Visitantes
domingo, 13 de janeiro de 2013
O Exótico Hotel Marigold (2012)
The Best Exotic Marigold Hotel, 2012. Dirigido por John Madden. Com Judi Dench, Maggie Smith, Tom Wilkinson, Bill Nighy, Penelope Wilton, Sara Stewart, Roanald Pickup e Dev Patel.
Nota: 7.5
Não por maldade, mas quando colocamos nossa mente para refletir sobre o envelhecimento, sempre descambamos para o melancólico, com aquele amargo gosto das lágrimas internas, ou não, que quase por vontade próprio se derrama. E no cinema o clima não costuma ser diferente. Obras como Iris (2001), que, apesar de ser uma belíssima história de amor, é também um desenho venal e cruel sobre os problemas do crepúsculo da vida, quase uma setença de que o destino é um fim tenebroso, hostil e sofrido, com mais lamentações do que recordações. Porém, em O Exótico Hotel Marigold, o diretor John Madden reúne a nata da terceira idade dos atores britânico e constrói um painel reflexivo sobre ser velho, bem mais do que os olhos podem ver.
Evelyn (Judi Dench), Graham (Tom Wilkinson), Muriel (Maggie Smith), Douglas (Bill Nighy) e sua esposa Jean (Penelope Wilton), Madge (Sara Stewart) e Norman (Ronald Pickup) estão aposentados e se sentindo sem um sentido na nova etapa da vida. Cada um, por seus íntimos motivos parte para um hotel para idosos em uma cidade na ìndia em busca de que seus problemas se resolvam. Porém, o estabelecimento administrado pelo sonhador Sonny (Dev Patel) não é o que os folhetos mostravam, e os novos hóspedes passam a enfrentar as carências da estrutura. Contudo, isso será deixado de lado quando a jornada os levam a um conhecimento ao qual não acreditavam mais ser capazes de alcançar.
O roteiro de Ol Parker quase coloca tudo a perder. Toda a sensanção de recomeço em que os personagens são inseridos não consegue ter tanto impacto devido ao excesso de clichês sentimentais e à forçação de barra para envolvimentos românticos que inevitavelmente acontecem. As histórias não conseguem ter um desenvolvimento pleno e satisfatório e a narrativa pende para o novelão, com o intuito de levar às lágrimas, quando a moral da história indica não há motivos para tal, a não ser de alegria. Talvez se optasse por escolher por desenvolver plenamente dois ou três personagens, o ritmo ganhasse força. Pior ainda foi dar espaço em demasia à trama do jovem Sonny, não que seja desinteressante, mas já havia histórias demais a serem conduzidas.
Apesar destas burradas de Parker, o que faz de Marigold um lugar propenso à felicidade de seus personagens e que agrada, é a atuação do elenco. Apesar de seus textos pueris, todos conseguem fazer com o aprendizado forçado seja bem entendido pelo público, e ainda não dar a sensação de que aquilo saiu de alguma novela das seis. Tom Wilkinson fica na linha tênue em que seu Graham é obrigado a viver, com um remorso quase mortal. Outro que se sai bem é Bill Nighy, bem menos exagerado que sua cmpanheira Wilton, se define desde o início como é descrito pela esposa, bondoso demais, e mesmo que o roteiro exija excessos, ele não o faz.
Porém, duas atrizes elevam o filme a condição de recomendável, apesar de tudo. Judi Dench e Maggie Smith mostram excelência em atuações que mereciam muito mais do que lhes foram dado, e mesmo assim extraem o pouco de o texto lhe oferece e passa ao público que sempre há tempo para algo de novo possa ser feito. Ao contrário de filmes como o já citado Iris (estrelado com perfeição por Miss Dench) estar idoso não é uma condição que implica o aspecto físico e o mental, como o dilema que atormenta Madge e Norman, e sim só o primeiro, pois pode-se até estar com o corpo combalido, mas a mente pode sempre estar sã, isso é possível de se escolher.
O filme não é melhor tanto pelo roteiro frágil e tendencioso a banalidades, principalmente na parte final, quanto pela direção frouxa de Madden, lembrando seu irregular Shakespeare Apaixonado (98). Contudo esta visão do envelhecimento traz algo que não estamos acostumados a ver: ela sendo tratada como um aporte para aprendizado e naõ sendo um estudo de comportamento melancólico que apontado o fim de tudo. Pois “se no final não der certo, é por que ainda não é o fim”, e mesmo não sendo bem assim, ao menos nos faz assistir aos créditos se sentindo muito melhor.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Capítulo 2: Cinderela em Paris
Continuando com nossa saga saudosista em torno deste mito hollywoodiano, agora veremos como uma dolorosa experiência pode moldar a determinação de uma mulher.
Sabrina (Hepburn, no auge da beleza) é a filha do chofer de uma das mais conceituadas famílias de Nova Iorque. Os Larrabee tinham como herdeiros os irmãos David (Holden) e Linus (Bogart). Bonitos e bem educados, porém de personalidades opostas. Enquanto David era o bon vivant da família, Linus era o cara sério, de pés de chão. Aí entra em cena as reviravoltas sempre presentes no gênero. A garota pobre sempre foi perdidamente apaixonada pelo rapaz rico e mulherengo (David), que além de não ser um "homem para casar", ainda a vê como uma menina. A indiferença de seu amor a faz sofrer, sendo enviada a Paris por seu pai para recuperar seu estado de espírito. Sabrina passa dois anos na cidade luz fazendo um curso de culinária e quando retorna, parece diferente e mais madura. No entanto, esta segurança cai por terra quando um contratempo a aproxima de David. O rapaz vai até a estação de trem por acaso e avista uma bela mulher. Ele, como nunca se fez de rogado nestas situações, joga todo seu charme pra cima da "desconhecida" e a leva para casa enquanto Sabrina se diverte com a situação.
"O passado, eu acho, me ajudou a apreciar o presente, e eu não quero estragar nada disso por idealizar um futuro." Audrey Hepburn
Com o fim da Guerra, Audrey e sua mãe mudaram-se para a Inglaterra, onde sua experiência com a dança a levou a Escola de dança Marie Lambert. Esta experiência no entanto não poderia cobrir algumas exigências feitas pela mestra. A garota era alta demais e não tinha talento para tal. Desiludida, passou a trabalhar como corista e modelo fotográfica para sustentar a família. Como sempre dizemos que quando uma porta se abre, outra se fecha. Se para o balé sua carreira estava aniquilada, as portas para a interpretação foram mais generosas com a garota esguia de determinação impressionante. Sua estreia foi no documentário Dutch in Seven Lessons, seguido por uma série de pequenos filmes. Em 1952, viajou para a França para a gravação de Montecarlo Baby, onde conheceu a escritora Collette, que trabalhava com a montagem para a Broadway da peça Gigi. Encantada com Audrey, decidiu que ela seria a sua protagonista. Audrey saiu ilesa às críticas negativas da peça. Por isso tempos depois participou de uma audição para o filme A Princesa e o Plebeu. Encantado com a atriz, o diretor William Wyler escalou-a para viver o que sempre foi: uma Princesa, dividindo a cena com Gregory Peck, que também surpreendeu-se com o talento da companheira, agraciada com o Oscar de Melhor Atriz.O sucesso batia finalmente a sua porta e para completar a fase, três dias após a cerimônia do Oscar, recebeu o Tony por sua atuação em Ondine. A peça fora uma sugestão de Mel Ferrer, por quem se apaixonaria durante a temporada na Broadway. Casaram-se em setembro daquele ano. Audrey também faria Sabrina, que rendeu-lhe a segunda indicação ao Oscar.
SABRINA, 1954
Direção: Billy Wilder. Com: Audrey Hepburn, Humphrey Bogart e William Holden.
Nota: 7.5
O filme do consagrado Billy Wilder conta com uma teia mais relevante de estórias do que a própria história. O fervor de mais uma obra do diretor ganhou notariedade considerável muito antes de ser rodado. Primeiro, pelo próprio, por estar a frente de mais um projeto e isto por si só já seria um valoroso estopim para tal. Depois, o triângulo estelar envolvendo o galã William Holden, o astro veterano Humphrey Bogart, e por enfim, e não menos importante, a estrela "coadjuvante" da obra, Audrey Hepburn. Não é exagero fazer esta afirmação, visto que o cachê da atriz foi 10 vezes menor que de seus colegas. E hoje, quando associamos algo a este filme, o nome de Hepburn ecoa de maneira mais eloquente, provando que as cifras sempre estiveram de acordo com a democracia perversa e injusta. Diante destas e outras lendas em torno do filme, é explicável o porquê desta comédia romântica ter sido um sucesso, mesmo se tratando de uma historinha simples com um roteiro tanto quanto.
Sabrina (Hepburn, no auge da beleza) é a filha do chofer de uma das mais conceituadas famílias de Nova Iorque. Os Larrabee tinham como herdeiros os irmãos David (Holden) e Linus (Bogart). Bonitos e bem educados, porém de personalidades opostas. Enquanto David era o bon vivant da família, Linus era o cara sério, de pés de chão. Aí entra em cena as reviravoltas sempre presentes no gênero. A garota pobre sempre foi perdidamente apaixonada pelo rapaz rico e mulherengo (David), que além de não ser um "homem para casar", ainda a vê como uma menina. A indiferença de seu amor a faz sofrer, sendo enviada a Paris por seu pai para recuperar seu estado de espírito. Sabrina passa dois anos na cidade luz fazendo um curso de culinária e quando retorna, parece diferente e mais madura. No entanto, esta segurança cai por terra quando um contratempo a aproxima de David. O rapaz vai até a estação de trem por acaso e avista uma bela mulher. Ele, como nunca se fez de rogado nestas situações, joga todo seu charme pra cima da "desconhecida" e a leva para casa enquanto Sabrina se diverte com a situação.
O choque da revelação de que aquele mulherão é na verdade a menina que ele esnobava, é o ponto alto do filme. David faz de tudo para conquistá-la e quando consegue, entra em cena seu irmão mais velho, que a princípio, só quer separá-los, uma vez que David está de casamento marcado com uma ricaça de uma família que os Larrabee pleiteiam um acordo financeiro. Linus parte para seduzir Sabrina certo de que está se "sacrificando" pelo futuro de sua família. Ao perceber que o sacrifício tornou-se amor, o Larrabee mais velho se arrepende e conta sua armação para a moça, que a essas alturas estava caindo de amores por seus encantos mais consistentes em relação a um futuro. Desiludida com os rumos de suas relações com os irmãos, Sabrina, mais uma vez, agora por vontade própria, resolve retornar a Paris. E é aí que se desenrola um dos finais mais interessantes da história. Linus arma para que David vá de encontro a Sabrina, mas o irmão caçula logo percebe que o homem certo para a bela é Linus. David dá o troco no irmão começando a insultar Sabrina e de quebra confirma suas suspeitas quando leva um soco no rosto. Linus se convence de que seu amor é recíproco e parte de encontro a moça embarcando no navio da Corporação. O felizes para sempre é concretizado, mesmo numa cena fria de um simples abraço entre os pombinhos.
Simplicidade. Esta foi toda a essência de uma das mais conhecidas comédias românticas da Era de ouro de Hollywood. Este conceito afastou a expectativa gerada em torno da obra. Em suma, Sabrina foi um filme muito mais reverenciado pelos bastidores e premissas do que em sua realização. A história apesar de fofa, não atinge grandes proporções, não passando apenas de uma clássica história de amor. Contudo, por tudo que se emanou de sua produção se esperava mais. Talvez se tivesse sido construído por figuras menos conhecidas, tivesse obtido um êxito maior como obra cinematográfica, se tornando algo inesquecível, ao invés de um romance água com açúcar como tantos outros.
O trio de protagonistas de nomes consagrados não faz feio, porém longe de terem brilhado como em outros trabalhos. Sendo assim, a nomeação ao Oscar para Hepburn se fez por razões só explicáveis na época em que se realizou o filme. Estrela num filme de sucesso, indicação como consequência. Hepburn fez trabalhos melhores com um leque bem mais palpável como atriz, em que deveria ter tido melhor sorte com uma possível indicação. Porém, é compreensível se esquecer do lado crítico para apreciar sua presença sempre altiva em mais uma obra, e que por isso não passa indiferente aos olhos de todos. Para os românticos incorrigíveis um baluarte, e para os cinéfilos, mais uma oportunidade de ver a estrela de sorriso confiável desfilando todos seus atributos míticos em estado de graça.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Indicados ao Oscar 2013
MELHOR FILME
* Sabe-se lá por que a Academia deu para indicar nove apenas na categoria principal. Em alguns anos, isso até é aceitável, mas neste ano não. Poderia ter entrado Moonrise Kingdom ou até Skyfaal, para justificar tanto espaço na lista principal. É uma boa lista, com destaque para o independente Indomável Sonhadora e a justiça sendo feita à bela carreira de Haneke com Amour.
Steven Spielberg - Lincoln
Prêmios anteriores: Melhor diretor: A Lista de Schindler (94); O Resgate do Soldado Ryan (99).
Indicações anteriores: Melhor diretor: Contatos Imediatos de Terceiro Grau (78); Os caçadores da Arca Perdida (82); E.T. - O Extraterrestre (83); Munique (06). Melhor filme: Tubarão (76); Contatos Imediatos de Terceiro Grau (78); Os caçadores da Arca Perdida (82); E.T. - O Extraterrestre (83); A Cor Púrpura (86); O Resgate do Soldado Ryan (99); Munique (06); Cavalo de Guerra (12).
Ang Lee - As Aventuras de Pi
Prêmios anteriores: Melhor diretor: O Segredo de Brokeback Mountain (07); Melhor filme estrangeiro: O Tigre e o Dragão (01).
Indicações anteriores: Melhor diretor: O Tigre e o Dragão (01). Melhor Filme: Razão e Sensibilidade (96); O Tigre e o Dragão (01); O Segredo de Brokeback Mountain (07). Melhor filme estrangeiro: Banquete de Casamento (94).
David O. Russel - O Lado Bom da Vida
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores: Melhor diretor: O Vencedor (11). Melhor filme: O Vencedor (11).
Benh Zeitlin - Indomável Sonhadora
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores: 1ª Indicação
Michael Haneke - Amour
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores: 1ª Indicação
* Foi assustador não ver o nome de Ben Affleck, pois seu trabalho em Argo é excelente. Katryn Bigelow foi ausência a ser sentida também, mas como venceu há pouco tempo, os membros da Academia preteriu sem dó. Tarantino poderia aparecer, entretanto o trabalho de Haneke já merecia tal reconhecimento, depois de ótimos trabalhos em A Fita Branca e Caché, este último impugnado na época. Zeitlin foi a grande surpresa, mas o sucesso de crítica de seu filme faz de sua indicação no mínimo aceitável.
MELHOR ATOR
Daniel Day-Lewis - Lincoln
Prêmios anteriores: Melhor ator: Meu Pé Esquerdo (89); Sangue Negro (09).
Indicações anteriores: Melhor ator: Em Nome do Pai (94); Gangues de Nova Iorque (03);
Hugh Jackman - Os Miseráveis
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores: 1ª indicação
Bradley Cooper - O Lado Bom da Vida
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores: 1ª indicação
Joaquin Phoenix - O Mestre
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores: Melhor ator: Johnny e June (06); Melhor ator coadjuvante: Gladiador (01).
Denzel Washington - O Voo
Prêmios anteriores: Melhor ator: Dia de Treinamento (02); Melhor ator coadjuvante: Glória (89).
Indicações anteriores: Melhor ator: Malcom X (93); Hurricane - O Furacão (00). Melhor ator coadjuvante: Um Grito de Liberdade (88).
* O destaque foi a esnobada que John Hawkes levou, já que foi indicado a todos os prêmios do circuito. Joaquin Phoenix ficou com a vaga. Bela surpresa é Jackman como Jean Valjean. Só a sua determinação em cantar e sair do esteriótipo de machão já vale. Denzel Washington de volta desde sua vitória em 2002, com um papel controverso do jeito que gosta. Cooper vem provando que tem potencial para mais desafios, e seu papel o levou a dezenas de indicações, não ia sobrar. Mas Day-Lewis vem como uma lenda da história americana, com banca para se tornar um mito do cinema.
MELHOR ATRIZ
Jessica Chastain - A Hora Mais Escura
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores: Melhor atriz coadjuvante: Histórias Cruzadas (12).
Jennifer Lawrence - O Lado Bom da Vida
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores: Melhor atriz: Inverno da Alma (11).
Naomi Watts - O Impossível
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores: Melhor atriz: 21 Gramas (04).
Emmanuelle Riva - Amour
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores: 1ª indicação
Quvenzhané Wallis - Indomável Sonhadora
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores: 1ª Indicação
* Uma lista interessante. Chastain iria com certeza, pois ano passado poderia ter entrado por três papéis, e eles adoram compensar (não que não mereça, pois ainda não vi). Lawrence vem encantando e entra como favorita, e seu talento tanto para blockbusters quanto para dramas lhe dão esta vantagem. Riva era uma incógnita, e com o fortalecimento de Amour, foi alavancada para a vaga. Watts comove e dá esperanças com uma atuação sem exageros, mereceu. A pequena Wallis desbancou a veterana Helen Mirren e a ótima Marion Cotillard. Pudera, sua atuação é assustadoramente poderosa para uma menina de 9 anos.
MELHOR ATOR COADJUVANTE
Tommy Lee-Jones - Lincoln
Prêmios anteriores: Melhor ator coadjuvante: O Fugitivo (94).
Indicações anteriores: Melhor ator: No Vale das Sombras (09). Melhor ator coadjuvante: JFK - A Pergunta que Não quer Calar (90).
Philip Seymour Hoffman - O Mestre
Prêmios anteriores: Melhor ator: Capote (06).
Indicações anteriores: Melhor ator coadjuvante: Jogos do Poder (08); Dúvida (09).
Alan Arkin - Argo
Prêmios anteriores: Melhor ator coadjuvante: Pequena Miss Sunshine (07).
Indicações anteriores: Melhor ator: Os Russos Estão Chegando, os Russos Estão Chegando (67); O Coração é um Caçador Solitário (69);
Robert DeNiro - O Lado Bom da Vida
Prêmios anteriores: Melhor ator: Touro Indomável (81); Melhor ator coadjuvante: O Poderoso Chefão parte II (75).
Indicações anteriores: Melhor ator: Taxi Driver (77); O Franco Atirador (78); Tempo de Despertar (90); Cabo do Medo (91).
Christoph Waltz - Django Livre
Prêmios anteriores: Melhor ator coadjuvante: Bastardos Inglorius (10).
Indicações anteriores: -
* Nesta categoria não houve muitas surpresas. A opção de Waltz por DiCaprio era esperada, já que a Academia parece não gostar muito dele. Lee-Jones caiu no gosto dos membros desde seu trabalho em Onde os Fracos Não Tem Vez, e vai como favorito. Hoffman faz excelente dupla com Phoenix e sempre aparece nas listas. Arkin é singelo, com a aspereza de seu personagem faz jus à indicação. E DeNiro, sumido da lista desde Cabo do Medo (90) é um monstro sagrado, quando tem um trabalho à altura a Academia não seria idiota de deixá-lo de fora.
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Anne Hathaway - Os Miseráveis
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores: Melhor atriz: O Casamento de Rachel (10).
Sally Field - Lincoln
Prêmios anteriores: Melhor atriz: Norma Rae (80); Um Lugar no Coração (85).
Indicações anteriores: -
Helen Hunt - As Sessões
Prêmios anteriores: Melhor atriz: Melhor é Impossível (98).
Indicações anteriores: -
Amy Adams - O Mestre
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores: Melhor atriz coadjuvante: Junebug (07); Dúvida (09); O Vencedor (11).
Jacki Weaver - O Lado Bom da Vida
Prêmios anteriores: -
Indicações anteriores: Melhor atriz coadjuvante: Reino Animal (10).
* Outra categoria manjada, que se não fosse pela aparição de Weaver, nem teria o que comentar. Esta, aliás, está ficando marcada por sempre surpreender e ser indicada quando ninguém espera, como em Reino Animal (10). Amy Adams é figurinha marcada, e tem talento para não ser uma zebra. Sally Field está de volta desde que venceu em 1984. Finalmente volta a ter um papel à altura de sua cancha. A carismática Helen Hunt reapareceu num papel que lhe exigia muito, merece mais bons papéis. Mas o grande nome é Anne Hathaway, que vem papando guilds. Além de ter participado de um blockbuster de sucesso (que ajuda, e muito), fica feia, canta e atua de forma competente. É provável que vença.
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
A Hora Mais Escura - Mark Boal
Moonrise Kingdom - Wes Anderson & Roman Coppola
Django Livre - Quentin Tarantino
Amour - Michael Haneke
O Voo - John Gatins
* A Academia não foi mesmo com a "cara" de O Mestre, pois nem nessa categoria que era dada como certa a indicação de P. T. Anderson ele figurou. Moonrise Kigdom e A Hora Mais Escura são bem cotados e era certeza de serem indicados. Tarantino também tem vaga cativa. Haneke está tendo sua redenção e era de se esperar que entrasse. Surpresa foi Gatlins, pois Rian Johnson (Looper) estava com mais chances e foi indicados ao prêmio dos escritores.
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Lincoln - Tony Kushner, John Logan & Paul Webb
O Lado Bom da Vida - David O. Russel
Argo - Chris Terrio
Indomável Sonhadora - Lucy Alibar & Benh Zeitlin
As Aventuras de Pi - David Magee
* Lincoln com seu trio de roteiristas era certo, assim como o poderoso texto de Terrio em Argo. Russel conta com o carisma e talento de seu atores. Magee condensou um livro de conteúdo complexo e reflexivo em um filme curto, para os parâmetros atuais, sem deixar seu verdadeiro espirito do longa. Benh Zeitlin, ao lado de Lucy Alibar, já tinha vaga praticamente garantida depois de seu sucesso em Sundance.
MELHOR FOTOGRAFIA
As Aventuras de Pi - Claudio Miranda
007 - Operação Skyfaal - Roger Deakin
Lincoln - Janusz Kaminski
Django Livre - Robert Richardson
Anna Karenina - Seamus McGarvey
MELHOR MONTAGEM
A Hora Mais Escura - Dylan Tichenor
Argo - Willian Goldenberg
Lincoln - Michael Kahn
As Aventuras de Pi - Tim Sqyres
O Lado Bom da Vida - Jay Cassidy e Crispin Struthers
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Anna Karenina - Sarah Greenwood
Os Miseráveis - Eve Stewart
Lincoln - Rick Carter
O Hobbit - Uma Jornada Inesperada - Dan Hennah
As Aventuras de Pi - David Gropman
MELHOR FIGURINO
Anna Karenina - Jaqueline Durran
Os Miseráveis - Paco Delgado
Lincoln - Joanna Johnston
Espelho, Espelho Meu - Eiko Ishioka
Branca de Neve e o Caçador - Colleen Atwood
MELHOR MAQUIAGEM
O Hobbit - Uma Jornada Inesperada
Os Miseráveis
Hitchcock
MELHOR TRILHA SONORA
As Aventuras de Pi - Mychael Dana
Lincoln - John Willians
Argo - Alexandre Desplat
Anna Karenina - Dario Marianelli
007 - Operação Skyfaal - Thomas Newman
MELHOR MIXAGEM DE SOM
Os Miseráveis
007 - Operação Skyfaal
As Aventuras de Pi
Lincoln
Argo
MELHOR EDIÇÃO DE SOM
007 - Operação Skyfaal
A Hora Mais Escura
As Aventuras de Pi
Django Livre
Argo
MELHOR EFEITOS VISUAIS
O Hobbit - Uma Jornada Inesperada
Prometheus
As Aventuras de Pi
Os Vingadores
Branca de Neve e o Caçador
MELHOR CANÇÃO
007 - Operação Skyfaal - "Skyfaal"
Os Miseráveis - "Suddenly"
Pi's Lullabi - As Aventuras de Pi
Everbody Needs A Best Friend - Ted
Before My Time - Chasing Ice
MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
Frankenweenie
Detona Ralph
Valente
Paranorman
Piratas Pirados!
MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Amour - Áustria
O Amante da Rainha - Dinamarca
No - Chile
A Feiticeira da Guerra - Canadá
Kon-Tiki - Noruega
Searching for Sugar Man
The Gatekeepers
How to Survive a Place
The Invisible War
5 Broken Cameras
MELHOR DOCUMENTÁRIO CURTA-METRAGEM
Inocente
Kings Point
Redemption
Mondays at Racine
Open Heart
MELHOR ANIMAÇÃO CURTA-METRAGEM
Paperman
Adam and Dog
The Longest Daycare
Head Over Heels
Fresh Guacamole
MELHOR CURTA-METRAGEM
Asad
Death of a Shadow
Curfew
Buzkashi Boys
Henry
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Da realidade para a ficção: Aileen Wournos
Aileen Carol Pittman, conhecida como Aileen Wournos nasceu em 29 de fevereiro de 1956 em Michigan(EUA). De infância problemática teve de conviver com a separação dos pais adolescentes e o abandono da mãe. Seu pai, tirano e psicopata, foi preso, em 1969, onde se suicidou. A face marcada de cicatrizes que vêm de automutilações durante a infância. Isto a levou engravidar do próprio irmão e aos quatorze anos foi internada em um centro para as mães que entregam seus filhos para adoção. Em 1971, deixou sua casa e começou a exercer a profissão de prostituta, em lugares diversos. Normalmente utilizava apelidos para cometer pequenos delitos e quando seu irmão, Keith, morreu em 1976 de câncer, Aileen herdou então dez mil dólares de seu seguro de vida, que rapidamente se esvaiu. Em 1981 foi condenada por roubo no estado da Flórida e cumpriu treze meses de prisão. Outras apreensões ocorreram por motivos diversos. Passa a frequentar ambientes lésbicos e era quem sustentava com sua "profissão" suas namoradas. A cumplicidade de casal a conduzia para a violência e o ódio. Um ano depois sua conduta ficou absurdamente incontrolável, levando continuamente uma arma na bolsa. Convenceu sua amante que deveria vingar-se dos homens por tudo o que eles tinham feito com elas por toda a vida e começou a matança, tornando-se, em a controvérsias, depois de vários assassinatos, a primeira serial killer da história americana. Encontrada junto com sua companheira através de denúncias, Aileen foi presa. Condenada ao corredor da morte foi executada em 9 de outubro de 2002.
Sua história rendeu um filme em 2003. Em Monster - Desejo Assassino vimos uma Aileen bem retratada de acordo com as investigações sumárias sobre sua vida postergada. A atuação de Charlize Therón é com certeza uma das melhores de todos os tempos, já que soube captar estrondosamente o lado humano - compaixão e lealdade; e o lado monstruoso dos atos com os que cometia os assassinatos Além disso, a atriz teve todo um trabalho particular ao se descaracterizar e caracterizar a personagem. Esta transformação monstruosa transcendeu o lado físico numa comunhão perfeita. Oscar mais do que merecido para a beldade sul-africana.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Detona Ralph (2012)
Wreck-it Ralph, 2012. Dirigido por Rich Moore.
Nota: 8.3
Quando não mais se pode surpreender com o poderio da megaempresa multimídia fundada por Walt Disney, que produz ao menos um grande longa-metragem de animação todos os anos, principalmente após anexar a especialista no assunto Pixar, nos deparamos com uma obra gigantesca, tanto em seu conteúdo lírico impregnado no roteiro (tudo bem, isso não é novidade), quanto em seu aspecto técnico, que conta com quatro universos digitais diferentes e mais de 182 personagens. Detona Ralph fecha mais um ano produtivo do estúdio e disputará com sua "irmã" Valente os prêmios do circuito e mostra quem é que continua mandando no cinema, quando o assunto é animação.
O grandalhão e desajeitado Detona Ralph é o vilão do jogo de videogame dos anos 80, Conserta Felix Jr., e há 30 anos passa os seus dias virtuais sendo jogado do prédio que tentou destruir, tendo que conviver com a solidão de um lixão e frequentando os encontros dos Vilões Anônimos junto com Zangief, Copa, entre outros malvados. Só que ele não gosta da condição e tenta provar para seus amigos de jogo que pode sim ser um mocinho e ganhar uma medalha. Decide, então, sair em busca da redenção e, nesta saga, enfrenta insetos gigantes de Missão de Heróis e docinhos mal-intencionados em Corrida Doce. Neste último, conhece a pequena Vannellope, que, entre uma travessura e outra, para tentar participar da corrida da qual foi expulsa pelo Rei Doce, vai ensinar a Ralph que precisa-se de muito mais que uma medalha para ser um verdadeiro herói.
A história de Detona Ralph reverte a lógica dos videogames (pelos menos os primeiros) em que tudo gira em torno do mocinho. Essa opção dos roteirista em focar nesta "crise de meia-idade" do vilão, que não vê motivos para continuar na ocupação traz as reflexões que, inevitavelmente, a maioria dos seres humanos são colocados a analisar. Seja no trabalho, em um casamento ou em uma relação interpessoal qualquer, tudo isso traz aos adultos um certo ar melancólico sobre as escolhas que foram feitas durante a vida e as possibilidades de uma mudança. Além disso, ver personagens tão conhecidos dos mundos virtuais de outrora aumenta a nostalgia em torno da infância que se foi. Para as crianças, além da fofura de Vanellope, fica a lição de que todo mundo merece seu respeito, seja qual for sua aparência, condição social, profissão, etc. Um dos roteiros mais versáteis que a Disney criou nos últimos anos.
A ousadia de desfilar por quatro ambientes diferentes foi arriscado e trabalhoso. Em nenhuma outra produção na história do gênero tantos personagens foram criados (182), e com um toque primoroso da equipe de produção, pois manteve as características inerentes a cada um dos universos. Conserta Felix Jr. mantém as formas tétricas e movimentos simplórios que mantém a veracidade de seus 8 bits. Em contrapartida, o 3D de Missão de Herói dão formas reais e alta definição das expressões da mal-humorada Sargento Calhoun, e o toque do diretor Rich Moore, que veio do mundo ácido de Os Simpsons e Futurama, criou uma divertida relação amorosa crescente entre os dois personagens, que rende situações divertidíssimas.
Ralph e Vanellope formam um dupla tão improvável quanto divertida. Não tão infantil quanto a amizade da menininha Bo e os monstros de Monstros S.A., esta parceria leva o público das gargalhadas às lágrimas, mas sempre com um premissa benfazeja. É a sensibilidade e a brutalidade trabalhando juntas, para mostrar que o caminho certo é aquele que nos faz sentir-se heróis. Talvez toda a tensão dramática que se cria quando o verdadeiro vilão da história se revela seja pueril e até dispensável depois que o recado já estava dado, entretanto não foi o suficiente para estragar este belo (mais um) trabalho do estúdio. Detona Ralph não é seu melhor filme filme, mas pode-se colocá-lo no topo dos mais ousados e inteligentes.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Audrey Hepburn: Uma estrela que nunca se apaga
Iniciaremos de hoje até o fim de Janeiro um dos capítulos mais lindos da história cinematográfica. A história da fabulosa Audrey Hepburn, uma estrela que contribuiu e muito para fazer do cinema um entretenimento fantástico e o mundo um lugar mais humano. Em comemoração (sim, comemoração, pois quem teve uma história de vida tão linda como a própria, nos deixou muito o que comemorar) aos 20 anos de sua partida, vamos relembrar alguns fatos, filmes, momentos fantásticos dentro da fantástica história desta mulher notável, que transcendeu com uma diversidade ímpar de talento o esteriótipo de atriz/estrela de filmes.
Nascida em 4 de Maio de 1929 em Ixelles (Bélgica) Audrey Kathleen Ruston era a única filha de Joseph Anthony Ruston (um banqueiro britânico-irlandês) e Ella van Heemstra (uma baronesa holandesa descendente de reis ingleses e franceses). Foi seu pai quem anexou o sobrenome Hepburn, e Audrey se tornou Audrey Hepburn-Ruston. Tinha 9 anos quando seus pais se separaram e para mantê-la afastada das brigas familiares, sua mãe enviou-a para um internato na Inglaterra, onde ela se apaixonou pelo balé. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial em 1939, sob os protestos da menina Audrey, a mãe decidiu então levá-la para viver na Holanda, país neutro que acreditava não seria invadido pelos alemães, mas a situação no país foi bem diferente da planejada. Com a invasão nazista, a vida da família foi tomada por uma série de privações, incluindo a saúde de Audrey, debilitada pelo fato de ter que muitas vezes de comer folhas de tulipa para sobreviver. Mesmo assim, a garota de corpo franzino não ficaria indiferente aos apelos dos seus, por isso o envolvimento com a Resistência, onde tornou-se testemunha ocular de vários assassinatos, incluindo de próprios parentes. Sua força interior era maior que qualquer repressão, e quando sua saúde estava melhor, participaria de espetáculos clandestinos de balé para angariar fundos em prol da Resistência. Assim se manteve firme até o fim da Guerra quando ela e sua mãe retornaram para a Inglaterra, onde ingressou na prestigiada escola de dança Marie Lambert. Por conta deste triste capítulo de sua história, a atriz recusaria anos mais tarde o papel de Anne Frank no cinema.
CHARADA
(Charade, 1963)
Direção:
Stanley Donnen. Com: Audrey Hepburn, Gary Grant e Walter Matthau.
Nota:
9
Uma
charada está no ar. Como se consegue fazer um filme tão heterogêneo
deslanchar numa grande história cheia de reviravoltas? Ação,
suspense, comédia, romance, drama. Tudo encaixotado num labirinto de
emoções no instigante filme protagonizado por Audrey Hepburn e
Gary Grant.
Tudo
começa com um corpo que cai. Não, não é Hitcock. É Stanley
Donne que introduz o mistério do filme viajando por uma linha
ferroviária quando de repente um corpo é atirado para fora de uma
dos vagões. O “presunto” em voga é Charles Lambert , marido da
refinada Regina (Hepburn, lindíssima). Este cenário passaria a
conduzir o mistério da trama mosaica.
Prestes
a se divorciar, Regina se encontra em Paris aguardando o veredicto de
seu futuro matrimonial quando descobre que o marido fora assassinado
durante uma tentativa de fuga do país em direção a Nova Iorque. A
viúva é chamada à Embaixada Americana por Hamilton
Bartholemew
(Walter Matthau)
, que dentre outras coisas lhe deixa a par do golpe de mestre que seu finado marido aplicara em ex-colegas da época de Segunda Guerra. Um milhão
de dólares americanos destinados a força européia de resistência que foram parar nas mãos de 5 amigos. Os soldados decidiram que o
dinheiro teria mais serventia se dividido entre eles. Após um deles
ser assassinado, os outros quatro dividiriam em partes iguais a
quantia. Mas o que os desertores não esperavam era que o marido de
Regina pudesse esconder a grana. Quando os três enganados aparecem para prestar condolências nada amistosas ao falecido, a
segurança da viúva é seriamente ameaçada. Neste tempo ela conhece o
enigmático Peter
Joshua (Gary
Grant), cujas intenções são tão indecifráveis quanto seu
verdadeiro nome. O que forma a miscelânea de acontecimentos e
assassinatos misteriosos em volta do casal. Não se sabe se ele está
ali pra protegê-la ou de algum modo reaver o dinheiro, que a esta
altura todos desconhecem o paradeiro.
O
suspense em torno deste roteiro bem delineado vai do início ao fim,
como um trunfo bem quisto para assegurar o empreendimento de um
elenco formidável que o molda de forma particular. Indicados ao
Globo de ouro, o veterano Grant e a belíssima Hepburn conduzem de
maneira consistente a química do casal não deixando em nenhum
momento evidências da inocência de seus respectivos personagens,
criando assim, um trama particular dentro da própria trama
interagindo com reações cômicas e cenas românticas. A direção
de Donnen é o apuro necessário para criar uma charada
cinematográfica de primeira.
Indicado
ao Oscar de canção original (Charade), bem que também
merecia entrar como roteiro original. A atuação de seu elenco é
seguramente o estopim do filme. Não foi a melhor atuação da eterna
Bonequinha de luxo, mas assim mesmo ela brilha no papel que seria de
Natalie Wood, transitando habilmente entre as cenas de tensão e os
trejeitos cômicos, beirando uma canastrice divertida no enlace
típico dos filmes que seguiam esta linha na época. Uma perfeição
demarcada. A abertura caleidoscópica, a silhueta do revólver por
dentro do casaco, os tiros de festim e por aí vai... Contudo, nem
mesmo estes conhecidos elementos são capazes de minar boa parte da qualidade
do filme diante de um final surpreendente e por deveras criativo até
para os dias de hoje. Refilmado em 2002 por Jonathan Demme como o O
segredo de Charlie, Charada é uma excelente...Como posso
definir? Apenas excelente!
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
As Aventuras de Pi (2012)
Life of Pi, 2012. Dirigido por Ang Lee. Com Suraj Sharma, Irrfan Khan e Rafe Spall.
Texto publicado no portal Acessa.com em 22/12/12
Nota: 9.0
Quando começou a circular no meio cinematográfico que o próximo trabalho do premiado e cultuado diretor Ang Lee era uma aventura em 3D, as opiniões se dividiram, pois alguns acreditavam em um fracasso, já que se trata de uma história dificíl de se adaptar, e os que vislumbravam o sucesso levavam em conta a experiência do diretor oriental em desfilar pelos mais variados gêneros e conseguir triunfar na maioria. O resultado foi uma drama fabuloso, com visual desumbrante e questionamentos existenciais muito maiores que a luta de um jovem para sobreviver por meses em alto mar.
Pi (Suraj Sharma) sempre procurou pelo divino, o transcendental, a força que rege tudo e todos, desde quando era bem pequeno. Conheceu diversas religiões e divindades diferentes, e soube extrair tudo de bom de cada uma delas. Mas ainda lhe faltava a prova que tudo isso não era apenas crendices baratas. Quando seu pai decide fechar o zoológico do qual é dono na Índia e partir para a América para vender seus animais e começar uma nova vida, um naufrágio encerra seus sonhos e coloca o jovem Pi à deriva no vasto oceano, apenas na companhia de uma zebra, uma hiena, um orangotango fêmea e um voraz tigre de Bengala, que se revelar depois. Este, aliás, é Richard Parker, o único dos animais que sobrevive e duela com o rapaz pelo domínio do pequeno bote, Entretanto, quanto mais provações o garoto passa, mas ele vai entendo que nada daquilo é por acaso e que o perigoso felino não é está ali para decretar seu fim, e sim o início.
O best-seller A vida de Pi de Yann Martel, que venceu o Man Booker em 2002, é considerado pelos especialistas um livro quase impossível de se adaptar, mas o roteirista David Magee conseguiu transferir o pensamento central, que é uma discussão intimista, meio surreal, para algo que levasse o público não apenas ficar apenas acompanhado a saga do garoto, mas sim participar com ele das implicações que são levantadas pelo Pi adulto (Irrfan Khan) e o jornalista (Rafe Spall) que pretende escrever sua história. A dualidade que cresce a cada dia que ele passa à deriva e sua interação com Richard Parker delineam a linha narrativa, que dialoga com os elementos do ambiente e deixam o espectador dinate de uma dúvida sobre se tudo é verdade ou apenas invenção.
Ang Lee entrou de cabeça na produção e usou seu olhar clínico em criar situações em que o público necessita muito mais do que a visão para ter um entendimento melhor de todo o universo do longa. A opção pelo 3D foi feliz, já que a transcendentalidade da viagem do garoto, que só tinha como cenário o céu e o mar, lhe dava a grata opção de explorar o magnífico, o surreal, pois se trata de memórias, um ponto de vista singular que permite que a imaginação aflore. Além disso, o companheiro de viagem do protagonista, o tigre Richard Parker, foi feito inteiramente em CG (Computer Generated), pois precisava criar estar em um ambiente limitado que, obviamente, não daria para utilizar um de verdade, mesmo adestrado. E ele foi essencial para que o elo cognitivo história/ambiente/pensamento fizesse sentido.
No fim, percebemos que a discussão não era a respeito de religião e sim sobre a fé. Faz com que resgatemos do fundo de nossa alma o fogo que nos guia, que nos faz tomar decisões importantes. O diretor soube explorar o que o cinema hi-tech que de melhor a oferecer e, a exemplo de Martin Scorcesse com A Invenção de Hugo Cabret, mostrou que há espaço para arte no mundo digital que está em evidência. Talvez seja este o futuro do cinema, ser artistisco sem abandonar os artifices que leva o público a comprar a ideia. Ter a possibilidade de entrar em uma sala de exibição para ver um espetáculo em três dimensões e também sair intrigado sobre em que se deve acreditar ou não. Se mais diretores resolverem optar por esta visão de teconologia, será muito bem-vinda.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
13 Personagens para um novo ano
O
Ano Novo chegou e que traga muitas realizações para todos. Para dar
uma forcinha na hora de tomar dificies decisões, confrontar as
injustiças, se revoltar com o preconceito e se fazer exemplo de
humanidade para todos que o rodeiam, preparamos uma lista de 13
personagens inesquecíveis do cinema que por nossa boa vontade
ultrapassam sem problemas as fronteiras da ficção:
Edward
Lewis (Richard Gere)
Imagine
só encontrar pelo acaso o homem dos seus sonhos ao dobrar da
esquina? A sortuda em questão é uma garota de programa do clássico
Uma linda mulher e o homem dos sonhos em questão é um
charmoso magnata do ramo empresarial. A situação financeira do
Príncipe metropolitano por si só já poderia taxá-lo como um
daqueles amantes enviados pelos Deuses. No entanto, a nobreza deste
príncipe não é apenas de um conto de fadas, pois o galã não
precisou de um cavalo branco e armadura para salvar sua donzela. O
fez quando teve para com ela a afeição e o respeito que merece toda
mulher seja em que posição estiver. É o tipo de homem que todas
desejam para um ano novo.
Thelma
(Geena Davis) e Louise (Susan Sarandon)
Que
tal seguir por um caminho de aventura reflexiva pelo mundo afora de
carona com duas personagens perfeitas neste sentido? As amigas
inseparáveis chutaram o balde da repressão interiorana e colocaram
o pé na estrada para viver a vida que tanto ansiavam em Thelma e
Louise. Duas mulheres determinadas o suficiente para se defender
das inúmeras armadilhas que da estrada provinham e corajosas o
extremo para optar por um precipício a voltar para aquela vida
cerne. Mesmo diante desta saída radical, o que conta é tudo que as
personagens viveram e inspiraram e além de tudo isso, se deparar com
um Brad Pitt pelo caminho, quem liga para o fim desta jornada?
Idgie
Thereagood (Marie Stewart Masterson) e Ruth Jaminson (Mary
Louise-Parker)
Uma
grande amizade é sempre moldada por vários fatores em comum, e
quando a diferença de personalidades se torna latente o incomum
ganha contornos inesquecíveis. Uma lição que nos deixou estas
marcantes personalidades na arrebatadora história de Tomates
verdes e fritos. Ambas protagonizaram aquele laço de amizade que
quando se ata não se sabe se terá um impacto relevante em nossas
vidas, mas que aos poucos o amor à amizade e a troca de experiências
de vida faz indestrutível este laço.
Sean Maguire (Robin Williams)
Professores
que se traduzem como fontes de inspiração para a maioria de seu
alunos dentro de sala de aula não fogem a característica pelo
talento bem como a vocação da classe. O que não poderia fugir é a
forma de enxergar uma outra versão de mestre. Este foi além do
padrão para o rebelde Will Huntinng em Gênio indomável. O
homem atormentado por seu passado transcendeu o arquétipo de
professor bonzinho vencendo diariamente seus próprios demônios,
passando assim a interagir mais intensamente com seu pupilo a fim de
conduzi-lo a seu verdadeiro caminho.
Guido
(Roberto Benigni)
Não
basta ser pai, tem que participar. Este slogan parece ter sido
inspirado no inesquecível e carismático personagem de A vida é
bela. Ele poderia se mais um dos judeus comerciários perseguidos
pela tirania da Segunda Guerra Mundial e acatar seu destino. Porém
quando foi parar num campo de concentração, não se deixou abater
pelo horror. Junto a seu pequeno filho, foi até o limite de sua vida
para mostrar que apesar de tudo o mais importante era não deixar que
o espírito sucumbisse emparelhado com o corpo. O bom pai criou para
o filho um mundo de vida e alegria dentro da morte e tristeza a fim
de proteger, a seu modo, o que restou de sua família.
Jen
Yu (Zyi Zang)
Herdeira
de uma poderosa casa de sangue real na China, a jovem astuta se nega
cumprir o triste destino que aguardava todas as mulheres de boa
família daquela sociedade sufocante por regras e padrões. Se unir
em matrimônio com um homem que sua família pré-determinou estava
fora dos planos de uma das protagonistas de O Tigre e o Dragão.
Assim, ela tirou os trajes reais e em segredo, forjou uma fabulosa
guerreira disposta a enfrentar tudo e todos para marcar seu nome com
a espada neste mundo de injustiças. Sua mente fervilhante leva
cometer pequenos delitos, mas quando conhece sua verdadeira essência,
se joga literalmente nos princípios de determinação a qual sempre
pertenceu.
Maggie Fitzgerald (Hillary Swank)
Uma
menina de ouro que se preze tem de encarar todas as dificuldade
impostas por qualquer sonho, fato ou profissão que ela possa
acarretar. Para chegar a este status, a garçonete boxeadora de
Menina de ouro nem precisou alcançar o topo pra se tornar
uma. Sua coragem e determinação para seguir em frente com seus
sonhos, foram suficientes para fazer dela um exímio exemplo de
superação.
Paikea
(Keisha Castle-Hughes)
A
menina nasceu de uma família de linhagem nobre da região e quando
seu irmão gêmeo morreu no parto, coube a ela a responsabilidade de
liderar um povo e unir uma nação sob suas raízes no encantador
Encantadora de baleias. Mesmo
tendo amor e respeito por sua família, ficou difícil
pra menina entender o tamanho da rejeição por parte dos seus a seu
destino por sua condição. Mas a garota de personalidade forte sabia
exatamente o tamanho de sua missão. As dificuldades impostas por
anos e anos de marginalização das mulheres de sua aldeia, não
foram suficientes para impedi-la de mostrar a todos que força e
nobreza não provém do gênero, mas da figura humana em geral.
Justin
Quayle (Ralph Fiennes)
Dono
de uma personalidade pacífica o diplomata nunca pensou que um dia
estaria no olho de um furacão de denúncias contra as inescrupulosas
indústrias farmacêuticas globais. Quando sua impetuosa esposa é
assassinada, por amor, ele resolve herdar a luta da mesma contra a
varredura cruel dos direitos humanos imposta pelos grandes sobre a
sofrida população africana. A cordialidade habitual dá lugar a uma
tensão de graves consequências ao protagonista de O jardineiro
fiel. Mas nada que abale a proeminente mensagem deixado por ele.
Ivy
Walker (Bryce Dallas Howard)
Lutar
até o fim para salvar o amor que está morrendo é um ato comum
entre os seres humanos de boa vontade. Incomum mesmo é quando esta
batalha ganha contornos dramáticos dentro das limitações físicas
desses heróis românticos. Sua enorme força interior não deixou
que a deficiência visual impedisse esta mulher de aspecto frágil, e
nascida para liderar, de atravessar uma floresta sinistra para buscar
remédios que pudessem salvar a vida de seu noivo. Este conjunto de
percalços foi irrelevante ao cumprir sua missão. Este com certeza é
um dos impressionantes motes do sucesso A vila.
Gerd
Wiesler (Ulrich Mühe)
O
frio oficial de A vida dos outros era um modelo para os
oficiais da famosa Stasi (força de espionagem da Alemanha socialista durante a Guerra Fria). Tudo por não demonstrar laços afetivos
pelos outros. O sisudo era quase que como um robô, vivendo sua vida
sem emoção e personalidade. Combustíveis necessários para um
ótimo trabalho que desempenhava no setor. Contudo, quando as emoções
começaram a lhe tomar parte da vida, passou a fazer os que a maioria
dos soldados naquela posição nem sonhavam em fazer. Pensar. Com
isso não foi difícil conseguir distinguir o certo do errado e
alcançar por meio disso sua redenção pessoal.
Capitão
Nascimento (Wagner Moura)
O
brado da honestidade no meio da corrupção fez do destemido capitão
do BOPE um modelo de herói nacional. A coragem desta figura
emblemática do cinema nacional ultrapassa bordões e segue uma linha
inalterada de força e destreza à frente de seu comandados. Num país
regido por um Sistema corrupto, o que poderia ser uma regra, torna-se
uma exceção. Uma exceção bem vinda na essência do mítico
personagem de Tropa de Elite.
Eugenia
Skeeter Phelan (Emma Stone)
A
condição privilegiada de dama elitista no caldeirão racial dos
anos 60 poderia causar em muitas um certo
comodismo e indiferença ao apelo dos menos favorecidos da época.
Mas não para esta jovem jornalista criada como todas as crianças
daquele tempo em que as babás negras era o mais próximo de uma
figura materna que tinham. Por isso nunca deixou que a segregação
minasse seu amor e gratidão em torno destas admiráveis mulheres.
Movida por esses corajosos ideais foi a brilhante idealizadora de The
Help, uma espécie de livro denúncia formatado pelos depoimentos
emocionantes das subjugadas do filme Histórias Cruzadas.
Assinar:
Postagens (Atom)
.jpg)













































