Visitantes

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Grandes Zebras dos Oscar

O prêmio entregue pela Academia de Artes Cinematográficas é o mais badalado e prestigiado de todo o universo do cinema. Ainda assim, ano após ano, os resultados invariavelmente causam revolta, principalmente se aquele ator, atriz ou filme predileto não sair com a estatueta. Porém, em alguns anos, o resultado foi inesperado, não pela qualidade do vencedor, e sim daqueles que saíram derrotados. O Cineposforrest selecionou algumas situações em que o vencedor do Oscar era inferior aos seus concorrentes.


Melhor Atriz - Judy Holliday (Nascida Ontem, 1951)

É inacreditável pensar que nem Bette Davis e nem Anne Baxter tenha vencido o Oscar pelas atuações impecáveis em A Malvada. Seria aceitável se a derrota tivesse sido pela assombrosa Gloria Swanson em Crepúsculo dos Deuses, e até Eleanor Peaker em À Margem da Vida. Entretanto, quando se descobre que a vencedora foi a inexpressiva Judy Holiday pelo mediano Nascida Ontem, fica a certeza de que se trata de uma zebra gigante e inaceitável. Especulam-se que o embate triplo entre Davis, Baxter e Swanson tenha favorecido a mocinha. Mesmo assim né?


Melhor filme - Rocky, Um Lutador (1977)

Tudo bem que o filme que alçou o Garanhão Italiano Sylvester Stalonne ao estrelato é inspirador, bonitinho e querido. Entretanto, é incompreensível entender sua vitória quando seus adversários são filmes imensamente melhores. Duvida? Estavam no páreo o cultíssimo Taxi Driver de Martin Scorsese; o intenso e polêmico Todos os Homens do Presidente de Alan J. Pakula e o ágil e crítico Rede de Intrigas, de Sidney Lumet. A razão mais aceitável é que o povo americano necessitava de algo que os fizessem recuperar a esperança pós-Vietnã.


Melhor ator - John Wayne (Bravura Indômita, 1970)

John Wayne é um dos monstros sagrados do cinema americano e mundial, fez quase duzentos filmes em sua extensa carreira. Sua única indicação havia sido em As Areia de Iwo Jima, em 1950. Esse fato deve ter sensibilizado os membros da Aademia, pois, apesar de ter um belo desempenho, não seria capaz de vencer seus quatro oponentes. As grandes atuações de Dustin Hoffman e Jon Voight em Perdidos na Noite; o incrível Richard Burton em Ana dos Mil Dias e muito menos o sempre ótimo Peter OToole em Adeus Mr. Chips. Valha-me.


Melhor filme - A Volta ao Mundo em 80 dias (1958)

De todos os citados, a essa vitória é a que não consiste nenhuma explicação plausível. O filme dirigido por Michael Anderson, Kevin McClory e Sidney Smith é uma aventura modesta, de humor refinado, mas, sem condições até de estar entre os finalistas. E para elevar o nível de curiosidade, seus principais adversários são épicos memoráveis: O Rei e Eu, musical; Assim Caminha a Humanidade, Western; e Os Dez Mandamentos, um monumental filme bíblico assinado pelo venerado Cecil . De Mille. Deve ter gente sem entender até hoje...


Melhor ator - Paul Lukas (Horas de Tormenta, 1944)

A atuação de Lukas é até digna, porém o que o faz uma zebra é o fato de os outros concorrentes tiveram desempenhos inesquecíveis. Walter Pidgeon está fantástico em Madame Curie, assim como o versátil Mickey Rooney é o grande nome de A Comédia Humana. Gary Cooper empresta uma de suas melhores atuações em Por Quem os Sinos Dobram, enquanto Humphrey Bogart é Ricky Blaine de Casablanca, e dispensa comentários. A surpresa foi tanta que Bogart teria se levantado antes do anúncio, e disfarçou bem, batendo palmas sem graça...


Melhor ator - Cliff Robertson (Os dois Mundos de Charly, 1969)

Robertson faz tipos e caras no fraquinho Os Dois mundos de Charly, mas não é de se jogar fora sua atuação. Mas sua condição de zebra se deve a apenas um adversário: Peter O’Toole. O ator mais injustiçado de toda a história do Oscar (8 indicações e nenhuma vitória) tem, simplesmente, uma das melhores atuações de que se tem notícia, ao encarnar o Rei Henrique II. Nem o mais otimista dos parentes de Robertson seria capaz de acreditar na sua vitória, mas ela veio. Absolutamente inacreditável!

Melhor diretor - John G. Avildsen (Rocky, Um Lutador, 1977)

Assim como seu filme, o diretor era praticamente carta fora do baralho, e com toda razão. Alan J. Pakula (Todos os Homens do Presidente), Martin Scorsese (Taxi Driver) e Sidney Lumet (Rede de Intrigas) eram os grandes nomes, com filmes excelentes e um trabalho notável. Além deles, Hal Hasby pelo não tão bom Esta terra é minha, demonstrou estar mais apto a vencer que Avildsen. Porém, a história mostrou que no Oscar, ser melhor não era garantia de vitória...

Melhor atriz coadjuvante - Beatrice Straight (Rede de Intrigas, 1977)

E 1977 ficou marcado mesmo como o ano das zebras! Além de estranha, essa vitória já é notável pelo fato de a atriz necessitou de menos tempo em cena para ganhar o prêmio: cerca de cinco minutos e meio. Bom, só para explicar, o tempo não é o que credencia a entrada de Straight nesta lista, e sim a qualidade de sua atuação. A atriz exagerou em choros e expressões melodramáticas, nada mais. Mesmo sem serem extraordinárias, Jodie Foster (Taxi Driver), Jane Alexander (Todos os Homens do Presidente), Lee Grant (A Viagem dos Condenados) e Piper Laurie (Carrie) foram muito superiores.

Melhor atriz - Gwyneth Paltrow (Shakespeare Apaixonado, 1999)


O caso mais recente e notável de vitória sem explicação veio com uma atuação mediana em um filme idem. Paltrow não apresenta nada que justifique sua vitória ante Meryl Streep em Um Amor Verdadeiro, Emily Watson por Hilary e Jackie, Fernanda Montenegro no brasileiro Central do Brasil, e Cate Blanchett em Elizabeth. As duas últimas encaradas como os grandes nomes dentre as finalistas. Muitos acham que tanto a vitória dela e do filme foram conseqüência de um trabalho de marketing que “comprou” os membros da Academia. Só assim mesmo...

domingo, 26 de janeiro de 2014

O Lobo de Wall Street (2013)


The Wolf of Wall Street (2013). Dirigido por Martin Scorsese. Com Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie, Jean Dujardin, Rob Rainer, Jon Favreu, Jon Berthal, Kyle Chandler e Matthew McConaughey.

Nota: 9,4

O que diferencia um gênio de pessoas comuns? Não é uma simples habilidade de fazer o extraordinário e sim a capacidade de transformar algo simplório em monumental.  E é isso o que faz Martin Scorsese com a autobiografia de Jordan Belfort, um corretor da bolsa de valores de Wall Street, que, usando de muita desonestidade e astúcia se torna capaz de ganhar milhões de dólares em horas. O tom de deboche atenuado obriga o diretor a se reinventar, usando de todo o know-how que angariou durante todos estes anos. E, claro, conta com a melhor atuação da carreira do grande ator de sua geração para elevar seu filme ao patamar de obra de arte.

O que torna desafiador encarar O lobo de Wall Street não é o palavreado chulo, as situações de mau gosto, o consumo excessivo de drogas, o sexo e nem suas três horas de duração. Para quem acompanha o cinema de Scorsese o que causava certo temor e ao mesmo tempo euforia, é a oportunidade de ver algo diferente do que sempre se acostumou fazer, ou seja, despejar estudos comportamentais quase em primeira pessoa, intimista e violento, assim como o fez em Taxi Driver (76), A Última Tentação de Cristo (88) e Os Infiltrados (2007). Agora era um projeto que não caberia sua mão pesada. Tudo bem que seu último trabalho, A Invenção de Hugo Cabret (2011), foi brando, mas ainda assim apresentava as características consagradas do velho “Scorsa”.

Quando Leonardo DiCaprio “venceu” seu amigo Brad Pitt não briga pelos direitos do filme, Scorsese já sabia que ele seria o homem, que seu parceiro da última década confiaria nele para que esse ousado filme saísse do papel. Terence Winter, acostumado com gangsteres da TV (A Família Soprano e Boardwalk Empire), assumiu o roteiro, assim nascia O Lobo de Wall Street, um épico moderno de ganância. Onde saem os capangas, as armas, o tráfico de drogas e bebidas, entra apenas o produto final de tudo isso: o dinheiro. Mas, ao contrário do que alguns deram a entender, não há glamourização, parcialidade, é apenas uma história sendo contada, por mais absurda e ofensiva que seja.

A saga de Belfort ao Olimpo da riqueza, da luxúria, da infâmia, passa pelo aprendizado, de praxe, com um mestre canino, imoral e irresistível na ponta incrível de Matthew McConaughey. A escalada começa. O lobo encontra o parceiro para formar a alcateia. Desajeitado, idiota, viciado. O Donnie do ótimo Jonah Hill é obsceno, sarcástico e inconsequente, mas é um bom aprendiz. Com seu auxílio, Belfort cria sua própria cartilha, um estatuto da pilantragem, uma seita de adoradores do dinheiro, do luxo, do capital. Cavaleiros do apocalipse capitalista, dos quais suas ações surtiriam efeito alguns anos à frente. E mais drogas, e mais sexo. Sim, no mundo das aparências, tudo se vende e tudo se compra. O bem estar através dos entorpecentes e mulheres sempre esteve e sempre estará em alta no mercado. Nesse mundo não existe espaço para família, amor, respeito, só há as cifras, as ilusões.

O trabalho de Scorsese se torna ainda mais impressionante quando começamos a querer comparar seu Lobo com outros de seus filmes. À primeira vista pensamos em O Rei da Comédia (82). Não! Às vezes captamos o bom humor de Os Bons Companheiros (90), outras a insanidade de O Aviador (2005), e até a cobiça de Casino (94), mas aí se percebe que não é nada, ou melhor, é tudo, novo, uma reinvenção, uma contravenção de tudo o que sua aclamada carreira já nos proporcionou. Só constatamos que ainda se trata do mestre em sua direção segura, crua e sem floreios. Apesar de comédia, O Lobo de Wall Street ainda bate forte na cabeça, sem violência, apenas na forma como empurra goela abaixo dos americanos que sua própria ganância os fez idiotas. Fazê-los rir de sua própria desgraça.

Para finalizar, o dono do projetor, o lobo em pele de cordeiro, no centro de todos movimentos está Leonardo DiCaprio. Sóbrio, ignorando a perseguição da câmera e as nauseantes incursões da edição de Thelma Schoonmaker pelo frenesi surreal do mundo de Wall Street. Um mescla absurda, um Calígula com requintes de Charles Foster Kane, sadomasoquista, insano, mas sincero. Um ator completo, que precisava provar para todos e para si mesmo que era capaz de chegar a um limite, de condensar drama, comédia, melancolia, desespero em um só personagem, sem ser hiperbólico, sem querer ser maior que o filme. Sublime, formidável, uma declaração de amor ao mestre e parceiro, um agradecimento por tornar seu desejo realidade.


Martin Scorsese, que já fazia parte dos maiorais acabou por provar que ainda é capaz de surpreender, de fazer rir, de chocar, de ser o mesmo e de ser o novo. Os hipócritas puritanos se incomodaram, excomungaram, o acusaram de exaltar o bandido, e de nada adiantou. Nasceu uma obra-prima, de coragem, subversiva, hipnótica e imperdível.Viva o cinema de verdade!!!

domingo, 5 de janeiro de 2014

10 Valentões do Cinema

Eles marcaram época no cinema e colecionaram fãs e admiradores por todo o mundo: os valentões. E não são só vilões que podem se chamados de valentões. Alguns "mocinhos" usaram de muita valentia e brutalidade para superar inimigos quase invencíveis. O Cineposforrest selecionou alguns dos durões mais inesquecíveis que já foram para as telonas. 

* Não incluímos mulheres pois pensamos que elas merecem uma lista separada ...

10 - Spartacus (Kirk Douglas em Spartacus, 1960)

Personagem principal de um dos maiores épicos da história do cinema, Spartacus entrou para o hall dos valentões quando se recusou a matar um adversário em um combate de gladiadores e atirou um tridente na tribuna onde estavam os romanos. Depois disso, o herói convenceu a todos os escravos a se rebelarem contra o Império Romano, os liderando em uma sangrenta batalha. É ou não é um grande valentão este Spartacus?



9 - Máximus (Russell Crowe em Gladiador, 2000)

"O General que se tornou escravo; o escravo que se tornou gladiador; e o gladiador que desafiou o império", com essas palavras é possível ter uma ideia da valentia de Maximus. E o que o torna ainda mais inesquecível é sua honra acima de qualquer coisa, fato que provoca ainda mais a ira do covarde Marcus Aurelius (Joaquin Phoenix). Suas escolhas no mítico Coliseu em Roma devolveu à população a chance de terem um governo que olhasse por eles. Simplesmente "o cara"!

8 - Paul Kersey (Charles Brownson em Desejo de Matar, 1974)

Um caso de um homem comum que se transforma em um valentão inesquecível é Paul Kersey. De arquiteto pacato e amoroso, se torna um vigilante frio e violento, sedento por vingança depois que sua esposa é assassinada e sua filha é estuprada. Paul enfrenta todo tipo de mal-feitor, às vezes sai ferido, mas nunca desiste de cumprir sua missão que é proteger os mais fracos. Kersey foi tão icônico que apareceu em outros quatro filmes. Destruidor!

7 - Rooster Cogburn (John Wayne em Bravura Indômita, 1969)

Quando a pequena Mattie Ross (Kim Darby) encontra pela primeira vez o xerife caolho e beberrão Rooster Cogburn, tanto ela quanto o público duvidavam de seu potencial. Porém, quando saem à procura do assassino do pai da menina em meio ao território indígena, a velha raposa usa de toda sua experiência para não perder o rastro dos bandidos. No fim, Cogburn consegue dar fim aos vilões e ainda salvar a vida da menina que o contratou. Valentia pouca é bobagem.

6 - John Shaft (Richard Roundtree em Shaft, 1971)

"Ele é cool; é um detetive particular negro; uma máquina de sexo com todas as garotas; não recebe ordens de ninguém; mas arriscaria seu pescoço pelo seu irmão; estou falando do Shaft, sacou?". O que mais falar deste valentão de primeira depois desta canção de Isaac Hayes? Um homem que mantém a frieza mesmo em meio a tiroteios, faz piadas subversivas com autoridades brancas e ainda faz insinuações de militância em prol dos negros. É ou não é um grande encrenqueiro?

5 - James Braddock (Chuck Norris em Braddock, 1984)

Um exemplar dos tais "exército de um homem só", James Braddock não só vencia seus adversários, os humilhava. Contando apenas com a ajuda de uma funcionária do Departamento de Estado ele consegue informações e armamento militar de última geração para desembarcar no Vietnã e salvar alguns de seus companheiros que são mantidos prisioneiros. Nem precisa falar que ele dá conta do recado até com certa facilidade. Um valentão mítico!


4 - John Rambo (Sylvester Stallone em Rambo, 1984)

Quem nunca ouviu falar de um homem que venceu um exército inteiro sozinho? Pois é, estamos falndo de um dos maiores valentões da história. Porém, Rambo não usou de artilharia de primeira geração, ele usou de sua esperteza para se camuflar, ludibriar e contra-atacar seus inimigos. Rambo deu cabo de todos os adversários, desafiou seus superiores e ainda teve força para encarar outras três missões, tão difíceis quanto a primeira. Monstro!

3 - John McClane (Bruce Willis em Duro de Matar, 1988)

Dizem que ele estava no lugar errado e na hora errada, mas para ele, com certeza, ele estava no lugar certo e na hora exata. Com charme e autoconfiança, McClane por acaso está no banheiro de um edifício, quando este é dominado por terroristas nada amigáveis. Daí para frente, ele começa uma verdadeira guerra de nervos contra os vilões, sendo o que ele mesmo afirma, "mosca na sopa, pedra no sapato" deles. O que nem os federais conseguiram dar um jeito, o herói consegue no fim das contas. Durão, mesmo!

2 - Dirty Harry (Clint Eastwood em Perseguidor Implacável, 1971)

Este é tão durão que sua companheira inseparável se chama Magnum 44, pois ela "é boa para atravessar com balas vidros de carros em fuga". Usa seus próprios métodos para enfrentar os bandidos de San Francisco, inclusive torturar um dos criminosos pisando-lhe na ferida de bala feita por ele. Harry elimina a bandidagem, salva o dia e fica à espreita, sedento que mais meliantes apareçam e o deixe feliz por dar a ele "um motivo para crivá-lo de balas". Tão valentão que chega a assustar.

1 - Judah Ben-Hur (Charlton Heston em Ben-Hur, 1960)

Judah é um rico mercador judeu, que vive sua vida pacatamente até que por uma fatalidade é acusado de atentar contra o império Romano. Depois de ser mandado para escravidão em galenas por seu amigo Messala (Hugh Griffith), Ben-Hur, com muita valentia, consegue retornar à cidade natal como um rico herdeiro e sedento por vingança. O desafio nas bigas são a prova incontestável que estávamos diante do maior valentão da história do cinema. O cara ajudou Jesus Cristo, o que mais falar dele?

domingo, 15 de dezembro de 2013

10 musicais imperdíveis

Não há como se falar da história do cinema sem passar pelos musicais. Por muito tempo foram eles os responsáveis por alavancar estúdios e serem suas principais fontes de renda. Além disso, consagraram figuras como Fred Asteire, Ginger Rogers e Gene Kelly, e levaram multidões ao êxtase com números de canto e dança que ficaram para sempre na emoção do público. O Cineposforrest listou 10 musicais essenciais para qualquer cinéfilo que se preze.

 10 - Mary Poppins (Idem, 1964)

Uma gloriosa obra para "crianças de todas as idades", baseado na obra da escritora P. L. Travers, cativou milhões de pessoas ao contar a história de uma babá que cuida do casal de filhos de pais severos. A mágica dos estúdios de Walt Disney conseguiram inserir os números musicais de forma bem-humorada, sentimental e movimentada. Alguns dos números são inesquecíveis, como o que reúne os atores com desenhos animado. Atuações inesquecíveis de Julie Andrews (vencedora do Oscar) e Dick Van Dyke. 

9 - Os Guarda-Chuvas do Amor (Les Parapluies de Cherbourg, 1964)

A história é simplória: um jovem vai à Guerra da Argélia e deixa para trás a namorada grávida. Quando retorna, a encontra casada com outro homem. Apesar disso, o filme de Jacques Demy é simplesmente brilhante. Não só pela forma incrível como conduziu os diálogos que ão todos cantados (e seria "copiado" só em 2012 por Os Miseráveis ), mas também pela música extraordinária de Michel Legrand. Venceu merecidamente a Palma de Ouro em Cannes.


8 - O Show Deve Continuar (All That Jazz, 1979)

O autobiográfico filme de Bob Fosse conta a história de um diretor de teatro e cinema que sofre um enfarte mas não renuncia à vida agitada e cheia de excessos. Nessa trajetória de autodestruição, os números rendem passagens antológicas com seu encontro com o Anjo da Morte, e seus embates com as belas mulheres e produtores insatisfeitos. Vencedor de 4 Oscar, o longa remete ao cinema de Bergman e Fellini, principais influências cinematográficas de Fosse.


7 - My Fair Lady (Idem, 1964)

Florista rude é treinada por figurão excêntrico para se tornar uma dama. Está maravilhosa versão musical da peça Pigmalião de Bernard Shaw, é divertida e agradável, com uma produção impecável e hipnótica. A interação de Audrey Hepburn e Rex Harrison é incrível e rende cenas divertidíssimas. Hepburn teve suas canções substituídas por uma dublagem, o que a deixou muito chateada. Ainda assim é um grande espetáculo, vencedor de 8 Oscar.



6 - Cabaret (Idem, 1972)

No início dos anos 30 em uma decadente Berlin, uma cantora americana faz o que pode para no palco enquanto espera um convite de um grande estúdio de cinema alemão para atuar, além de dividir seu amante com um homossexual. Espetáculo visual incrível e tem um frescor inesquecível devido ao carisma de Liza Minelli, que dá um show à parte. Adaptação de uma peça de sucesso na Broadway que rendeu 8 Oscar, mas curiosamente, perdeu o de melhor filme para O Poderoso Chefão.


5 - O Mágico de Oz ( The Wizard of Oz, 1939)

Menina é levada do Kansas à terra de Oz por um furacão. Lá se junta a um homem de lata, um espantalho e um leão, todos buscando algo especial em sua vida. Com humor, suspense, cenários e canções primorosas, é recomendado tanto para crianças, quanto para adultos. O que dá um toque ainda mais extraordinário ao filme é a forma com foram divididas as cenas do mundo "real" em sépia e Oz em Technocolor. Alpém disso, tornou Judy Garland uma estrela. Venceu o Oscar de canção para a inesquecível Over the Rainbow.


4 - O Picolino (Top Hat, 1935)

O que torna esse libelo musical inesquecível não seu enredo complicado, que traz a história de um show-man contratado como um astro de um musical, se apaixona por uma americana e depois tem de provar para ela, dançando, seu valor. Mas os números de dança de Fred Asteire e Ginger Rogers (apesar de não se darem bem) são um verdadeiro espetáculo. Além, é claro, da contribuição extraordinária das canções do mestre Irving Berlin, que torna essa comédia de situações ainda mais leve e apaixonante.

3 - Chicago (Idem, 2002)

Quando se pensavam que o gênero dos musicais não traria mais algo acima da média, Robert Marshall conduz essa adaptação de um fantástico espetáculo da Broadway, no qual Roxie Hart e Velma Kelly estão dispostas a qualquer coisa para se tornarem estrelas no Vaudeville da Chicago dos anos 30. Com atuações inesquecíveis de Renee Zellweger e Catherine Zeta-Jones (que venceu o Oscar), produção impecável e números musicais incríveis, venceu 6 Oscar e por excelência merece estar nesta lista.


2 - Amor Sublime Amor (West Side Story, 1961)

Este monumento do cinema é notável não só por transportar dos palcos em visão dos subúrbios da Nova Iorque dos anos 50, com suas gangues e burburinhos, inspirado em Romeu e Julieta de Shakespeare, mas também por reconstituir as mais diversas situações em forma de dança, conduzidos por Jerome Robbins, que deu um toque de realismo jamis vistos em um musical. Além disso, tem atuações notáveis dos coadjuvantes Rita Moreno e George Charikis, que venceram dois dos 10 Oscar que o filme faturou. 

1 - Cantando na Chuva (Singin' in The Rain, 1952)

Essa visão brilhante e bem-humorada sobre a chegado do som ao cinema não é só o mais brilhante e relevante musical que se tem notícia, como também é um dos melhores filmes já feito em Hollywood. As coreografias inigualáveis, as canções cômica e românticas inesquecíveis rendem passagens brilhantes, como a que Kelly desliza sobre poças d'agua que dá nome ao filme e um balé de 14 minutos de Kelly com a incrível Cyd Charisse. Seu elenco que ainda conta com Debbie Reynolds e o excelente Donald O'Connor fez dele um verdadeiro mito cinematográfico. Foi recebido com indiferença pelos críticos na época, mas que com o tempo foi reconhecido como o melhor musical de todos os tempos.

domingo, 1 de dezembro de 2013

10 filmes para mulheres (não mulherzinhas)

A gente vê muitas listas de "filmes para mulheres", repletos de filmes de amor e e melodrama, como se só fosse isso que o sexo feminino deseja. O Cineposforrest selecionou 10 filmes com conteúdo feminista, que trazem uma mensagem evidente de que as mulheres merecem muito mais do que casa, comida e roupa lavada. Exaltam sua luta para serem reconhecidas com igualdade pelo sexo oposto e não como seres menores.

10- A Cidade do Silêncio (2006)

Este longa que apresenta um enredo com teor politizado, porém também observamos uma imensa crítica de como o capitalismo está diretamente ligado à cultura machista. A repórter vivida por Jennifer López representa a reação feminina e sua vontade de causar uma revolução, mesmo que seja em um país de tradições ortodoxas e violentas, como o México. 

9- Thelma & Louise (1991)

Uma dona-de-casa subjugada e uma garçonete cínica e cansada de sua vida decidem partir rumo a uma viagem de autoconhecimento e libertação dos valores da sociedade machista americana. Um belo road-movie que sensibilizou platéias pelo mundo e ainda expôs as desigualdades sociais que o país não gosta de exibir. Atuações extraordinárias de Geena Davis e Susan Sarandon.




8- O Piano (1993)

Mesmo sem a voz, propriamente dita, uma viúva escocesa vivida com carga excepcional por Holly Hunter consegue expressar sua vontade de ser livre para manifestar sua arte e seus desejos amorosos e sexuais em um período onde isso era um tabu gigantesco. Essa parábola sobre os paradoxos da auto-expressão feminina dirigido por Jane Campion sensibiliza e choca, mas principalmente, inspira a mulher que assistir.  



7- A Cor Púpura (1985)

Uma luta em duas frentes: contra o racismo e contra a submissão feminina. Este grande filme de Steven Spielberg mostra a luta de uma mulher negra para se libertar de sua condição de escrava do marido na América pós-Guerra Civíl. Além de tudo, Celie (Whoopi Goldberg, ótima), ajuda a libertar também a amiga, vivida por Oprah Winfrey. Mesmo com muito melodrama, é um ótimo e triste espetáculo.



6- Norma Rae (1979)

Uma mulher divorciada, mãe de dois filhos e que passa a sindicalista na luta contra as péssimas condições de trabalho a que são submetidos. Com esta premissa, Norma (Sally Field) se transformou em uma espécie de obelisco da luta feminina em um período de evidentes mudanças de pensamento. "Se Norma poderia ser aquilo tudo, por que eu não?" Devem ter pensado milhares de mulheres. Provavelmente mudou a vida delas.


5- Terra Fria (2006)

Baseado em uma história real, este é um grande exemplar de um filme feminista. Jasey Aimes (Charlize Theron) se divorcia do marido que a espanca e para sustentar os filhos arruma emprego em uma mineradora, onde passa por maus bocados (como a cena do banheiro!). Mas ela se recusa a sair e ainda entra na justiça contra a empresa. Uma luta verdadeira e extraordinária, um exemplo de mulher forte.


4- Meninos não Choram (1999)

O filme, também baseado em uma história real, traz uma garota (Hilary Swank, fantástica) homossexual que decide se passar por um garoto para ser aceita pela sociedade. Um retrato cru, quase documental, sobre a procura de uma saída para o domínio do machismo na sociedade americana rural. Teena Brandon se tornou uma espécie de Mártir na luta das mulheres pela sua liberdade emocional e sexual. 



3- Uma Questão de Silêncio (1982)

Três mulheres que não se conhecem matam um gerente de mercado que acusa uma dona-de-casa de roubo. Este é o ponto de partida para uma visão sobre a raiva sublimada das mulheres que ocasionou as revoluções feministas das décadas de 60 e 70. Um libelo dirigido por Marleen Gorris, acusado, entre outros, por ser uma reversão de esteriótipos, mas nada apaga seu teor revolucionário irrepreensível.



2- Tomates Verdes Fritos (1992)

Uma mistura de humor e melancolia governa as ações do filme que conta história de uma mulher cansada de sua rotina que conhece uma senhora que conta uma história que muda sua vida. Com sensibilidade e beleza as personagens Idge e Ruth nos são apresentados, e toda sua carga revolucionária mostra mais do que uma grande amizade, é uma luta pelos seus direitos de poder amar sem julgamentos. Um marco na cinematografia feminina.


1- Bagdá Café (1987)

O extraordinário filme de Percy Adlon pode ser o mais modesto em questão de produção, mas é o que traz uma mensagem mas forte e objetiva. Quando Jasmin (Marianne Sagebrecht) é abandonada pelo marido na estrada e cruza a vida da valente Brenda (CCH Pounder), nasce ali uma amizade extraordinária onde, dentre muitas lições, aprendem que suas vidas não dependem de nenhum homem, apenas de sua própria força de vontade. Magnífico!!!

sábado, 23 de novembro de 2013

Os 10 melhores elencos do cinema

Alguns filmes dentre as centenas de milhares feitas pelo mundo afora desde seus primórdios, conseguiram unir talentos formidáveis para compor o elenco. Estes se tornaram inesquecíveis, tanto pela carga dramática, quanto pela presença da imagem que já contribuía com o desempenho do longa. Mas para que um elenco consiga uma interação positiva e inesquecível, mais que talento, exigi-se dedicação para que os diálogos, olhares, trejeitos, tudo fosse estritamente perfeito e inesquecível. O Cineposforrest separou 10 elenco formidáveis que marcaram época. Obviamente, é um ponto de vista, por isso o caro leitor pode manifestar sua opinião nos comentários.

Legendas:
Venceu: Oscar (O); Globo de Ouro (O); SAG (S); BAFTA (B)
Indicado: Oscar (O); Globo de Ouro (O); SAG (S); BAFTA (B)

10 - O Senhor dos Anéis (2001; 2002; 2003)

Elijah Wood; Ian McQueelen (O)(B)(B)(S); Viggo Mortensen; Liv Tyler; Sean Astin; Cate Blanchett; Hugo Weaving; John Rhys-Davies; Orlando Bloom; Christopher Li e Andy Serkins.*

Pode ser que o grande mérito do resultado extraordinário da trilogia seja de Peter Jackson, porém não tem como negar que o triunfo deve-se também à dedicação de seus atores e de como conseguiram dar vida aos personagens de J.R.R. Tolkien. É só ler a obra para visualizarmos os atores. Ótimos.

9- Pulp Fiction - Tempo de Violência (1994)

John Travolta (O)(G)(B)(S); Samuel L. Jackson (O)(G)(B)(S); Uma Thurman (O)(G)(B)(S); Bruce Willis; Ving Rhames; Steve Buscemi; Harvey Keitel; Tim Roth; Amanda Plummer; Eric Stoltz e Quentin Tarantino.

O fenômeno da cultura pop que revolucionou os parâmetros da cinematografia contemporânea estarreceu não só pelas cenas de violência, mas também pela forma como Tarantino deu vida e personalidade a um grande número de personagens. Mesmo com pouco tempo, Travolta, Jackson e Thurman agradaram e foram indicados em todos os principais prêmios do circuito. Demais!

8- O Boulevard do Crime (1945)

Arletty; Jean-Louis Barrault; Pierre Brasseur; Pierre Renoir; María Casares; Gaston Modot; Marcel Herrand; Fabien Loris; Marcel Peres; Palau; Etienne Decroux e Louis Florencie.

Considerado um dos maiores filmes franceses de todos os tempos, esta brilhante reconstituição da França do século 19. Porém, o que conduz com maestria o roteiro perfeito de Jacques Prévert, que mescla melodrama, romance e tragédia, é a entrega de seus atores, a nata do país na época, repleta de super atuações, ajudaram a elevar a obra de Marcel Carné a filmografia obrigatória.

7- O Tesouro de Sierra Madre (1948)

Humphrey Bogart; Walter Huston(O)(G); Tim Holt; Bruce Brennett; Barton MacLane; Alfonso Bedoya; Arturo Soto Rangel; Manuel Dondé; José Torvay e Margarido Luna.

Nesse épico de ganância e cobiça de John  Huston, é possível identificar não só uma das mais icônicas e admiráveis produções em locações reais, como também um conjunto de atuações memoráveis. Como o enredo girava em torno da paranoia em busca de ouro, os atores trataram de nos transmitir um embate entre a honestidade e a tentação. Brilhante!

6- A Última Sessão de Cinema (1971)

Ben Johnson (O)(G)(B); Timothy Bottoms; Jeff Bridges (O); Cybill Shephard (G); Cloris Leachman (O)(G)(B); Ellen Burstyn (O)(G); Eileen Brennan (B); Sam Bottoms; Sharon Ulrick e Randy Quaid.

Em um dos mais belos e cultuados filmes de que se tem notícia, Peter Bogdanovich criou esta visão nostálgica e de certa forma pesada às mudanças da América dos anos 50. Porém, o obelisco da magnitude está nas atuações incríveis de atores poucos conhecidos e experientes. Ao todo, seis deles conseguiram ao menos uma indicação nos principais prêmios. Inesquecível.

5- As Horas (2002)

Nicole Kidman (O)(G)(B)(S); Meryl Streep (G)(B); Julianne Moore (O)(B)(S); Ed Harris (O)(G)(B)(S); John C. Reilly; Toni Colette; Claire Danes; Jeff Daniels; Stephen Dillane; Miranda Richardson e Margot Martindale.

Um dos retratos mais brilhantes e amargos do universo feminino foi construído à partir de uma das mulheres mais influentes da literatura inglesa, Virginia Woolf, e com um elenco extraordinário. Desde a incorporação fenomenal de Kidman com Woolf até a cara de paisagem irritante de Reilly, todos contribuem para o grande e sofrível espetáculo de Stephen Daldry. Talvez o último grande elenco do cinema.

4- Sindicato dos Ladrões (1954)

Marlon Brando (O)(G)(B); Eva Marie Saint (O)(B); Karl Malden (O); Lee J. Cobb (O); Rod Steiger (O); Pat Henning; Leif Erikson; James Westerfield; Tony Galento; John F. Hamilton e Abe Simon.

Considerado um dos maiores filmes americanos de todos os tempos, este brilhante retrato social, realista e contundente, pode creditar sim grande parte de seu sucesso ao seu poderoso elenco. Mesmo com a direção segura de Elia Kazan, as atuações inesquecíveis de grande parte de adeptos do naturalismo, oriundos dos preceitos de Constantin Stanislavsky, são um verdadeiro show à parte.

3- O Poderoso Chefão, Parte II (1974)

Al Pacino (O)(G)(B); Diane Keaton; Robert Duvall; Robert De Niro (O)(B); Talia Shire (O); Lee Strasberg (O)(G); Michael V. Gazzo (O); John Cazale; Frank Sivero; Gastone Moschin e Richard Bright.

É uma grande perda de tempo falar das inúmeras qualidades deste épico maravilhos de Fracis Ford Coppola. Porém, sempre é bom destacar que se não fosse pela dedicação espetacular de seu elenco, é provável que o resultado seria inferior. Podem até achar que o primeiro filme teve mais atuações memoráveis, mas neste segundo, tanto personagens quanto atores estão mais maduros e tenebrosos. Destaque para De Niro como o jovem e monossilábico Vito Corleone. Perfeito!

2- Crepúsculo dos Deuses (1950)

Gloria Swanson (O)(G); Willian Holden (O); Erich Von Stroheim (O)(G); Nancy Olson (O); Fred Clark; Anna Q. Nilsson; Jack Webb; Charles Dayton; Lloyd Gough; H. B. Warner e Buster Keaton.

Um dos maiores dramas da história também reuniu um de seus mais talentosos elencos. O texto amargo de Charles Brackett e Billy Wilder se transformou em um prenúncio de mau-agouro. Além do apoio triunfante de seus coadjuvantes, a atuação monstruosa de Swanson e as pontas de Buster Keaton e H.B. Warner, fizeram deste o mais triste retrato da Hollywood sem glamour. Assombroso.

1- A Malvada (1950)

Bette Davis (O)(G); Anne Baxter (O); Celeste Holm (O); Thelma Ritter (O)(G); George Sanders (O)(G); Gary Merrill; Hugh Malowe; Gregory Ratoff; Barbara Bates; Graig Hill e Marilyn Monroe.

Uma obra absolutamente brilhante, reverenciada e parodiada pelas seis décadas que a separa dos dias atuais, o filme de Joseph L. Mankiewicz é a maior concetração de talentos por "fita quadrada". Um embate hipnótico de atrizes extraordinárias, ainda apresenta uma das personagens mais festejadas de todos os tempos: a Margo Channing de uma soberba Bette Davis. Além disso, traz coadjuvantes preciosos e presentes, como o cínico Addison DeWitt de Sanders, e até uma pontinha da futura musa Marilyn Monroe. Triunfo sensacional, elenco inigualável.