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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Rascunho do Oscar

E o SAG foi entregue, Ernest Borgnine foi homenageado, e os principais favoritos ao Oscar já deram as caras. Depois de me emocionar ao ver o eterno Marty de pé no alto de seus 94 anos, com os olhos marejados, recebendo a homenagem especial da noite, acompanhei o rascunho da festa da Academia, no dia 27 de fevereiro.
Colin Firth e Natalie Portman parecem invencíveis e provavelmente irão faturar a primeira estatueta de suas carreiras. Melissa Leo está irresistível, só por uma grande injustiça não vencerá. Ainda acho que o peso de seu personagem na trama fará Geoffrey Rush superar Christian Bale, é difícil, mas não impossível. Para filme, O Discurso do Rei terá mais força que A Rede Social, mas na categoria diretor acredito na vitória de David Fincher.

sábado, 29 de janeiro de 2011

A dualidade da geração Y

No auge da Cibercultura, David Fincher explora a incoerência da geração Y, e reflete sobre até onde a tecnologia afastam as pessoas, tendo como personagem central o maior símbolo da sociedade informatizada.


Não é dificil de entender A Rede Social, é um filme sobre o universo jovem, repleto de festas, consumo de drogas e sexo casual. Só que diferentemente da maioria dos longas com esta premissa, o roteirista Alan Sorkin insere um contexto moderno explorando a mais célebre ferramenta da era globalizada, a rede social. A partir da conturbada concepção da mais famosa delas, o Facebook, o roteiro coloca lado à lado a "amizade" virtual e a real, mostrando sem pudores como Mark Zuckerberg, um dos criadores e dono do site de relacionamentos, conseguiu 500 milhões de amigos virtuais e perdeu os poucos amigos de verdade em julgamentos milionários.
A direção segura de Fincher o permite condensar o filme de forma que não se torne cansativo e muito menos preso ao universo do site. A intenção, muito bem explícita, é mostrar a dualidade da nova geração, sedenta por interagir com o mundo inteiro, porém cada vez mais individualista e excentrico. Mark ignorou tudo e a todos apenas para fazer o que acha que é certo, evidenciando a leviandade de seu caráter, que muitos podem desaprovar, mas que o mais corriqueiro comportamento do mundo atual.
Seus diálogos ágeis e as interpretações formidáveis dos jovens atores Jesse Eisenberg (indicado ao Oscar) e Andrew Garfield dão uma incrível veracidade ao longa. O diretor finalmente poderá ser reconhecido pela sua sensibilidade em explorar o comportamento humano,e mesmo que A Rede Social não seja melhor que O Curioso caso de Benjamin Button, com certeza é o grande símbolo da modernidade que chegou ao cinema.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O Cinema segundo Orson Welles

No final da década de 30 o cinema americano atingia até então o seu ápice com produções de grande importância e influência para o desenvolvimento da chamada “sétima arte”. Filmes como o naturalista “No tempo das diligências”, de John Ford, o otimista “Do mundo nada se leva” do adorado Frank Capra, e o musical reverenciado por gerações “O mágico de Oz” dirigido por Victor Fleming e responsável pelo debute da estrela Judy Garland, marcaram para sempre seus respectivos gêneros. Mas o grande marco do cinema clássico hollywoodiano foi, com certeza, “E o vento levou”, também de Fleming, e assim como os citados, de 1939.
Foi um grande sucesso de bilheteria por anos, e mostrava que depois da grande depressão que se abateu sobre os Estados Unidos em 1929, o país estava se recuperando. Era impossível pensar que o cinema produziria algo mais significativo, não à toa já era considerado o melhor filme já feito, e assim seria até o fim dos tempos. Entretanto o reinado do filme de Victor Fleming duraria apenas dois anos. Em 1941 o mundo conheceu Orson Welles e a sua epopéia do magnata da imprensa Charles Forster Kane em “Cidadão Kane”.
A grande maioria dos críticos americanos e europeus consentem que o filme foi e será o melhor e mais importante que o cinema já produziu. As inovações técnicas como a profundidade de campo, a introdução do plongeé e o contra-plongeé, o rebaixamento de teto dos cenários foram só alguns de uma infinidade de detalhes que revolucionaram a arte de se fazer cinema. Além das técnicas inovadoras, o roteiro também se desenvolveu de forma singular já que não seguia os clichês básicos vistos até então nas salas de projeção. Charles Forster Kane foi o primeiro grande anti-herói do cinema americano: não era galã e muito menos um bom moço.
Mas nem tudo foram flores. Para chegar ao reconhecimento que o faz carregar o peso de ser o maior de todos, a obra de Welles sofreu com polêmicas e com a indiferença. Teve o seu lançamento quase embargado pelo “Kane” da vida real, o empresário William Hearst, que chegou a processar o diretor por ter se inspirado nele para conceber o magnata da ficção. Além disso, foi ignorado nas principais premiações, entre elas a maior de todas, o Oscar entregue pela Academia das artes cinematográficas desde 1929. Talvez o estranhamento por tudo de diferente que foi apresentado no filme tenha causado essa ojeriza instantânea.
Foi premiado inquestionavelmente com o Oscar de melhor roteiro, porém o gênio Welles foi ignorado como diretor e ator. Mas os olhos da crítica não tardaram a lhe fazer justiça. Começou a ser estudado por teóricos e reconhecido por outros diretores. Produções posteriores começaram a aderir suas técnicas, entre elas o maior sucesso do cinema de Hollywood, “Casablanca” (1943), de Michael Curtiz. No longa, algumas características de Welles são introduzidas, o tornando cinema de mais alto nível. Além disso, um dos movimentos mais importantes, o neo-realismo italiano, só fez de suas obras grandes painéis da sociedade italiana pós-guerra, devido ao advento de 1941.
Se é o melhor de todos os tempos, isso é uma questão de ponto de vista. Entretanto é indiscutível que “Cidadão Kane” foi o mais importante. Sua concepção jogou por terra a capa conservadora que mantinha o fordismo em que se encontrava o cinema americano. A linguagem cinematográfica que Griffith começou, Eisenstein certificou, Welles inovou. Foi o grande “messias” da sétima arte, que assim como Cristo foi ignorado para depois ser contemplado. A diferença é que o diretor viveu para ver o cinema mudar a partir de sua obra. Sorte de quem hoje pode assistir aos bons filmes graças a ele. Azar da Academia que terá que se lembrar para sempre que não premiou o melhor já feito.

Não é mais um “Favela Movie” brasileiro

“Não é mais um Favela movie”. Assim se resume a crítica do Bonequinho do jornal O Globo sobre o filme “Tropa de Elite 2: O inimigo agora é outro”, seqüência do sufocante thrilher de José Padilha, vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim, e campeão de pirataria de 2008. E ele fala a verdade. O longa ganhou um “plus” especial no roteiro, deixando de lado os traficantes e mostrando quem realmente comanda o crime organizado no Rio de Janeiro.
O alarde causado pelo seu lançamento se condensou em um enorme sucesso de bilheteria. Poucos se decepcionaram com o novo rumo do ex-capitão Nascimento, que agora enfrenta inimigos blindados pela farda e pela gravata. Mesmo assim, o novo super herói brasileiro não se deixa abater e bate na cara de deputado para fazer justiça. Esse tema faz de “Tropa 2” um filme politizado, mas, com a mesma carga de tensão que conduzira o primeiro ao extraordinário sucesso.
Entretanto, tem de se dar a Wagner o que é de Wagner. O ator prova que é um dos grandes ícones do nosso cinema conduzindo um personagem mítico por outros caminhos, sem perder o fino de sua interpretação. Moura não só mantém a forma como a aperfeiçoa. Consegue um incrível equilíbrio entre o brucutu que espanca corruptos e o pai que sofre pelo filho. Claro que não há como esquecer a excelente interpretação de André Matos. O cômico cria uma mescla de Renan Calheiros e José Luiz Datena, dando origem a seqüências impagáveis. Se Padilha fez o melhor filme brasileiro desde Cidade de Deus, só o tempo dirá. Mas com certeza acenou para uma nova ideologia para o nosso cinema: o conteúdo político. Em tempos que o cinema nacional nem de longe lembra os áureos tempos de Glauber Rocha e seus companheiros do internacionalmente conhecido Cinema Novo, “Tropa 2” desponta como uma nova opção no cenário nacional, e merece respeito como filme e como arte

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Reconhecimento merecido

Com A Origem, Christopher Nolan consegue inserir na cabeça dos críticos seu talento

É admirável a capacidade de Chris Nolan trabalhar com temas complicados, ou supostamente complicados. Entretanto em A Origem, sua intenção não é testar o nível intelectual de ninguém, mas mergulhar mais uma vez no quebra cabeça paradoxal do intelecto humano. A exploração do sonhos é uma trama tão inteligente e desafiadora quanto um enigma inscrito na pele de um homem portador de uma rara falta de memória.
A comparação com Matrix chegou a ser cogitada, e é válida para quem não acompanha o trabalho do diretor. Ele não quis revolucionar o áudio-visual, e sim, apenas transformar sonhos em realidade. Quem viu suas duas franquias do "Homem Morcego", atestou que o foco principal não foi a parafernália hi-tec que o herói carrega, nas cenas de ação espetaculares (e muito bem feitas) e muito menos na fantástica atuação do falecido Heath Ledger como o caótico Coringa. O interesse de Nolan sempre foi o estudo do lado humano do Morcego, o quanto ele pode ser poderoso e ao mesmo tempo vulnerável como qualquer ser humano. O ladrão de segredos Cobb é um "Cavaleiro das Trevas” sem o uniforme, um homem forte, cheio de astúcia, mas inteiramente falível perante os fantasmas que o assombram.
Assistindo mais de uma vez espectador terá a certeza de que não se trata de um mero sinônimo de Matrix auxiliado pelo talento de seu diretor, e sim uma obra de arte dos tempos modernos, uma convergência de ação, sci-fi, e drama. É um representante do restrito grupo de filmes amados pelo público e elogiados pela crítica que o considerou como melhor filme do ano. Basta saber se os "profissionais" da Academia reconheçam seu belo trabalho e desta vez lhe dê o reconhecimento que merece pagando a dívida moral que ficou pendente depois da vexaminosa indiferença ao seu O Cavaleiro das Trevas.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Prévia do Oscar? Será?

É um fato. A Rede Social de David Fincher é um dos grandes filmes do ano, presentes em todas as premiações do ano, principalmente nas categorias filme, diretor, ator (Jesse Einsenberg) e roteiro, que no Oscar entrará como adaptado. Sua vitória no Globo de Ouro no ultimo domingo o alçou ao posto de favoritíssimo ao prêmio da Academia. Entretanto, há alguns fatores que o deixa no mesmo nível de favoritismo de produções tão boas quanto o longa de Fincher. Um exemplo é o thrilher de suspense, ação e drama A Origem dirigido por Christopher Nolan, que não ganhou nenhum Globo de Ouro, porém tem como pretexto, o fato de o prêmio não analisar a parte técnica das produções. Sim, as categorias direção de arte, maquiagem, figurino, montagem, som e mix de som, fotografia e efeitos visuais, não entraram na premiação do último domingo, o que deixou o filme de Nolan em desvantagem, e apesar de não ser certeza que vencerá nestas categorias, em quase todas seu nome aparecerá, aumentando as chances de os acadêmicos mudarem de idéia. Além do longa de Chris Nolan, outro filme, este inesplicavelmente ignorado na listagem (se alguém souber, por favor me fale), terá mais força na disputa, é o remake do clássico de western Bravura Indômita, que ficou marcado por ter dado o único Oscar de melhor ator para o mítico John Wayne. Previsões à parte, a questão é que A Rede Social é um grande filme e vencendo também o prêmio da Academia, não será injustiça, contudo, o Oscar costuma surpreender o público, e ao menos este ano, terá inúmeros motivos para isso acontecer.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

PREVISÕES OSCAR 2011

FILME

- O Vencedor
- A Origem
- Toy Story 3
- O Discurso do Rei
- Cisne Negro
- A Rede Social
- Minhas mães e meu pai
- 127 Horas
- Bravura Indômita
- Inverno da Alma

*A comédia Made in Dangehan tem pequenas chances, assim como o policial dirigido por Ben Affleck Atração Perigosa. A Ilha do Medo de Scorcesse tem mais chances, como o drama mexicano Biutiful de Alejandro Gonzalez-Inarritu . Entretanto as dez apostas do blog são estas.


DIRETOR

- David Fincher por A Rede Social
- Chris Nolan por A Origem
- Tom Hopper por O Discurso do Rei
- Darren Arronofsky por Cisne Negro
- Joel e Ethan Cohen por Bravura Indômita

* Na briga por direção, Danny Boyle corre por fora com 127 Horas. Lisa Cholodenko será uma surpresa pela comédia Minhas mães e meu pai, tanto quanto González-Inarritu (Biutiful).David O. Russel não será zebra pelo hit O Vencedor.


ATOR

- Jesse Eisenberg por A Rede Social
- Colin Firth por O discurso do Rei
- Mark Whalberg por O Vencedor
- Robert Duvall por Get Low
- James Franco por 127 Horas

*Em ator, a única mudança em relação ao Globo de Ouro será o nome de Robert Duvall, muito elogiado pela crítica em Get Low. Javier Bardem (Biutiful), Ryan Gosling (Blue Valentine) e o atual vencedor Jeff Bridges (Bravura Indômita) estão flertando com uma vaga. Di Caprio por Ilha do Medo e Jake Gyllenhall por Amor e outras drogas, sonham.



ATRIZ

- Natalie Portman por Cisne Negro
- Anneth Benning por Minhas mães e meu pai
- Jennifer Lawrence por Winter’s Bone
- Nicole Kidman por Rabbit Hole
- Michele Willians por Blue Valentine

*Na categoria atriz, tudo praticamente certo. Talvez Halle Barry dê o ar da graça por Frankie e Alice. Anne Hathaway será uma interessante zebra em Amor e outras drogas, enquanto Hilary Swank é uma incógnita por Conviction.


ROTEIRO ORIGINAL

- Cisne Negro
- Toy Story 3
- A Origem
- Minhas mães e meu pai
- O Vencedor

*Não acredito em alguma mudança, entretanto o roteiro de Nicole Holofcener em Sentimento de Culpa segue forte.



ROTEIRO ADAPTADO

- 127 horas
- O Discurso do Rei
- Bravura Indômita
- O Golpista do ano
- A Rede Social

* A grande surpresa da categoria será a comédia estrelada por Jim Carrey e Rodrigo Santoro, O Golpista do ano. O único que pode alterar essa formação é Atração Perigosa.



ATOR COADJUVANTE

- Johnny Deep por Alice no País das Maravilhas
- Geoffrey Rush por O Discurso do Rei
- Michael Douglas por Wall Street: O dinheiro nunca dorme
- Christian Bale por O Vencedor
- Andrew Garfield por A Rede Social

*Essa categoria está disputada. Garantidos mesmo só Rush e Bale. O jovem Jeremy Renner, que se mostra cada vez mais talentoso, tem grandes possibilidades por Atração Perigosa. Mark Ruffalo (Minhas mães e meu pai) e John Hawkes (Inverno da Alma), também mantêm esperanças.




ATRIZ COADJUVANTE

- Helena Bonhan-Carter por O Discurso do Rei
- Amy Adams por O Vencedor
- Julianne Moore por Minhas mães e meu pai
- Mila Kunis por Cisne Negro
- Melissa Leo por O Vencedor

*Nesta categoria a surpresa poderá ser Jacki Weaver (Animal Kingdom). Só não será indicada se Moore não se deslocar para esta categoria. No caso de Barbara Hershey (Cisne Negro), se Mila Kunis for preterida, ela poderá pescar a vaga. Esse ano provavelmente manterá a escrita dos dois últimos anos: Duas coadjuvantes do mesmo filme. Aconteceu com Dúvida em 2009 e Amor sem escalas, ano passado.



FILME DE ANIMAÇÃO

- Toy Story 3
- Como treinar seu Dragão
- Meu malvado favorito
- O segredo dos guardiões
- Enrolados

*A barbada que está para ser essa categoria deixou uma grande disputa para figurar entre os finalistas. Quem pode abocanhar uma vaga nessa disputa é O Mágico, e o divertido Megamente. A última parte de uma das melhores sagas de animação da história, Shrek, só entrará na disputa por muita sorte.



FILME ESTRANGEIRO

- Biutiful (México)
- In a better world (Dinamarca)
- I am Love (Itália)
- The Edge (Rússia)
- The Concert (França)

*A categoria talvez não apresente mudanças em relação ao Globo de Ouro. Entretanto La Prima Cosa Bella tem grandes chances. Tio Boonmee Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas é outro postulante que come pelas beiradas.



DIREÇÃO DE ARTE

- Bravura Indômita
- Cisne Negro
- A Origem
- O discurso do Rei
- Harry Potter e as Relíquias da morte parte I




FOTOGRAFIA

- Inverno da Alma
- A Origem
- O Discurso do Rei
- Bravura Indômita
- Cisne Negro



FIGURINO

- O Discurso do Rei
- Burlesque
- Cisne Negro
- Ilha do Medo
- Alice no País das maravilhas



MONTAGEM

- A Origem
- 127 Horas
- O Discurso do Rei
- A Rede Social
- Toy Story 3



MAQUIAGEM

- Cisne Negro
- Harry Potter e as Relíquias da Morte
- O Discurso do Rei
- Alice no País das Maravilhas
- Burlesque




EDIÇÃO DE SOM

- A Origem
- Tron: O Legado
- Bravura Indômita
- O Vencedor
- Toy Story 3



MIXAGEM DE SOM

- Bravura Indômita
- Harry Potter e as Relíquias da Morte
- A Origem
- Burlesque
- Fúria de Titãs



TRILHA SONORA

- Burlesque
- A Rede Social
- A Origem
- O Discurso do Rei
- Toy Story 3



CANÇÃO

- You haven’t seen the Last of Me – Burlesque
- There’s a Place for us – As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada
- I See the Light – Enrolados



EFEITOS VISUAIS

- A Origem
- Tron: O Legado
- Harry Potter e as Relíquias da Morte
- As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Pelegrino da Alvorada
- Alice no País das Maravilhas

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A GRANDE ILUSÃO

Por Flávia Silva


“Mas sei como fazer as coisas funcionarem. Sempre podemos fazer algo bom de algo ruim.” Wilham Stark

Sean Penn encabeça um maravilhoso elenco que brilha em A Grande Ilusão.
Um épico sobre a política de todos os tempos. Wilham Stark é um matemático que
se lança no mundo da política para desafiar os poderosos de sua pequena cidade do estado da Louisiana (EUA) depois que um acidente fatal tira a vida de crianças no colégio local. À medida que sua popularidade vai se tornando maior cresce também
o interesse de seus adversários políticos em não mudar a forma de se fazer política na região.

É próprio de a natureza humana buscar justificativas sobre atos que outros julguem imorais e ilegais, sobretudo quando se trata da política e sua politicagem. Aí entra Maquiavel e seus fins que justificam os meios neste sistema que atravessa gerações sem a necessidade de se preocupar com justiça ou qualquer outro termo sinônimo.
Atos que dispensam o acompanhamento de uma lição de moral no final. O bem sempre vence, o vilão sempre é punido e a justiça sempre prevalece. Algumas pessoas conseguem lidar melhor com certas realidades do que outras cuja visão age sob uma única perspectiva. São as chamadas daltônicas, ou seja, aquelas que não conseguem enxergar além do preto e branco. Hipocrisia ou apenas a facilidade que temos em nos deixar iludir facilmente por idealismos políticos?
Para uma maioria a política representa o que há de mais nocivo para a humanidade.
A desilusão criada em torno deste sistema é tão grande que se reflete no aumento consi-derável do número de abstenções durante as eleições. Mas a decepção só existe quando alimentada pela ilusão. Só se deixa iludir pelo sistema quem ainda tem uma visão genuí-na sobre o assunto. Quem acredita piamente que as pessoas deste mundo são ou tende a ser incorruptíveis, incapazes de cometer atos no mínimo duvidosos para alcançar seus objetivos. A política sendo feita por heróis de ficha 100 % limpa. Neste processo quanto maior esta convicção, maior a decepção uma vez que constatamos que a política pende para o lado da politicagem com seus esquemas e negociatas.
Seguindo uma concepção religiosa somos dotados por Deus de livre arbítrio e a capa-cidade de escolher um único caminho por entre o Bem ou o Mal. Dos homens herdamos a racionalidade, ou seja, a capacidade de enxergar algumas questões de forma mais am-pla, sem a definição divina e inflexível. Ao nos desprendermos deste conceito este ca-minho toma uma via dupla sem um ponto final definitivo. Um dos capítulos mais con-troversos da história com certeza foi o da invasão americana ao Iraque. Uma atitude vis-ta com perplexidade e desaprovação do mundo todo devido às conseqüências irrepará-veis aos vários civis daquele país. Naquela época o então presidente americano George W. Bush chegou a ser chamado de o Anti-Cristo pelas camadas religiosas e adjacentes, mesmo com a captura do ditador Saddam Rocem. Há, entretanto um seleto grupo que enxergou a atitude do ex-presidente por outro lado. Sob várias cores e perspectivas dan-do a ele o benefício da dúvida ao justificar seus meios usados para livrar o mundo de uma figura tão nociva para a humanidade. É o famoso Mal que vem para o Bem. Ou se-ria o Bem que vem do Mal? A única certeza é de que no final não há mocinhos nem bandidos. Apenas a velha e boa política. Universal, atemporal e maquiavélica.
Pensemos na figura de Wilham Stark tão contemporânea no mundo de hoje. Em primei-ra instância um político incorruptível que tinha apenas seu ideal, sua voz e seu carisma como arma contra os poderosos. Porém quando percebeu que estas armas seriam ineficazes contra o sistema, decide reprimir seus princípios e se submeter a uma infinidade de recursos ilícitos em nome de seu propósito. Um propósito maior para ele e para a cidade. Sujar as mãos e derrotá-los com suas próprias armas. De aliada a política então se torna sua adversária. Entretanto ele não contava com as conseqüências destes atos que teve em seu desfecho sua trágica morte bem arquitetada por seus adversários e executada por um idealista daltônico.
Stark faz parte de um grupo de políticos que se elegem com boas intenções, mas a pres-são de conseguir cumprir suas promessas, as alianças duvidosas que são induzidas a fazer e os efeitos de se envolver na política do adversário os tornam corruptíveis. Foram estas observações que levaram a militante Marina Silva, candidata à presidência nas últimas eleições a se desligar de seu partido de origem segundo seus princípios. Para ela
a essência do partido se tornou colorida demais e ficou difícil visualizar o final do arco-íris.
Não se faz uma omelete sem quebrar os ovos. Não se faz política sendo apenas o mocin-ho da história. Não se faz história apenas separando mocinhos de um lado, vilões do ou-tro. Assim sendo voltemos à religião. Historiadores descobriram recentemente um evan-gelho que julgaram ser um dos indexados pela Igreja Católica. Trata-se do Evangelho proibido do apóstolo Judas. Segundo estes sagrados manuscritos a figura do apóstolo mais famoso na história da crucificação é retratada de uma forma totalmente controver-sa a apresentada pela Igreja desde seus primeiros tempos. Neles o apóstolo traidor se torna o discípulo mais fiel aos desígnios de Deus em sua missão de salvar o mundo através de Cristo. Aqui a traição, capítulo mais sombrio da relação de mestre e discípulo ocorre de acordo e consentimento do próprio Jesus. Inclusive há uma passagem onde se narra a relutância do apóstolo em cumprir “sua missão” perante Deus. Deixando de lado concepções religiosas e a análise da veracidade destes fatos, chegamos a uma colocação interessante. Podemos concluir que Judas acaba se tornando então o mocinho, o herói da história. E que se não fosse por ele não haveria crucificação e consequentemente salvação. Estas descobertas só fazem reforçar uma nova concepção do que é certo e o que é errado. No final o nome de Judas se funde com o do político Stark. Ambos acabam nos fazendo refletir a respeito do mundo, suas cores e perspectivas. Fica cada vez mais evidente que hoje em dia não existe mais espaço para pessoas meramente idealistas que simplesmente se deixam levar por uma única forma de enxergar algumas questões. Conjurar retamente o certo e o errado passa a ser privilégio de santos, heróis sobre-humanos em uma realidade paralela. Há quem precise disso. Acreditar em contos de fada, agarrar-se ao que realmente acha ser o correto, o incorruptível. Contudo no mundo real e político ao qual pertencemos é essencialmente viável que tentemos encontrar o meio termo, um mundo mais colorido numa cartilha humana de sobrevivência. Dar nossa contri-buição para a democracia seguir da melhor maneira possível e sem criar grandes expectativas. Estar preparado para uma possível frustração. Afinal, trata-se da política com seus raios e trovões em dias de chuva. E depois para alguns é possível até visualizar um lindo arco-íris. Mas sem o pote de ouro no final.

A GRANDE ILUSÃO (All the King’s Men/2006)
Com Sean Penn, Jude Law, Kate Winslet e Antony Hopkins

Veja também:
* Frost/Nixon * A última tentação de Cristo

sábado, 31 de julho de 2010

Diversão para crianças, emoção para adultos

Em 1995, um grupo de animadores da Pixar, sob a batuta de John Lasseter mudou totalmente visão do mundo a respeito dos desenhos animados. Já estávamos nos primórdios da era digital, e cinema, TV, rádio ou qualquer veículo de comunicação teria que procurar formas de se adaptar. O discurso parece de Pierre Levy, mas serve para ilustrar o impacto que filme teve no mundo cinematográfico. Agora na terceira parte da aventura, os brinque dos mais amados do mundo mostram que, assim como sua tecnologia, estão em ótima forma e são capazes de levarem adultos e crianças dos risos às lágrimas.
O grande desafio de Toy Story 3 foi na concepção do roteiro, pois os roteiristas queriam que a história tivesse um segmento temporal fiel, simplesmente não quiseram continuar na linha do não envelhecer nunca de alguns desenhos animados. Sim, seria um desafio. Andy, o menino dono dos brinquedos, agora era um adulto, prestes a ir para a faculdade e não tinha o que fazer com seus antigos brinquedos. O que parece uma premissa de um drama se tornou a grande sacada do filme.
O roteiro se tornou o mais adulto dos três, já que nos remete a um período de nossa vida onde o que é importante acaba sempre ficando de lado. São os princípios, o valor da família, e o envelhecimento precoce das emoções, disfarçados de simpáticos brinquedos. Não que o Andy tenha se tornado um jovem cético, mas é subjetivo o entendimento de cada um. No íntimo, todos sabem onde lhe faltou algo. Na lembrança vêem aqueles bonequinhos de exército, a boneca de pano que não falava, a bola amarelada e surrada, e até mesmo latinhas e ossinhos que para os desfavorecidos eram os melhores brinquedos do mundo. E depois da lembrança fica o questionamento de onde o mundo insensível lhe pegou. Mesmo sabendo da importância do primeiro filme para o cinema de animação, o brilhante roteiro, uma constante da Disney/Pixar, faz de Toy Story 3 o melhor filme da trilogia. Da comédia hilariante à emoção da despedida, fica fácil ver adultos e jovens que se acham adultos saírem da sessão com lágrimas nos olhos. Mas será que desta vez teve um fim a saga de Woody e Buzz? Bom isso é difícil saber, mas se depender da criatividade do pessoal da Pixar, a qualquer momento pinta o quatro

ENTRE O CÉU E A TERRA, O OLHAR DO PARAÍSO

Por FLÁVIA C. SILVA


Se para cada ação há uma reação, então é comum esperarmos que para cada crime
haja uma punição,certo?Mas e quando as linhas da lei de Newton não interagem
com as leis humanas?O que nós, criaturas primitivamente imperfeitas podemos fa-
zer diante desta dura realidade?
É comum para todos nós sentirmos uma dor dilacerante na alma quando perdemos alguém que amamos de forma brutal.Junto com esta dor surgem dúvidas e questões preponderantes que só acabam com uma busca incessante por justiça.Isso faz parte
da vida. No entanto num país onde as leis parecem existir apenas para uma parte marginalizada da população,esta busca desesperada fica atenuada pelo desejo de vingança.Fazer justiça com nossas próprias mãos.Criamos nosso próprio sistema judicial que parece ter saído de um daqueles filmes de Clint Eastwood e seus inimi-táveis faroestes.Lançamos mãos sobre armas legais ou não,pensando que através
delas encontraremos as soluções de nossos problemas.Uma decisão que tomamos inflamados pela dor da perda e da desesperança quanto aplicação da justiça.A im-pulsividade na maioria das vezes nos deixa a mercê de conse-qüências nocivas a
nós mesmos.Foi esta busca incessante por justiça que matou a estilista Zuzu Angel
num acidente pouco explicado na década de 70.Ela lutava contra um sistema que vi-gora até hoje, procurando desesperadamente por informações a respeito do paradeiro
de seu filho,um ativista político como tantos outros que ainda permanecem desapa-recidos sem que as famílias sequer tenham o direito de velar por eles. A dor destas famílias que permanecem fiéis a esta busca se retrata todos os dias em cada um que
vive um drama parecido com o da família Salmom. Até onde podemos suportar a fal-
ta de respeito com esta dor?Até onde podemos suportar o descaso das autoridades com
tantos casos arquivados por falta de um sistema judicial equilibrado?Até onde podemos suportar a possibilidade de esbarrar numa calçada, shopping ou numa igreja com crimi-nosos de alta periculosidade que “já pagaram sua dívida com a justiça”?Diante de tantas inquietações torna-se impossível não lançarmos mão sobre um bastão de Beisebol e corrermos na escuridão atrás de nossos algozes.Fazer com que sintam o mesmo que nós,esperando que a dor dilacerante finalmente desapareça.É a fa-mosa lei do olho por olho,dente por dente.Aquele que nunca pensou nesta possibili-dade que atire sua pri-meira pedra. Ou então, que espere pela justiça, aquela que tarda, mas não falha. E se ela falhar, deixemos a cargo do tempo ou do destino.
Seja como for, o importante é não deixar que a razão sucumba perante nossos instintos, pois tanto as leis humanas quanto as leis de Newton costumam ser impiedosas com aqueles que confundem os conceitos da celestial justiça com o da terrena vingança. É a ação e reação agindo a favor de quem entende estas leis. E para isso nem é preciso ser um gênio da Física.

Desejos e reparações

Por FLÁVIA C. SILVA
“Eu não mais sequer consigo imaginar que propósito
tem a honestidade ou a realidade.”
Briony Tallis
Orgulho ferido, arrogância ou apenas o desejo de brincar de Deus?
Inteligência e imaginação são dons que nos ajudam a trilhar de as estradas da vida de forma mais “segura”.Enquanto a primeira nos dá o suporte racional necessário, a última atua como uma válvula de escape para cada vez que tentamos fugir de uma sufocante realidade.O desafio então consiste em tentar equilibrar estes dons através
de nossas limitações.Porém toda vez que incorporamos Briony Talles estamos longe de superar este desafio.Quando nossa arrogância nos cega diante da ilusão do poder
de atuar e interferir – muitas vezes de forma nociva na vida dos outros .Caímos na armadilha imposta a todo ser humano e nosso egocentrismo acaba superando a razão,nos impedindo de enxergar as virtudes imperfeitas dos outros. Adequamos suas histórias aos nossos interesses sem nos preocuparmos com a responsabilidade de dis-
cernir o certo do errado.Sempre que a imaginação supera a inteligência, deixamos
de agir com racionalidade, trazendo conseqüências irreparáveis.
Assassino confesso da atriz Daniela Perez, o ex-ator Guilherme de Pádua, teve re-
centemente num programa de TV, uma chance única de tentar repara o irreparável.
No entanto sua postura cinicamente irônica, só fez acentuar a mágoa de milhares de
pessoas que perplexos assistiam à equivocada entrevista.Guilherme usou de sua imaginação para tentar retratar seu lado humano(se é que ele tem um), para explicar
sua versão da inexplicável tragédia que alterou de forma dramática a vida de uma
promissora atriz e de sua família.E o apresentador não usou de sua inteligência para
conduzir com precisão a entrevista e evitar todo o constrangimento que causou.E o
vexame só não foi maior por conta da audiência obtida pelo programa.
Seja pelas páginas de um livro ou por atitudes corriqueiras no dia-a-dia, é preciso que
tenhamos inteligência para pensar e agir sob certas emoções e cabe somente a nós tra-
çar com exatidão a linha tênue que separa o certo e o errado.Medir com inteligência
o tamanho de nossa imaginação.Devemos e podemos encontrar este equilíbrio, pois
é provável que não tenhamos tempo nem imaginação suficientes para reparações.


Desejo e reparação (Atonnement /2007)
Com Keira Knightley , James McAvoy e Saoirse Ronan

Quando um mais um é igual a nada

A Mitologia Grega é de fato a mais fascinante viagem ao mundo do fabuloso de que temos conhecimento. Histórias ricas em detalhes e descrições perfeitas de seres interessantes, tanto quanto bizarros, é um consistente roteiro pronto para transportar toda essa magia dos livros para as telonas. Entretanto, não é tão simples. Toda sua carga de arte pode virar uma grande bomba nas mãos de diretores com pouca experiência. Foi o que infelizmente se viu até hoje nas malfadadas adaptações de histórias como Odisséia, O jovem Hércules, e nos recentes Percy Jackson e o ladrão de raios, e Fúria de Titãs.
Os dois últimos citados são exemplos claros de como não se pode simplesmente “jogar” a mitologia na telona. Percy Jackson segue alinha teen da saga Crepúsculo, onde mito e o universo juvenil se entrelaçam formando algo que beira o estúpido, mas que tem o seu público fiel. Uma concepção como essa, Deuses-Modernidade, era um tanto arriscada, poderia levar o diretor ao Olimpo ou ao Mundo Inferior. Depois de quase duas horas de tiradas que eram para ser engraçadas e de péssimos figurinos e direção de arte (incluindo espadas e armaduras visivelmente de plástico), não tenho dúvidas que o diretor está fazendo companhia ao pobre Hades.
Já a refilmagem do clássico de 1981, Fúria de Titãs tinha tudo para ser formidável. Roteiro puro e simples de uma das mais belas e encantadoras passagens da mitologia, com personagens dentre os mais fantásticos da obra da antiguidade clássica como Perseu, Medusa e o Kraken, era sucesso garantido. Ledo engano. O longa atual só supera o original em efeitos visuais e sonoros, de resto sobra apenas um filme com pressa de chegar ao fim. Tanto que o herói chega à metade de sua saga antes mesmo que o público termine sua pipoca. É a tal falta de roteiro compensada com frenesi e efeitos berrantes que tanto fala José Wilker. Nem Ralph Fiennes na pele de Hades consegue dar um tom diferente ao filme.
Para os fãs de mitologia e de cinema ficou a frustração. Esperavam se deliciar com o mundo fantástico repleto de heróis e monstros, seres fabulosos que valessem o ingresso. Mas infelizmente a única sensação que deve ter ficado é a de que viram dois filmes semelhantes, porém que não acrescentaram absolutamente nada.

terça-feira, 20 de abril de 2010

NASCIDOS EM 7 DE SETEMBRO por Flávia Cristina Silva

" Acreditei neles!Vão lutar!Vão matar!
Tudo mentira!Um monte de mentiras!"
Ron Kovic


Uma inesquecível e emocionante atuação de Tom Cruise como o veterano de guerra Ron Kovic,
baseado numa história real, Nascido em 4 de Julho segue o jovem Kovic de entusiasmado adoles- cente que se alista como voluntário para a Guerra do Vietnã a um amargurado veterano paralisado da barriga para baixo.Perdidamente apaixonado por seu país,Kovic retornou a um ambiente completamente diferente do que deixou a desponta como uma voz para os desencantados.
Foi sob as margens do Rio Ypiranga que nasceu nosso amado país.Naquele 7 de Setembro mais
do que independência conquistávamos o direito de sonhar com uma nação verdadeiramente livre e promissora para todos.Quase dois séculos depois o que era para ser sonho está se transformando na mais angustiante das ilusões. Muitos afirmam que o Brasil está se tornando o país do futuro.E talvez realmente seja.Mas a que futuro estão se referindo?Se pararmos para pensar minunciosamente chegaremos a uma só conclusão nem un pouco favorável ao povo brasileiro.E o mais irônico é perceber que nós mesmos estamos desenhando este futuro ao fazer do nosso sagrado direito de votar o mesmo que fazemos com nossos deveres como cidadãos.Erramos ao nos deixar levar por ufanismo exagerado que nos inebria diante de sérias questões sedentas por vitórias verdadeiramente viáveis para todos nós. A nossa recente história nos leva a vitórias irrelevantes para quem realmente deveria comemorá-las. Será que sair às ruas de bandeiras em punho e caras pintadas ou acompanhar ansiosamente o desfecho de uma candidatura de teor bem mais político do que nacionalista é demonstrar o nosso poder? Ou apenas comprovar nossa incrível capacidade de nos deixar iludir por promessas tão vazias quanto nossas contas bancárias? Onde está a vitória conquistada em 1 de Setembro de 92 quando voltamos a eleger aquele mesmo presidente como senador da República? Onde está a nossa vitória de 4 de Outubro de 2009 e a que interesses ela realmente serve? São importantes indagações que deveríamos fazer antes de comprarmos uma batalha que certamente não é totalmente nossa.
Assim como fica cada vez mais difícil acreditarmos que o futuro da nação ainda está disponível em qualquer voto eleitoral consciente,fica também difícil prever um grande futuro para um país que elege figuras caricatas de nomes peculiares como representantes de seus direitos. Nossa verdadeira essência consiste em comprometimento com nossa nação e não em promessas infundadas e vitórias ilusórias.
Fazer dos nossos deveres os mesmos com nossos direitos. Ainda não é tarde para visualizarmos este país do futuro e escolhermos de que lado devemos estar e a que interesses devemos seguir. Ou terminaremos como Ron Kovic,munidos apenas de sonhos e ilusões,aleijados em nossos direitos e ainda clamando por independência às margens de um rio qualquer.
Em tempo: dar um milhão e meio de reais de mão beijada a uma pessoa como esse tal marcelo dourado é entender o pôrque do país se encontrar nesta situação. Acorda povo brasileiro!Enquanto ainda é tempo! Pois o futuro pode não ser tão dourado assim para nós.

terça-feira, 23 de março de 2010

Guerra ao Terror, vencedor do Oscar de melhor filme : Merecido?
Ele desbancou o poderoso Avatar de Cameron com um orçamento muitas vezes menor, além disso saiu do ostracismo para se tornar um filme vencedor de seis Oscar. Merecido? Antes da resposta podemos destacar alguns aspectos que irão fazer jus à sentença.
Para começar a diretora Katryn Bigelow teve coragem ao mostrar o lado "humano" dos soldados americanos que são mandados para o sofrimento e muitas vezes para a morte, fazendo os questionamentos sobre a necessidade da guerra ficarem ainda mais intensos. Ela também foi inteligente em dar maior destaque ao conflito psicológico ao invés do armado, se tornando um filme tenso, mas não maçante como os últimos do gênero que foram lançados. Este é o diferencial do filme. Enquanto James Cameron contratou um exército de nerds para desenvolver com perfeição o incrível planeta Pandora, Mark Boal, roteirista, foca o fator humano e sua degradação mental causada pela tensão contínua do sítio americano no Iraque. Pode ser que o roteiro não fosse melhor do que o da guerra de Tarantino ou a singeleza da animação Up - Altas aventuras, mas serviu de critério de desempate para vencer Avatar.
Contudo o mais importante talvez seja a sobrevida que o bom e velho drama ganhou com a derrota do longa surreal de Cameron, que podia instalar uma nova era no cinema em que a realidade não seria real, e sim virtual.
Por isso digo que o prêmio de melhor filme, mesmo que muito contestado, foi merecido.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Injusto? Será?

E mais uma premiação do Oscar se foi, e como é de praxe, as insatisfações e dúvidas sobre a honestidade da Academia ficam em destaque. Mas quem acompanha o cinema, a premiação e sua história, sabe que diversas surpresas já causaram ojeriza muito maior a público e crítica desde seu início em 1929.
Podemos começar pelo ano passado, onde o azarão Quem Quer Ser Um Milionário? venceu oito prêmios e desbancou o então favorito O Curioso Caso De Benjamin Button, que colecionara 13 indicações, perdendo apenas para Titanic (1997) e A Malvada (1950) em numero de nomeações, porém venceu apenas três. Injustiça? Para muitos sim. O filme de David Fincher é superior ao de Danny Boyle em muitos aspectos, principalmente técnicos. Entretanto a fabulosa história do jovem indiano Jammal, da miséria absoluta ao prêmio de 10 milhões de dólares ( ou libras), comove e diverte, o que deve ter sido crucial para a sua vitória. Não que o filme fosse ruim, mas é inferior a utópica biografia de Benjamin Button, adaptada do conto de F. Scott Fitzgerald.
Outro caso mais recente ocorreu em 2006, que tinha o romance gay de excelente e ousada direção de Ang Lee, O Segredo de Brokback Mountain, favoritíssimo e com as duas mãos na estatueta, mas foi surpreendido pelo tenso e paranóico desenho da sociedade americana pós 11 de setembro, de Crash - no Limite de Paul Haggis. Com exceção dos homofóbicos, todos odiaram a escolha da Academia.

Ainda pode-se destacar alguns casos mais notáveis de "injustiças". Em 1976, Rede de Intrigas e Todos os Homens do Presidente, faziam uma disputa acirrada pelo prêmio, sendo que ainda eram assombrados pelo drama Taxi Driver, de Scorcesse. Mas quem riu por último foi Sylvester Stallone com o seu modesto, independente e de roteiro escrito em inacreditáveis três dias, Rocky, Um Lutador. O resultado estarreceu, pois mesmo com a excelente crítica que recebeu, o prêmio de melhor filme era inimaginável. E para terminar, o mais azarão de todos talvez tenha sido A Volta ao Mundo Em 80 Dias. Apesar de ser um bom filme, com bons público e crítica, nem de longe se comparava aos outros concorrentes, entre eles o drama Assim Caminha a Humanidade, o bíblico Os Dez Mandamentos e o romance O Rei e Eu, três dos mais famosos filmes da história do cinema. O fato de ser uma adaptação do mundialmente conhecido livro de Julio Verne, pode ter encantado os votantes da Academia e pesado na hora da decisão.

Essa viajem na história do prêmio serviu para provar o quanto a premiação por vezes foi injusta e incoerente, isso só ressaltando a premiação principal. Mas vale lembrar que os membros votantes da academia são seres humanos e por mais que sejam profissionais, as suas preferências pessoais acabam interferindo na hora do voto. Porém não cabe a nós julgá-los, se a eleição fosse popular teríamos Lua Nova como melhor filme e Kristen Stewart como melhor atriz (com todo respeito aos fãs da franquia) gerando mais e mais insatisfações. A premiação desse ano foi em alguns pontos justa e em outros absurdo, mas o cinema é assim mesmo, depende muito do ponto de vista.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Frost ⁄Nixon (2008)

O maior escândalo político da história americana, o Watergate, e o seu personagem principal, Richard Nixon, são a base deste thriller de Ron Howard. Três anos após sua renúncia, Nixon (Langella) tinha sonhos de voltar à política e veio essa chance no convite de David Frost (Sheen), que queria arrancar do ex- presidente suas confissões e desculpas, tornando o diálogo tenso e hipnótico. Howard consegue prender o espectador na poltrona ao nos revelar os bastidores, e a entrevista mais assistida da história.Com uma montagem excelente, de tom documentarista, o filme peca apenas pelas cenas desnecessárias, mas que não o torna um filme chato.

Frost/Nixon, 2008, Ron Howard. Com Frank Langela, Michael Sheen, Sam Rockwell, Kevin Bacon, Rebecca Hall.

Recebeu 5 indicações ao Oscar.
Wall-e (2008)

Gênero da animação está cada vez mais interessante, e isso acontece devido aos roteiros complexos e bem desenvolvidos. Camuflados por baixo de personagens fofos ou bizarros. Desde A Bela e a Fera (1991, Indicado a Melhor Filme), as animações sempre tentam passar algo ao público, às vezes tendo que se pensar muito até encontrar a mensagem. Com wall-e, o gênero parece ter chegado ao ápice, o robozinho nos mostra um futuro deteriorado, onde os homens, sem contato humano afetivo, são manipulados por maquinas, e o nosso planeta completamente devastado pelo lixo consumista. Com seis indicações ao Oscar, parece difícil que outra animação ultrapasse esse nível, porém só esperando para vê.

Vencedor do Oscar de Melhor Animação. Suas 6 indicações são recordes entre as animações
Quem quer ser um milionário? (2008)

Quem quer ver uma Índia real, tem que assistir a este filme. Num famoso programa de perguntas e respostas, um favelado responde todas, e, fica a uma de se tornar milionário. Trapaça? Com o decorrer da história ele consegue provar que não está trapaceando, contando a sua vida, e como a sua dura batalha pela sobrevivência, o ensinou além das respostas, a perseverança e amor ao próximo. A preparação do elenco foi feita nos moldes de Cidade de Deus, o que fez com desse mais emoção e veracidade aos personagens, técnicas simplórias e magníficas também são sua marca registrada. Com exceção dos momentos onde a história parece não ter ligação, o filme é muito bom. Venceu oito Oscar com autoridade.

Slumdog Milionaire, 2008, Danny Boyle. Com Dev Patel.

Recebeu 10 indicações ao Oscar. Venceu 8, incluindo Melhor Filme.
Milk- a voz da Igualdade (2008)

Quando dizem que Sean Penn é sinônimo de show de interpretação, não há exagero. O ator prova por que recebeu o Oscar na categoria ao dar á vida a Hervey Milk, um ex- gay enrrustido que se torna o primeiro a assumir um cargo público nos Estados Unidos. Seus amores, amigos e sua luta incessante pela igualdade de todos, não apenas dos gays, como também negros, idosos e deficientes, é uma inspiração.Com um roteiro bem elaborado, o filme conta também com a dedicação dos jovens Emile Hirsch e James Franco, excelentes, e do experiente Josh Brolin.

Milk, 2008, Gus Van Saint. Com Sean Penn, Josh Brolin, James Franco, Emile Hirsch, Diego Luna.

Vencedor de 2 Oscar (Ator, Roteiro Original)
O Curioso Caso de Benjamin Button (2008)

Através da adaptação do fantástico conto de F. Scott Fitzgerald, David Fincher nos leva a refletir sobre a vida, a morte, a alegria e a tristeza. Em conjunto á direção de arte, maquiagem, efeitos visuais de tirar o fôlego, e isso só destacando os mais impecáveis, o longa diverte e emociona do inicio ao fim. Acompanhando a vida de Benjamim Button, Brad Pitt, ótimo, podemos tirar a lição de que tudo acontece na vida sem o nosso controle, e o que devemos fazer é simplesmente viver. Por todos esses atributos, O Curioso Caso de Benjamin Button já é um dos melhores filmes de todos os tempos.

The Curious Case of Benjamin Button, 2008, David Fincher. com; Brad Pitt, Cate Blanchett, Tereji P. Henson, Tilda Swinton.

Vencedor de 3 Oscar (Diretor de arte, Maquiagem, Efeitos visuais), e recebeu outras 8 indicações.