele 7 de Setembro mais
do que independência conquistávamos o direito de sonhar com uma nação verdadeiramente livre e promissora para todos.Quase dois séculos depois o que era para ser sonho está se transformando na mais angustiante das ilusões. Muitos afirmam que o Brasil está se tornando o país do futuro.E talvez realmente seja.Mas a que futuro estão se referindo?Se pararmos para pensar minunciosamente chegaremos a uma só conclusão nem un pouco favorável ao povo brasileiro.E o mais irônico é perceber que nós mesmos estamos desenhando este futuro ao fazer do nosso sagrado direito de votar o mesmo que fazemos com nossos deveres como cidadãos.Erramos ao nos deixar levar por ufanismo exagerado que nos inebria diante de sérias questões sedentas por vitórias verdadeiramente viáveis para todos nós. A nossa recente história nos leva a vitórias irrelevantes para quem realmente deveria comemorá-las. Será que sair às ruas de bandeiras em punho e caras pintadas ou acompanhar ansiosamente o desfecho de uma candidatura de teor bem mais político do que nacionalista é demonstrar o nosso poder? Ou apenas comprovar nossa incrível capacidade de nos deixar iludir por promessas tão vazias quanto nossas contas bancárias? Onde está a vitória conquistada em 1 de Setembro de 92 quando voltamos a eleger aquele mesmo presidente como senador da República? Onde está a nossa vitória de 4 de Outubro de 2009 e a que interesses ela realmente serve? São importantes indagações que deveríamos fazer antes de comprarmos uma batalha que certamente não é totalmente nossa.
Assim como fica cada vez mais difícil acreditarmos que o futuro da nação ainda está disponível em qualquer voto eleitoral consciente,fica também difícil prever um grande futuro para um país que elege figuras caricatas de nomes peculiares como representantes de seus direitos. Nossa verdadeira essência consiste em comprometimento com nossa nação e não em promessas infundadas e vitórias ilusórias.
Fazer dos nossos deveres os mesmos com nossos direitos. Ainda não é tarde para visualizarmos este país do futuro e escolhermos de que lado devemos estar e a que interesses devemos seguir. Ou terminaremos como Ron Kovic,munidos apenas de sonhos e ilusões,aleijados em nossos direitos e ainda clamando por independência às margens de um rio qualquer.
Em tempo: dar um milhão e meio de reais de mão beijada a uma pessoa como esse tal marcelo dourado é entender o pôrque do país se encontrar nesta situação. Acorda povo brasileiro!Enquanto ainda é tempo! Pois o futuro pode não ser tão dourado assim para nós.

terça-feira, 23 de março de 2010

Guerra ao Terror, vencedor do Oscar de melhor filme : Merecido?
Ele desbancou o poderoso Avatar de Cameron com um orçamento muitas vezes menor, além disso saiu do ostracismo para se tornar um filme vencedor de seis Oscar. Merecido? Antes da resposta podemos destacar alguns aspectos que irão fazer jus à sentença.
Para começar a diretora Katryn Bigelow teve coragem ao mostrar o lado "humano" dos soldados americanos que são mandados para o sofrimento e muitas vezes para a morte, fazendo os questionamentos sobre a necessidade da guerra ficarem ainda mais intensos. Ela também foi inteligente em dar maior destaque ao conflito psicológico ao invés do armado, se tornando um filme tenso, mas não maçante como os últimos do gênero que foram lançados. Este é o diferencial do filme. Enquanto James Cameron contratou um exército de nerds para desenvolver com perfeição o incrível planeta Pandora, Mark Boal, roteirista, foca o fator humano e sua degradação mental causada pela tensão contínua do sítio americano no Iraque. Pode ser que o roteiro não fosse melhor do que o da guerra de Tarantino ou a singeleza da animação Up - Altas aventuras, mas serviu de critério de desempate para vencer Avatar.
Contudo o mais importante talvez seja a sobrevida que o bom e velho drama ganhou com a derrota do longa surreal de Cameron, que podia instalar uma nova era no cinema em que a realidade não seria real, e sim virtual.
Por isso digo que o prêmio de melhor filme, mesmo que muito contestado, foi merecido.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Injusto? Será?

E mais uma premiação do Oscar se foi, e como é de praxe, as insatisfações e dúvidas sobre a honestidade da Academia ficam em destaque. Mas quem acompanha o cinema, a premiação e sua história, sabe que diversas surpresas já causaram ojeriza muito maior a público e crítica desde seu início em 1929.
Podemos começar pelo ano passado, onde o azarão Quem Quer Ser Um Milionário? venceu oito prêmios e desbancou o então favorito O Curioso Caso De Benjamin Button, que colecionara 13 indicações, perdendo apenas para Titanic (1997) e A Malvada (1950) em numero de nomeações, porém venceu apenas três. Injustiça? Para muitos sim. O filme de David Fincher é superior ao de Danny Boyle em muitos aspectos, principalmente técnicos. Entretanto a fabulosa história do jovem indiano Jammal, da miséria absoluta ao prêmio de 10 milhões de dólares ( ou libras), comove e diverte, o que deve ter sido crucial para a sua vitória. Não que o filme fosse ruim, mas é inferior a utópica biografia de Benjamin Button, adaptada do conto de F. Scott Fitzgerald.
Outro caso mais recente ocorreu em 2006, que tinha o romance gay de excelente e ousada direção de Ang Lee, O Segredo de Brokback Mountain, favoritíssimo e com as duas mãos na estatueta, mas foi surpreendido pelo tenso e paranóico desenho da sociedade americana pós 11 de setembro, de Crash - no Limite de Paul Haggis. Com exceção dos homofóbicos, todos odiaram a escolha da Academia.

Ainda pode-se destacar alguns casos mais notáveis de "injustiças". Em 1976, Rede de Intrigas e Todos os Homens do Presidente, faziam uma disputa acirrada pelo prêmio, sendo que ainda eram assombrados pelo drama Taxi Driver, de Scorcesse. Mas quem riu por último foi Sylvester Stallone com o seu modesto, independente e de roteiro escrito em inacreditáveis três dias, Rocky, Um Lutador. O resultado estarreceu, pois mesmo com a excelente crítica que recebeu, o prêmio de melhor filme era inimaginável. E para terminar, o mais azarão de todos talvez tenha sido A Volta ao Mundo Em 80 Dias. Apesar de ser um bom filme, com bons público e crítica, nem de longe se comparava aos outros concorrentes, entre eles o drama Assim Caminha a Humanidade, o bíblico Os Dez Mandamentos e o romance O Rei e Eu, três dos mais famosos filmes da história do cinema. O fato de ser uma adaptação do mundialmente conhecido livro de Julio Verne, pode ter encantado os votantes da Academia e pesado na hora da decisão.

Essa viajem na história do prêmio serviu para provar o quanto a premiação por vezes foi injusta e incoerente, isso só ressaltando a premiação principal. Mas vale lembrar que os membros votantes da academia são seres humanos e por mais que sejam profissionais, as suas preferências pessoais acabam interferindo na hora do voto. Porém não cabe a nós julgá-los, se a eleição fosse popular teríamos Lua Nova como melhor filme e Kristen Stewart como melhor atriz (com todo respeito aos fãs da franquia) gerando mais e mais insatisfações. A premiação desse ano foi em alguns pontos justa e em outros absurdo, mas o cinema é assim mesmo, depende muito do ponto de vista.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Frost ⁄Nixon (2008)

O maior escândalo político da história americana, o Watergate, e o seu personagem principal, Richard Nixon, são a base deste thriller de Ron Howard. Três anos após sua renúncia, Nixon (Langella) tinha sonhos de voltar à política e veio essa chance no convite de David Frost (Sheen), que queria arrancar do ex- presidente suas confissões e desculpas, tornando o diálogo tenso e hipnótico. Howard consegue prender o espectador na poltrona ao nos revelar os bastidores, e a entrevista mais assistida da história.Com uma montagem excelente, de tom documentarista, o filme peca apenas pelas cenas desnecessárias, mas que não o torna um filme chato.

Frost/Nixon, 2008, Ron Howard. Com Frank Langela, Michael Sheen, Sam Rockwell, Kevin Bacon, Rebecca Hall.

Recebeu 5 indicações ao Oscar.
Wall-e (2008)

Gênero da animação está cada vez mais interessante, e isso acontece devido aos roteiros complexos e bem desenvolvidos. Camuflados por baixo de personagens fofos ou bizarros. Desde A Bela e a Fera (1991, Indicado a Melhor Filme), as animações sempre tentam passar algo ao público, às vezes tendo que se pensar muito até encontrar a mensagem. Com wall-e, o gênero parece ter chegado ao ápice, o robozinho nos mostra um futuro deteriorado, onde os homens, sem contato humano afetivo, são manipulados por maquinas, e o nosso planeta completamente devastado pelo lixo consumista. Com seis indicações ao Oscar, parece difícil que outra animação ultrapasse esse nível, porém só esperando para vê.

Vencedor do Oscar de Melhor Animação. Suas 6 indicações são recordes entre as animações
Quem quer ser um milionário? (2008)

Quem quer ver uma Índia real, tem que assistir a este filme. Num famoso programa de perguntas e respostas, um favelado responde todas, e, fica a uma de se tornar milionário. Trapaça? Com o decorrer da história ele consegue provar que não está trapaceando, contando a sua vida, e como a sua dura batalha pela sobrevivência, o ensinou além das respostas, a perseverança e amor ao próximo. A preparação do elenco foi feita nos moldes de Cidade de Deus, o que fez com desse mais emoção e veracidade aos personagens, técnicas simplórias e magníficas também são sua marca registrada. Com exceção dos momentos onde a história parece não ter ligação, o filme é muito bom. Venceu oito Oscar com autoridade.

Slumdog Milionaire, 2008, Danny Boyle. Com Dev Patel.

Recebeu 10 indicações ao Oscar. Venceu 8, incluindo Melhor Filme.
Milk- a voz da Igualdade (2008)

Quando dizem que Sean Penn é sinônimo de show de interpretação, não há exagero. O ator prova por que recebeu o Oscar na categoria ao dar á vida a Hervey Milk, um ex- gay enrrustido que se torna o primeiro a assumir um cargo público nos Estados Unidos. Seus amores, amigos e sua luta incessante pela igualdade de todos, não apenas dos gays, como também negros, idosos e deficientes, é uma inspiração.Com um roteiro bem elaborado, o filme conta também com a dedicação dos jovens Emile Hirsch e James Franco, excelentes, e do experiente Josh Brolin.

Milk, 2008, Gus Van Saint. Com Sean Penn, Josh Brolin, James Franco, Emile Hirsch, Diego Luna.

Vencedor de 2 Oscar (Ator, Roteiro Original)
O Curioso Caso de Benjamin Button (2008)

Através da adaptação do fantástico conto de F. Scott Fitzgerald, David Fincher nos leva a refletir sobre a vida, a morte, a alegria e a tristeza. Em conjunto á direção de arte, maquiagem, efeitos visuais de tirar o fôlego, e isso só destacando os mais impecáveis, o longa diverte e emociona do inicio ao fim. Acompanhando a vida de Benjamim Button, Brad Pitt, ótimo, podemos tirar a lição de que tudo acontece na vida sem o nosso controle, e o que devemos fazer é simplesmente viver. Por todos esses atributos, O Curioso Caso de Benjamin Button já é um dos melhores filmes de todos os tempos.

The Curious Case of Benjamin Button, 2008, David Fincher. com; Brad Pitt, Cate Blanchett, Tereji P. Henson, Tilda Swinton.

Vencedor de 3 Oscar (Diretor de arte, Maquiagem, Efeitos visuais), e recebeu outras 8 indicações.
O Leitor (2008)

Se fossemos só analisar a performance de Kate winslet, o filme já seria ótimo. Entretanto, além de sua incrível atuação, vencedora do Oscar, finalmente, o roteiro bem escrito nos carrega a indagações sobre o que é certo e errado, e, o que faríamos para não parecermos menores que ninguém. O multifacetado e versátil Ralph Fiennes conduz, ao lado de kate, um filme brilhante, da direção firme e corajosa de Stephem Daldvy, que mostra a arte de se conduzir um épico, sem se importar com críticas mesquinhas de quem acha que entende de cinema.

The Reader, 2008 , Stephen Daldry. com Kate Winslet, Ralph Fiennes, David kross

Vencedor do Oscar de Melhor Atriz
Closer – Perto Demais (2004)

Ouve-se muito dizer que Mike Nichols tem um talento absurdo para conduzir tramas nada “clicheístas”, dosando drama e humor, diálogos afiados e ácidos, e faz tudo sem muito estardalhaço. Em Closer - Perto Demais, o diretor conduz uma historia de amor de um quarteto (sim quarteto) de estranhos que se conhecem em situações um tanto inusitadas. Sem sutilezas ou enrrolações, o texto de Marber, adaptado pelo próprio de sua peça teatral, é direto e mostra o amor de uma forma madura, fazendo que o público venha a pensar de uma forma um pouco mais lúcida sobre as relações humanas. Com Natalie Portman impecável e um surpreendente e esforçado Clive Owem, o que proporcionariam uma das melhores seqüências do cinema, (a cena do strep tease), pena os seus pares estarem abaixo da crítica, o que enfraquece o excelente diálogo.