Visitantes

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A difícil arte de entender Glauber Rocha


No último dia 22, fez 30 anos de morte de um dos maiores artistas da nossa história. Glauber Rocha, cineasta revolucionário, criou uma linguagem única, uma mescla de crítica social e alegorias literárias. Tornou-se um ícone da cinematografia mundial, inspiração para obras de cineastas de importância singular para a criação do cinema ao qual conhecemos atualmente.

Um fato é inquestionável. A originalidade de sua temática revolucionou, porém muita gente torceu o nariz para sua obra. Se bem que seus filmes são de difícil entendimento, principalmente para os olhos menos críticos. A linguagem tensa e lírica, de sequencias formidáveis (principalmente em Deus e o Diabo na Terra do Sol, 1964), se tornaram uma vanguarda brasileira. Foi o expoente de uma época em que nosso cinema era respeitado mundo afora, o chamado Cinema Novo.

Entender a obra de Glauber vai muito além de perder finais de semana à frente da TV assistindo filmes da Nouvelle Vague, ou se remoendo em tentar compreender a obscuridade lenta e aterradora de Bergman. É diferente, pois o baiano se tornou um avatar de uma era de hibernação forçada da cultura popular. Criou-se de uma necessidade de expressão de uma sociedade refém de um regime que censura e deportava. Viveu uma fantasia realística, aonde entender sua ideologia depende do entendimento do mundo em que viu em sua época.

Julgá-lo chato e psicótico, criador de non senses teóricos, é válido e perdoável para quem assiste a algum de seus exemplares. É difícil para qualquer especialista em cinema compreender Glauber. Sendo assim fica muito mais fácil odiá-lo. Um filme como seu derradeiro A Idade da Terra (1980), pode ser considerado seu pior trabalho pelo teor claustrofóbico que carrega nos discursos escalafobéticos. Entretanto, se lermos uma biografia, ou abrirmos o Google para ver diversos pontos de sua vida e obra, percebe-se que pode ser simplesmente um testamento melancólico de um artista a frente de seu tempo.

Os mesmos que dão de ombros para o diretor, são os mesmos que babam pelos exageros brilhantes e nostálgicos de Truffaut, ou batem palmas para a arrebatadora realidade em que trabalha Martin Scorcesse e nem param para pensar que tem muito de Glauber em suas obras. Podem até não gostar de seus filmes, mas diminuir seus feitos e contribuições para o nosso cinema é de fato inaceitável. Se hoje exaltam a habilidade de criar absurdos inebriantes de Von Trier, é por que não conhecem Rocha, ou simplesmente por que brasileiro tem mania de não reconhecer o talento de seus conterrâneos.


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

OS PODERES E AS FRAQUEZAS DE UMA ADAPTAÇÃO

Voar, correr na velocidade da luz, escalar paredes, ter uma força sobre-humana e um corpo invulnerável. Quem quando criança não sonhou em ter, pelo menos, uma vez na vida estes poderes? Pois bem, estes poderes sintetizam a força de todo grande super-herói que se preza. Os poderes físicos aliados à força do caráter e a inclinação para valores do Bem e da Justiça, fazem do homem um herói. Eles sempre aparecem no momento que a humanidade mais necessita. Foi assim, assim vem sendo e assim será até os fins dos tempos. É uma resposta ao clamor de uma sociedade fragmentada por valores opostos. Um poder que se originou dos quadrinhos e se estendeu pelas telas do cinema. Desde a primeira adaptação modesta até os catatônicos efeitos visuais de hoje, os heróis mascarados e sobre-humanos são presença constante na grade de produções cinematográficas anuais.

O primeiro grande filme de um ícone dos quadrinhos aconteceu em1978. No papel do Super-Homem, o ator Christopher Reeve, se firmou como um ídolo do cinema em todos os tempos. O ator conseguiu imprimir uma fusão perfeita entre o atrapalhado repórter do Planeta Diário e o incrível Herói por detrás de seus óculos. Super-Man, o filme, contou além de um elenco estelar, com um premiado roteirista. Gene Hackman (Lex Luthor), Margot Rider (Lois Lane) e Marlon Brando (Jor-El) receberam o suporte de Mário Puzzo, de O Poderoso Chefão. A história é tradicional: um menino exilado pelos pais que salvam sua vida após a explosão de seu planeta de origem. Na Terra, ele tenta se adaptar a vida humana. Tudo sob aval dos responsáveis pelos efeitos visuais de Guerra nas estrelas. Eles fizeram o homem voar aos olhos extasiados dos fãs.

Tamanho investimento não teria outro resultado além de um sucesso de bilheteria e o fato de entrar definitivamente na galeria dos filmes mais importantes da história cinematográfica. Depois vieram outras três sequências totalmente dispensáveis. Ele retornou as salas de cinema em 2006 com Superman, o retorno. O filme, com a assinatura de Bryan Singer, nem de longe lembra do original, trazendo agora o introspectivo Brandon Houth no papel principal. A história se constituiu fraca ao mostrar a vida de todos na Terra sem a presença do Herói cinco anos exilado. De volta, ele descobre que sua amada Lois Lane está casada e é mãe de um lindo menino, fruto de sua relação com ele. Nem a presença do extraordinário Kevin Spacey como o vilão Luthor, tirou a impressão de estarmos assistindo a uma novela mexicana das piores sem a necessidade da Kryptonita.

Outro homem capaz de voar, só que com o auxílio de suas poderosas teias também ganhou sua adaptação. Em 2001 quando o tímido Tobey Maguire vestiu a roupa do Homem-Aranha, ele direcionou suas teias para o sucesso. No filme, Peter Parker, um adolescente tímido que quase não é percebido por seus colegas de classe e pelo grande amor de sua vida Mary Jane (Kirsten Dunst), torna-se, através da mordida de uma aranha radioativa, o Herói alpinista que hoje conhecemos. A mutação não só afeta seu lado físico como também o emocional. E coube ao ator Wiliam Dafoe a missão de fazer do doentio Duende Verde seu terrível antagonista nesta primeira aventura. Missão que seria dois anos depois passada para Alfred Molina como o Dr. Octopus. Se o primeiro longa foi um sucesso de público, o segundo foi de crítica, baseando-se num roteiro bem definido e em cenas de ação impecáveis. Seguindo no embalo do sucesso, prometeram fazer de sua sequência a melhor da trilogia. No entanto, o aguardado Homem Aranha 3, não passou de promessa e marketing bem feito.

O filme foi um fracasso em todos os sentidos. Quem viu não entendeu a natureza de um roteiro rocambolesco recheado de vilões mal aproveitados para todos os lados. Harry Osborne (James Franco) herdou do pai a prancha voadora e partiu para vingar sua morte tornando-se o Duende Macabro. Enquanto isso O Homem de Areia aterrorizava a cidade depois de se tornar o responsável pela morte de Tio Ben e ganhar os poderes acidentalmente. Mais tarde, o próprio Homem Aranha. Graças a um estranho material químico alienígena que em contato com o corpo humano desperta nos homens seus mais primitivos e nocivos instintos. Cheio de autoconfiança, o contido Peter Parker se transforma num conquistador inveterado ao mesmo tempo em que o Herói se torna Venon, sua outra personalidade, considerado por nove entre dez fãs do aracnídeo como seu maior rival. Uma vez que a ambiguidade do Herói torna sua história espetacular pelo menos nos quadrinhos. Todos estes vilões se chocaram num filme curto demais para contar de forma mais crível suas histórias. Assim podemos afirmar que todos renderiam, separadamente, inesquecíveis sequencias.

Quando as portas da Escola Xavier para superdotados se abriram em 2000, causou uma grande expectativa em torno de seus fãs. Afinal, adaptar para o cinema as histórias dos famosos mutantes seria uma tarefa nada fácil. Uma trilogia da saga já estava confirmada. E ao julgar pelos três filmes, melhor seria que as portas tivessem fechadas. X-Men de Bryan Singer mostrou como o cotidiano da Escola foi abalado com a chegada de novos mutantes. Destaque para o truculento Wolverine incorporado com uma competência assustadora pelo australiano Hugh Jackman e a mutante Vampira, papel da vencedora do Oscar Anna Paquin. Como não poderia deixar de ser, o imponente Magneto de Sir Ian McKellen foi o líder antagonista da história da Guerra entre humanos e mutantes. O gênio da revolução mutante tentou usar os poderes da jovem novata com o objetivo de transformar toda humanidade em mutantes. Nem mesmo a presença da estrela e também vencedora do Oscar Hally Berry, diga-se de passagem, apagadíssima como a mutante Tempestade, conseguiu suprir o desejo dos fãs. O filme até foi uma boa sequencia de ação para os leigos, ou seja, quem nunca esteve a par da história dos mutantes. Já para seus verdadeiros fãs, foi uma tremenda decepção.

X-Men 2 é a síntese dos filmes do gênero com muita ação, efeitos especiais e pouquíssimo conteúdo. Uma confusão de personagens e histórias tão dispensáveis quanto à interpretação de seu bom elenco. No final de nada, a morte de Jean Gray anuncia o nascimento da Fênix, um dos maiores e mais temidos vilões da saga. Assim como Venon, a Fênix também muda a personalidade de sua persona. A diferença é que enquanto o primeiro tem uma fonte física, a outra é emocional e se encontra na psique de Gray. E assim como Venon, sua história foi decepcionante. Em X-Men 3 a poderosa mutante classe 5 foi reduzida a um mero capanga de Magneto em sua luta megalomaníaca contra os homens. E como isso já não bastasse para tornar o filme ultrajante, ainda criaram uma vacina, uma espécie de “cura” para a mutação genética, aniquilando o verdadeiro propósito da saga X-Men.

O suporte de apoio às diversidades humanas. Além de vitimar nomes de suma importância para a causa como Mística, Vampira e Magneto. Sem falar no inchaço de personagens que deixou muita gente que acompanhou a história desejando ter superpoderes de escrever algo menos repulsivo. Mas nada se compara a falta maior de não ter inserido, nem ao menos em menção, o maior de todos os mutantes, o quase invencível Apocalipse. Algo que, no universo X-MEN é mais que ultrajante, é inadmissível!

Embora a trilogia tenha deixado e muito a desejar, devemos considerar o nível de complexidade de se adaptar para as telas a história dos mutantes, dada a complexidade dos próprios personagens. Algo que está para ser corrigido com a promessa de mais uma trilogia da saga. Então o que fica desta trilogia mutante são filmes bem feitos voltados ao entretenimento de quem nunca teve nas mãos uma revista em quadrinhos.

O mais humano dos heróis também teve sua presença inserida no mundo do cinema. Em cada sequencia o vigilante noturno mais querido dos quadrinhos teve de enfrentar seus mais terríveis inimigos. Em Batman ele combateu o esplêndido Coringa de Jack Nicholson. O multifacetado ator ofuscou tanto a estrela do protagonista, vivido por Michael Keaton, que acabou sendo indicado ao Globo de Ouro naquele ano. Batman, o retorno marcou o retorno de Keaton ao papel principal, mas não ao sucesso. O filme foi um fracasso ao trazer a gata Michelle Pfeiffer como Mulher- Gato e um deformado e repugnante Dany De Vilto como Pinguim. Deixando todos literalmente numa gelada.

Depois veio Batman Eternamente que trouxe Val Kilmer no papel principal. Aqui ele ganhava um parceiro na luta contra o crime. O queridinho do momento Cris O’ Donnell assumiu o papel do malabarista Robin enquanto o veterano Tommy Lee Jones emprestou seu rosto ao vilão Duas Caras. O espevitado Jim Carrey se esbaldava como Charada enquanto a bela Nicole Kidman sofria em suas mãos como a mocinha da trama. Com uma produção amadora, roteiro obsoleto e um elenco recheado de estrelas no auge da canastrice, o filme se eternizou como um dos piores da história.

Batman e Robin trouxe novamente O’Donnell e seu colam no elenco agora ao lado do então Rei da Canastra George Clooney como seu eterno parceiro. O valentão Arnold Schwarzenegger numa atuação tão risível quanto o filme no papel do vilão Mr. Frese. Uma Turmam e Alicia Silverstone lideraram o elenco feminino. A primeira como a sensual Era Venenosa e a segunda no papel da sobrinha do mordomo Alfred que decide se juntar a dupla de heróis no combate ao crime. Difícil mesmo foi combater o maior vilão do longa, a péssima qualidade do filme.

Finalmente para o bem de todos amantes do cinema, estas tristes páginas da história se encerraram quando em 2005 o diretor Christopher Nolan decidiu homenagear o herói de capa preta de uma maneira mais condizente a seus fãs. Veio Batman Begins, que contou a história de como o menino órfão se transformou no Homem Morcego. Para viver o "Herói solitário" Nolan convocou o talentoso Cristian Bale, que vestiria novamente a capa e o cinto de utilidades em 2009 com o aguardado Batman – o cavaleiro das trevas. Em ambas as produções o diretor esqueceu os percalços das anteriores e transformou suas sequencias em cinema de verdade ao tratar com seriedade suas histórias. Ao começar pelo elenco de atores tarimbados emanando credibilidade a cada cena.

Enquanto Begins trazia Michael Caine como o mordomo Alfred, Cavaleiro das trevas o substituiu por Morgan Freemam e nos apresentou um dos maiores algozes da história do cinema atual. Heath Ledger incorporou de maneira assombrosa o vilão Coringa, trucidando a interpretação de Nicholson no mesmo papel anteriormente. Tanto que Ledger levou para casa o Oscar. Batman – o cavaleiro das trevas foi a prova de que quando se leva o cinema a sério, independente de qual história ou gênero que possa pertencer, o reconhecimento é uma consequência mais que positiva. O filme de Nolan é o melhor já feito para homenagear um ícone dos quadrinhos ao tratar o Herói da capa preta como ele é. Um homem despido do Herói sobre-humano.

Em suma, a missão de adaptar para as telas uma história que nos quadrinhos se torna imutável por uma legião de fãs, é algo que exige uma séria e mais contundente reflexão da parte de quem tenta levar adiante este projeto. A inovação só é uma coisa positiva quando se tem comprometimento de contar uma boa história por meio de uma boa produção. Ou então teremos de assistir a coisas dispensáveis do gênero como Quarteto fantástico e o Surfista prateado ou um Lanterna Verde totalmente fora de suas raízes negras.

Se no universo dos quadrinhos, heróis e vilões tem um lado definido, na vida real e no mundo do cinema esta escolha fica a cargo do espectador, já que existe espaço suficiente para agradar a dois tipos de público. Aos que preferem o cinema de entretenimento ou aqueles que optam pelo cinema de reflexão. Não importa o lado que você venha a escolher desde que seus valores morais tenham como base os destes importantes personagens fictícios que a tanto nos fascinam incondicionalmente. Que possamos nos valer de seus poderes e esquecer suas fraquezas. Pra isso você nem precisa voar, correr na velocidade da luz ou escalar paredes.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Três é demais?



Enquanto algumas franquias faturam milhões em continuações de longas de sucesso, a discussão entre quantidade e qualidade se mantém em alta. Mas nem sempre continuações são sinônimos de pretensões financeiras. Grandes filmes, de diretores renomados, garantiram além de sucesso bilheteria, elogios por parte da crítica. Entretanto, os conseguintes têm de ter um motivo justo para ser produzido.

O Cineposforrest aponta as melhores trilogias lançadas, é claro, sempre disposto a aceitar opiniões diversas.

As 3 melhores:

1 – A Trilogia do Chefão: A fantástica adaptação feita a quatro mãos pelo diretor Francis Ford Coppola e o próprio autor do livro, Mário Puzzo é com certeza a melhor entre todas as trilogias. Com uma trama envolvente, que conta a saga da Família Corleone, desde os anos 50 até o fim da década de 70, impactou e conquistou tanto público quanto a crítica. Apesar de ter sofrido uma sensível queda de qualidade do da parte II para a III, não foi o suficiente para que o brilho se desfizesse. Além do sucesso, a obra é a única dentre as trilogias na história do cinema a ter dois filmes vencedores do Oscar de melhor filme (Parte I e II), e o personagem Vito Corleone, o único a ter dois intérpretes diferentes contemplados com a estatueta (Marlon Brando, Parte I e Robert DeNiro, Parte II). NOTA: 9.5


O Poderoso Chefão, Parte I (The Godfather, Part I), 1972. Dirigido por Francis Ford Coppola, roteiro de Francis Ford Coppola e Mario Puzzo adaptado do romance de Mario Puzzo. Com Marlon Brando, Al Pacino, Robert Duvall, Diane Keaton, Talia Shire, James Caan e John Cazalle. Nota: 9,6

O Poderoso Chefão, Parte II (The Godfather, Part II), 1974. Idem. Com Al Pacino, Diane Keaton, Robert DeNiro, Robert Duvall, John Cazalle e Talia Shire. Nota: 9.7

O Poderoso Chefão, Parte III >(The Godfather, Part III), 1990. Idem. Com Al Pacino, Diane Keaton, Andy Garcia, Sofia Coppola, Talia Shire, Lee Strasberg, Eli Wallach, Joe Mantegna e Bridget Fonda. Nota: 9.2


2 – A Trilogia Nativista: Quando George Stevens decidiu filmar Um Lugar ao Sol, adaptação do romance de Theodore Dreiser iniciava a sua visão sobre a formação da identidade do povo americano. Esse excelente filme conta a história de um jovem ambicioso que mata uma jovem operária que esperava um filho dele, para que isso não o atrapalha em sua ambição de se casar com alguma herdeira rica. Com a mesma sensibilidade em conduzir suas tramas, Stevens constrói sua obra-prima criando uma espécie de alegoria sobre o bem e o mal. Os Brutos Também Amam mostra o nascimento de um americano benevolente, bondoso que faz de tudo para proteger os fracos. Contudo seu maior sucesso ainda estava por vir. Assim Caminha a Humanidade além de contar com um elenco formidável, o diretor fecha a trilogia acentua os valores morais dos cidadãos americanos. Por seu brilhante trabalho, George Stevens venceu o Oscar no primeiro e no terceiro filme. NOTA: 9.4

Um Lugar ao Sol >(A Place in the Sun, 1951.
Dirigido por George Stevens, roteiro de George Stevens adaptado do romance de Theodore Dreiser. Com Montgomery Clift, Elizabeth Taylor, Shelley Winters e Raymond Burr. Nota: 9.1

Os Brutos Também Amam (Shane, 1952).
Dirigido por George Stevens, roteiro de A. B. Guthrie inspirado na obra de Jack Schaefer. Com Allan Ladd, Jean Arthur, Van Heflin, Jack Palance, Brandon DeWilde, Ben Johnson, Emile Meyer, Elisha Cook Jr. e Edgar Buchanan. Nota: 9.6

Assim Caminha a Humanidade (Giant, 1956).
Dirigido por George Stevens, roteiro de George Stevens. Com James Dean, Elizabeth Taylor, Rock Hudson, Carroll Baker, Dennis Hopper, Mercedes McCambridge, Sal Mineo e Rod Taylor. Nota: 9.5


3 – A Trilogia do Anel:
Muitos (leia-se José Wilker) veem na ferramenta tecnológica falta de conteúdo. Entretanto a retumbante adaptação da gigantesca obra de J. R. R. Tolkien, concebida pelas mãos do diretor Peter Jackson é um bom exemplo de que a sentença não é uma regra. Com visual espetacular das montanhas e planícies da Nova Zelândia e Austrália, somos transportados para a Terra-Média escorados à perfeita adaptação do texto encabeçada por Phillipa Boyens. A dedicação do diretor foi imensa, e depois de 5 anos de produção, O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel, surgiu como uma hecatombe no mundo do cinema, enlouquecendo o público e dobrando a crítica. Mas seria em O Retorno do Rei, o último filme, que viria a consagração. Com um espetáculo beirando à perfeição, sem exageros, com ação e emoção, uma verdadeira obra-prima. Foi o primeiro filme de fantasia a conquistar o Oscar de melhor filme, além de receber outras dez estatuetas. No total a trilogia venceu 17 das 30 indicações que recebeu. Frodo, Gollum e Cia. ficaram para sempre na memória de quem teve o prazer de assistir aos filmes. NOTA: 9.4

O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel >(The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring, 2001).
Dirigido por Peter Jackson, roteiro de Peter Jackson, Phillipa Boyens, Fran Walsh e Stephen Sinclair. Com Elijah Woody, Viggo Mortensen, Orlando Bloom, Ian McKenlen, John Rhys-Davies, Liv Tyler, Hugo Weaving, Cate Blanchett, Sean Astin, Bernard Hill, Christopher Lee, Dominic Monaghan, Billy Boyd, Sean Bean, Miranda Otto, Ian Holm e Andy Serkins como Gollum. Nota: 9.4

O Senhor dos Anéis: As Duas Torres >(The Lord of The Rings: The Two Towers, 2002)
. Idem. Idem. Nota: 9.1

O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei >(The Lord of the Rings: The Returno f the King, 2003).
Idem. Idem. Nota: 9.7

terça-feira, 9 de agosto de 2011

ANGELINA JOLIE

Fama e sedução

Uma estrela de brilho inigualável. Assim podemos definir esta belíssima atriz de lábios carnudos e olhos esfuziantes que são pura sedução. Um brilho que se originou da terra do cinema. Foi em Los Angeles que a estrela Angelina Jolie Voight deu sua primeira cintilada para o mundo. Filha de um casal de atores, o ator Jon Voight e a atriz Marcheline Bertrand, ela logo começou a se familiarizar com o estrelato. Aos 11 anos frequentou a escola de artes Lee Strasbourg Theatre Institute, permanecendo durante dois anos brilhando em várias peças. Contudo, com o sucesso veio também as consequências da fama. Os hormônios da adolescência levaram Jolie a um período de rebeldia que a afastou dos palcos.

Passada esta fase, a estrela voltou a atuar, agora estudando na Universidade de Nova Iorque enquanto trabalhava como modelo. Seu belo rosto era figura constante em clipes musicais de sucesso. A carreira cinematográfica começou oficialmente em 1993 na ficção científica B, Ciborg 2. Depois de mais de dez longas metragens, foi a TV que lhe abriu a oportunidade definitiva de conquistar Hollywood. Primeiro com True womam e depois com George Wallace levou seu primeiro Globo de Ouro. Mas foi a supermodelo Gia Caranghi que alçou Jolie para a fama. Em Gia – fama e destruição (1996), a atriz teve uma atuação digna de um Oscar, mas acabou ficando “apenas” com mais um Globo de Ouro e um SAG Award. Um papel que caiu como uma luva em suas mãos, uma vez que ambas tinham a mesma personalidade indomável.

Foi aí que sua estrela começou a brilhar mais intensamente com sucessivos sucessos. O colecionador de ossos (1998), ao lado do astro Denzel Washington e Alto controle, ao lado de Billy Bob Thornton, com quem manteve uma relação turbulenta até 2002. Em 1999 atuou ao lado de Winona Rider na cinebiografia da jovem Suzana Kelsen em Garota interrompida. Sua personagem, a sociopata Lisa, lhe rendeu o Oscar que não levou em 1996. Era coadjuvante, mas com a estrela que tem, é um adjetivo que não se aplica a ela. Seguiram-se os anos 2000 e com ele vieram a era dos blockbusters, Lara Croft: Tomb raider (2001), 60 segundos (2002), O espanta tubarões (2006) – e alguns fiascos como Alexandre (2007) de Oliver Stone e Capitão Sky e o mundo de amanhã (2008),em que a atriz teve como acessório um grotesco tapa-olho (ergh!). Contudo, nada abalaria sua carreira como Sr. e Sra. Smith (2005).


O filme foi um enorme sucesso de bilheteria. Não por conta do roteiro e direção. O sucesso se deve ao marketing produzido por ela e seu parceiro de cena Brad Pitt. Fofocas envolvendo seu envolvimento com o galã tornaram-se capas de vários tabloides. Um episódio que quase minou sua promissora carreira. Na época Pitt era casado com a atriz Jennifer Aniston, uma das queridinhas da América, o que colocou Jolie no papel da vilã sedutora que destrói lares. Só que diferentemente do que acontece na maioria das produções, desta vez a vilã levou a melhor. Hoje Angelina e Brad formam o casal mais lindo e mais influente do mundo ao lado de seus belos filhos.
Após esta tempestade, a atriz ainda estrelou o filme de ação O procurado e o drama A troca (2009), dirigido por Clint Eastwood, de quem recebeu incansáveis elogios e mais uma indicação ao Oscar. Em 2010 Salt teve, surpreendentemente, uma ótima crítica, elevando-a de vez ao status de maior estrela da sétima arte no momento.

O que faz de Angelina Jolie uma estrela não são ataques de estrelismo nos sets de filmagens, desposar astros famosos ou escândalos envolvendo a família ou uso de substâncias ilícitas. O que define Angelina Jolie como estrela é algo muito mais simples que vai além de qualquer justificativa infame de tabloide. É olhar para ela com uma perspectiva muito familiar. Vê-la como um ser humano, desnudo de qualidades e defeitos. Ela é o que é. Nem mais, nem menos. Apenas uma mulher linda, talentosa, com nuances de personalidade e carisma ímpar, que sabe tirar o que de melhor obtém da vida pessoal e profissional e ainda assim olhar pelos outros que não tiveram a sorte de nascer com o mesmo brilho.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sam Mendes e o American Way Life

Em dois grandes filmes, Sam Mendes desmitifica a máxima do American Way Life, com roteiros brilhantes e de uma melancolia que nos coloca numa encruzilhada entre o bom e o necessário para nossa vida

Logo na primeira cena de Beleza Americana (American Beauty, 1999) percebemos que o título da obra, uma alusão a uma bela rosa americana sem cheiro e espinhos, é a grande ironia da história. O brilhante roteiro de Allan Ball desnuda o dia-a-dia de uma família suburbana americana, um grande exemplar dos adeptos do estilo de vida americano, criado após a reestruturação do país, depois da Grande depressão, em meados a década de 40.

O chefe da família, Lester Burnham (Kevin Spacey formidável em atuação vencedora do Oscar), de repente se vê frustrado com sua vida e percebe que tudo o que sonhou não passou de um foge da juventude. A mecanização com que sua vida se desenvolveu, a base familiar, a casa, tudo o caracteriza o estilo pré-concebido de vida que leva, deixa Lester a mercê de seu vazio existencial.

Sua obsessão pela colega da filha, e a amizade com o filho do vizinho, um jovem maconheiro e perturbado pelo regime totalitário de seu pai, são seus caminhos para mudar o rumo de seu destino. Sua mulher Carolyn (Annette Benning, ótima) é um de seus problemas em sua procura por uma vida sem regras sociais, já que uma daquelas que se adaptaram, ou se conformaram, com o esquema do casa/comida/filhos e uma felicidade de mentira.

Ball não poupa ninguém. Mostra de forma divertida, chocante e, às vezes, melancólica como o sistema domina e destrói sonhos. Um estudo social eloquente e controverso do mundo, que aos olhos do resto do mundo, parece ser perfeito. Os delírios de Lester com a jovem ninfa (Mena Suvari) traduzem o desespero emocional que domina o personagem, uma alegoria que se completa com o universo paralelo e insano de sua filha e o filho do vizinho. Mesmo Carolyn vive seu íntimo paradoxo, enquanto tenta prova que sua vida é uma maravilha se perde em meio suas frustrações e arrependimentos.

Seguindo o mesmo arcabouço metafórico, Foi Apenas um Sonho >(Revolutionary Road, 2008) traz uma espécie de “O início” de seu longa de 1999. Argumentado por Justin Haythe, baseado no romance de Richard Yates, o filme traz um casal suburbano cheio de sonhos de uma vida feliz, mas que aos poucos vai sucumbindo ao sistema de vida, já consagrado nos áureos anos 50.

Neste caso é a jovem April Wheeler (Assombrosa atuação de Kate Winslet) que se sente em uma prisão sem muros. Uma clausura espiritual que pensou ter fim quando planejou uma vida nova em Paris. Os interesses de seu marido, Frank (o também fantástico Leo Dicaprio), se contrapõe quando consegue uma promoção no trabalho onde odiava trabalhar. Mas seria lógico deixar um bom salário para tentar uma incerta vida em Paris?

Talvez seja o ponto G do filme. Nesse processo de firmação do American Way Life essa pode ter sido o grande conflito vivido pelos americanos. Quanto valia a felicidade? Novamente Mendes da destaque a algum coadjuvante insano, no caso uma grande atuação de Michael Shannon, o jovem interno de um hospício, que parece ser o único que percebe que os planos de April são uma tentativa de se libertar. A ironia do título também é destacável, já que a rua onde moram é a “estrada revolucionária”, que no fim de tudo mostra que a revolução nunca aconteceu.

O que diferencia as obras é o teor na condução. Enquanto Beleza Americana é mais ácida e divertida, repleta de duplos sentidos, Foi Apenas um Sonho é mais cru, um melancólico desenho definhado de uma grande mentira. Talvez assim sejam por um representar a ascensão e o outro o declínio do estilo de vida sacralizado pelas propagandas políticas americanas.

O que as tornam semelhantes são as excelentes atuações do elenco, e a força tarefa de Sam Mendes para provar que os americanos viveram em uma grande fantasia por décadas, e que não há uma maneira certa ou errada de se conduzir a vida. Além de tudo nos coloca no centro da discussão, fazendo-nos tentar imaginar se nossas vidas seriam melhores se fizéssemos o que gostamos mesmo com dificuldades, ou se conseguíssemos um padrão de vida bom, mas fadados ao vazio até o fim da vida.

Beleza Americana (American Beauty, 1999), dirigido por Sam Mendes, roteiro de Allan Ball. Com Kevin Spacey, Annette Benning, Chris Cooper, Peter Gallagher, Mena Suvari, Thora Birch, Allisson Janney e Wes Bentley. 121 min. Vencedor de 5 Oscar (Filme, diretor, ator – Spacey, roteiro original, fotografia)

Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road, 2008), dirigido por Sam Mendes, roteiro de Justin Haythe baseado na obra de Richard Yates. Com Kate Winslet, Leonardo DiCaprio, Michael Shannon, Kathryn Hahn, David Harbour e Kathy Bates. 119 min. 3 indicações para o Oscar (Ator coadjuvante – Shannon, direção de arte, figurino)

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Stephen King, Frank Darabont e o sonho de liberdade

Um caminho rumo à liberdade, de qualquer tipo, mental ou física, não importa. Essa busca é o enredo principal que une dois ícones da literatura e do cinema nos anos 90: O escritor Stephen King e o diretor e roteirista Frank Darabont. Juntos construíram duas das mais brilhantes obras do cinema estadunidense daquele período, explorando sempre o desejo do homem de se libertar, seja ela de qual prisão for.

Provavelmente a intenção de King fosse criar temas complexos quando deixa de lado os contos de horror que o consagraram. Porém, na verdade, o que nasce da mente do escritor são estórias entroncadas, mas não complicadas. Isso talvez tenha sido o que chamou a atenção de Darabont. A facilidade da transposição, mesmo havendo a necessidade de um maior desenvolvimento, dos contos de King criou um léxico para adaptações.

O livro As quatro estações, uma coletânea de contos do autor, deu origem ao bom Conte Comigo (1986), e ao formidável Um Sonho de Liberdade (1994), que marcou o início da parceria com o diretor francês. Nas duas obras, o tema central, mesmo envolto em tramas paralelas, o expectador sempre é condicionado a se questionar sobre a verdadeira liberdade (No caso de Conte Comigo, a abordagem é mais singela, baseada na amizade e dúvidas juvenis).
No primeiro trabalho King/Darabont, fica claro a compatibilidade de estilo. A mesma calma e sensibilidade para atingir o clímax visto nas páginas produzidas pelo escritor são observadas na montagem segura e segmentada do diretor. Na trama, Andy Dufresne (Tim Robbins) é preso por assassinar a mulher, e vai para a prisão de Shawshank, lá conhece Red (Morgan Freeman) com quem faz amizade.

A lógica, e a deixa de Darabont no início do filme, fazem com que a todo tempo tenhamos a certeza de que Dufresne é inocente, o é que torna sua busca pela liberdade ainda maior. Na contramão dessa batalha silenciosa, a tênue e ardorosa perseverança que se abate sobre Red, mantém a mesma sensação no público. Parece um melodrama, mas não é. O que evita que o roteiro descambe para o tom novelístico é aquela tranca do enredo, herdado das letras de King. São sorrisos e lágrimas na medida certa.

Os dois viriam a se encontrar em outro filme na década de 90. À Espera de um Milagre (1999) foi um marco na história recente do cinema, não só pela sua linda e emocionante trama, mas pela combinação dos estilos do escritor com o diretor. Mais uma vez a dupla enche os olhos, porém dessa vez a busca pela liberdade é pavimentada por um realismo-fantástico poucas vezes visto nas telonas.

O longa traz o gigante John Coffey (atuação sensacional de Michael Clarke Duncan), um preso no corredor da morte, acusado de um crime que não cometeu, e Paul Edgecomb (Tom Hanks) como o chefe de segurança da Green Mille. Com o passar do tempo, o policial percebe que Coffey não preenche o perfil para estar naquele lugar, e ainda descobre que o grandalhão pode operar milagres.

A partir desta premissa Darabont carrega mais ainda o estilo de Stephen King. Com uma astúcia incrível, a leveza da condução do filme deixa o público em diversas encruzilhadas na trama. É impossível, mesmo faltando menos de 30 minutos para o fim, imaginar o que irá acontecer no final. A busca da liberdade, entretanto, não partiu de Coffey que estava prestes a ser executado, e sim de Edgecomb que teria de viver com este fardo pelo resto de sua vida. Seria a morte a liberdade almejada pela personagem de Tom Hanks? Outra característica de King, que no fim, sempre nos deixa com a sensação de que a estória na acaba ali.

Há quem não goste dos dois filmes da dupla, sempre com a retórica do água com açúcar demais. Mas sem se esforçar o espectador pode chegar à conclusão que nem tudo é o que parece, e há muito mais naquelas obscuras fábulas, do que uma simples historinhas. Se Frank Capra criou um estilo junto com o escritor Robert Riskin, fundado na esperança de um povo após uma crise, baseado no otimismo (o Capriskin), podemos considerar que Frank Darabont e Stephen King seguiram seus passos, só que na realidade de um mundo pós-Guerra Fria, e se asseguraram de buscar a liberdade, e criaram o estilo Darking.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Das páginas e das telas, e de qual é a melhor

Adaptar as vezes pode ser considerado falta de criatividade e originalidade, mas cá entre nós, quem não gosta de ter sua obra literária preferida transpassada de letras à imagem pode estar pecando por tacanhisse. Muita gente julga um filme antes mesmo deste mostrar a que veio, simplesmente por se tratar de uma adaptação. A questão sempre foi e sempre será se é benfazejo ou uma auto destruição consumista dos dias atuais, tal transposição.

Todavia esse espírito capitalista das exorbitâncias hollywoodianas, que tem à sua disposição obras literárias direcionadas as grandes bilheterias, é uma sórdida realidade. A desvalorização literária é apontada como o pior descendente deste casamento, que ganha mais “filhos” todos os anos. Contudo julgar é um erro, pois qual seria o problema em faturar com a compra dos direitos pelas grandes estúdios em época de avassaladora exploração midiática?

Livros como Marley e Eu, que não passa de um simples relato de um homem com seu cachorro, foi sucesso de vendas e se tornou Best-seller. Ao chegar nos cinemas se tornou enorme fiasco. Foi uma obra que não se adaptaria as telonas, um enredo inadaptável. Ponto para os inimigos das adaptações, já que na guerra de quem é melhor a literatura venceu, pelo menos neste caso.

Falem o que quiser, que o livro é melhor, não tem comparação e tudo mais, porém é impossível negar que O Poderoso Chefão, dirigido por Francis Ford Coppola, adaptado por ele em conjunto com o próprio autor do livro, Mario Puzzo, se tornou um filme fiel ao livro, e não seria exagero considerá-lo melhor. A saga dos Corleone é tão bem estruturada em seus três brilhantes capítulos, que a parte suprimida do livro, se omite sem interferir no andamento da história, talvez seja uma das duas melhores transposições que o cinema já promoveu.

A polêmica não terminará nem aumentará com esse pequeno parecer. O debate sempre existiu e vai perdurar por anos sem que os amantes da literatura e cinéfilos cheguem a uma conclusão aceitável sobre o assunto. A questão é que o cinema não quer roubar a magia literária, a idéia é compartilhar e difundir histórias que muitos não conseguem ou não podem por motivos diversos, apreciar através das páginas dos livros.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Tecnologia de primeira, filme de segunda



Verdade seja dita. A nova tecnologia 4k debutante junto com o filme A Invasão do Mundo: A batalha de Los Angeles é um show. Cenas mais límpidas e com uma definição extraordinária. Porém, o longa de Jonathan Liebesman só tem isso de relevante. Com um roteiro que mescla Star Wars e Guerra dos Mundos, o diretor não consegue fazer o que nem Steven Spilberg conseguiu: nos convencer de que o mundo estava sendo invandido.

As cenas hi-tech do filme tiveram um grande defeito que foi serem abusivamente repetitivas. Além disso, ficou impossível não criar uma aproximação com Guerra dos Mundos. E parece que foi essa a inteção do roteirista Cristopher Bertolini. O argumento intruncado, meio filme cabeça, meio cinemão de segunda, transpareceu a tentativa de amarrar um draminha de heróis americanos em crise, assim como na adaptação pipoca de Spielberg do romance de H. G. Wells.

Hipoteticamente o filme teria muito a apresentar. O tema, apesar de muito batido, agrada ao público comedor de pipoca. Entretanto, algo de novo tem de ser apresentado, assim como o sucesso de público e crítica Distrito 9, que rendeu boa bilheteria e recebeu indicações ao Oscar, inclusive de melhor filme. Mas com A Invasão do mundo, não é esse o caso. A estória se prende à mesmice do super-herói humano, sempre estadunidense, se erguendo em prol da terra contra aqueles que tentam dominar seu território (no caso é o mundo, mas eles se acham donos).

E para o mal de Liebesman, Transformers 3, que será lançado no início de julho, tem o mesmo embasamento, porém conta com um enredo pré-concebido bem mais coerente e interessante. Além dele, X-Men: Primeira Classe e a mega produção em seu momento derradeiro Harry Potter vão acabar por sepultar as pretensões do diretor, que esperava se destacar depois do fracasso de seu remake de O Massacre da serra elétrica.

Contudo o que conseguiu foi botar sua reputação em risco, fazendo de uma aposta tecnológica em um filminho candidato ao ostracismo. Tomara que dê a volta por cima na provável continuação da saga, pois se fracassar, voltará aos filmes de terror trash, conseguindo no máximo um MTV award.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

LEONARDO DI CAPRIO

Um gato de mil vidas

Filho da alemã, Irmelin Idenbirkin e do ítalo-germânico George Di Caprio, Leonardo Wilhelm Di Caprio nasceu num ambiente privilegiado. Sua estrela brilhou pela primeira vez em 11 de Novembro de 1974 em Hollywood, ou seja, já estava fadado ao estrelato. O pai, quadrinista independente, conviveu com grandes nomes da música, dando ritmo à infância do ator. O célebre cartunista underground Robert Grumb e o escritor Charles Bukowski eram presenças constantes na vida do ator, que desde os 5 anos já atuava em comerciais e seriados.

Sua brilhante carreira deu início aos 17 anos no filme de terror Criaturas 3 (1991). O desempenho de Leo em Growing Pains, onde viveu um adolescente sem teto chamou a atenção do diretor Michael Caton-Jones e logo brilhava em O despertar de um homem (1993) ou seria o despertar de um astro? Cerca de 400 garotos fizeram teste para o personagem, mas com o aval protagonista, um tal de Robert De Niro, Leo ficou com o papel do escritor Tobias Wolf. Depois deste “apadrinhamento” concorrer ao Globo de Ouro e ao Oscar no ano seguinte foi fácil. Como o irmão excepcional de Jhonny Deep em Gilbert Grape – aprendiz de sonhador (1994), ele arrancou além das duas indicações para melhor ator coadjuvante, aplausos merecidos do público e da crítica.

Nos anos seguintes sua carreira se consolidou com papéis fortemente dramáticos. Em 1995 ele viveu dois destes personagens. O escritor Jim Carrol em Diário de um adolescente e o poeta bissexual francês Arthur Rimbaund em Eclipse de uma paixão. Reencontrou De Niro em As filhas de Marvin (1996) e ganhou o Urso de Prata em Berlim por Romeu e Julieta no mesmo ano. Mesmo diante de tanto reconhecimento conquistado de forma tão precoce, nada se compara ao que aconteceria em 1997 com o megasucesso Titanic.

“Havia muita pressão sobre mim e fui rotulado como um produto. Mas nuncacheguei a me descontrolar.” Esta constatação fez Di Caprio pensar em parar de atuar por um tempo após a leomania, consequência do suceso do longa de James Cameron. Quanto mais recordes o filme batia, mais aumentava a fama do jovem galã. Em Fevereiro de 2000 quando foi lançar o filme A Praia, o primeiro após Titanic, ele ainda atraía os gritos estéricos das garotas. Na época o ator nunca se imaginou nestas condições na carreira e depois de 10 anos, acredita ter desenvolvido mais ferramentas para o trabalho de interpretar. Titanic foi mesmo um divisor de águas em sua carreira, uma vez que posteriormente chegou a receber um cachê equivalente a de grandes astros como Harrison Ford e Mel Gibson e se colocou na mira de Spielberg, Woddy Allen, Ridley Scott e Martin Scorsese, a quem considera seu mentor. Com ele construiu uma sólida parceria de sucesso, incluindo Gangues de Nova Iorque (2003) e o vencedor do Oscar de 2007, Os Infiltrados.
Dando continuidade à sua brilhante trajetória no cinema, Di Caprio segue um estilo interessante de trabalho ao se dedicar inteiramente a projetos de valor dramático e artístico, ao lado de diretores e atores do primeiro time de Hollywood. Com estes títulos, sempre foi lembrado para premiações como o Oscar e o Globo de Ouro. Em 2008 conseguiu a proeza de ser duplamente indicado para o prêmio de Melhor Ator por Os Infiltrados e Diamante de sangue.

Fora das telas, a imagem de bom vivant desapareceu com o amadurecimento pessoal paralelo ao profissional. Os romances ficaram mais duradouros e em 1998 ele se encanjou na defesa do Meio Ambiente criando a Leonardo Di Caprio Fundation e costuma militar ao lado dos Democratas Americanos.

Diante de todas estas qualificações, é impossível não rotulá-lo como um dos maiores exemplos de astros que conseguem conciliar uma beleza transcendental com um talento extraordinário de construir personagens tão cativantes quanto sua postura de ídolo de uma geração.


FILMOGRAFIA:

Criaturas 3 (1991)
Relação indecente (1992)
O despertar de um homem / Gilbert Grape – aprendiz de sonhador
(1995)
Rápida e mortal / Eclipse de uma paixão / Diário de um adolescente(1996)
Romeu e Julieta / As filhas de Marvin
Titanic (1997)
O Homem da máscara de ferro (1998)
Celebridades (1999)
A praia (2000)
Prenda-me se for capaz (2002)
Gangues de Nova Iorque (2003)
O Aviador (2004)
Diamante de sangue / Os Infiltrados(2007)
A origem (2010)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O que é isso Winterbotton?


Não dá para imaginar o que se passava pela cabeça do diretor Michael Winterbotton quando decidiu rodar 9 Canções, uma produção de maior teor pornográfico do que o teor analítico visivelmente proposta pelo roteiro. Depois de uma péssima crítica vinda de uma colunista da revista Veja, era obrigação conferir se o filme era ruim mesmo. E o surpreendente acabou acontecendo. O longa é pior do que a crítica dizia, e por um simples fato – Não tem sentido.

O roteiro mostra (ou tenta mostrar) uma relação espontânea de amor entre dois jovens que se conheceram em um festival de rock em Londres. O encontro logo pula da dança para a cama em seqüências de sexo explícito (mesmo!) sem nenhuma carga emocional. Se era para tratar do amor como algo efêmero, por quê as cenas libidinosas e promíscuas? Não se trata de uma bandeira pudica, atentando para a impropriedade do sexo no cinema, mas sim um questionamento de necessidade de a história ser contada através da relação sexual. E ainda explícita.

Filmes como O Último Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci, e A Insustentável leveza do Ser de Phillip Kaufmann, também estarreceram o público pelas fortes cenas de sodomia entre os personagens. Entretanto, a diferença entre os clássicos das décadas de 70 e 90, respectivamente, e o trabalho de Winterbotton, é a conexão feita entre o desejo e a repulsa de duas pessoas vazias emocionalmente.

Nem os clipes dos shows salvam a lavoura do diretor. È uma obra lamentavelmente sem sentido com cenas de sexo que são inferiores a muitos vídeos amadores do YouTube. Ainda bem que é só um péssimo filme na carreira de um diretor promissor, que em 2007 veio a rodar o bom O Preço da Coragem, e deixou de lado os experimentos pornográficos de um sub-cinema, para explorar de verdade as variações emocionais das pessoas em situações extremas.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

LINDA BLAIR

Estrela de brilho único

“Estrela de um filme só.” A expressão cai sob medida para a atriz nascida em 22 de Janeiro de 1959 na cidade Westport (EUA). O Exorcista (1973) poderia ter sido o filme que alavancaria a carreira da promissora atriz. Apesar de ter demonstrado uma performance assombrosa em sequencias tão chocantes quanto inesquecíveis, as portas do sucesso fecharam-se para ela. Os bons contratos sumiram, obrigando-a a aparecer em filmes para a TV de baixo escalão, incluindo um pequeno papel em Aeroporto 75 (1974).

De temperamento tímido e demasiadamente discreta, fez surgir em torno de seu nome boatos de envolvimento com álcool e outras drogas. Com isso sua tão promissora carreira não passou das sequencias memoráveis de exorcismo. O Exorcista II – O Herege (1977) foi mais uma tentativa de retomar o sucesso. Porém com o fracasso de bilheteria, sua carreira meteórica deu o último suspiro. Em 1990 ela retornou à tela em Repossessed, um filme B, de sátira à personagem que a marcou.

Linda Blair, de protagonista a figurante. Seriam os efeitos da maldição de O Exorcista? Ou apenas o despreparo de algumas jovens estrelas, que assim como ela, brilharam cedo demais e deixaram de brilhar tão precocemente? E qual a nossa parcela de culpa neste caso? Quantas atrizes e atores ou personalidades de outros segmentos ajudamos a transformar instantaneamente em astros inatingíveis?

Pessoas sem o mínimo de talento possível exigido que encontra o aval de todos nós para se tornarem os Deuses que acreditam ser e consequentemente os monstros arrogantes que são. Equívocos como estes são suscetíveis a uma reflexão intensa e incessante de nós, seres capazes de criar e alimentar monstros com uma facilidade preocupante. Saber medir o tamanho de nossa responsabilidade nestes casos é o primeiro passo para exorcizá-los. Sem a ajuda de um padre.


FILMOGRAFIA:
Correntes do Inferno (1983)
Noite infernal (1984)
Patrulha noturna / Presídio, estadia do Inferno / Prisioneiras da Ilha Selvagem (1985)

sábado, 21 de maio de 2011

O mais do mesmo, mas muito melhor

Depois de ansiosa espera dos fãs, enfim chega aos cinemas Piratas do Caribe: Navegando em águas misteriosas, quarto filme da franquia, que tem como grande missão revitalizar a saga mudando o rumo da epopéia. Com a inclusão de novos personagens, uma direção experiente e um Johnny Deep melhor do nunca, o trhilher consegue manter a forma e tende a não ter o mesmo insucesso de outras apostas de recomeço como Indiana Jones e O Extermidor do Futuro.

Piratas 4 não é um filme que surpreende. Usa os mesmos mecanismos já conhecidos do grande público, como as improváveis fugas do Capitão Jack Sparrow. Além disso o roteiro usa os mesmos moldes já explorados pelos antecessores, com o vilão supermalvado, a mocinha de caráter duvidoso e um agente duplo. Porém, o primeiro trunfo do filme está justamente neste aspecto. Os roteiristas pegaram a forma e adicionaram um recheio, digamos, real.

A introdução lendário pirata Barba Negra foi uma idéia acertada, já que sempre quando se fala de bucaneiros, o nome do peverso é sempre lembrado. Apesar de o personagem interpretado por Ian McShane poderia ter mais destaque, já que o talento do ator mostra em Pilares do Tempo prova que sua contribuição poderia ser bem mais generosa. Já a lindíssima Penélope Cruz se encarregou de ser a mocinha, se bem que o termo não pode ser bem levado ao pé da letra nos filmes da saga. A mentirosa filha do Barba Negra, mais um romance não resolvido de Sparrow, dá mais charme e menos pancada, em comparação a Elizabeth. Se bem que o talento de Cruz, mesmo grávida, deixa a esforçada Keira Knightley para trás.

No decorrer da história pode-se perceber mais elementos hitóricos como os representantes da Invencível Armada espanhola, e a participação da igreja, representada pelo jovem clérigo de papel importante no filme. É possível perceber a influência de obras como Ilíada de Homero, e sem muita imaginação, Os Lusíadas de Camões. Tudo isso combinado aos efeitos de arrepiar e às cenas de ação de tom coreográfico, visível influência do talento do diretor Rob Marshall, que brilhou na conduçaõ do excelente Chicago.

Johnny Deep é um show à parte. Seu desajeitado e matuto pirata dar o ar de sua esperteza logo no início, em uma fuga extraórdinária, teve uma deliciosa ponta de Judy Denchi. O ator mostra que seu Jack Sparrow é o personagem no qual tem mais segurança, apesar de sempre estar bem em qualquer filme que faça. O ator, considerado o maior cult da atualidade, e seu Jack parecem ser um só, e de vez em quando se separam para Deep também brilhar em outro gêneros.

Não dá para saber ainda se Piratas 4 vai manter o enorme sucesso da primeira trilogia. Mas o certo é que o filme é o maior exemplo de cinema da cultura pop, e que cada vez mais vão ganhando espaço nas telonas. Mesmo que os críticos torçam o nariz, eles terão de concordar que o longa não surpreende, mas faz com que o público saia do cinema com a sensação de ter assistido ao mesmo filme de sempre, só que com mais vontade de assistir outro.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O homem que abraçou a causa

Se tem alguém no cinema que parece se importar de verdade com os direitos iguais para todo mundo, esse é Steven Spielberg. Às vésperas de mais um aniversário da “liberdade” dos negro no Brasil, vale relembrar a obra do cineasta americano que relata com primazia o primeiro passo para o fim da escravidão, propriamente dita, no mundo.

Amstad é um filme de sensibilidade única. Nem em seu A Cor Púrpura o diretor conseguiu transmitir sua admiração pela luta dos negros em busca da liberdade, com tanta firmeza quanto neste longa.

A saga do navio negreiro começa pela revoltada dos escravos que tomam o comando da embarcação. Depois de serem recapturados, eles são levados a julgamento, onde teriam a opção de serem enforcados, ou voltariam para a condição de escravidão.Depois de muitas batalhas judiciais, contando com uma enorme contribuição do ex-presidente John Quincy Adams (Anthony Hopkins), conseguem a tão sonhada liberdade.

Um filme que, apesar de não ser o melhor da carreira de Spielberg, é com certeza o sua mais forte contribuição ao que todos procuram desesperadamente em tempos de intolerância. Se os negros ainda não tem as mesmas chances que os brancos, o jeito é continuar lutando para que cada vez mais essa segregação velada chegue ao fim. E se precisarmos de um apoio, sabemos com quem poderemos contar com Spielberg.

terça-feira, 10 de maio de 2011

VALE A PENA ASSISTIR :

O MENINO DO PIJAMA LISTRADO (The kid of listrad pijama , 2009)
Drama. Com Vera Farmiga e David Trawles

Sofrendo com a mudança repentina de toda sua família para outra cidade, um menino busca se reencontrar após perder seus amigos. Solitário, num belo dia de verão conhece um menino judeu de sua idade preso nos campos de concentração. Uma linda amizade surge entre eles, em meio às indagações a respeito da origem da Guerra. E sua pureza de espírito o leva a um desfecho trágico de sua vida ao lado do novo amigo.
O filme nos faz entender o sentido literal da passagem bíblica : “Vinde a mim as criancinhas, pois são puras de coração.” Uma visão interessante do olhar de uma criança alemã sobre a Guerra e de como sua inocência uma amizade linda e leal com uma criança judia presa nos campos de concentração próxima à sua casa. O filme mostra também os efeitos negativos da Guerra para todas as famílias que sofrem com a violência de forma universal.

VOZES DA LISTA (List’s voices , 1993)
Documentário.

Um poderoso documentário apresentando experiências de testemunhas oculares dos horrores da Segunda Guerra. Atenção especial para as histórias verídicas que serviram como suporte para o roteiro do filme de Spielberg.

terça-feira, 26 de abril de 2011

As piores, entre as melhores, coisas do mundo

O que torna a juventude especial? Que faz cidadãos de seus quarenta e tantos anos suspirarem por estes tempos que jamais voltarão? Bem, isso vem de cada um. A adolescência para muitos, principalmente para quem a está vivendo, é a pior parte do aprendizado da vida. O momento crucial onde a encruzilhada em que a vida nos conduz, desilude e coloca às mais terríveis provações, nossa personalidade em formação. É nesse estágio em que o jovem Mano descobre que o processo de crescer não é difícil, dependendo da forma de como você a encara. E isso é conduzido de forma singela por Laís Bogdanski em As Melhores Coisas do Mundo.

Através do roteiro de Luiz Bolognesi, as decepções da vida de adolescente, as descobertas de amor e sexo, os dramas familiares e o buylling, nos mostram o desenho de toda a sociedade atual, desacralizada pelo mundo pós-moderno. A concepção de família, vai de encontro ao que um dia era tão abjeto quanto se manter vivo. O jovem Hermano, interpretado por Francisco Miguez, aprendeu de forma abrupta todas essas lições, mas soube enfrentar todo esse turbilhão, o que não o salvou do sofrimento.

Ter um pai que se assume gay, pode complicar a vida den qualquer adolescente, principalmente no lugar onde passa por seus maiores dilemas juvenis, a escola. As instituições, palco de dez entre dez crueldades ofensivas à uma pobre mente em construção, sempre tem sua parcela de culpa no que pode vir a acontecer de errado a um adulto. Mano sofreu buylling, ao mesmo tempo em que se decepcionava com o “amor”. Ainda de tinha de enfrentar a instabilidade emocional do irmão mais velho, a incoerência de seus ideais, aceitar as escolhas do pai e ainda ser o pilar da reconstruçao de sua mãe. Parece um super-herói, mas é só um ser humano. Daí a sutileza do filme.

A diretora desfragmenta em atos tudo o que acontece na adolescencia de todo mundo, sendo com a intensidade mostrada no longa, ou não. Em momento nenhum à uma fórmula secreta para enfrentar este estágio da vida. O roteiro não se prende a vinganças juvenis, e nem exalta as qualidades do personagem central, apenas relata fatos que provavelmente o espectador tomará partido, por ser comum a qualquer um. Uma análise sem psicólogo.

A excelente trilha sonora não nos deixa esquecer que se trata da juventude. E cada vez em que acompanhamos a tristeza do jovem Mano, percebemos o quanto essa etapa de nossas vidas definem nosso futuro de forma irremediável. Sem julgamentos, podemos entender, ou tentar entender, o que aconteceu com o rapaz de Realengo, para que tenha chegado ao ponto de tirar o futuro de 12 pobres crianças. Não é um acoitamento, é um questionamento.

Se Mano não tivesse superado as intempéries deste aprendizado, talvez terminaria em um quarto de hospital psiquiátrico, ou tiraria a própria vida, como tentou fazer o irmão, ou pior, tiraria a vida de inocentes. Mas ainda bem, que a maioria do mundo sabe lidar com este cruel período da vida. Além do mais, quem não experimenta as piores coisas da vida, jamais saberá quando as melhores estiverem acontecendo.

As Melhores Coisas do Mundo, 2010. De Laís Bodanzki, com Francisco Miguez, Paulo Vilhena, Denise Fraga, Zé Carlos Machado, Caio Blat e Fiuk.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A LISTA DE TODAS AS RAÇAS

"O dia de hoje é histórico .O dia de hoje será lembrado. Anos mais tarde todos os jovens perguntarão sobre este dia. O dia é histórico e vocês são parte dele. Há 600 anos quando em outro lugar procuravam de quem a culpa pela peste bulbônica, Casemiro, conhecido como o Grande, disse aos judeus que eles podiam vir para a Cracóvia. Eles vieram com seus pertences para a cidade. Se estabeleceram, tomaram conta, prosperaram nos negócios, na ciência ,na educação, nas artes. E eles prosperaram e por seis séculos existiu a Cracóvia Judia. Pensem nisto, e esta noite estes seis séculos não passam de um boato, nunca aconteceu. Este dia é histórico.”
Amon Goeth ,general da SS, antes da extinção do Gueto judeu na Polônia em 16 de Agosto de 1942


A disputa pelo poder das super potências econômicas teve como característica primordial os elementos do Imperialismo, ou seja, o processo de dominar as outras nações pela força de tomar dos outros o que originalmente não lhe pertence. Países e continentes foram tomados pela ânsia de poder de uns sobre os outros. Este processo desencadeou a Segunda Guerra Mundial, deixando uma herança de ódio e preconceito para a humanidade.

A Segunda Guerra Mundial foi o capítulo mais triste de nossa história. Foram seis anos de vergonha que nos levou a beira do abismo ético, moral e social. Os alicerces que a sustentavam tiveram como base a tentativa de dominação de uma nação sobre as outras. Uma faxão de poder militar e econômico ganha força ao tentar resgatar o orgulho de sua nação. Eles representavam a chamada Raça Ariana e a intitulava como a mais pura, a superior, a que mais se aproximava do ser humano. Aqueles que não seguiam seus padrões físicos eram tachados de seres inferiores e, portanto, não eram classificados como seres humanos.

Negros, asiáticos e indígenas sofreram discriminadamente ao longo da história e durante alguns muitos tempos mais foram deixados à margem. Os negros viram seu continente ser dividido como fatias de pizza pelos europeus e depois transformados em escravos. Os asiáticos tiveram seus templos violados e sua cultura esmagada pelo exército britânico que lá se estabeleceu durante anos. Os índios massacrados física e ideologicamente pelos colonizadores e hoje veem pouco a pouco sua cultura sendo jogada ao esquecimento. Todos tiveram que se submeter pela força a uma outra cultura. Tudo em razão de uma idéia totalmente deturpada de um grupo ao conceituar a raça humana como um todo.

O que nos parece mais grave e digno de uma reflexão mais aprofundada é a convicção que uma raça tinha de negar compartilhar com as outras características de humanidade. Julgar os outros por sua concepção política, religiosa, crença ou opção sexual é algo inadmissível, porém ainda digno de discussões pautadas. Mas não reconhecê-los como seres humanos em toda sua concepção é algo inconcebível até mesmo diante dessas discussões. Este princípio se tornou a bandeira do Holocausto. A disseminação do ódio da raça ariana pelos judeus durante a Guerra. Segundo este princípio, os judeus eram os responsáveis pela crise que a Alemanha enfrentava naquela época. Os judeus passaram a ser vítimas de uma campanha anti-semita do Nazismo.

Meios de comunicação em massa foram usados bem como discursos inflamados por todos os líderes do Partido frente à população. Até as crianças foram atingidas, uma vez que nas escolas o que se pregava nas cartilhas era ódio e discriminação aos judeus. Para sustentar suas afirmações, os Nazistas recorreram a argumentos científicos, que segundo eles, eram inquestionáveis para o resto da população. O judeu não era um ser humano. Eram como ratos, piolhos, insetos nocivos à humanidade e como tais mereciam ser extintos. Eram tratados como animais no sentido literal da palavra.

Tiveram suas vidas arrancadas e sua dignidade despida sob todos os aspectos. Foram proibidos de frequentar qualquer local ou estabelecimento público. Depois que tiveram suas lojas e patrimônios destruídos, foram expulsos de suas casas, forçados a viver amontoados numa área restrita que chamaram de Gueto. Este, por sua vez, não era como um cortiço. As condições de vida eram tão subhumanas que nem de longe poderia se perceber que se tratava de uma moradia humana. Mais lembrava um cercado, um curral . Sua extinção em Agosto de 42, levou os judeus aos campos de concentração. Um lugar que mais parecia uma prisão, mas uma prisão para animais. Dormiam numa espécie de estábulo e eram marcados como gado antes de trabalharem como escravos até a morte eminente. Homens e mulheres saudáveis ganhavam uma sobrevida nos campos. Já as crianças e os idosos eram assassinados em câmaras de gás sem nenhum tipo de consciência ou remorso.

O homem mostra sua mais assustadora face como único animal que mata o da mesma espécie. Um a um, 6 milhões de judeus foram exterminados pelas forças alemãs da SS. E este número poderia ter sido maior se não fosse a coragem e compaixão de um homem que arriscou sua vida e fortuna para salvar 1.100 judeus.
O theco Oskar Schindler migrou para a Polônia a fim de enriquecer com a Guerra e fez de sua fábrica de armamentos um refúgio para seus 1.100 operários. Á princípio a idéia era lucrar com a mão-de-obra judia,muito mais rentável do que a polonesa. Porém quando se deparou com o massacre do Gueto começou a se sensibilizar com o sofrimento do povo que o estava ajudando a enriquecer. Nem o fato de ser membro do Partido Nazista o inibiu, pelo contrário, sua influência perante os poderosos o ajudou a cumprir sua missão. Ele tinha a consciênciade que o poder não vinha da força e sim do respeito e compaixão pelos menos favorecidos.

Abriu sua mente e o coração com o devido respeito à cultura judia e assim pôde aprender a valorizar o que nós, seres humanos, temos de melhor. A diversidade cultural. Foi o que serviu como base para a Declaração Universal dos direitos Humanos feita pela ONU (Organização das nações unidas) após a Guerra. Ela que nos faz enriquecer através da troca de experiências com outras culturas. Mas para isso devemos abrir nossas mentes e nossos corações. Ver nos outros nossa imagem e semelhança, como parte de uma única classe, uma única espécie, uma única raça. Entender que o que nos separa é justamente o que nos dá mais força e equilíbrio. Divergências culturais são saudáveis para todos nós. Contudo, é preciso saber separar estas divergências de qualquer tipo de preconceito. Não é preciso discriminar esta ou aquela raça e sua cultura. Quando nos tornemos ditadores de princípios que julgamos serem os melhores, os mais adequados à humanidade, cometemos um erro que nos torna tão irracionais quanto animais. Quando chamamos um negro de macaco, um gordinho de elefante, as loiras de burras e os homossexuais de “bichas”, estamos renegando a todos o direito de pertencerem a nossa raça. São formas graves e inaceitáveis de preconceito de quem se considera parte da mesma raça. Somos únicos e cada qual contribuiu da sua forma para uma lista universal da Paz. A lista de todas as raças sublinhada com amor, fraternidade e respeito a todas as formas de diversidade.


A Lista de Schindler (Schindler’s List , 1993)
Com Liam Neeson e Ben Kingsley

VEJA TAMBÉM :

O pianista – a história real de Wladislaw Spilzmam, um pianista de sucessoque foi testemunha ocular do massacre do Gueto

Olga – mulher , alemã, judia e comunista que lutou contra o poder ditatorial da Era Vargas durante a Segunda Guerra.

A vida é bela – uma visão romântica criada por Roberto Beningni de como um pai de família protegeu suaesposa e filho dos horrores.

A queda – as últimas horas de Hitler

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O Cinema e seus antológicos personagens

Desde os primórdios o cinema trabalha com registro das imagens para posteriedade, e graças a ele podemos acompanhar, hoje em dia, fatos e acontecimentos que provalvelmente estariam perdidos em páginas amareladas de livros de história e enciclopédias. Esse poder fixador da sétima arte, ajudou a criar mitos, reais ou fantásticos, que mesmo depois de décadas ainda continuam a serem citados e homenageados.

Quem nunca ouviu falar do diabólico Darth Vader com sua voz peculiar? Muitos o conhecem sem ao menos ter visto um teaser sequer da saga Star Wars. O mítico personagem se tornou sinônimo de pessoa malvada e sem escrúpulos. Quem poderia se tornar uma termo de dicionário é Forrest Gump. Para todos aqueles que contam histórias de veracidade duvidosa, o termo é apropriado. O que dizer então de Shrek, que com sua simpatia e feiúra, transformou-se em apelido predileto entre grupos de amigos. Ainda temos personagens lembrados por dez entre dez cinéfilos.

A famosa frase de Scarlet O’Hara em E o Vento Levou, ecoa pelo mundo cinematográfico, tanto quanto os grunhidos repgnantes do esquelético Gollum da fantástica trilogia O Senhor dos Anéis. O que comentar sobre a geniosa Margo Channing de A Malvada >e a antipatissíssima Miranda Priestly de O Diabo Veste Prada, interpretdas por Betty Davis e Meryl Streep, dois ícones do cinema americano?

Mesmo que alguns não gostem, não tem como se esquecer dos perserverante Rocky Balboa e do valente intrépido exército-de-um-homem-só John Rambo. Os brutamontes ainda têm vez através do Duro de Matar John McClane e do Extermidor do bem e do mal, T-800. Os psicopatas Hannibal Lecter e Norman Bates até hoje atormentam o sono de muita gente, o que na verdade é trabalho do irônico Freddy Kruegger e do estraga prazeres Jason.

A comédia imortalizou Carlitos, o adorável vagabundo. Assim também o fez com o atrapalhado Jack Sparrow que ainda navega por entre nós. Apesar de muitos considerarem coisa de criança, o carismático Roger Rabbit, representa junto com o inesquecível Burro, a Bela e a Fera e o pop star Mickey Mouse, o mundo das animações. Estas que ajudaram a tornar Mary Poppins um marco dos musicais, que já eram famosos por terem imortalizados a pequena Dorothy de O Mágico de Oz.

Os pertubadores da paz Alex de Laranja Mecânica e Coringa, de O Cavaleiro das Trevas, são tão lembrados quanto o escolhido Neo de Matrix. A maravilhosa Gilda vivida por Rita Hayworth, ainda desperta paixões, assim como a Bonequinha Holly de Audrey Hepburn. E se a bandidagem tem ao seu lado Scarface, Zé Pequeno e Vincent Vega sob a batuta de Dom Vito Corleone, o bem conta com a destreza dos agentes Jason Bourne e James Bond, o inteligente e sortudo Indiana Jones e o “faca na caveira” Capitão Nascimento.

E se a Juventude Transviada de Jim Stark não o permitiu acompanhar a fábula do E.T., o novo e repaginado King Kong, e o aterrorizador Tubarão, é por que não estava Curtindo a Vida Adoidado com segurança assim como Ferris Bueller. E se terminasse sem citar o arrogante Ricky Blane do marco Hollywoodiano Casablanca, cometeria um crime tão grande quanto esquecer do megalomaníaco Cidadão Charles Forster Kane.

É óbvio que ainda tem nomes que minha não conseguiu me recordar, assim como tem muitos que não couberam no texto. Muitos imortalizaram o cinema assim como este os imortalizaram. Em meia hora fui capaz de relembrar antológicos nomes que irão durar até o fim dos tempos graças a película de um cinematógrafo.

Qual seu personagem preferido?

segunda-feira, 11 de abril de 2011

ELIZABETH TAYLOR:

“Sempre me caso com os homens pelos quais me apaixono”
Elizabeth Taylor (1932 - 2011)

Elizabeth Rosemound Taylor foi a última das grandes estrelas manufaturadas pela fábrica de sonhos de Hollywood. A última da era romântica ou de ouro. A última das estrelas que faziam de sua beleza o cartão de visitas para o sucesso e seu carisma o passaporte para a fama.

Dotada de uma extraordinária beleza, estava mesma destinada a notariedade desde 1932, o ano de seu nascimento em Londres. Os pais eram antiquários que emigraram para os EUA, mais especificadamente Los Angeles, após a Segunda Guerra Mundial. Na cidade dos anjos, ou melhor, terra dos sonhos, seus olhos de raro tom azul-violeta , lhe abriram as portas para a carreira de atriz. Foi contratada pelo Metro e aos 11 anos, numa atuação comovente, despertou a curiosidade do público em A força do coração(1943).

Daí por diante foi uma das poucas atrizes que conseguiu crescer frente às câmeras sem perder seu brilho em papéis de garotas bonitas e mimadas. Em 1950 com apenas 18 anos obteve seu primeiro papel na fase adulta como a esposa de um milionário maduro em O traidor. A maturidade adquirida nas telas se extendeu pela realidade quando casou-se com Conrad “Nick” Hilton, o herdeiro da famosa cadeia de hotéis. Começava assim sua coleção de maridos.

A união com Hilton durou poucos meses e em 1952 casou-se com o ator inglês Michael Wilding,vinte anos mais velho e pai de seus filhos Michael Jr. e Cristhopher. Divorciou-se em 1957 e no mesmo ano estava casada com o produtor Mike Todd. Sua filha Liz Todd nasceu pouco antes dela ficar viúva. Depois veio o cantor Eddie Fischer, melhor amigo de Mike, um motivo para um tremendo escândalo em Hollywood. Além disso foi acusada de estar ‘roubando’ o marido da amiga Debbie Reynolds. A união com Eddie e as consequencias que trouxe a mesma só sessaram-se em 1963 quando Liz se apaixonou por Richard Burton durante as gravações de Cléopatra na Itália.

Ambos tiveram que pedir o divórcio de seu respectivos cônjuges. Legalizaram a união em 1964 e neste tempo a estrela teve de enfrentar além dos paparazzis, uma traqueotomia para poder respirar. Seu casamento com Burton eram manchetes nos jornais do mundo inteiro. Brigas, bebedeiras, presentes milionários e jóias raras ditavam as regras do relacionamento. No entanto parecia que a popularidade de ambos saíam ilesas deste mar de confusão e juntos fizeram 9 filmes, entre eles Quem tem medo de Wirginia Wolf? (1966),que deu a Liz seu segundo Oscar. O primeiro ganhara em Disque Butterfield 8 (1960).

O casamento com Burton terminou em 1974 e um ano depois fizeram uma nova tentativa de 9 meses ao se casarem na África do Sul. Em vão. Burton havia ficado para trás e então em 1976 ela casou-se com o senador John Warner e conhecer uma vida como dona-de-casa.

O exílio doméstico durou até os anos 80 quando ingressou no teatro. Obteve grande sucesso com as peças The Little Foxes e Private Lives,esta com o ex Richard Burton. Divorciada do senador Warner em 1982 jurou que jamais se casaria outra vez,apesar dos inúmeros noivados tão conturbados quanto seus matrimônios.

Quando Burton morreu na Suíça em 1984, ela se internou numa clínica de dexintoxicação de álcool e barbitúricos. Este tipo de boato sempre assombrou a atriz que se viu num emaranhado de fofocas neste sentido quando suspeitaram que Liz teria contraído o vírus da AIDS de um de seus namorados,o milionário Malcom Forbes,morto pela mesma doença. Em Abril de 1990, foi operada do pulmão devido a uma repentina pneumonia. Atordoada por tantas fofocas, explodiu: ”Deixem-me morrer em paz”.

Que assim seja. Que repouse nos braços da eternidade uma das maiores estrelas da história do cinema. A última das primeiras. E que me perdoe Julie Christe e sua Darling, mas foi uma inglesinha de cabelos negros e de voz grave, ao mesmo tempo suave, a verdadeira mulher que amou demais e a que despertou em todos nós as maiores paixões.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O brado de liberdade de todos Homens-Elefante

Quando Werner Herzog concebeu o melancólico O Enigma de Kaspar Hauser, em 1974, a história de um rapaz que depois de anos preso em um porão sai para conviver em comunidade mas não compreende o mundo que passou a viver, fez com que os espectadores sentissem pena, mas ao mesmo tempo questinassem todo processo que move a sociedade.

Os moradores da cidade o repugnavam e o trancafiaram numa torre. Medo do quê? Os moradores da cidade mostraram um lado da sociedade mundial que todos conhecem, mas negam. O preconceito diante de uma figura que não preenche os requisitos básicos do esteriótipo construído desde os primórdios dos tempos. Julgar a todos não é justo, se ninguém está livre de ter um gen preconceituoso. O filme se desenrola até momento onde o personagem não se compreende, o que faz dele refém da incompreensão da sociedade.

Mas nem tudo estava perdido. Em 1980, David Lynch provou que nem tudo pode ser setenciado de acordo com a opinão pública. Sob a apaixonante fotografia em preto e branco, O Homem Elefante chocou e emocionou pessoas de todo o mundo com a história verídica de John Merrick, um homem que tinha maior parte de seu corpo deformado devido a uma rara doença. Foi resgatado de um circo de "aberrações" por um médico. A partir daquele momento, o principal desafio de Merrick era enfretar o preconceito. Sempre que era humilhado, sujeitando-se a ser tratado como um animal, seu espírito se portava como tal. Se resignava a aceitar seu cruel destino, sem nem mesmo pronunciar uma palavra de lamento.

A missão do Doutor Treves, que o resgatou, não era fazer com que a sociedade o aceitasse, e sim fazer ele se aceitar. O brado "Eu não sou um animal, sou um ser humano!" de Merrick no auge de uma humilhação pública, faz com que passem a enxergá-lo como o homem que era. Outro personagem que o ajudou foi a Sra Kendall (Anne Bancroft), que aguçou sua sensibilidade para o teatro, tornando-o cada vez mais "humano".

A lição do filme de Lynch pode ser de grande valia nos dias atuais. Estamos em uma época onde o bullyng, seja real ou virtual, destrói sonhos e cria uma linha tênue de baixo astral na vida de muitas pessoas. Se seguirmos o pensamentos do pobre Kaspar Hauser, deixando o mundo nos abater, sucumbiremos. Entretanto se enfretarmos a realidade, não com violencia, mas simplesmente nos aceitando, com certeza a sociedade nos enxergará. Viva John Merrick!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

PROFESSORES SEM LIBERDADE

Todo profissional que encontra sucesso em sua área geralmente o atribui à sua vocação. Algo que nasceram para fazer e faz com paixão. Para os professores esta vocação tão declamada tem um outro peso, uma outra significância. Trata-se de uma missão. A missão de formar profissionais e acima de tudo cidadãos para o futuro. Ela bem que poderia ser uma médica de sucesso ou uma engenheira, arquiteta, uma executiva ou advogada como o pai. Mas Erin Cruwell quis se arriscar numa área bem mais apaixonante com a convicção de que iria fazer a diferença na vida de outras pessoas,particurlamente de seus alunos.

Jovens que já poderiam se sentir vitoriosos pelo simples fato de conseguirem sobreviver àqueles anos conturbados pela violência das gangues em Long Beach (EUA). Ela bem que poderia se acomodar em sua posição e “apenas tentar sobreviver, ganhar experiência e se arriscar numa outra área”, como sugerira seus colegas de trabalho. Mas Erin estava mesmo disposta a fazer valer o cargo que assumira com paixão. Entendia mais do que ninguém sua missão, que ela conscientimente se incumbiu. Não queria, ou melhor, desejava formar apenas profissionaís bem sucedidos. Afinal naquela época e nas condições sociais que os jovens estudantes do Sistema de Integração do Colégio Wilson se encontravam, era estatisticamente e por experiência, improvável que daquela turma da sala 203 saísse algum profissional altamente qualificado.

Cruwell enxergava bem mais além. Bem mais em formar homens e mulheres de bem e caráter suficientes para viver com dignidade naqueles em que a violência imperava e que tinha uma força descomunal sobre suas vidas. Força que nem mesmo os professores sonhavam em exercer sobre eles. Jovens que sucumbiam facilmente à esta realidade devido a inércia de alguns profissionais que nasceram com a vocação de ajudá-los a sair destas condições. Profissionais que faziam parte de um grupo ao qual Cruwell ousadamente se excluía. Movida pela paixão de seus ideais, ela se recusava a aceitar passivamente o descaso de seus colegas e a superficialidade do sistema de integração. Sistema governamental que tinha como objetivo inicial a inclusão de jovens marginalizados à sociedade através da educação.

Assim sendo ela teve o talento de unir um sala separada pela segregação das gangues fazendo valer a verdadeira essência do sistema. Ao fazer seus alunos acreditarem em si mesmos, ela conseguiu fazer com que soubessem deixar fluir o que é certo em momentos decisivos de suas vidas sufocadas pela violência. Tudo em nome de sua paixão pela profissão e especialmente pelo ser humano que orgulhosamente ajudaria a formar. A professora tornou-se um exemplo de inspiração para um seleto grupo de profissionais que tendem a lutar contra inimigos que basicamente seriam seus aliados nesta guerra contra a violência. Um sistema educacional deficiente, que nem de longe lembra do conceito de integração social, uma má renumeração da classe, o descaso do governo para com este sistema e consequentemente para com dele depende e,em alguns casos, contra um inimigo inesperado e bem mais forte do que qualquer outro.

Os próprios pais de alunos mal intencionados nas salas de aula. Pais superprotetores que nem têm noção do quanto mal está fazendo à sua própria família, ajudando a criar pequenos monstros que agridem de forma verbal e muitas das vezes até de forma corporal seus pais da escola. Há algum tempo atrás estes pais agiam em comum acordo com os pais biológicos de seus alunos. A escola tornava-se uma extensão de sua casa e os professores parte de sua família. Chamá-los de “tio” ou “tia” era prática de meninos e meninas que ingressavam na vida escolar. Hoje os professores perderam a liberdade desta posição, uma vez que os pais lhes tiram sua autoridade à frente dos filhos cada vez que os mesmos cometem atos inadimissíveis dentro de uma sala de aula.

Ao proteger seus filhos eles tiram dos professores o direito de educar, aniquilando qualquer tipo de tentativa de se unirem contra a violência ou qualquer outro adversário da sociedade. Quando os pais perceberem que os maiores inimigos se encontram fora das salas de aula e voltarem a reconhecer a participação dos professores na educação de seus filhos, será dado um gigantesco passo rumo a formação integral de cidadãos. Formação esta que tem como base a educação, sistema fundamental para fazer de qualquer país uma grande potência.

Como aconteceu com o Japão depois da Segunda Guerra Mundial. Totalmente devastado pela guerra,o país encontrou na Educação uma maneira de recuperar seu status. O pequeno país, que poderia facilmente ser considerado uma ilha, fundou seus alicerces no sistema e o resultado foi o que muitos não esperavam que pudesse ser possível. Foi o chamado “Milagre Japonês”,em que país colocou em prática o que todos sabemos. A educação é a base para tornar um país uma potência econômica e social. Isto é um fato.

E se até quem tem olhos bem pequenos consegue enxergar,por que não um país muito maior e de olhos bem maiores não consegue este feito? Está mais do que na hora de abrirmos os olhos para o valor único de um profissional diferenciado que exige mais do que investimentos financeiros de todos nós, autoridades governamentais, profisssionais, pais, alunos, sociedade. É preciso que seja lhes dado o que é de direito. O respeito , a autoridade e a força para fazerem o que nasceram para fazer. Ensinar nossos filhos a ler a cartilha da vida, rabiscar esbossos de cidadania e escrever sua própria identidade de futuros escritores da liberdade.

Escritores da liberdade (Freedom winters / 2006) Com Hillary Swanck e Patrick Dempsey

Veja também :
O diáro de Anne Frank
• Crash – no limite
• Meu mestre , minha vida
• O refúgio secreto
• Diário de um adolescente
• Gangues de Nova Iorque