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quarta-feira, 6 de março de 2013

Piaf - Um hino ao amor (2007)


La Môme , 2007
Direção: Olivier Dahan. Com: Marion Cotillard, Gérard Depardieu e Emmanuelle Seigner. 
Nota: 10


Poucos filmes biográficos tiveram um casamento tão perfeito com a mais pura arte quanto  o que retrata a infância de descaso, a vida ofegante e a obra fabulosa de uma das maiores estrelas da música de todos os tempos. Piaf – Um hino ao amor é um filme tão apaixonante quanto sua protagonista que escreveu seu nome com talento e sobretudo autenticidade na história. 

Edith Piaf (Marion Cotillard, assombrosa) já nasceu com a vocação para o espetáculo. Porém, esta vocação teve de ser lapidada por personagens que mais somaram à sua existência do que qualquer tipo de contradição em que a mesma caía constantemente. Desde criança, a pequena Edith aprendeu que amigos são o ponto alto de qualquer acorde que a vida possa extrair. Criada numa trupe circense ao lado do pai, sempre agia com sensibilidade para com todos e por deveras era tomada por menina sonhadora e irracional. A ausência da mãe que tentou ganhar a vida através da música, somada à falta de afeto do elo patriarcal a levou compartilhar toda esta sensibilidade por outros cantos. Foi num bordel dos arredores da cidade que foi criada por uma tia cafetina de seu pai. Lá que Edith cresceu, conheceu o carinho de uma mãe pelas mãos da sonhadora Titine (Emmanuelle Seigner), passou por problemas normais de infância/pré-adolescência e anormais (uma queratite). Mais tarde, seu pai desistiu da vida sob as lonas e resolveu sair pelas ruas, no intuito de com a rebenta ganhar o pão de cada dia. A vidinha da família de apenas dois membros seguia até seu curso desolador até que uma apresentação da pequena cantando o belíssimo Hino francês atraiu uma multidão, pagando naquele único dia o pão de toda semana. 

A luta da revolta armada francesa decantada por Piaf criou o suporte musical necessário para a menina brilhar. Mas antes, ela teve de se livrar da influência fria do pai, que tinha para com a filha apenas um meio de vida e nenhum tipo de afeição. A família de Piaf era formada pela amizade incondicional de Mômone (Sylvie Testud), a amiga com quem saía nas ruas para cantar em troca de alguns mirreis  Suas letras de pura melancolia nas calçadas logo chamou a atenção do poderoso Louis Leble (Gérard Depardieu), um conhecido empresário do ramo musical quem a iniciou na vida artística e a batizou de "La Môme Piaf"(o pequeno pardal) tamanho o êxtase que sua voz eloquente amparava nas apresentações. Sua carreira decola a um compasso meteórico. Encanta a Europa e parte para o novo continente. Em Nova Iorque o sucesso foi estrondoso. Aquela francesa franzina de voz marcante firmava-se entre as mulheres de maior prestígio individual e artístico, sempre tomando parte de uma personalidade carismaticamente indomável. O sucesso tornou-se fama e a fama rapidamente rendeu episódios fatídicos quando sua vida artística entra em descompasso com a pessoal em uma série de traumas sofridos levando-a ao declínio profissional e físico até sua morte. 

O filme de Olivier Dahan traça um perfil artístico minucioso como carrega em obras de conteúdo biográfico. Os 144 minutos de película expõe de forma emotiva e emocional a menina, mulher e cantora Edith Piaf de uma forma tão convincente que não há espaço para furos no roteiro. Desde a primeira cena até a última, o espectador se toma pelo contexto e seguem-se numa linha racional tão vibrante que não há tempo para o marasmo tomar o palco. Tudo é casado de forma magistral. Da protagonista e suas paixões; as paixões de suas canções; e o que suas canções nos trazem de paixões. A personalidade apaixonante da cantora conduz o filme de maneira homogênea e é extasiante admirar sua força de vontade e determinação por algo que faz com amor. Uma mulher desnuda pelos acertos e essencialmente pelos erros, numa notória eficiência de um roteiro que vai do passado ao presente pautado na escuridão hipnotizante de uma figura tão complexa como Piaf. Além disso, a miscelânea de gêneros (biografia, drama, musical) não deixa que o filme se torne monótono. Preciso pelas lentes de Dahan que trabalha com uma felicidade absoluta nas sequencias mais dramáticas. Vale muito a pena acompanhar a passagem em que Piaf acredita estar conversando no quarto durante uma manhã com seu grande amor, um boxeador que morrera horas num acidente. Depois de receber a tal notícia, entra num desespero opulento, de arrancar os cabelos. O paradoxo de emoções termina com a estrela no palco cantando uma canção que compôs para o próprio. Por esta cena, sua intérprete mereceu o Oscar. 

O teor biográfico da obra é o levante para se apreciar. As passagens de tempo perfeitamente intercaladas pelo roteiro leva o espectador a conhecer as incríveis nuances de uma estrela esplendorosa magnificamente interpretada e representada por Cotillard. A bela parisiense de olhos vidrados capta com com grande êxito as características físicas e as nuances psicológicas de Piaf num dos maiores trabalhos da história. A maquiagem ajuda na caracterização, mas não se pode usurpar por completo de Cotillard o fascínio verossímil desta obra-prima que como poucas capta a essência de uma personalidade adorável que soube usar o amor variavelmente como uma forma de vida. Um deslumbramento primal para uma grande obra que funde com perfeição a paixão decantada como um hino de amor. Canta como biografia e encanta como cinema.



"Não se agarre a dor num pretexto para morrer. 
Use-a para viver."
Edith Piaf 


terça-feira, 5 de março de 2013

Previsões Oscar 2014: DIRETOR

Continuando as primeiras observações acerca do Oscar de 2014. Algumas figurinhas carimbadas estão de volta, como Scorcesse e os Irmãos Coen. Veja outros que podem pintar.

DIRETOR

Martin Scorcesse - The Wolf of Wall Street

Desde 2002 com seu megalomaníaco e exuberante Gangues de Nova Iorque, o diretor sempre vem figurando nas listagens da Academia ano sim, outro não. Venceu por Os Infiltrados (06), agora com uma história moderna e com sua mão firme, além, claro, da parceria com DiCaprio, sua presença é quase certa.


Joel e Ethan Coen - Inside Llewyn Davis

Os irmãos construíram uma carreira sólida e um cinema singular. Seus nomes estão ligados à qualidade cinematográfica. A trajetória do cantor folk dos anos 60, com um toque de humor, vão forçá-los a trabalhar seu talento em analisar um homem e suas inquietudes, como em Um Homem Sério (09).


Alfonso Cuarón - Gravity

Se não teve reconhecido seu potencial com seu ótimo E Tua Mãe Também (01), e por seu trabalho que tornou O Prisioneiro de Azkaban o melhor da saga do bruxo Harry Potter, pode ser com este drama, que lembra muito Apollo 13 (94), que virá sua primeira indicação.



Lee Daniels - The Butler

Daniels não faz questão que seus filmes sejam amados, e na maioria não são. Em seu último, The Paperboy, conseguiu dividir opiniões. Mas tem tarimba para arrancar excelentes atuações de seu elenco, e pode transformar a simples história de um mordomo que serviu a 8 presidentes na Casa Branca em um libelo.





John Lee Hancock - Saving Mr. Banks

O diretor vai finalmente conseguir status com uma história dos bons tempos de Hollywood e seus tubarões, neste caso, Walt Disney. Com um bom roteiro e atores competentes, será difícil que passe desapercebido em 2014.



Ron Howard - Rush

É um figurão do meio cinematográfico e quase sempre pesca uma vaguinha aqui ou ali. Seu filme, sobre o mito da F1, Niki Lauda, tem potencial, principalmente se o suporte técnico consigam capturar a emoção das corridas. E, claro, o roteiro não seja banal.


Baz Luhrmann - The Great Gatsby

Baz costuma descer a mão para que o apelo estético de seus longas sejam perfeitos, o que acaba por enfraquecer o conteúdo do roteiro. Com uma pérola de F. Scott Fitzgerald na mão e DiCaprio e Carey Mullighan no elenco, só afundando a mão para sair errado.


George Clooney - The Monuments Men

Seu ótimo trabalho em Tudo Pelo Poder (11) foi deixado de lado de forma ainda sem explicação. Mas, com esta história sobre um grupo de historiadores e curadores que pretendem resgatar obras antes que Hitler as destrua, pode fazer seu trabalho mais retumbante.


Steve McQueen - Twelve Years Slave

O impressionante Shame (11) e o forte Hunger (08) elevaram o diretor a status de cult. Ignorado pelos lados ocidentais, deve, finalmente, ganhar notoriedade, principalmente por se tratar de uma história americana, com a qual muitos vão se identificar.



Spike Lee - Oldboy

Este remake de um dos maiores sucessos do cinema sul-coreano dos últimos tempos, pode finalmente ser o que Lee necessitava para garantir sua indicação. Uma história crua, forte, cheia de ódio e vingança, tudo o que o diretor tem facilidade para conceber.


segunda-feira, 4 de março de 2013

Da realidade para a ficção: Joana D'arc

Jeanne D'Arc ou Joana Dar'c, nasceu na localidade de Domrémy, região pobre da França em 6 de janeiro de 1412. Posteriormente a cidade foi renomeada como Domrémy-la-Pucelle em sua homenagem (pucelle; donzela em português). Filha do agricultor Jacques d'Arc, sua mãe Isabelle Romée tentava desde cedo lhe ensinar a fiar e costurar. Muito religiosa, Joana frequentava a Igreja quase sempre e sua ligação com o divino teria se iniciado por volta dos 13 anos quando começou a ouvir vozes acompanhadas de um grande clarão no céu. Estas vozes lhe aconselhavam a lutar. Tomar a região da França ocupada pelos ingleses e devolver o Delfim, Rei da França a seu trono, segundo os propósitos de seu Deus cessando assim a chamada Guerra de Cem Anos com a Inglaterra. Mas antes Joana teve de passar por um teste arquitetado pela  corte francesa, que temia que a Virgem de Lorena fosse um truque, uma ameaça ao Rei. Carlos VII, disfarçado, tentou iludir Joana, que segundo consta, reconheceu o verdadeiro Rei curvando-se diante dele de maneira bem determinada: "Senhor, vim conduzir os seus exércitos à vitória". Finalmente convencido pelo parecer da corte eclesial que atestou a virgindade de Joana, o Rei entrega-lhe às mãos uma espada, um estandarte e o comando das tropas francesas, para seguir rumo à libertação da cidade de Orléans. Comandando um exército de 4000 homens ela consegue a vitória sobre os invasores no episódio conhecido como a Libertação de Orléans. Um feito que nenhum exército francês conseguira anteriormente. Daí, a fama de Joana Dar'c se estendeu por toda a região, vencendo à frente de seu exército importantes batalhas e passando a ser temida por seus inimigos. A coroação do Rei Carlos VII foi apenas uma questão de tempo, oficializada em 17 de Julho de 1422. Joana já não tinha nada mais que fazer no exército já que havia cumprido corretamente as ordens que as vozes lhe haviam dado. Mas ela, como muitos franceses, viu que enquanto a cidade de Paris estivesse tomada pelas tropas inglesas, dificilmente o novo Rei poderia ter claramente o controle de seu reino. Uma campanha desastrosa em Paris acelerou os planos da corte em fazer um tratado vantajoso para ambos os lados. O Rei estava satisfeito com sua condição e assim, Joana foi entregue como herege às autoridades eclesiais francesas, ainda supervisionadas pelo Governo inglês. Vendida aos ingleses, Joana passou por um duro interrogatório e torturas na violenta tentativa em ser dissuadida a negar sua identidade e sua ligação com as forças divinas. Jean de Luxemburgo, apresentou-se a Joana fazendo-lhe a proposta de pagar por sua liberdade se ela prometesse não atacar mais os ingleses. Em vão, Joana estava mesmo disposta ir até o fim de sua jornada cármica. Fim este que veio em 30 de Maio de 1431, dia em que foi queimada viva como bruxa em plena Place du Vieux Marché, às 9 horas, em Ruão. Suas cinzas foram jogadas no Rio Sena, para que não se tornassem objeto de veneração pública. Era o fim da heroína francesa em vida, mas seu nome ganhou proporções globais, ultrapasou as páginas dos livros de história e desembocou nas telas de cinema. 

"Sei agora o seguinte. Todo homem dá sua vida pelo que ele acredita. Toda mulher dá sua vida pelo que ela acredita. Há pessoas que acreditam em pouco ou em nada e, ainda assim, dão suas vidas por esse pouco ou por esse nada. Tudo o que temos é a nossa vida, e a vivemos como acreditamos que devamos vivê-la, e então ela se vai. Mas renunciar ao que se é e viver sem acreditar em nada é mais terrível do que morrer - mais terrível até do que morrer jovem."Joana Dar'c

A figura heroica de uma mulher que empunhou a bandeira da coragem é uma das boas gamas recorrentes para qualquer bom roteirista. Sendo assim, a saga sangrenta em meio ao divino de Joana Dar'c rendeu inúmeros documentários, livros, e filmes. Dentre as obras cinematográficas, nomes de estrelas como Ingrid Bergman, Milla Jovovich e a então jovem Lelee Sobieski estamparam o rosto da mulher que lutou com uma determinação visceral frente a um exército em um propósito. Em cada uma das obras, o roteiro é similar, enfatizando as principais passagens da vida e obra nos campos de batalha da Santa padroeira da França. E as atuações não deixam a desejar, claro, sendo Joana uma mulher/guerreira que entrou para a história ao desafiar as leis mundanas e divinas de um tempo regido pela fé e sangue, teria sim que ser aberto um leque de possibilidades para um bom trabalho. No entanto, nenhum destes bons trabalhos foram superiores ao de Maria Falconetti em A paixão de Joana Dar'c. Há quem afirme categoricamente que deve-se a ela o fato do filme ter se tornado um clássico de rara beleza e excelência, entrando em inúmeras listas como um dos melhores e maiores da história. A entrega de sua paixão, amparada pelo tempo em que o cinema se fazia entender apenas pelas expressões, é lendária. Falconetti foi precisa ao extrair toda dor da tortura carnal e espiritual da personagem histórica. Tida para muitos como a melhor interpretação de um ator na história do cinema, é tão marcante quanto os feitos da Mártir francesa.

domingo, 3 de março de 2013

Previsões Oscar 2014: FILME

Sim caro leitor, mal passou a edição 85 do Oscar e já estamos pensando na próxima. Neste começo são só uma ideia, já que no espaço de um ano muita coisa pode mude, longas podem ser cancelados e pós-produções demorarem mais do que o previsto. Então vamos aos cotados pelo Cineposforrest nas 6 principais categorias. Comentem e deixem seus pitacos também.

FILME

The Great Gatsby
Baz Luhmman volta a fazer parceria co Leonardo DiCaprio, e tem um texto brilhante em mãos: a adaptação do conto de Scott Fitzgerald. Se não ficar maravilhado com as possibilidades técnicas e visuais e perder a mão da condução, como de costume, é fortíssimo candidato a estar na lista.


The Monuments Man
George Clooney costuma se sair muito bem atrás das câmeras, e depois de ter seu Tudo Pelo Poder (11) amplamente ignorado, tem grandes possibilidades com esta trama que gira em torno de historiadores que correm contra o tempo para recuperar obras de arte roubadas pelos nazistas antes que Hitler dê fim nelas.


The Wolf of Wall Street
O nome Martin Scorcesse já era argumento suficiente para que o filme se tornasse forte, porém, há muito mais. Novamente com Leonardo DiCaprio, o longa que fala de um corretor da bolsa que se recusa a participar de uma enorme fraude em Wall Street, ou seja, um roteiro que pode pegar o público.



Inside Llewin Davis
Os Irmãos Coen parecem revezar com Tarantino e quando um sai, o outro entra na disputa. Depois de realizarem um western de classe com o ótimo Bravura Indômita (10), trazem a história de um cantor folk de Nova Iorque nos anos 60. Parece pouco, mas o nome dos Coen sustentam as expectativas.


The Butler
Lee Daniels desempenha hoje o papel que já foi de John Singleton e Spike Lee, levando histórias duras, reais, quase sempre voltadas à comunidade afro. Porém, ao contar a história do mordomo que serviu a oito presidentes na Casa Branca, aparenta ter encontrado certa sutileza, será?


Gravity
Alfonso Cuarón ganhou passaporte para Hollywood após o excelente E Tua Mãe Também (01), mas foi mandado para dirigir um blockbuster (Harry Potter e O Prisioneiro de Azkaban, 04). Fez outro bom trabalho e tem sua história de astronautas à deriva no espaço após um acidente muito esperada. Vamos ver.


Saving Mr. Banks
John Lee Hancock não tem bons filmes no currículo, mas com uma trama que conta o episódio em que a escritora P. L. Travers viaja de Londres para os Estados Unidos e encontra Walt Disney, que adapta seu Mary Poppins para as telona. Histórias de Hollywood quase sempre tem vez.

To the Wonder
Terrence Mallick parece ter desistido de ficar anos mentalizando para lançar um filme e apenas dois anos depois de A Árvore da Vida traz um complicada história de um casal que encontra diversas dificuldades quando seus destinos se entrelaçam com outras duas pessoas. Muita reflexão, isso é certeza.


Twelve Years Slave
Depois do estarrecedor e subestimado Shame (11), Steve McQueen se junta novamente ao seu ator fetiche Michael Fassbender para mostrar a dura história de um homem negro livre, raptado em Nova Iorque e vendido como escravo no sul no século 19.



The fifth state
Depois de conduzir os últimos filmes da Saga Crepúsculo, Bill Condon volta ao cinema "sério" e mostra a relação de Julian Assange, criador do site Wikileakes, e seu defensor Daniel Domscheidt-Berg e como o aumento da relevância do site prejudicou a amizade entre eles. Assunto atual, se bem feito, chama atenção.


Rush
Ron Howard adora uma história real, com personagens que se superam de variadas formas. E sempre consegue suas vaguinhas pelo seu ótimo trabalho. Com a história do tricampeão de F1, Niki Lauda, que depois de um acidente quase fatal em 76 e que semanas depois já volta às pistas, parece promissor.


August: Osage County
Uma trama que gira em torno de uma reunião familiar onde seu patriarca alcoólatra desaparece é o roteiro que a Academia costuma adorar. Agora vamos ver se seus atores (Streep, Julia Roberts e Ewan McGregor) não ficarão maiores que o longa, se acontecer, perde a força.

Blue Jasmine
Pouco se sabe ainda do novo filme de Wood Allen, mas como ignorar alguma obra dele? O certo é que conta com Cate Blanchett e Alec Baldwin no elenco.



Elysium
Neil Bloomkamp surpreendeu quando usou a ficção científica de seu Distrito 9 (09) para falar de desigualdade social. Desta vez, o foco são somente humanos, mas ainda se trata de sci-fi. Em um mundo futurista onde só os ricos vivem bem, um homem pode mudar tudo. Wagner Moura no elenco. 

Fruitvale
Desde já candidato a ocupar a vaga de independente do ano, pois já conquistou o festival de Veneza, conta a história de Oscar, um rapaz de 22 anos, que no último dia de 2008, cruza o caminho de diversas pessoas, mudando um pouco suas vidas.

OldBoy
Demorou, mas a adaptação hollywoodiana do perturbador longa coreano, que conta a história de um executivo que é mantido refém por 20 anos, depois de solto, sai em busca dos responsáveis. Mas, mal sabe ele que o tormento ainda está longe do fim. Um filme pesado, nas mãos de Spike Lee. Ame ou odeie.


sábado, 2 de março de 2013

Segredos íntimos (2006)

Segredos íntimos (Ha-Sodot , 2006)
Direção: Avi Nesher. Com: Anya Bukestein, Michal Shtamler e Fanny Ardant. 
Nota: 9

A cultura israelense ultra-ortodoxa nunca foi segredo pra ninguém no mundo. Bem como o papel quase nulo de altivez que tem as mulheres dentro desta cultura. Uma dessas muitas mulheres é Hadar Galron, uma inglesa que se definiu como "ortodoxa e uma feminista corajosamente franca". Hadar é nascida em Londres e contribuiu progressivamente no roteiro de Avi Nesher, um dos mais aclamados diretores do cinema de seu país. Desta parceria surgiu o impressionante Segredos íntimos, filme que expõe com muita fidelidade a busca pela individualidade feminina diante da complexa corrente machista do judaísmo.

O longa acompanha a trajetória de Naomi (Anya Bukestein, belíssima), uma garota extremamente inteligente e dedicada à família que foi prometida em casamento ao melhor discípulo de seu pai, um conceituado rabino.  Após a morte de sua mãe, Naomi convence o pai a ir estudar em um seminário para moças em Safed e é aí que começa sua louvável mudança de personalidade. A garota de olhar triste e frases feitas chega ao seminário carregando consigo não só o título da mais inteligente, como também da mais arrogante da turma por ter um conhecimento além do apropriado para sua posição. Ela se une as carismáticas Sigyi (Dana Ivgy), uma fanática em busca de perdão pelos pecados da juventude; e a gordinha Shanyi (Talli Oren) , responsável pelos momentos cômicos da trama. O impacto de sua mudança geográfica se torna mais contundente depois que conhece Michele (Michal Shtamler), uma garota de espírito indômito que veio da França internada pelos pais em busca de disciplina. Michele é diferente de tudo que Naomi e as outras colegas conhece. Ela fuma, não cumpre horários e está sempre desafiando as regras daquele que define como "lugar atrasado". Ambas passam a chamar a atenção da mentora do local, que dentre livros e lições, tenta passar ocultamente a mais relevante delas. Mudar a condição inferior das mulheres regida por uma lei bíblica de mais de 2 mil anos. A revolução silenciosa proposta por ela tinha como objetivo formar uma rabina ainda naquela geração e Naomi era uma candidata em potencial. 

A jovem promissora começa uma amizade de idas e vindas com Michele e aos poucos o jeito liberal da moça de costumes europeus, muda sua face e num simples ato de sorrir, seu jeito de encarar a vida. A repressão havia causado em Naomi uma incapacidade agoniante de não se emocionar. A rebelião íntima começa quando ambas são enviadas à casa da misteriosa Anouk (Fanny Ardant), uma mulher cujo passado é marcado por paixões e morte. Anouk deseja o perdão de Deus por seus pecados que incluem o abandono dos filhos e um assassinato. Ela retornou ao seu país em busca desta redenção espiritual, uma vez condenada pelos médicos. Depois de ter a porta fechada pelos religiosos do lugar, ela procura as jovens do seminário que segundo ela, parece ter o mesmo conhecimento neste campo dos homens. A amizade entre os três vértices deste explosivo triângulo de personalidades se desenrola a brilhante narrativa da obra. O envolvimento das personagens rende momentos inesquecíveis em meio a sessões de fortalecimento espiritual através da Cabala  regida com maestria pela promissora rabina. A troca de experiências desta relação fortalece ainda mais a energia única de Naomi, que dispensa seu noivo machista, rompe com as tradições impostas pela família e segue seu curso de evolução. 

O que mais chama atenção na obra de Nesher é a ousadia de ir a fundo na discussão de um tema tabu para os parâmetros de sua cultura. Uma mulher sendo colocada na mesma condição que os homens, com o caminho aberto das oportunidades de evolução social e intelectual. A ousadia é destacável, mas não devemos esquecer que sem um roteiro fascinante, uma história instigante de personagens heterogeneamente empáticos, nada disso seria tão bem aproveitado. As mudanças de rumo das personagens na constante busca por um ideal de vida também é colocada de forma brilhante. Naomi buscava a firmação que já tinha Michele quando no fim, é Michele quem descobre que o que mais desejava era a tradição de mulheres sábias que constroem um lar prontamente ignorada por Naomi. A pungente química das jovens Bukestein e Shtamler vão de encontro com a naturalidade de suas interpretações que amparadas pelo talento da estrela Ardant, transforma água em vinho com uma miraculosidade divina. As coadjuvantes seguem o mesmo curso, marcando personalidades distintas dentro do seminário num acabamento que envolve o espectador do início ao fim. A trilha sonora é de uma beleza extasiante. 

O texto primoroso vai passeando seguramente por diálogos tensos, delicados e cômicos. Nada é chato e cansativo, e muito menos desprende as pessoas de sua religiosidade. Um tema forte como esse exposto gera mesmo algumas controvérsias de avaliação. Não trata-se de um filme que abusa de críticas religiosas, pelo contrário, o emaranhado de seguimentos neste campo se faz presente da forma mais justa e respeitosa possível, recorrendo acima de tudo a escolha dos envolvidos neste processo. E muito menos de temática lésbica, como é erroneamente classificado. Ele explora com mais felicidade o lado da resistência feminina contra a opressão machista do que a sexualidade das personagens principais. O breve envolvimento romântico afetivo entre Naomi e Michele é mais uma consequência desta batalha de libertação individual do que uma clamor lésbico em si. Neste caso, o final decepcionante para a parcela homossexual direcionada é pouco justificado, porém escorrega quando afirma textualmente que "o tradicional às vezes é o mais correto".  

Nesher e Hadar conseguiram nesta obra de raro apreço explorar com sensibilidade e precisão a força da mulher do outro lado da moeda de uma cultura pouco explorada com tamanho êxito. O fato das personagens serem jovens e se encontrarem no sopé da montanha de formação moral, ajuda na caracterização de cenas menos densas quando se trata de polêmica. O espírito jovial na alegria dos cânticos está presente e minimiza este afronto. O ponto positivo do filme poderia apenas se valer de seu tema, contudo, o capricho com que tudo foi produzido deixa qualquer um dentro e fora desta cultura satisfeitos com uma obra intimamente obrigatória. Para quem aprecia temas de grande alcance, certamente um projeto de tirar o solidéu. 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O Mestre (2012)



Dirigido por Paul Thomas Anderson. Com Joaquin Phoenix, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams, Laura Dern, Rami Malek e Jesse Plemmons.

Nota: 9.5

Paul Thomas Anderson não costuma brincar em serviço. Desde de quando ganhou notoriedade na condução do polêmico Boogie Nights – Prazer Sem Limites (98), sobre uma produtora de filmes pornográficos e seus personagens singulares, vem tentando nos mostrar como o comportamento humano é o mais complexo dentre todos os seres vivos. Em O Mestre, faz um ensaio sobre as revoltas de uma mente traumatizada e as diversas facetas da psique humana. Como sempre, o foco principal está no que uma pessoa pode mudar seu destino, querendo ou não ser influenciada por outra.

Poderia ser um filme sobre redenção, reviravoltas e lições de moral diversas, mas não é do feito de P. T. Anderson ser tão simplório. Aqui, acompanha a trajetória de Freddie Quell (Joaquin Phoenix, ótimo), um ex-combatente da Segunda Guerra Mundial que procura desesperadamente um aminho a seguir depois de tantos traumas. Dentre eles, o do álcool, no qual se tornou um verdadeiro mestre em fabricá-las das mais variadas formas e qualidades; e a violência quase incontrolável. Quando caminho se liga ao do carismático mentor de um movimento religioso chamado de A Causa, Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman, pefeito), sua vida se tornará uma espécie de simbiose com o grupo, e fará de tudo para proteger seu mestre.

Não é simples compreender as mazelas de Anderson. Seu filme é taciturno, ora contemplativo, ora verborrágico, um estilo totalmente singular de criar a linha narrativa. Primeiro somos apresentados ao personagem voraz de Phoenix, violento, compulsivo sexual, alcoolatra, mas sem que qualquer julgamento da motivação seja feita pelo diretor. Mesmo assim, o comportamento de Freddie incomoda, perturba, e não de se estranhar que o odeie com menos de meia hora de filme. Quando finalmente entra em cena Lancaster Dodd, nos é apresentado o complexo esquema dA Causa, meio sacro, meio pscicanalítico, incompreensível. A concentração das ações no núcleo do grupo e a crescente ligação de Dodd e Quell nos dão conta que pode ser uma crítica aos excessos religiosos, que apareceram sob variadas formas e vertentes após a terrível guerra.

Porém o diretor vai além. Seu texto é subjetivo, e nos é intrasigente fazer qualquer comentário antes que a película chegue ao fim. Talvez seja esta a intenção, deixar um tema de relação tão intenso ,como religião e comportamento, ao exame íntimo do público, pois até hoje a população mundial busca no trascendental a cura para os males físicos e espirituais. Não seria ele se tornar um determinista. O Mestre, na verdade, faz o que toda a obra de Anderson fez até hoje, nos colocar a par das diferentes maneiras que um indivíduo se apresenta, com motivações diferentes. Seja na ganância como em Sangue Negro (08), ou  na carência afetiva visto em Magnólia (99).

O diretor ainda desfila sua categoria com a câmera. Desde o início conduzido por belas imagens e trilha sublime, em que dá espaço para o protagonista encher a tela. De uma hora para outra deixa tudo desconcertante e monstruoso com as atitudes do protagonista. Há ainda variadas referências durate todo o longa: a nudez total que exibe em um momento de delírio de Freddie, sem vulgaridades, ao estilo Kubrick e Pasolini. É clínico, e faz com que qualquer segundo em que seus atores aparecem não sejam desperdiçados com frivolidades. Phoenix está como nunca, talvez para responder a quem disse que não voltaria à cena depois de seu auto-documentário malfadado. Hoffman dá um show à parte, com simplicidade e simpatia, típico dos “chefes” das igrejas hoje em dia, e conta com o arcabouço da sempre competente Amy Adams como sua esposa e reguladora. Mais que um elenco, é um panteão.

Talvez O Mestre não se torne um sucesso de público, mas a crítica já se rendeu. Fosse P. T. Anderson um diretor preocupado com a venda de bilhetes, e ter deixado a complexidade um pouco branda, teria uma obra perfeita nas mãos. Entretanto os cinéfilos já lhe tiram o chapéu, e é até um absurdo pensar que foi reduzido a apenas três indicações ao Oscar (ficou fora por filme diretor e roteiro), pode ser pela polêmica de talvez ser inspirado no criador da Cientologia, porém quem saiu perdendo foi a Academia. Uma obra-prima, trabalho feito na arte pura de um verdadeiro mestre.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Perfil: Steven Spielberg - O tubarão da indústria cinematográfica

Seu nome é tão imponente dentro do cinema que a impressão que se tem é que este tubarão da indústria cinematográfica tem uma inteligência extraterrestre. A palavra gênio, atribuída a ele pelo vencedor do Oscar Ben Afleck, parece pouco para o diretor que conseguiu durante décadas transformar tudo que tocou usando o mesmo recurso do mitológico Rei Midas. Ambos usam as mãos para tamanho feito. Com sua câmera, aumentou consideravelmente sua fortuna pessoal que vira e mexe estampa os artigos da Revista Forbes. Contudo, a riqueza gerada pela paixão que transmite com seu talento incontestável é incomparável à paixão que desperta nos cinéfilos do mundo todo. Há pessoas que podem nem entender de cinema, e nem mesmo sequer ter visto um filme por completo, mas certamente conhece seu nome.

Steven Allan Spielberg nasceu em Cincinnati, EUA, em 18 de dezembro de 1946 dentro de uma família judia e por conta disso sofria preconceito tendo de ouvir diariamente piadas anti-semitas no colégio. Viveu boa parte de sua vida em Phoenix, e quando seus pais se separaram mudou-se para a Califórnia. Antes disso, fazia de suas três irmãs as estrelas de seis filmes caseiros filmados com uma Super-8. Começava dentro de casa, seus contatos imediatos com a arte. Mas não foi tão fácil assim, pois quando se volta para o passado, percebe-se que seu talento quase foi minado pela reprovação no Curso de cinema, tendo ele que estudar Literatura inglesa em meio a dois curta-metragens ainda na fase adolescente Fuga do Inferno e Firelight. De volta para o futuro, sua determinação alcançou grandes proporções quando em 1969, fez sua estréia profissional com o curta-metragem Amblin, que conta a história de um casal de jovens que se encontra no deserto de Mojave, premiado no Festival de Veneza. Nesta época, tentou entrar na University of Southern California, o que foi um verdadeiro templo da perdição para ele. Não aceito, foi parar na Universidade Estadual da Califórnia, onde fez cinco filmes. 

Amblin o levou a Universal e Encurralado (1972), seu primeiro longa-metragem produzido para a televisão. Diante de tanto sucesso, foi vendido para os cinemas de onde surgiu Louca escapada (1974), disseminando a parceria com o compositor John Williams. A parceria gerou logo de cara uma das maiores bilheterias da história. Com Tubarão, Spielberg criou um modelo rentável de super produção, que seria copiado pelos grandes estúdios,  com elevados custos de marketing e efeitos especiais. Ou seja, o pai de todos os blockbusters. A partir daí sua carreira instaurou-se um enigma da pirâmide crescente de sucessos. Contatos Imediatos de Terceiro Grau (1977), Os Caçadores da Arca Perdida (1981) e E.T, o Extraterrestre (1982), renderam não só reconhecimento na área financeira como também na área artística, tendo sido indicado ao Oscar de melhor diretor pelos três trabalhos. Mesmo que não tenha vindo a estatueta dourada, o ouro do talento de Spielberg reluzia tão forte que seu império do Sol já estava consolidado dentro dos estúdios. Império este aumentado de maneira significativa com as maiores bilheterias do início da década de 90. Jurassic Park voltou a arrasar nas bilheterias de todo o mundo com uma das obras mais bem produzidas da história. Um fenômeno instantâneo que consolidou com uma qualidade visual impressionante seu status de clássico e o nome de Spielberg denotou gênio. A Lista de Schindler, que retratava o martírio dos judeus na Segunda Guerra Mundial, foi um projeto pessoal abraçado com carinho e competência e o resultado não poderia ser outro. Sua primeira estatueta do Oscar como Melhor diretor. Spielberg quis homenagear os judeus, já que sua avó, judia, ficou presa num campo de concentração na Polônia, mas neste processo foi o cinema que saiu homenageado. Sua vitória neste campo se repetiria em 1999 com o fabuloso O Resgate do Soldado Ryan, em que mais uma vez a Guerra serviria como fonte de inspiração, provando o engajamento que o diretor tem para com as vítimas desta triste passagem da história. 

Realizado profissionalmente, Spielberg parte para novos desafios. O primeiro foi fundar um estúdio, a Dream Works SKG da Disney em sociedade com Jeffrey Katzenberg. Amistad foi seu primeiro projeto e fracasso. Uma palavra que raramente encontramos por sua trajetória, mas com o sucesso arrasador de Titanic naquele mesmo ano, afundou suas perspectivas. Depois de alternar entre o sucesso (Prenda-me se For Capaz) e o insucesso (O Terminal), deu um tempo nos blockbusters e partiu para filmes de temática mais séria como Munique (2005), sobre a caçada aos assassinos de onze atletas da delegação israelense durante os Jogos Olímpicos de 1972. Por este filme, foi novamente indicado ao Oscar. O mesmo trabalho havia feito anos atrás em A cor púrpura (1985) em que mostrou para a mídia sua versatilidade. E pensar que Spielberg poderia ter se tornado um mito maior (e mais rico) dentro da indústria se tivesse aceitado dirigir a saga de Harry Potter. Divergências contratuais com K. Howling tiraram a possibilidade dos fãs de ver uma obra muito mais relevante em termos cinematográficos. 

Em 2006 Spielberg aumentou sua fortuna pessoal vendendo seu estúdio para a Paramount, mas permanecendo como produtor executivo. E em 2008, ele moveu um verdadeiro cavalo de guerra pela Dream Works  Seu estúdio junto com a Viacom Inc e a Universal Pictures foram acusadas de infringir os direitos autorais e quebrar um contrato por produzirem Paranóia sem a permissão dos detentores dos direitos da trama, segundo o processo. O filme obteve cerca de 80 milhões de dólares nas bilheterias, porém levou o diretor à cadeira dos réus por conta da adaptação da história, que teria sido anexada a Hitchcock e o ator James Stewart em 1953. 

As últimas cruzadas de Spielberg podem até não ser condizente ao seu talento indiscutível e há quem diga que o cineasta perdeu seu lendário toque de Midas. Entretanto, como o lendário Rei, o diretor, produtor, empresário e roteirista já tem seu nome gravado a ouro na calçada da Fama e seu estilo visionário é inconfundível. Seu nome é um dos mais  lembrados dentro do cenário e sua natureza de paixões, competência e popularidade, vão além da eternidade. 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A Rede Social (2010)

The social network, 2010. Dirigido por David Fincher. Com Jesse Einsenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake e Rooney Mara.

Nota: 9.4

No auge da Cibercultura, David Fincher explora a incoerência da geração Y, e reflete sobre até onde a tecnologia afastam as pessoas, tendo como personagem central o maior símbolo da sociedade informatizada. O criador de uma ferramenta incrivelmente capaz de unir pessoas pelos quatro cantos do planeta, porém deixa transparecer a fragilidade com que somos consumidos pela necessidade de nos conectar, mesmo que isso necessariamente não corresponda a "ser amigo".

Não é difícil de entender A Rede Social, é um filme sobre o universo jovem, repleto de festas, consumo de drogas e sexo casual. Só que diferentemente da maioria dos longas com esta premissa, o roteirista Alan Sorkin insere um contexto moderno explorando a mais célebre ferramenta da era globalizada, a rede social. A partir da conturbada concepção da mais famosa delas, o Facebook, o roteiro coloca lado à lado a "amizade" virtual e a real, mostrando sem pudores como Mark Zuckerberg, um dos criadores e dono do site de relacionamentos, conseguiu 500 milhões ( em 2008, hoje são números ainda mais impressionantes) de amigos virtuais e perdeu os poucos amigos de verdade em julgamentos milionários.

A direção segura de Fincher o permite condensar o filme de forma que não se torne cansativo e muito menos preso ao universo do site. A intenção, muito bem explícita, é mostrar a dualidade da nova geração, sedenta por interagir com o mundo inteiro, porém cada vez mais individualista e excêntrica.  Mark ignorou tudo e a todos apenas para fazer o que acha que é certo, evidenciando a leviandade de seu caráter, que muitos podem desaprovar, mas que o mais corriqueiro comportamento do mundo atual. Apesar de chegarmos a um veredicto desfavorável ao Sr. Zuckerberg, Fincher não faz papel de juiz, e sua montagem dinâmica permite que acompanhemos uma linha do tempo (sem trocadilhos) dos acontecimentos, para assim tirarmos conclusões.

Os diálogos ágeis, como é de costume desta nova geração, e as interpretações formidáveis dos jovens atores Jesse Eisenberg (merecidamente indicado ao Oscar) e Andrew Garfield (injustamente fora dele) dão uma incrível veracidade ao longa. É uma nova forma de pensar cinema, um modo provocativo, que determina tempo e espaço, delimita uma era. Em um grupo de cineastas contemporâneos, que podemos incluir ainda Darren Aronofsky (Cisne Negro, 2010), Christopher Nolan (O Cavaleiro das Trevas 08; A Origem 2010) e David O. Russel (O Vencedor, 2010), David Fincher encabeça a lista e, com certeza, daqui alguns anos veremos o resultado deste ainda modesto movimento.

Um retrato absolutamente fiel ao atual momento, e o filme mais importante do cinema americano desde Matrix (99). Um julgamento sem juízes ou júri, apenas uma história real, contada através de uma trilha sonora pesada e montagem brilhante. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

ParaNorman (2012)


Idem, 2012. Dirigido por Sam Fell, Chris Butler. Vozes de Kodi Smit-McPhee, Anna Kendrick, Casey Affleck e Christopher Mintz-Plasse

Nota: 7.8

As animações, geralmente são constituídas por partes bem feitas e divertidas, como também por mensagens subliminares, aquelas que sempre têm algo de bom para passar para crianças e adultos. Mas para que os planos dos produtores sejam perfeitos, os ideais emitidos devem ser claros, e lançados de uma forma que todas as mentes possam assimilar. Em Paranorman o stop-motion se envereda pelo tema do momento, os mortos-vivos, mas com uma indecisão incômoda entre o “sério” e o divertido, na história de um menino que pode falar com os mortos.

Norman (Kodi Smit-McPhee) é um típico loser da escola onde estuda. Não tem amigos e ainda é ameaçado e humilhado por brutamontes. O que aumenta a implicância com o rapazinho é o fato de ele falar com os mortos, que até sua família desacredita e acha bizarro. Quando uma maldição, lançada por bruxas séculos atrás se concretiza pelas próprias mãos de Norman, mortos-vivos voltam à vida e o menino precisará mostrar coragem e contar com a ajuda de amigos para reverter a situação.

O principal atrativo do longa animado está na ousadia dos diretores Sam Fell e Chris Butler em optar por se aproximar dos clássicos de horror das décadas de 60 e 70, de John Carpenter e George Romero. Ao invés de criarem monstros bonitinhos, lançaram figuras horripilantes, como pode ser visto em filmes como A Noite dos Mortos-Vivos (68) de Romero. E para evitar que perdessem seu público principal, manteve a dose de humor lá no alto, pois mesmo que as referências a outros longas não fosse bem assimiladas, a diversão seria garantida.

Sendo assim, quem mais sai lucrando com esta histórica de humor ácido são os adultos. O roteiro, assim como os mais famosos longas do gênero, o cunho social imposto nas entrelinhas, como a comparação da sociedade com zumbis alienados, está presente. Mas há um meio termo nesta construção narrativa. O filme é complexo demais para que crianças possam entender, e superficial demais para os adultos levem a sério, o que, obviamente, faz com sua qualidade como obra cinematográfica decaia.

Mesmo com uma técnica de stop-motion perfeita, esta lacuna do discurso suprime a intenção de Fell e Butler. Tivessem optado por uma linha infantil, mas que mantivesse as homenagens e reflexões que se propôs, teria com certeza chegado ao ponto essencial da obra. A psique do pequeno Norman, com sua ingenuidade que o impedia de compreender o tamanho e importância de seu dom poderia ter ganhado maior destaque (Tudo bem ficaria bem parecido com O Sexto Sentido), assim ficaria fácil de controlar a ambiguidade narrativa.

Entretanto, ParaNorman é um filme que vale a pena de se assistir pela diversão, pela homenagem aos bons tempos do horror e também pela qualidade dos traços. Se ficou neste meio termo prejudicial, foi pela ousadia e vontade de se afastar da cartilha criada para produções animadas, não por omissão ou falta de qualidade de ideias, que infelizmente domina o cinema atual, e está começando a se manifestar no gênero.


sábado, 23 de fevereiro de 2013

Apostas do Cineposforrest para o Oscar 2013

Como de costume, está aí minhas apostas para o Oscar que vai se realizar neste dia 24 de fevereiro. Em cada um dos links que estão disponíveis, você pode acessar a crítica do filme feita pelo blog. Leiam e façam suas apostas lá embaixo nos comentários. Obrigado.

MELHOR FILME


Paulo Silva escolheu ARGO
* Até acreditava que a Academia não daria o braço a torcer depois da grande idiotice de deixar Affleck de fora na categoria diretor. Mas, depois de faturar quase todos os prêmios possíveis já vislumbro a possibilidade de o filme repetir o feito de Conduzindo Miss Dayse (90), quando Bruce Beresford não foi para a lista, mas seu ficou ficou com o prêmio máximo.


Flávia Cristina escolheu LINCOLN
* Apesar de ter gostado mais de A hora mais escura, Lincoln, como já foi dito na crítica, é um filme para americano ver e ganha muita força se tratando de uma história tão forte de um aclamado presidente americano, além da diração do mestre Spielberg. Argo é um excelente filme e pode surpreender,mas apostas são apostas....

MELHOR DIRETOR

Benh Zeitlin - Indomável Sonhadora
David O. Russel - O Lado Bom da Vida
Michael Haneke - Amor
Steven Spielberg - Lincoln

Paulo Silva escolheu MICHAEL HANEKE - AMOR
*A disputa ficou xoxa depois que Ben Affleck ficou estranhamente fora da lista. Além disso, Kathryn Bigelow sucumbiu ante as polêmicas de seu ótimo filme. Spielberg pode então ser considerado favorito, mas não ganhou nada. Fica então a grande oportunidade de a Academia premiar Haneke, e é o que eu acho que vai acontecer.


Flávia Cristina escolheu STEVEN SPIELBERG - LINCOLN
* Como Bigerlow e Afleck ficaram injustamente de fora, a escolha fica mesmo xoxa. Spielberg é um gênio, e ao conduzir a sempre bem atual história da abolição da escratura no país, éum nome fortíssimo. podenão ter ganhado nada, mas seu nome nunca pode ser descartado. Cavalode Guerra queimou seu filme, mas ele voltou com tudo neste ano. Apostas à parte, meu prefeido é O. Russel. Seu trabalho em O lado bom da vida é fantástico. 

MELHOR ATOR

Bradley Cooper - O Lado Bom da Vida
Daniel Day-Lewis - Lincoln
Denzel Washington - O Voo
Hugh Jackman - Os Miseráveis
Joaquin Phoenix - O Mestre

Paulo Silva escolheu DANIEL DAY-LEWIS - LINCOLN
*Juro, nem é pelo fato de ele ter ganho tudo até agora, mas dentre as excelentes atuações do grupo de indicados, que ainda poderia ter John Hawkes ou Denis Lavant, sua interpretação do mítico presidente americano é assombrosa. 


Flávia Cristina escolheu DANIEL DAY-LEWIS - LINCOLN
* Sem comentários. Este leva de lavada, só se realmente acontecer uma nova Guerra de Secessão para lhe tirar os Oscar das mãos. 

MELHOR ATRIZ

Emanuelle Riva - Amor
Jennifer Lawrence - O Lado Bom da Vida
Jessica Chastain - A Hora Mais Escura
Naomi Watts - O Impossível
Quvenzhané Wallis - Indomável Sonhadora

Paulo Silva escolheu JENNIFER LAWRENCE - O LADO BOM DA VIDA
*O nível é altíssimo, desde a veteraníssima Riva até a mirim Wallis, são atuações acima da média. Mas acredito que queridinha por queridinha, vão optar por Lawrence, pelo quesito blockbuster, que acaba pesando. Mas não me surpreenderia se Riva ou Chastain ficassem com o prêmio.


Flávia Cristina escolheu JESSICA CHASTAIN - A HORA MAIS ESCURA
* É uma categoria interessante, de excelentes performances. Jessica está fabulosa e Lawrence também mereceria o prêmio. Riva pode surpreender. A opção pela ruiva de sorriso encantador se dá pelo fato de que talvez ainda não tenha chegado o momento de Lawrence. E ainda se formos fazer uma comparação entre os papéis, Chastain tem um apelo mais  forte neste sentido. 


MELHOR ATOR COADJUVANTE

Alan Arkin - Argo
Christoph Waltz - Django Livre
Philip Seymour Hoffman - O Mestre
Robert DeNiro - O Lado Bom da Vida
Tommy Lee-Jones - Lincoln

Paulo Silva escolheu TOMMY LEE-JONES - LINCOLN
*É a categoria mais acirrada até o momento, onde qualquer um deles pode vencer. Mas aposto que no último momento Lee-Jones vai se sobressair. Sua maior ameaça é Alan Arkin, que costuma aparecer do nada como em Pequena Miss Sunshine (07).


Flávia Cristina escolheu PHILLIP SEYMOUR HOFFMAN - O MESTRE
* Sem Di Caprio, aposto no sempre seguro Seymour Hoffman. Lee-Jones teve uma excelente atuação, mil vezes melhor que a lhe rendeu o Oscar por O Fugitivo (93). Não acredito que Waltz, em mais um filme de Tarantino, leve o prêmio.



MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Amy Adams - O Mestre
Anne Hathaway - Os Miseráveis
Helen Hunt - As Sessões
Jacki Weaver - O Lado Bom da Vida
Sally Field - Lincoln


Paulo Silva escolheu ANNE HATHAWAY - OS MISERÁVEIS
*Pelo simples fato: ganhou tudo até aqui. Mesmo com a presença da invicta Sally Field, que venceu as duas vezes em que foi indicada, a vitória da mocinha que é um show à parte no longa cantando "I dremed a dream", que só por isto já venceria.


Flávia Cristina escolheu ANNE HATHAWAY - OS MISERÁVEIS
* A coisa mais rica do filme de Hooper. A atuação extraordinária de uma das mais talentosas e carismáticas atrizes desta geração. Amy Adams e Hunt mostram competência, mas nem de longe podem ameaçar a vitória protocolar de Hathaway

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL


John Gatins - O Voo
Mark Boal - A Hora Mais Escura
Michael Haneke - Amor
Quentin Tarantino - Django Livre
Wes Anderson e Roman Coppola - Moonrise Kingdom

Paulo Silva escolheu MICHAEL HANEKE - AMOR
*Como acredito que o prêmio de direção vai para ele, a Academia lhe dará outro prêmio para enfatizar o prêmio anterior. Não é o melhor roteiro, prefiro Moonrise Kingdom, O Voo e  Django Livre, mas irá vencer.


Flávia Cristina escolheu QUENTIN TARANTINO - DJANGO LIVRE
* Tudo que remete a originalidade cai em Tarantino. E depois de ter perdido com obras-primas como Pulp-Fiction e Bastardos Inglórios, agora é esperar para que Django, pelo menos nesta categoria, lhe faça justiça. 

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Chris Terrio - Argo
David Magee - As Aventuras de Pi
David O. Russel - O Lado Bom da Vida
Lucy Alibar e Benh Zeitlin - Indomável Sonhadora
Tony Kushner, John Logan e Paul Webb - Lincoln

Paulo Silva escolheu CHRIS TERRIO - ARGO
*Das qualidades do longa de Affleck, o seu roteiro é com certeza seu grande triunfo. E a temporada de prêmios vem provando isso. Talvez é a única categoria que é o favorito disparado. Mesmo com os bons trabalhos de Magee e O. Russel, vencerá facilmente.


Flávia Cristina escolheu CHRIS TERRIO - ARGO
* As aventuras de Pi é forte candidato, mas o filme de Affleck é certamente umas daquelas primasias que dificilmente são esquecidas. 

MELHOR FOTOGRAFIA

Claudio Miranda - As Aventuras de Pi
Janusz Kaminski - Lincoln
Robert Richardson - Django Livre
Roger Deakins - 007 - Operação Skyfaal
Seamus McGarvey - Anna Karenina

Paulo Silva escolheu ROGER DEAKINS - 007 - OPERAÇÃO SKYFAAL
*Este não é o melhor trabalho de Deakins, mas ainda assim é muito bom. O que aumenta suas chances é que Kaminski fez um trabalho mediano em Lincoln e Richardson ganhou ano passado (A Invenção de Hugo Cabret). Quem pode lhe tirar o prêmio é Claudio Miranda pelo magnífico visual de Pi, e também seu pé frio, já que foi indicado outras 10 vezes e nunca ganhou.


Flávia Cristina escolheu CLAUDIO MIRANDA - AS AVENTURAS DE PI
* Um belíssimo espetáculo visual em comum com o tema fortemente espirituoso do filme. Assim as sensações emergem na tela de forma perfeita. 

MELHOR MONTAGEM

Dilan Tichenor - A Hora Mais Escura
Jay Cassidy e Crispin Struthers - O Lado Bom da Vida
Michael Kahn - Lincoln
Tim Sqyres  - As Aventuras de Pi
Willian Goldenberg  - Argo

Paulo Silva escolheu WILLIAN GOLDENBERG - ARGO
*Outra categoria onde o filme de Affleck é muito favorito. Seu trabalho de transposição de sequências deixa a tensão lá em cima, sem exageros. O trabalho deCassidy e Struthers teria chances se não fosse por Goldenberg.


Flávia Cristina escolheu DILAN TICHENOR - A HORA MAIS ESCURA
* Argo é tenso, mas se tratando de um episódio de repercussão mundial, os últimos minutos de A hora mais escura se sobressai neste sentido e pode levar.

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

David Gropman - As Aventuras de Pi
Eve Stuart - Os Miseráveis
Rick Carter - Lincoln
Sarah Greenwood - Anna Karenina

Paulo Silva escolheu EVE STUART - OS MISERÁVEIS
*É inegável que as melhores qualidades de Os Miseráveis está em sua produção, impecável. E a reconstituição de tempo e espaço de Stuart vai se sobressair contra a fantasia de O Hobbit e a elegância de Anna Karenina.


Flávia Cristina escolheu EVE STUART - OS MISERÁVEIS
* Pelo menos nisso pode-se dizer que o filme de Hooper é impecável.

MELHOR FIGURINO

Colleen Atwood - Branca de Neve e o Caçador
Eiko Ishioka - Espelho, Espelho Meu
Jaqueline Durran - Anna Karenina
Joanna Johnston - Lincoln
Paco Delgado - Os Miseráveis

Paulo Silva escolheu JAQUELINE DURRAN - ANNA KARENINA
*É um trabalho formidável, um dos melhores dos últimos anos, e tem aquela coisa das vestimentas do século 19, que quase sempre vencem. Quem pode estragar a festa é o trabalho, também excelente, de Paco Delgado, ou uma possível homenagem a Eiko Ishioka, falecida no fim de janeiro.


Flávia Cristina escolheu PACO DELGADO - OS MISERÁVEIS
* numa obra teatral o figurino é a peça chave e neste caso, o filme cantado protagonizado por Jackman tem uma vantagem neste sentido. Será uma difícil tarefa tirar de Anna Karenina, mas ainda sim fico com ele como um desafio. 

MELHOR MAQUIAGEM

Hitchcock
Os Miseráveis

Paulo Silva escolheu OS MISERÁVEIS
*A maquiagem de Hitchcock não é boa, teria indicado A Viagem, que nem sei por que ficou de fora. O Hobbit teve sua cota preenchida com a Saga do Anel, sobra pelo bom trabalho da equipe de Os Miseráveis. Mais na conta de Hooper.


Flávia Cristina escolheu OS MISERÁVEIS
* A produção caprichada da obra se estende consideravelmente por este campo. 

MELHOR TRILHA SONORA

Alexandre Desplat - Argo
Dario Marianelli - Anna Karenina
John Willians - Lincoln
Mychael Dana - As Aventuras de Pi
Thomas Newman - 007 - Operação Skyfaal

Paulo Silva escolheu THOMAS NEWMAN - 007 - OPERAÇÃO SKYFAAL
*A disputa mesmo é entre Newman e sua trilha primorosa de Skyfaal e Alexandre Desplat, que faz dois excelentes trabalhos na temporada (o outro é em A Hora Mais Escura). Mas acredito que o primeiro sobre aproveitar melhor o saudosismo e variações de ritmo do filme de Sam Mendes. 

MELHOR MIXAGEM DE SOM

Os Miseráveis
007 - Operação Skyfaal
As Aventuras de Pi
Lincoln
Argo

Paulo Silva escolheu OS MISERÁVEIS
*Sim, as canções não ficaram tão boas quanto poderíam ter ficado, mas acho que darão um prêmio pela ousadia de Hooper em gravar tudo ao vivo. Se ficarem indiferentes, o prêmio ficará com Argo ou Skyfaal.

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

007 - Operação Skyfaal
A Hora Mais Escura
As Aventuras de Pi
Django Livre 
Argo

Paulo Silva escolheu A HORA MAIS ESCURA
*O filme de Bigelow só não vence esta categoria se a polêmica só mesmo muito forte, ou se Argo resolver abocanhar tudo. O trabalho é excepcional, na medida certa. Os outros tês tem poucas chances, mas têm.

MELHOR EFEITOS VISUAIS


Paulo Silva escolheu AS AVENTURAS DE PI
*O filme tem grandes adversários, mas a Academia fará jus ao visual maravilhoso e emocionante, uma  verdadeira poesia hi-tech. Também poderá ser o prêmio de consolação, pois acredito que este ótimo filme não vencerá mais nada.


Flávia Cristina escolheu AS AVENTURAS DE PI
* Um filme que precisa alçar a emoção por meio de cenários fortes e deslumbrantes demarca os efeitos visuais como indispensável. 

MELHOR CANÇÃO

Skyfaal - 007 - Operação Skyfaal 
Suddenly - Os Miseráveis 
Pi's Lullabi - As Aventuras de Pi
Everbody Needs A Best Friend - Ted
Before My Time - Chasing Ice

Paulo Silva escolheu SKYFAAL - 007 - OPERAÇÃO SKYFAAL
*O Oscar adora um popstar, e como a canção da famosa cantora britânica Adele é realmente muito boa, o prêmio dificilmente não vai para ela. Podem inventar de agradecer a apresentador da noite, Seth McFarlane, dando o prêmio pela canção de Ted, mas acho improvável. Oscar entre os Grammys na estante da moça.


MELHOR FILME ESTRANGEIRO

AmorÁustria
O Amante da RainhaDinamarca
NoChile
Kon-TikiNoruega

Paulo Silva escolheu AMOR
*Indicado ao Oscar de melhor filme e diretor, pensar que não vencerá esta categoria é uma sandice. Mesmo sem os pré-requisitos, dificilmente perderia, apesar do excelente No e dos bons Kon-Tiki e A Feiticeira da Guerra. Não achei que O Amante da Rainha deveria ter sido indicado, mas não chega a ser dispensável.


Flávia Cristina escolheu AMOR
* Todos são excelentes, mas como Amor concorre a melhor filme, fica como uma carta marcada. Apesar de minha preferência ir para O Amante da Rainha, com um tema muito relevante e enredo diferente de todos do gênero.


MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO

Paranorman
Piratas Pirados!

Paulo Silva escolheu DETONA RALPH
*Apesar de ser muito bom, Valente vem perdendo força, principalmente devido à distância em que foi lançado para a premiação. Ralph vencerá muito mais pelo trabalho de produção que pela história em si. Se alguém pode surpreender é Frankenweenie, mas acho complicado. Gostei mesmo é de ver os bons ParaNorman e Piratas Pirados!, que tiraram o mas ou menos A Origem dos Guardiões fora.


Flávia Cristina escolheu VALENTE
* me acostumei a ver filmes de animação com temas mais adultos e sociologicamente bem de encontro às complexidades, fobias e traumas da sociedade. Neste caso, Valente supera a todos. Mas como já foi dito, pode estar perdendo força, mas assim mesmo vou arriscar.